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Sustentabilidade

Com estimativa inicial de 354 milhões de toneladas, safra 2025/26 de grãos pode ser a maior da história – MAIS SOJA

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Por Marcos Fava Neves

Economia mundial e brasileira

O Banco Central divulgou mais um Boletim Focus, no dia 29/09, com projeções sobre os indicadores da economia brasileira. Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a projeção é de 4,81% no ano corrente e 4,28% no seguinte (ambos em queda mensal). Enquanto isso, a expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto) é de um crescimento de 2,16% em 2025 e 1,8% em 2026 (pequena retração nos dois). O câmbio também veio em queda, devendo ficar em R$ 5,48 ao término deste ano e em R$ 5,58 no próximo. Por fim, a Selic permaneceu em 15% para 2025 e retraiu para 12,25% em 2026.

Estados Unidos

A decisão do Fed (Federal Reserve, o Banco Central) de cortar juros pela primeira vez em nove meses, e no Brasil, a manutenção da Selic pelo Copom em 15% ao ano, trazem impactos para o agro. A redução dos juros pode fortalecer o real e pressionar a competitividade via câmbio das exportações do agro. Por outro lado, imaginou-se que a taxa de juros no Brasil acompanharia a queda americana, mas não foi o que aconteceu. A persistência dos juros altos no Brasil ainda limita o financiamento, dificultando investimentos e renovação tecnológica para a próxima safra.

Agro mundial e brasileiro

O Índice de Preços de Alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) alcançou em setembro a média de 131,4 pontos (1% superior ao mês anterior e 7,8% acima do mesmo período de 2024). Os cereais (-0,6%) foram influenciados pelo desempenho do trigo, que segue pressionado pela ampla disponibilidade global e demanda internacional moderada. Já os preços do milho se mantiveram mais firmes, sustentados por incertezas sobre produtividade na União Europeia e forte demanda por etanol nos Estados Unidos. Os laticínios (-0,9%) registraram o 3º mês consecutivo de baixa devido a quedas nas cotações da manteiga, queijo e leite em pó integral, em vista de uma oferta global sólida.

Por outro lado, os óleos vegetais (+2,9%) alcançaram o maior patamar em dois anos, puxado pelos preços do óleo de palma, que continuam crescendo em meio à firme demanda para biocombustíveis e menor produção no Sudeste Asiático. Já o óleo de soja oscilou levemente, diante de boas expectativas para a safra 2025/26. As carnes (+1,1%) marcaram um novo recorde histórico, com destaque para a carne bovina, que teve alta puxada pela demanda firme da China e dos Estados Unidos. Já as carnes de frango apresentaram leve recuperação após meses de queda, justificado pelo aumento nas exportações brasileiras e redução gradual das restrições sanitárias em alguns mercados. Por último, o índice do açúcar (+0,1%) ficou estável.

O 1º relatório da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para a safra de grãos 2025/26, divulgado em 18 de setembro, indica um novo recorde na produção nacional, com 353,8 mi de t, acima dos 350,2 mi de t da safra 2024/25 (+0,1%). O crescimento se dá pelo aumento da área plantada para 84,2 mi de ha (+ 3,1%), cerca de 2,5 milhões de hectares a mais. A projeção indica queda de 2% na produtividade, para 4.199 kg/ha. A soja e o algodão devem crescer 3,6% e 0,7%, respectivamente; e o milho, retrair 1,0%.

A Conab também divulgou o 12º e último boletim de safra de grãos para o ciclo 2024/25, ampliando novamente a previsão de produção, de 345,2 (agosto) para 350,2 mi de t (setembro). Com a divulgação dos números finais, a produção na safra foi 16,3% maior em relação ao ciclo 23/24; a área total cresceu 2,3%; e a produtividade ficou sensivelmente maior (13,7%). Os números são um novo recorde para o agro brasileiro.

No milho

O relatório de agosto do USDA para a safra 2025/26 revisou para baixo a estimativa de produção global do milho, passando de 1.288 mi de t (agosto) para 1.287 mi de t (setembro). Esse volume supera em 4,7% a safra 2024/25, estimada em 1.229 mi de t, com 58 mi de t adicionais. Ainda em relação a agosto, as previsões para a produção de milho permaneceram inalteradas para os seguintes países: China (2º), com 295 mi de t (+0,03%); Brasil (3º), com 131 mi de t (-0,8%); e Argentina (5º), com 53 mi de t (+6,0%).  Enquanto isso, os Estados Unidos (1º) ampliaram a produção para 427,1 mi de t (+13,1%) e a União Europeia (4º) caiu para 55,3 mi de t (-6,8%). Para o ano 2025/26, estima-se que os estoques finais de milho cheguem a 281,4 mi de t, redução de 1,0%.

