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9 de maio de 2026

Agro Mato Grosso

Três microrregiões concentram metade da produção nacional de algodão

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A meta da produção brasileira de algodão veio de apenas três microrregiões em 2023: Parecis e Alto Teles Pires, no Mato Grosso, e Barreiras, na Bahia. O Brasil ocupa as primeiras posições na produção e exportação de algodão e laranja, além de soja, milho e carnes. Contudo, os cultivos e criações não estão distribuídos uniformemente por todo o território nacional, com boa parte deles equipamentos em algumas áreas. A plataforma on-line de dados sobre logística SITE-MLog (Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária), desenvolvida pela Embrapa Territorial (SP), mostra como os dez principais produtos agropecuários para exportação estão distribuídos no Brasil.

A laranja, por exemplo, é tradicionalmente centralizada em São Paulo. Mesmo dentro do estado, a concentração é grande: as microrregiões de Avaré, Bauru, Botucatu e São João da Boa Vista respondem por um quarto da colheita da fruta.

Nas cadeias de produção animal, a concentração é menor. A de bovinos é a que tem menos técnicas: para chegar à metade da produção é preciso somar 56 microrregiões, nas cinco grandes regiões do País. É também uma atividade agropecuária com maior participação do Norte: Pará, Rondônia e Tocantins têm áreas de destaque não efetivas de rebanhos bovinos. As granjas de frangos e suínos estão na direção oposta, com ocorrência predominantemente na região Sul.

O que explica

O analista André Rodrigo Farias , da Embrapa Territorial (SP), explica que os diferentes níveis de concentração das atividades agropecuárias podem resultar de fatores como as características dos produtos e dos sistemas de produção. “A cultura do algodão, por exemplo, exige maquinário e estruturas de processamento e beneficiamento bastante específicas, o que demanda investimentos importantes a longo prazo. Isso restringe a ampliação da área de produção e favorece a concentração em locais mais competitivos”, avalia.

Em alguns casos, aspectos culturais e históricos têm papel relevante na especialização dos territórios. “A produção de frangos e suínos, técnicas principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, está bastante relacionada à própria história de colonização desses estados e à estrutura fundiária marcada pela agricultura familiar. O conhecimento acumulado nessas cadeias produtivas, associado ao sucesso do modelo de integração das propriedades familiares por meio de cooperativas, impulsiona a atividade na região”, pontua Farias.

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A cultura bovina, por outro lado, foi uma das primeiras atividades agropecuárias do País, utilizada em diferentes regiões. “É uma atividade que pode ter diferentes níveis tecnológicos e, inclusive, ocorrer com baixa incorporação de máquinas e implementos. Isso favorece a desconcentração no território nacional, ainda que permaneçam existindo regiões de destaque, com vantagens competitivas frente às outras”, compara o analista.

Café e eucalipto

Culturas perenes como café e eucalipto também formam polos de produção, pois exigem condições específicas de solo e clima, além de investimentos financeiros significativos. As florestas plantadas para produção de celulose e papel estão em polos espalhados em dez estados. Mas apenas três microrregiões somam um quarto de produção: Três Lagoas (MS), Bauru (SP) e Porto Seguro (BA). Algo parecido ocorre com o café: Minas Gerais é o estado com maior destaque. Mas o mapa com as microrregiões onde está 50% das safras mostra também pequenos polos de produção na Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Rondônia.

“As duas culturas, café e eucalipto, têm a característica comum de serem perenes e exigentes de condições edafoclimáticas específicas, ou seja, notáveis ​​de tipos de solos específicos, disponibilidade hídrica, temperaturas e especificações adequadas nos ciclos produtivos, entre outros fatores físicos”, analisa Farias. Por serem culturas perenes, também exigiram investimentos financeiros para a formação das áreas de produção, o que geralmente é realizado em locais onde as condições ambientais, sociais e econômicas são mais desenvolvidas. “Esses fatores restritos para a formação de polos de produção de café e eucalipto. Nesse sentido, as culturas são ricas, por exemplo, de soja e milho, que são inseridas nos sistemas de produção, permanecem por três a quatro meses no campo e são cultivadas em janelas de tempo específicas ao longo do ano, o que amplia as possibilidades de cultivo em diferentes regiões do Brasil”.

Cana-de-açúcar e grãos

A produção de cana-de-açúcar vem crescendo para além do estado de São Paulo. O mapa com as localidades que respondem por metade da produção do País abrange também outros três estados, mas nas proximidades do território paulista: Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. São 20 microrregiões, de onde se colheu quase 400 milhões de toneladas de matéria-prima para açúcar e etanol em 2023.

