Sustentabilidade
Área cultivada com milho no RS alcançará 785 mil hectares na safra 25/26, diz Emater/RS – MAIS SOJA

RS: A semeadura de milho avançou em ritmo satisfatório, e a implantação da cultura está consolidada em grande parte do Estado. As condições climáticas ocorridas no início de setembro – boa disponibilidade hídrica no solo e dias consecutivos de insolação e de temperaturas mais elevadas – favoreceram o estabelecimento das lavouras semeadas em agosto. Nessas áreas, observa-se emergência uniforme, adequado estande de plantas e desenvolvimento vegetativo vigoroso.
As condições de cultivo apropriadas mantêm o potencial produtivo favorável em áreas de sequeiro e irrigadas. Contudo, algumas lavouras em solos argilosos mal drenados que foram afetadas pelo excesso de umidade, e foram necessários replantios. Também houve perdas em algumas áreas atacadas por javalis.
O manejo da adubação nitrogenada e potássica em cobertura encontra-se em plena execução, especialmente nas lavouras nos estádios V3 a V5. Os produtores aproveitaram o sincronismo entre o estádio fenológico e a disponibilidade de umidade do solo para potencializar a absorção dos nutrientes.
Tem sido realizado o monitoramento da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), depercevejos e de grilos em áreas recém-emergidas. Em diversos municípios, as aplicações
preventivas de inseticidas têm sido efetuadas de forma conjunta às operações de herbicidas para otimizar os custos operacionais e o uso de maquinário.
Na Safra 2025/2026, a área de milho alcançará 785.030 hectares, segundo dados preliminares da Emater/RS-Ascar. A produtividade projetada é de 7.376 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, após as chuvas de 08/07, a semeadura foi retomada, chegando a 90% da área prevista em São Borja, onde se cultivarão 22 mil hectares. As lavouras implantadas em agosto apresentam bom potencial produtivo e estão em pleno desenvolvimento vegetativo. É realizada adubação nitrogenada e potássica. Em relação ao manejo fitossanitário, os produtores monitoram rigorosamente a cigarrinha e utilizam iscas adesivas, além de aplicações preventivas de inseticidas associadas ao manejo de herbicidas. Ainda há dificuldades de efetuar o plantio (ou replantio) em áreas de solo argiloso e de drenagem deficiente. Em Maçambará e Itaqui, os principais problemas são o excesso de umidade, a necessidade de replantios e, pontualmente, os javalis em lavouras irrigadas.
Na de Caxias do Sul, a semeadura está em ritmo mais acelerado, embora parte dos produtores esteja aguardando a elevação das temperaturas para assegurar germinação rápida e uniforme. Nos Campos de Cima da Serra, a implantação foi iniciada em municípios de relevância produtiva, como em Muitos Capões, Esmeralda e Pinhal da Serra. As condições de solo estão favoráveis, mas o frio tem limitado o avanço mais intenso da semeadura.
Na de Erechim, cerca de 50% da área está implantada. A expectativa de produtividade permanece elevada, refletindo a condução da lavoura e as condições iniciais adequadas. Na de Ijuí, em média 92% das áreas foram semeadas; em diversos municípios a operação foi concluída. As condições climáticas têm beneficiado o estabelecimento da cultura, que apresenta boa emergência e reduzidas falhas de estande. A coloração das plantas emergidas está verde intenso, sinalizando nutrição e desenvolvimento inicial apropriados. A
incidência de cigarrinha está baixa, mas há percevejos e grilos em áreas recém-estabelecidas, o que exige intervenções com inseticidas. O cenário regional está favorável, pois as lavouras foram bem implantadas, e o ritmo de desenvolvimento segue dentro da janela recomendada pelo Zoneamento Agrícola.
Na de Pelotas, a semeadura se iniciou em Amaral Ferrador, Canguçu, Pinheiro Machado, São José do Norte e Pelotas. Na de Santa Rosa, 85% da área projetada foi semeada. Nas lavouras implantadas na primeira quinzena de agosto, predominam os estádios V3 a V4, e é efetuado a adubação nitrogenada em cobertura. O controle de plantas daninhas foi intensificado, assim como o monitoramento de cigarrinhas, cuja ocorrência está abaixo do inicialmente previsto. Foram registrados alguns casos de percevejo-barriga-verde em certos talhões.
Na de Soledade, o preparo do solo para lavouras do cedo foi finalizado, e a semeadura nas áreas de menor altitude alcança 90% do previsto. A emergência e o estande estão uniformes. Em municípios de maior altitude, a semeadura chega a 50% da área, aproveitando a janela de plantio do Zoneamento Agrícola. O monitoramento da cigarrinha está constante, e as aplicações preventivas são realizadas em casos pontuais.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, baixou 0,93 %, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 62,50 para R$ 61,92.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Mancha-branca no milho: efeitos na fotossíntese e impactos na produtividade – MAIS SOJA