Nos EUA, até 21 de setembro, o USDA avalia a condição das lavouras de milho da seguinte maneira: boas em 49% (2024: 50%) e excelentes em 17% (2024: 15%). Até a referida data, 11% dos campos de milho haviam sido colhidos no país, mesmo percentual da média dos últimos 5 anos.

No Brasil, o último levantamento da Conab para a safra 2024/25 trouxe números finais para o cereal. Novamente, a produção foi elevada: 139,7 mi de t, oferta 20,9% superior em comparação com a safra passada. A produção ficou distribuída assim: 24,9 mi de t na primeira safra (+8,6%); 112 mi de t na segunda safra (+24,9%); e 2,7 mi de t na terceira safra (+8,5%). A produtividade média do milho foi de 6.391 kg/ha, um aumento de 16,5%, com uma área de 21,9 mi de ha (+3,8%). No histórico de safras da Conab, que teve início em 1976/77, essa safra se confirma como a mais produtiva da história, superando em produção e produtividade os recordes de 2021/22: 131,9 mi de t e com produtividade de 5.923 kg/ha.

Até 20 de setembro, a Conab indica que a colheita do milho 2ª safra (2024/25) alcançou 99,6% da área prevista, (média últimos 5 anos: 99,4%). Já o plantio da 1ª safra de 2025/26 foi iniciado e soma 20,8% (2024/25: 18,2%). A semeadura no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina alcançaram 50%, 48% e 40%, respectivamente.

Na bolsa de Chicago, no dia 26/09, os contratos de milho para vencimento em dez/25 estavam cotados em US$ 4,219/bushel, apenas 0,3% maior do que o preço registrado há um mês (era de US$ 4,207/bushel).

Na soja

o relatório do USDA de setembro para 2025/26 revisou para baixo a previsão de produção, passando de 426,4 mi de t (agosto) para 425,9 mi de t (setembro). Se confirmada, a oferta será 0,4% superior a safra 2024/25; ou 1,7 mi de t adicionais. Nos três principais produtores, apenas o Brasil (1º) deve elevar sua produção em comparação com a safra anterior: 175 mi de t (+3,5%).  A produção de soja dos Estados Unidos (2º) está estimada em 117,0 mi de t (-1,5%).  Já a Argentina (3ª) permaneceu estimada em 48,5 mi de t (-4,7%). Os estoques finais devem ficar em 18,2 mi de t, 1,7% maior que a safra passada.

Nos EUA, o USDA avalia a condição das lavouras, até o dia 21 de setembro, da seguinte maneira: boas em 48% (2024: 52%) e excelentes em 13% (2024: 12%). 9% dos campos de soja haviam sido colhidos até essa data, a mesma média das últimas 5 safras.

No Brasil, o último levantamento da Conab para a safra 2024/25 trouxe números finais para a oleaginosa. Confirmando os bons números previstos, a Conab indicou que foram colhidas 171,5 mi de t, oferta 13,3% superior em comparação com o ciclo anterior. A produtividade da soja foi de 3.621 kg/ha, o que indica um aumento de 10,3%, com uma área de 47,3 mi de ha (+2,7%). Assim como no milho, a safra 2024/25 se confirma como a mais produtiva da história, desde 1976/77, superando em produção e produtividade a safra 2021/22.

O plantio da safra brasileira 2025/26 de soja foi iniciado: 0,6% de progresso até 20 de setembro, contra 1,0% na média dos últimos 5 ciclos. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná iniciaram as operações.

No mercado financeiro (Chicago), até 26/09, o contrato de nov/25 foi cotado a US$ 10,12/bushel, 0,4% menor do que o preço registrado há um mês (era de US$ 10,08/bushel).