Compartilhando áreas e estruturas de transporte e armazenamento, a soja e o milho distribuem-se de forma semelhante ao território nacional. Mesmo presente em quase todos os estados, o volume de produção desses grãos está bastante concentrado na área central do País. Em 2023, um quarto de todo o milho nacional saiu de apenas quatro microrregiões: Alto Teles Pires (MT), Dourados (MS), Sinop (MT) e Sudoeste de Goiás (GO). No caso da soja, seis microrregiões responderam por um quarto da produção.

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A concentração das cadeias produtivas no território influencia fortemente a logística e, por isso, a análise desse fator integra o SITE-MLog. “Em produções estão bastante técnicas, o foco em aumentar a eficiência das rotas já previstas para exportação. No caso do café e da laranja, o escoamento se dá majoritariamente por meio do porto de Santos (SP). Em casos de produções menos técnicas, como o caso da bovinocultura e, principalmente, das culturas de soja e milho, há uma disputa constante entre as diferentes logísticas para a exportação”, explica Farias.

Essa disputa inclui as escolhas de modal de transporte (rodoviário, ferroviário ou hidroviário), o porto marítimo para exportação e infraestruturas possíveis para armazenamento e transporte das cargas. O analista complementa: “A análise de concentração também é relevante para estratégias de incremento de produtividade e o incentivo à adoção de novas tecnologias, cujas ações podem ser direcionadas para aquelas regiões que mais concentram os volumes de produção, potencializando a eficácia das medidas”.

Sobre o SITE-MLog

O Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária (SITE-MLog) é uma plataforma interativa desenvolvida pela Embrapa Territorial que organiza dados sobre a produção, exportação e infraestrutura logística de dez cadeias produtivas do agronegócio brasileiro: algodão, bovinos, café, cana-de-açúcar, galináceos, laranja, madeira para papel e celulose, milho, soja e suínos. Gratuito e acessível no portal da Embrapa, o sistema permite gerar mapas e gráficos a partir de informações oficiais, apoiando análises rápidas e estratégias mais eficientes para o setor público e privado.

Lançado em 2018 e atualizado em 2024, o SITE-MLog traz painéis sonoros sobre a produção agropecuária. A análise de concentração espacial pode ser feita para todo o território nacional, mas também para cada uma das cinco grandes regiões brasileiras ou para o nível estadual. “A estatística de concentração é variável de acordo com o recorte. Ou seja, o grupo de microrregiões com destaque na nacional Brasil é diferente do grupo de uma região, bioma ou estado. Isso permite o refinamento dos dados e das informações para apoiar decisões em prol do desenvolvimento dos diferentes territórios da agropecuária”, explica o chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti .

O sistema também apresenta os fluxos de exportação por região e os portos utilizados, além da localização de armazéns e unidades de processamento como frigoríficos e usinas sucroenergéticas. Uma ferramenta dinâmica o conceito de bacias logísticas, que revela por qual porto cada microrregião brasileira exporta grãos (soja e milho) para o mercado internacional. Na nova versão, passou a estimar, de forma inédita, a demanda e oferta de nutrientes agrícolas, com base na produção regional e em indicadores científicos.

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Mais do que reunir dados dispersos, o SITE-MLog transforma registros brutos em informações geoespaciais de fácil compreensão. O sistema é utilizado por gestores públicos, pesquisadores e investidores para apoiar o planejamento de obras de infraestrutura, políticas públicas e decisões estratégicas no campo.

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Homens são presos extraindo ouro em garimpo ilegal na região da Terra Indígena Sararé em MT

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Dois homens foram presos em um garimpo ilegal nas imediações da Terra Indígena Sararé, na região de Pontes e Lacerda, nesta quinta-feira (7). Na ação, foram apreendidas três escavadeiras, um motor-gerador, um motor-bomba e cerca de 700 litros de diesel.

Segundo a Polícia Civil, a operação teve início a partir de uma investigação sobre possível fraude na compra de maquinário, mas acabou identificando indícios de atividade de garimpo ilegal, o que levou ao acionamento da Polícia Federal.

No local, os suspeitos foram flagrados realizando extração de ouro, com sinais de degradação ambiental e desvio do curso do rio Sararé.

Diante da constatação da atividade irregular, a dupla foi presa em flagrante e encaminhada à Delegacia da Polícia Federal em Pontes e Lacerda, onde foi lavrado auto de prisão em flagrante pelos crimes de extração mineral sem autorização e usurpação de matéria-prima pertencente à União

Os equipamentos utilizados na atividade ilegal foram apreendidos e podem ser destinados a instituições públicas, mediante autorização judicial. As investigações continuam para identificar outros envolvidos no esquema.

