Connect with us

Business

CMN regulamenta condições para renegociação das dívidas de produtor rural

Published

on

O Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentou as condições para a renegociação das dívidas de produtores e cooperativas rurais prejudicados por eventos climáticos adversos. Na prática, o CMN regulamenta a Medida Provisória 1.314/2025, que autoriza a renegociação das dívidas rurais. A medida consta da resolução 5.247/2025 publicada na sexta-feira (19), após reunião extraordinária do colegiado.

O CMN autorizou a criação de duas linhas de crédito para a amortização ou liquidação de operações de crédito rural e de Cédula de Produto Rural (CPRs) de produtores rurais cujas atividades foram prejudicadas por eventos adversos. Uma das linhas é com recursos do Tesouro, de fontes supervisionadas pelo Ministério da Fazenda, enquanto a outra envolve recursos livres das instituições financeiras.

Foi criada uma linha de crédito rural de até R$ 12 bilhões de recursos do Tesouro para a renegociação dívidas rurais, conforme já havia anunciado pelo governo. Parcelas ou operações de crédito rural de custeio e investimento no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e contratadas pelos demais produtores rurais poderão ser renegociadas, conforme prevê a resolução.

Também poderão ser alvo de amortização ou liquidação Cédulas de Produto Rural (CPRs) registradas e emitidas por produtores rurais em favor de instituições financeiras.

Renegociação

O colegiado autorizou a renegociação de operações de crédito rural e CPRs contratadas até 30 de junho de 2024 e em situação de adimplência até 30 de junho de 2024 e que estavam em situação de inadimplência em 5 de setembro de 2025 (data de edição da MP).

Parcelas de operações que tenham sido renegociadas ou prorrogadas com vencimento entre 5 de setembro de 2025 e 31 de dezembro de 2027 e em adimplência na data de contratação desta linha de crédito também poderão ser renegociadas.

Produtores rurais ou cooperativas poderão acessar a linha crédito controlado para renegociar as dívidas, desde que estejam em municípios que tenham decretado estado de calamidade pública ou situação de emergência em pelo menos dois anos no período de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2024. Os decretos, em razão de enxurradas, inundações, granizo, secas, geadas, vendavais, precisam ser reconhecidos pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Poderão ser renegociadas dívidas de produtores com perdas de pelo menos 20% no rendimento médio da produção em pelo menos duas das três principais atividades agrícolas. Produtores e cooperativas com perdas de pelo menos 30% em duas ou mais safras entre 1º julho de 2020 e 30 de junho de 2024 poderão renegociar as dívidas para as atividades financiadas com amortização do saldo devedor.

Produtores e cooperativas com dificuldades no fluxo de caixa devido ao impacto acumulado de perdas de safra decorrentes dos eventos climáticos adversos que causaram aumento do endividamento no Sistema Nacional de Crédito Rural e impossibilitaram o reembolso integral das operações de crédito rural também poderão renegociar as dívidas.

Crédito

O crédito para renegociação terá limite de até R$ 250 mil por produtor o Pronaf, de até R$ 1,5 milhão por beneficiário do Pronamp e de até R$ 3 milhões por beneficiário para grandes produtores. Para cooperativa de produção agropecuária, o limite será de até R$ 50 milhões por cooperativa e de até R$ 10 milhões para associações e condomínios de produtores rurais.

Beneficiários do Pronaf que excederam o limite de enquadramento poderão contratar outra operação de crédito para liquidação ou amortização até o limite de R$1,250 milhão, bem como beneficiários do Pronamp poderão contratar outra operação de crédito para liquidação ou amortização até o limite de R$ 1,5 milhão. Pelo menos 40% do crédito deve ser alocado para pequenos e médios produtores, prevê a MP.

Os produtores poderão contratar o crédito para renegociação das dívidas rurais até 10 de fevereiro de 2026. O crédito para renegociar as dívidas terá prazo de até nove anos de pagamento com um ano de carência incluído, de acordo com a capacidade de pagamento do beneficiário, prevê o CMN.

A taxa de juros será calculada considerando a remuneração dos recursos das fontes do Tesouro de 2% a 6% conforme o porte do produtor, da remuneração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que vai operar a linha, variando de 1% para operações indiretas e 4% para operações diretas, e da remuneração das instituições financeiras credenciadas, de até 3% ao ano.