No algodão,

o relatório de setembro do USDA para a safra 2025/26 elevou a estimativa de produção, que era de 25,4 mi de t de pluma (agosto) para 25,6 mi de t (setembro). Se a projeção concretizar, será 1,5% menor do que a safra 2024/25; ou 400 mil t adicionais. A China (1º), teve alta estimada em agosto e deve ofertar 7,1 mi de t (+1,4%), seguida pela Índia (2º) com 5,2 mi de t (igual) e Brasil (3º) com 4,0 mi de t (+8,1%). Os Estados Unidos (4º) tiveram sua produção mantida em 2,9 mi de t (-8,3%). Os estoques finais devem chegar a 15,9 mi de t de pluma, 1,2% abaixo dos 16,1 mi de t da 2024/25.

Nos Estados Unidos, o USDA avalia a condição das lavouras de algodão, até 21 de setembro, como: boas em 37% (2024: 32%); e excelentes em 10% (2024: 5%). Condições muito favoráveis, apesar de queda em relação aos últimos relatórios semanais.

No Brasil, o último levantamento da Conab para a safra 2024/25 trouxe números finais para a safra de algodão. Confirmando os bons números previstos, a Conab indicou que foram colhidas 4,1 mi de t de pluma, oferta 9,7% superior em comparação com o ciclo anterior. A produtividade foi de 1.947 kg/ha de pluma, alta de 2,3%, com uma área de 2,1 mi de ha (+7,3%).

Assim como no milho e soja, dentro do histórico de safras da Conab desde 1976/77, a safra 2024/25 de algodão também se confirma como a mais produtiva da história, superando a produção recorde de 2023/24 (3,7 mi de t) e produtividade recorde de 2022/23 (1.904 kg/ha). Nas três principais culturas de grãos, são três recordes, evidenciando o ótimo desempenho produtivo da safra.

No relatório de 20 de setembro, a Conab indicou que a colheita do algodão na safra 2024/25 estava 99% concluída. No caso do algodão, o plantio da safra 2025/26 deve se iniciar apenas no mês de novembro.

No mercado futuro (Nova Iorque), até 26/09, o contrato de dez/25 do algodão foi cotado em 66,37 centavos de dólar por libra-peso, praticamente o mesmo preço registrado há um mês (era de 66,32 cent/lbp).

Nas demais culturas

A Conab indicou que o total produzido na safra de inverno foi 9,6 mi de t. No trigo, a produção seguiu a tendência de queda. Apesar das recentes altas na produtividade, não foi o suficiente para compensar as perdas na área cultivada. Outras culturas como aveia (+7,9%), canola (+43,2%) e cevada (+8,4%) apresentam crescimento na área plantada. A produção por cultura ficou dividida da seguinte maneira: trigo com 7,54 mi de t (-4,5%); 1,22 mi de t de aveia (+17,6%); 516,5 mil t de cevada (+17,8%); e 309,2 mil t de canola (+58,2%). A área destinada às culturas de inverno atingiu 3,33 mi de ha, uma queda de 13,1% em relação ao ciclo 2023/24, puxada pelas quedas nas áreas de centeio (-26,9%), trigo (-19,9%) e triticale (21,8%).

O agro somou US$ 14,3 bilhões em exportações em agosto, crescimento de 1,5% frente aos US$ 14,1 bilhões do mesmo período em 2024, segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI/Mapa). O resultado decorreu do aumento no volume embarcado (+5,1%), que compensou a queda no preço médio dos produtos embarcados (-3,4%). Com isso, o agro representou 48% das vendas totais do país. Já as importações de produtos agropecuários ficaram em US$ 1,6 bilhão (+1,2%). Entre os setores exportadores, os cinco mais relevantes responderam por 80,8% do total embarcado, sendo eles: Complexo Soja (US$ 4,7 bi | 32,9%), Carnes (US$ 2,6 bi | 18,4%), Complexo Sucroalcooleiro (US$ 1,6 bi | 11,2%), Cereais, Farinhas e Preparações (US$ 1,5 bi | 10,2%) e Produtos Florestais (US$ 1,1 bi | 8,1%).