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Garimpo ilegal é fechado em área rural e PM apreende escavadeira e motores em MT

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Uma ação da Polícia Militar Ambiental fechou um garimpo ilegal em uma propriedade rural na Linha Poraquê, zona rural de Aripuanã, nessa quarta-feira (7). Durante a fiscalização, uma escavadeira hidráulica e dois motores estacionários foram apreendidos e um homem foi conduzido à delegacia.

A operação foi realizada por equipes do Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA), com apoio da Força Tática do 2º Comando Regional, no âmbito da Operação Amazônia/Flora.

Segundo a PM, a fiscalização começou após uma denúncia sobre possível extração mineral irregular na região. No local, os policiais encontraram uma escavadeira hidráulica em funcionamento dentro de uma das cavas abertas na área degradada.

De acordo com a polícia, o operador da máquina se identificou como Vanderlei da Silva Carvalho e afirmou ser o responsável pela atividade. Aos policiais, ele informou que não possuía licença ou autorização ambiental para funcionamento do garimpo.

Durante a vistoria, os militares constataram uma extensa área degradada, com solo exposto, alterações na topografia natural, abertura de cavas, movimentação de sedimentos e acúmulo de rejeitos da atividade minerária.

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Ainda conforme a PM, também foram encontrados uma caixa concentradora e dois motores estacionários utilizados no processo de extração mineral. Os policiais identificaram ainda destruição de vegetação nativa em área de especial preservação.

Nas proximidades do garimpo, a equipe localizou um acampamento improvisado feito com lona plástica, contendo redes, utensílios domésticos, ferramentas, roupas e alimentos, estrutura que, segundo os policiais, era utilizada para apoio às atividades ilegais.

A Polícia Militar informou que foi lavrado auto de infração e termo de embargo da área. A escavadeira hidráulica foi apreendida e encaminhada para a Secretaria de Obras de Colniza. Já os motores estacionários foram destruídos no local, devido à impossibilidade de remoção logística. O acampamento também foi destruído com uso controlado de fogo.

Um homem responsável pela área foi conduzido à delegacia para esclarecimento dos fatos. Segundo a PM, não houve necessidade do uso de algemas porque ele colaborou durante a fiscalização.
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Cesta básica em MT começa maio com nova alta e se aproxima dos R$ 900

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Em alta pela sexta semana consecutiva, a cesta básica em Cuiabá iniciou o mês de maio custando R$ 892,90. O aumento observado no período foi de 8,07%, segundo levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT). Além disso, a alta também permanece no comparativo anual, com o valor atual 6,91% maior em relação aos R$ 835,17 observados no mesmo período de 2025.

O elevado custo da cesta compromete o consumo de produtos considerados essenciais pelas famílias da capital, conforme explica o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, que também destacou o aumento no preço da lista de mantimentos em relação ao ano passado.

“O custo médio da cesta ultrapassando novos patamares históricos e intensifica a pressão sobre o orçamento das famílias, sobretudo diante da elevação dos preços em relação ao mesmo período do ano passado. A tendência de aumento no valor da cesta básica demonstra como o custo de vida na cidade também tem sido impulsionado pela alta de alguns alimentos, como a batata e o tomate.”

Com alta pela quinta semana consecutiva, a batata registrou incremento de 13,87%, atingindo a média de R$ 7,02/kg, o que deixa o preço atual 12,57% maior em comparação ao mesmo período do ano passado. Conforme análise do IPF-MT, a finalização das colheitas da safra atual, sem previsão de início da próxima, pode estar provocando restrição na oferta, fator que ajuda a explicar a alta nos preços.

Assim como a batata, o tomate também apresentou aumento por motivos semelhantes relacionados ao fim da safra. O valor subiu 1,49%, chegando à média de R$ 12,07/kg. No comparativo anual, o produto já está 52,93% mais caro. A alta está relacionada à menor oferta e à maior presença de tomates de baixa qualidade, condição que pode ter intensificado a pressão sobre os preços.

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Outro produto com variação expressiva, desta vez em queda, foi o óleo de soja, que apresentou redução de 1,67%, atingindo a média de R$ 8,00 por garrafa de 900 mL. A redução pode estar relacionada às boas expectativas para a safra atual da soja e à menor demanda pelo produto, refletindo em preços mais baixos.

Ainda sobre os consecutivos avanços de preço da cesta, Wenceslau Júnior esclarece que “esse novo recorde da cesta básica mostra que os preços continuam pressionando o orçamento das famílias. Apesar da estabilidade ou queda em alguns produtos, itens essenciais seguem mais caros e comprometendo o poder de compra da população”.

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