Os recursos das fontes do Tesouro destinados à linha de crédito deverão ser repassados ao BNDES, que poderá operar diretamente ou por meio das instituições financeiras por ele credenciadas, prevê o CMN. A distribuição dos recursos pelo BNDES entre as instituições financeiras credenciadas deverá obedecer a participação dos agentes financeiros na carteira de crédito rural referente ao conjunto dos municípios elegíveis para a renegociação.

O CMN veda, ainda, a contratação da linha de crédito de recursos controlados para liquidação de operações de crédito contratadas ao amparo de recursos do Fundo Social do Rio Grande do Sul no exercício de 2024.

Continue Reading

Business

Novos usos para o arroz e mais: setor estabelece 7 medidas para contornar a crise

Published

on


Foto: Paulo Lanzetta

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) foi palco de encontro do setor do arroz gaúcho na manhã desta quinta-feira (5), em Porto Alegre.

Em coletiva de imprensa, representantes da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) se reuniram para divulgar medidas conjuntas para reverter as dificuldades enfrentadas pela cadeia orizícola do estado.

Em apresentação realizada pelo economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, foram destacadas sete medidas elaboradas em conjunto para o curto e médio prazo:

  1. Difusão, com clareza e transparência, da preocupação das entidades com o cenário para 2026 e a recomendação de redução da área plantada;
  2. Busca por mecanismos de comercialização;
  3. Uso do Certificado de Direitos Originários (CDO) como estímulo às exportações;
  4. Proposta de redução temporária do ICMS, no período de maior comercialização, para melhorar a competitividade frente ao Paraguai;
  5. Proposta de desconcentração dos vencimentos de CPRs em 30 de março e 30 de abril, junto às indústrias, revendas e empresas multinacionais;
  6. O alongamento de custeios junto às instituições financeiras; e
  7. Ações de pesquisa, divulgação e combate à venda de arroz fora do tipo especificado na embalagem.

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, destacou que o setor foi surpreendido por uma das contingências mais difíceis dos últimos tempos na cadeia arrozeira. “Em 2025, tivemos uma das maiores colheitas do Mercosul e também uma produção elevada em nível mundial. Isso pressionou os preços”, recordou.

Segundo ele, a entrada da Índia no mercado internacional agravou o cenário ao deprimir os valores no mercado global e, consequentemente, na América do Sul, especialmente no Mercosul.

“Somado a isso, tivemos uma supersafra, crédito difícil e juros altos. Esse conjunto de fatores nos levou a uma situação extremamente delicada, com uma recessão muito negativa nesta safra, que se arrasta até 2026. Esse cenário resultou em um endividamento significativo dos produtores”, concluiu.

O presidente da Federarroz também afirmou que o setor tem trabalhado dentro da lógica de simetria do Mercosul. “A indústria do Rio Grande do Sul perdeu, nos últimos anos, uma parte importante do seu beneficiamento para indústrias de Minas Gerais e São Paulo, que não produzem arroz, mas importam grandes volumes do Paraguai. Esse é um tema que precisa ser enfrentado”, ressaltou.

Uso do arroz no etanol

Outro assunto abordado por Nunes foi o estudo em andamento para o uso do arroz na produção de etanol.

“Por meio da Câmara Setorial, encaminhamos solicitação à Assessoria de Assuntos Estratégicos da Presidência da Embrapa para que, via Embrapa Agroenergia, possamos aprofundar os estudos sobre o uso do arroz para etanol. Além disso, essa mesma assessoria está avaliando outros destinos e finalidades para o arroz”, adiantou.

De acordo com ele, não há preocupação em retirar o arroz da alimentação humana, que seguirá sendo seu destino principal. “O que buscamos é potencializar a capacidade produtiva que o Rio Grande do Sul possui, apoiada pelas pesquisas do Irga, da Embrapa e de empresas privadas, que garantem a qualidade do nosso produto, alta produtividade e possibilidade de ampliação de área”, ressaltou.