A soja em grãos voltou a se destacar, com volume recorde para o mês (9,3 mi de t | +16,2%), totalizando US$ 3,9 bilhões (+11,0%), mesmo com queda no preço médio (-4,4%). No acumulado do ano, esse montante ultrapassa os 66 mi de t, cerca de 75% da soja brasileira exportada até aqui. Esse cenário é impulsionado em partes pelas tarifas impostas pela China sobre a soja dos Estados Unidos. Já a carne bovina in natura foi o 2º destaque, atingindo US$ 1,5 bilhão (+56%) e 268,6 mil t (+23,5%), ambos recordes para meses de agosto. Os preços médios subiram 26,3%, impulsionados pela forte demanda da China (+90%) e de mercados como México, Rússia e União Europeia. O milho também apresentou crescimento, com US$ 1,4 bilhão (+17,1%) e 6,8 mi de t (+12,9%), puxado por elevação no preço médio (+3,7%). A União Europeia foi destaque entre os destinos (+297,4%). Além dos produtos consolidados, alguns itens atingiram o melhor desempenho da série histórica, reafirmando a estratégia de diversificação de mercados: sebo bovino (US$ 74,1 mi), sementes oleaginosas (US$ 71,4 mi), feijões secos (US$ 49,5 mi) e rações para pet (US$ 35,9 mi).

Por outro lado, houve quedas expressivas em produtos importantes, como: açúcar de cana em bruto (US$ 1,31 bi | -16,5%), devido à maior oferta global e queda nas compras de países como Emirados Árabes e Malásia; farelo de soja (US$ 643,6 mi | -24,1%), com recuos em volume e preço; carne de frango in natura (US$ 630,5 mi | -15,7%), ainda sob reflexos das restrições impostas após caso de gripe aviária.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) atualizou o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) em agosto para R$ 1,406 trilhão, ficando 11,3% superior ao valor registrado no ano passado. Do total, R$ 928,1 bilhões (+10,8%) provém das lavouras e R$ 478,1 bilhões (+12,3%) da pecuária. Os maiores crescimentos vieram do café (47,2%) e amendoim (+43,0%), enquanto os destaques nas retrações vieram da batata-inglesa (-53,9%) e laranja (-17,9%).

O Fundecitrus divulgou a primeira reestimativa da safra 2025/2026 de laranja para SP e MG, prevendo produção de 306,7 mi de caixas, 2,5% abaixo da estimativa inicial de maio, ou 7,9 mi de caixas. O principal fator de revisão foi o avanço do greening, que já atinge 47,6% do cinturão citrícola (era de 44,3% em 2024) e elevou a taxa de queda de frutos, comprometendo a produtividade, enquanto a colheita segue mais lenta devido ao atraso na maturação dos frutos e às condições climáticas adversas.

Para finalizar nossa seção de análise do agro, apresentamos os preços mais recentes dos produtos do setor no fechamento da nossa coluna. No milho, considerando dados de cooperativa do estado de São Paulo, o preço físico era de R$ 61,00/sc; já o contrato para julho/2026 (B3) estava em R$ 69,26. Na soja, o preço Spot estava em R$ 129,00/sc (FOB) e a entrega para mar/26 em R$ 120,50/sc (FOB). O algodão (Base Esalq) era cotado a R$ 121,16/lb. O trigo, estava em R$ 1.150,00/t (FOB). Demais preços, considerando dados do Cepea são: café arábica em R$ 2.124,03/sc, queda mensal de 8,6%; laranja para indústria em R$ 50/cx (40,8kg) a prazo, aumento de 4,7%; e o boi gordo em R$ 302,95/@, retração de 2,4% no mês.

Os cinco fatos do agro para acompanhar em outubro são:

  1. Com a divulgação da 1ª estimativa da Conab para a nova safra e a produção de grãos projetada em 353,8 mi de t, vamos ficar de olho na aderência dessa expansão de área, em um momento em que produtores definem o ritmo do plantio de soja e milho e o elevado endividamento do setor. A tendência é de queda de 2% na produtividade média.
  2. Monitorar as previsões para o clima. Se tivermos La Niña em novembro, pode antecipar e alongar as janelas de semeadurapara soja e milho. O fenômeno tende a trazer chuvas mais regulares para o Centro-Oeste e Matopiba, criando condições favoráveis ao estabelecimento das lavouras, enquanto parte do Sul do país pode enfrentar períodos mais secos, determinando o ritmo de plantio, a produtividade e custos.
  3. A safra de milho e soja 2025/26 norte-americana entrou em ritmo acelerado de colheita, com lavouras em condições superiores às do ano passado. O USDA revisou para baixo a estimativa de produção global de milho neste mês para 1,3bilhão de t (+4,7% na comparação anual) e manteve boas projeções para a soja, em425,9 mi de t (+0,4% superior à 24/25). Essa oferta sólida sustenta preços internacionais competitivos, mas a forte demanda por etanol nos EUA mantém o milho com viés de alta (dez/25 cotado a US$ 4,24/bushel | +4,9% no mês). O ponto de atenção é como o avanço da colheita influenciará a dinâmica de preços em Chicago, afetando as estratégias de venda de exportadores brasileiros.
  4. O pacote tarifário dos Estados Unidos que impõe sobretaxas de até 50% sobre uma ampla cesta de produtos agrícolas, insumos e alimentos processados cria incertezas para as cadeias globais. É necessário acompanhar como a elevação dos custos para produtores e indústrias alimentícias americanas pode redesenhar fluxos de comércio, alterar preços internacionais e abrir espaço para o Brasil em mercados hoje atendidos pelos EUA.
  5. Ficar de olho no câmbio. O dólar alcançou o menor valor em mais de um ano, chegando a R$ 5,28 na data de fechamento da nossa coluna. Apesar de favorável para os preços dos insumos, com o início da safra, é momento de acompanhar os intervalos oportunos (que estão cada vez mais curtos) para travamento de preços, garantindo alguma rentabilidade e/ou “pagamento das contas”.

Marcos Fava Neves é professor Titular (em tempo parcial) da Faculdade de Administração da USP (Ribeirão Preto – SP) e da Harven Agribusiness School (Ribeirão Preto – SP). Sócio da Markestrat Group. É especialista em Planejamento Estratégico do Agronegócio e Diretor Técnico da Sociedade Nacional de Agricultura. Confira textos e outros materiais em DoutorAgro.com e veja os vídeos no Youtube (Marcos Fava Neves).

Vinícius Cambaúva é associado na Markestrat Group e professor na Harven Agribusiness School, em Ribeirão Preto – SP. Engenheiro Agrônomo pela FCAV/UNESP, mestre e doutorando em Administração pela FEA-RP/USP. É especialista em comunicação estratégica no agro.

Beatriz Papa Casagrande é associada na Markestrat Group, engenheira agrônoma pela ESALQ/USP e mestra em Administração na FEA-RP/USP. É especialista em inteligência de mercado para o agronegócio.

Rafael Barros Rosalino é consultor na Markestrat Group, médico veterinário pela FCAV/UNESP. É especialista em inteligência de mercado para o agronegócio.

Fonte: SNA



 

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Como melhorar os resultados financeiros na soja – MAIS SOJA

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O Rio Grande do Sul conta com a segunda maior área de cultivo com soja no Brasil, mas em volume de produção ficou na 4ª posição e em último lugar no quesito produtividade entre os 22 estados que produziram soja em 2025. Um dos principais motivos para o baixo desempenho das lavouras gaúchas são as perdas por frustrações climáticas. Entre os fatores que podem melhorar o retorno financeiro na soja está a escolha da biotecnologia e o investimento em semente de qualidade.

Biotecnologias na Soja

O mercado oferta diversas biotecnologias embarcadas na semente da soja, a maioria com base em eventos de transgenia, o que já representa 99% do mercado brasileiro.

A expansão da soja transgênica (Roundup Ready) aconteceu a partir da aprovação da Lei de Biossegurança, em 2005. As cultivares em uso estão voltadas à tolerância das plantas para a aplicação de inseticidas e herbicidas. Em ordem cronológica aproximada, os lançamentos em biotecnologia foram: soja RR (2003), Intacta RR2 PRO (2012), Intacta 2 Xtend (2021), Enlist (2021) e Conkesta Enlist (2021).

O custo estimado para colocação de uma planta transgênica no mercado alcança US$ 115 milhões, com tempo médio de 16,5 anos (CropLife 2022). “Na primeira onda de transgênicos foram introduzidas plantas capazes de tolerar a ação de herbicidas e o ataque de insetos, características que favorecem o manejo das lavouras e, em certas situações, reduzem os custos de produção. Em breve, estarão disponíveis outras características como tolerância a fungos, bactérias, vírus e estresses abióticos, como a seca”, explica o Chefe-Geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno.

Cenário no RS

Conforme levantamento da Apassul, com base no histórico de comercialização e uso de semente de soja no Rio Grande do Sul (safra 2023/2024), as biotecnologias mais utilizadas nas lavouras são: Intacta RR2 PRO (IPRO), que representa 31% das sementes certificadas; Intacta 2 Xtend, com 11%; Roundup Ready (RR), com 6%; e as demais com 2% cada biotecnologia.