O post Novos usos para o arroz e mais: setor estabelece 7 medidas para contornar a crise apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Exportações de soja do Brasil somam 1,8 milhão de t em janeiro

Published

on


Foto: Governo Federal

As exportações brasileiras de soja em grão alcançaram 1,876 milhão de t em janeiro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A receita total obtida no período somou US$ 830,983 milhões, com média diária de US$ 39,570 milhões.

  • Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link! 🌱

O volume médio diário embarcado foi de 89,358 mil toneladas, enquanto o preço médio da soja exportada ficou em US$ 442,80 por tonelada.

Na comparação com janeiro de 2025, a receita média diária cresceu 91,7%, impulsionada principalmente pela expansão de 75,5% no volume exportado. O preço médio da tonelada também apresentou valorização, com alta de 9,2% no período.

O post Exportações de soja do Brasil somam 1,8 milhão de t em janeiro apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Arroz: ampla oferta exige disciplina máxima do setor em 2026

Published

on


Foto: Freepik

A safra 2025/2026 de arroz terá seu início em março sob um pano de fundo que impõe racionalidade tática e pouco espaço para projeções otimistas. O setor ingressa neste novo ciclo ainda absorvendo os desdobramentos de um período anterior marcado por severos desequilíbrios, com volumes expressivos de estoque remanescente — superiores a 2,2 milhões de toneladas (base casca) — que exigem escoamento ágil para impedir nova compressão de preços e margens em toda a estrutura produtiva. Diante desse quadro, qualquer leitura alvissareira carece de sustentação técnica.

Mantidas as condições atuais, o desenho mais provável é de um mercado operando em faixa estreita de preços, com avanços limitados e diretamente dependentes da capacidade de exportação para absorver o excedente. A geração de resultado tende a seguir restrita ao longo do primeiro semestre, com eventual alívio condicionado à condução comercial mais disciplinada por parte dos produtores e à eficiência da indústria em diluir a oferta ao longo do tempo, evitando picos concentrados de venda.

Do ponto de vista das variáveis fundamentais, alguns fatores assumem papel central na formação de preços. No mercado interno, os principais gargalos seguem bem definidos: custos de produção elevados, logística onerosa e perda de competitividade frente ao Mercosul, especialmente Paraguai, que opera com estruturas mais leves e modernas, além de uma hipertrofia de incentivos, tanto públicos quanto privados.

A dificuldade de repasse no varejo, somada a um consumo doméstico estruturalmente fraco, limita qualquer tentativa de reação sustentada. A lógica é simples: sem giro, não há sustentação de preços. No campo, insistir na retenção como estratégia padrão apenas amplia riscos financeiros e posterga o ajuste necessário.

Mercado internacional do arroz

No ambiente externo, o câmbio segue como variável sensível. Um dólar extremamente volátil, recuando quase 6% no mês de janeiro, reduz margens exportadoras, especialmente em produtos de maior valor agregado, e dificulta ainda mais o fechamento de novos contratos. Ainda assim, a exportação permanece como necessidade matemática, não como opção.

A geopolítica também entra no radar: mercados como México e Venezuela (ambos inseridos em tabuleiros diplomáticos inflamáveis) seguem relevantes como válvulas de escape, enquanto a possibilidade de redução de área no Mercosul e nos Estados Unidos pode, ao longo do tempo, contribuir para um reequilíbrio gradual da oferta no continente. No curto prazo, porém, o ambiente internacional ainda é de superoferta, com a Índia mantendo forte pressão estrutural sobre as cotações.

Encerrando a leitura deste início de ciclo, 2026 se apresenta como um período que exige revisão conceitual e mudança de postura do setor orizícola. Insistir em uma visão restrita do arroz como “cultura básica” é, na prática, perpetuar movimentos recorrentes de excesso de oferta e crise de rentabilidade.

A resposta de longo prazo passa por elevar o nível de sofisticação das exportações, ampliar aplicações industriais e alimentares do cereal e avançar de forma consistente em políticas que ataquem a estrutura de custos no campo que oneram cada vez mais a rentabilidade dos produtores.

Para quem dá os primeiros passos da colheita, a mensagem é objetiva: o mercado se move em ciclos próprios e não concede prêmios à inércia. Valoriza decisões calculadas, timing comercial e planejamento.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

O post Arroz: ampla oferta exige disciplina máxima do setor em 2026 apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement

Agro MT