O leitor mais atento pode perceber que a soma dos percentuais não totaliza 100%, isso porque a taxa de uso de semente certificada no RS foi estimada em 42% na última safra e deve cair ainda mais em 2026. A média brasileira da Taxa de Utilização de Sementes de soja é 67%.  Conforme o histórico, a queda tem sido constante no RS nos últimos anos, o que pode sinalizar a descapitalização do produtor, muitas vezes associada às perdas por frustrações climáticas.

Fonte: MAPA/SFA-RS; Conab; APASSUL safra 2023/2024.

Segundo o diretor executivo da Apassul, Jean Cirino, o que preocupa não é a semente salva, autorizada pela legislação brasileira, mas a comercialização de semente pirata, prática ilegal de multiplicação de sementes sem controle genético ou sanitário, comercializadas sem garantias e, muitas vezes, com desempenho inferior. A semente pirata aumenta o risco de disseminação de pragas e doenças, com baixa taxa de vigor e germinação que leva à desuniformidade e falhas na lavoura. Pode, ainda, impedir acesso a seguros agrícolas e desestimular a pesquisa e o desenvolvimento de novas cultivares. É importante destacar que, mesmo quando o agricultor utiliza seu grão como semente salva, deverá recolher a Taxa Tecnológica ao detentor do direito intelectual conferido pela patente.

Ainda, observando o gráfico com o histórico de comercialização de sementes de soja no RS, é possível verificar a gradativa queda no uso de soja RR. O pesquisador da Embrapa Trigo, Paulo Bertagnolli lembra que a patente da primeira geração da soja RR encerrou em 2010, quando deixou de ser cobrada a Taxa Tecnológica sobre a produção de sementes: “A patente de uma tecnologia expira em, aproximadamente, 10 anos após o lançamento. Assim, deixou de existir a taxa tecnológica da soja RR e está próximo ao vencimento da geração Intacta RR2”. Conforme o pesquisador, “o produtor sempre está atrás de inovações tecnológicas, mas quando os custos de produção sobem, é preciso adequar o investimento ao potencial de retorno da lavoura”. Jean Cirino, da Apassul, lembra que o RS foi o estado que manteve por mais tempo a participação da soja RR no mercado, justamente pela competitividade das cultivares.

De olho no resultado financeiro, o produtor de sementes Fernando Rossato, de Cruz Alta/RS, comparou uma cultivar de soja RR (BRS 6105RR) ao lado de uma cultivar IPRO na última safra. Em 35 hectares, as cultivares foram implantadas em safrinha, sob irrigação, para a produção de sementes. A semeadura em 28/01/25 e a colheita em 19/05/25. O rendimento da soja RR superou em 21 sacos a IPRO, mas o maior diferencial veio na margem de lucros. Veja na tabela abaixo:

O pesquisador Paulo Bertagnolli ressalta que a Embrapa Trigo é a única empresa de pesquisa que segue com o programa de melhoramento de soja RR no Brasil, justamente como opção ao produtor. Na última safra, foi inscrita no MAPA uma área de sementes de soja RR de 2.260 hectares com genética Embrapa, nas cultivares BRS 5601RR, BRS 5804RR, BRS 6105RR e BRS 6203RR.

Frustrações climáticas limitam produtividade

Passados mais de 20 anos desde a chegada da soja transgênica no Brasil, com a liberação das primeiras lavouras no Rio Grande do Sul na safra 2003/2004, a média de produtividade cresce lentamente apesar dos avanços da biotecnologia. Enquanto a área de soja cresceu 127,7% no Brasil, a produtividade média brasileira (kg/ha) cresceu 55,4% (CONAB 2003/2004 a 2024/2025). Em 50 anos, as perdas de produtividade na soja devido à seca são estimadas em 280 milhões de toneladas ou US$ 152 bilhões.

O Rio Grande do Sul é o estado mais afetado, especialmente pela ocorrência de episódios de La Niña, cuja redução nas chuvas afeta o rendimento da soja.  Nos últimos 10 anos, as perdas representam 36,5 milhões de toneladas, um prejuízo estimado em US$ 18,95 bilhões.

Para minimizar o impacto das perdas devido à seca na soja, conheça o programa de Tecnologias para o Enfrentamento da Seca na Soja (Tess), disponível nas publicações da Embrapa.

Fonte: Embrapa



 

FONTE

Autor:Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS) Embrapa Trigo

Site: Embrapa

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Soja: Bactérias do gênero Bacillus apresentam eficiência no controle de fitonematoides – MAIS SOJA

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Os nematoides fitopatogênicos, dentre eles, Heterodera glycines (nematoide do cisto da soja), Meloidogyne spp. (nematoide das galhas), Rotylenchulus reniformis (nematoide reniforme) e Pratylenchus brachyurus (nematoide das lesões radiculares), integram o grupo das principais espécies de pragas da cultura da soja. Os danos variam em função da espécie, suscetibilidade da cultivar e densidade populacional da praga, podendo resultar em perdas expressivas de produtividade, ou até mesmo inviabilizando o cultivo.

Dentre os fatores que mais influenciam no desenvolvimento dos fitonematoides em áreas agrícolas, destacam-se temperatura e textura do solo. De modo geral, solos de texturas mais leves (com menor teor de argila), tendem a apresentar condições melhores para o desenvolvimento dos fitonematoides, atrelados a isso, condições de temperaturas na faixa de 29 a 31°C favorecem o desenvolvimento do fitonematoides como o M. javanica (Inomoto & Asmus, 2009).

Por se tratar de pragas de solo, o controle direto dos fitonematoides via aplicação de nematicidas químicos é uma tarefa difícil, ainda mais se tratando de moléculas de baixo efeito residual. Além das boas práticas agronômicas que incluem a rotação de culturas com espécies não hospedeiras e a semeadura de cultivares de soja mais tolerantes, o uso de bioinsumos tem contribuído para o controle dos fitonematoides em áreas agrícolas, reduzindo os danos ocasionados por eles na cultura da soja.

Dentre os microrganismos empregados com esse intuito, destacam-se as bactérias do gênero Bacillus. Conforme relatado por  Coelho et al. (2021) e Costa et al. (2019), o uso de bactérias do gênero Bacillus na cultura da soja tem se mostrado uma estratégia promissora tanto para o manejo de fitonematoides, como Pratylenchus brachyurus, quanto para a promoção do crescimento vegetal. Nesse contexto, estirpes de Bacillus, especialmente Bacillus subtilis, aplicadas via tratamento de sementes, contribuem para o incremento da parte aérea e do volume radicular das plantas, destacando-se as doses de 2 e 4 mL de produtos à base de B. subtilis por kg de sementes como as mais eficientes.

Os bionematicidas à base de bactérias, majoritariamente compostos por cepas do gênero Bacillus, lideram o mercado devido à ampla eficácia no controle de nematoides. Seu principal mecanismo de ação é a formação de biofilme no rizoplano, que atua como barreira física ao competir por sítios de penetração, além de liberar enzimas e compostos com efeito nematicida, capazes de afetar ovos e formas infectantes dos nematoides no solo (Dias-Arieira & Santana-Gomes, 2025).

Figura 1. Biofilme oriundo de Bacillus spp. ao redor da semente e da raiz de soja.
Fonte: Dias-Arieira, C. R. (2024), apud. Dias-Arieira & Santana-Gomes (2025)

Corroborando a eficiência das bactérias do gênero Bacillus  no controle dos fitonematoides da soja, Reis e Oliveira (2025) observaram que o tratamento de sementes de soja com Bacillus methylotrophicu reduziu significativamente o número de nematoides Meloidogyne javanica nas raízes das plantas tratadas (figura 2), além de reduzir o número de nematoides por amostra de solo (100 cm³).

Figura 2. Resultados de número de nematoides para 5,0 g de raiz em sementes de soja tratadas com B.methylotrophicus e inoculadas com M. javanica.
Fonte: Reis e Oliveira (2025)

Os resultados observados por Reis e Oliveira (2025) demonstram que o tratamento de sementes de soja com Bacillus methylotrophicus, contribui não só para a redução da densidade de nematoides no solo e nas raízes, mas também, para um melhoria da massa fresca de raízes e da parte aérea das plantas tratas, sendo que, os melhores resultados foram obtidos com doses de  Bacillus methylotrophicus variando de 0,30 a 0,38 ml.kg de sementes.

Estudos anteriores como o realizado por Araújo; Silva; Araújo (2002) também evidenciam a eficiência do gênero Bacillus no biocontrole de fitonematoides da soja. Logo, pode-se dizer que essas bactérias, quando bem posicionadas, podem contribuir significativamente para o manejo de nematoides fitopatogênicos em soja, sendo, portanto, ferramentas essenciais para um manejo estratégico e sustentável em ambientes agrícolas.

Confira o estudo completo desenvolvido por Reis e Oliveira (2025) clicando aqui!

Referências:

ARAÚJO, F. F.; SILVA, J. F. V.; ARAÚJO, A. S. F. INFLUÊNCIA DE BACILLUS SUBTILIS NA ECLOSÃO, ORIENTAÇÃO E INFECÇÃO DE Heterodera glycines EM SOJA. Ciência Rural, v. 32, n. 2, 2002. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/cr/a/7rcT8Hdw3bwh5qmZsVmyw6y/?lang=pt# >, acesso em: 03/02/2026.

COELHO, T. N., et al. CONTROLE BIOLÓGICO NO MANEJO DE Pratylenchus brachyurus EM DIFERENTES TRATAMENTOS NA CULTURA DA SOJA. Journal of Biotechnology and Biodiversity, 2021. Disponível em: < https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/JBB/article/view/11470/19047 >, acesso em: 03/02/2026.

COSTA, L. C. et al. DESENVOLVIMENTO DE CULTIVARES DE SOJA APÓS INOCULAÇÃO DE ESTIRPES DE Bacillus subtilis. Nativa, 2019. Disponível em: < https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/nativa/article/view/6261/5390 >, acesso em: 03/02/2026.

INOMOTO, M. M.; ASMUS, G. L. CULTURAS DE COBERTURA E DE ROTAÇÃO DEVEM SER PLANTAS NÃO HOSPEDEIRAS DE NAMATOIDES. Visão Agrícola, n. 9, 2009. Disponível em: < https://www.esalq.usp.br/visaoagricola/sites/default/files/VA9-Protecao04.pdf >, acesso em: 03/02/2026.

REIS, C. M. R.; OLIVEIRA, R. M. TRATAMENTO DE SEMENTES DE SOJA COM Bacillus methylotrophicus PARA O MANEJO DE Meloidogyne javanica. Revista Cerrado Agrociências, 2025. Disponível em: < https://revistas.unipam.edu.br/index.php/cerradoagrociencias/article/view/5761/3386 >, acesso em: 03/02/2026.

Foto de capa: Cristiano Bellé

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Sustentabilidade

Chicago fecha com ganhos moderados para a soja; óleo sobe mais de 2% e lidera recuperação – MAIS SOJA

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Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta terça-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), mas abaixo das máximas do dia. O óleo subiu mais de 2% e liderou os ganhos de todo o complexo. Novidades sobre as diretrizes americanas para a política de biodiesel, o acordo entre Estados Unidos e India e o bom desempenho do petróleo asseguraram a recuperação.

Segundo a agência Reuters, os participantes do mercado continuam a analisar as diretrizes atualizadas do Tesouro sobre o crédito tributário 45Z para Produção de Combustível Limpo, que, entre outras mudanças, esclareceu que apenas matérias-primas provenientes dos Estados Unidos, do México e do Canadá se qualificam para o benefício e prorrogou o crédito até 2029.

Os preços dos contratos futuros do petróleo subiram, sob efeito do acordo comercial firmado ontem entre EUA e India e a possibilidade de afetar a commodity russa. O mercado também acredita que o acordo poderá garantir uma maior demanda indiana para os óleos vegetais americanos, principalmente o de soja.

Mas os ganhos foram limitados pelo bom desenvolvimento das lavouras e pelo avanço da colheita da maior safra da história do Brasil. Com isso, cresce o sentimento de que a demanda chinesa estaria se deslocando para a América do Sul.

Os contratos da soja em grão com entrega em março fecharam com alta de 5,50 centavos de dólar, ou 0,51%, a US$ 10,66 3/4 por bushel. A posição maio teve cotação de US$ 10,77 1/4 por bushel, com elevação de 4,75 centavos de dólar ou 0,44%.

Nos subprodutos, a posição março do farelo fechou com baixa de US$ 2,60 ou 0,88% a US$ 291,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em março fecharam a 54,49 centavos de dólar, com ganho de 1,29 centavo ou 2,42%.

Fonte: Agência Safras



 

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