A mancha-branca, causada pelo fungo Pantoea ananatis e espécies fúngicas associadas, como a Phaeosphaeria maydis, é uma das doenças mais frequentes no milho, causando impactos principalmente na capacidade da planta em realizar a fotossíntese. A doença ocorre principalmente entre os estádio VT a R4 (Wordell Filho et al., 2016), com sintomas característicos de lesões arredondadas nas folhas do milho.
Figura 1. Sintomas típicos de mancha-branca em milho.
Casela; Ferreira; Pinto (2006) destacam que a doença tem seu desenvolvimento favorecido por condições de alta precipitação, alta umidade relativa do ar (>60%) e baixas temperaturas noturnas (em torno de 14°C). Mas afinal, qual seria o real impacto da mancha-branca na produtividade final do milho?
O impacto da mancha-branca varia conforme as condições climáticas e ambientais, a suscetibilidade do híbrido e a severidade da doença. Nesse contexto, o estudo conduzido por Godoy e colaboradores (2001) fornece uma base importante para a compreensão dos danos causados pela doença no milho.
Ao analisar os efeitos da mancha-branca, causada por Phaeosphaeria maydis, na taxa líquida de fotossíntese e na transpiração de folhas de milho, Godoy et al. (2001) observaram que a doença não reduziu somente a quantidade de área foliar como também afetou a fotossíntese no tecido foliar assintomático remanescente. Com o progressivo aumento da severidade, a redução na taxa fotossintética foi proporcionalmente maior que a redução da área foliar devido às lesões (figura 2). Folhas com severidade em torno de 10-20 % apresentaram redução na taxa fotossintética líquida ao redor de 40 %.
Figura 2. Efeito de diferentes severidades de mancha de Phaeosphaeria na taxa fotossintética líquida relativa (Px /Po) de folhas de milho (Zea mays), na linhagem ESALQ PB2 (a) e nos híbridos XL 215 (b), FT 5130 (c) e FT 5150 (d).

Resumidamente, a mancha-branca não reduz a eficiência fotossintética apenas das folhas afetadas, mas também, em parte do tecido verde remanescente de folhas infetadas, o que eleva ainda mais a capacidade da doença em causar danos. Em termos gerais, a redução da taxa fotossintética líquida em 40% resultante de 20% de severidade da mancha-branca pode representar perdas de produtividade de até 60% no milho (Costa et al., 2011). Sobretudo, vale destacar que esse impacto pode diferir de acordo com o nível de tolerância do híbrido.
Embora ainda sejam necessários estudos adicionais para quantificar o impacto da mancha-branca em híbridos modernos de milho, é evidente a importância do seu controle para mitigar perdas de produtividade. No manejo da doença, a aplicação de fungicidas químicos é a estratégia mais utilizada em escala comercial.
Para maior eficiência de controle, é fundamental o correto posicionamento dos fungicidas ao longo do ciclo da cultura, priorizando moléculas mais eficazes, especialmente nos períodos críticos de ocorrência da doença. Nesse sentido, pesquisas conduzidas pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IAPAR-EMATER) avaliaram a eficiência de diferentes fungicidas no controle da mancha-branca no milho safrinha de 2020.
De acordo com os resultados obtidos, a maior eficiência de controle da mancha-branca foi observada com o uso de Piraclostrobina + Fluxapiroxade; seguido por Trifloxistrobina + Protioconazol + Bixafen; e Piraclostrobina + Fluxapiroxade + Mefentrifluconazol, demonstrando que produtos utilizados em forma de misturas promovem melhores resultados de controle da mancha branca em comparação ao uso de alguns ativos de forma isolada (Custódio et al., 2020).
Tabela 1. Severidade final (Sev final), severidade total (AACPD) da mancha branca e eficiência de controle (C) em cada tratamento. Milho segunda safra 2020.

Com base nos aspectos observados, pode-se afirmar que a mancha-branca possui elevada capacidade em reduzir a produtividade do milho, tendo como principal dano, a redução da fotossíntese e consequentemente produção de fotoassimilados e acúmulo de matéria seca nos grãos. Para minimizar esses efeitos, além das boas práticas agronômicas como a rotação de culturas, deve-se preconizar o controle químico com fungicidas eficientes, especialmente durante o período mais suscetível (VT a R4).
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Veja mais: A realidade dos componentes de produtividade nas lavouras de milho do Sul do Brasi
Referências:
CASELA, C. R.; FERREIRA, A. S.; PINTO, N. F. J. A. DOENÇAS NA CULTURA DO MILHO. Embrapa, Circular Técnica, n. 83, 2006. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/490415/1/Circ83.pdf >, acesso em:> 23/03/2026.
COSTA, R. V. et al. RECOMENDAÇÕES PARA O CONTROLE QUÍMICO DA MANCHA BRANCA DO MILHO. Embrapa, Circular Técnica, n. 167, 2011. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/50969/1/circ-167.pdf >, acesso em: 23/03/2026.
CUSTÓDIO, A. A. P. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DA MANCHA BRANCA DO MILHO: SEGUNDA SAFRA 2020. IDR-PARANÁ, Boletim Técnico n. 96. 2020. Disponível em: < http://www.idrparana.pr.gov.br/sites/iapar/arquivos_restritos/files/documento/2021-01/bt96_-_idr-parana_-_29-01-2021.pdf >, acesso em: 23/03/2026.
GODOY, C. V. et al. ALTERAÇÕES NA FOTOSINTESE E NA TRANSPIRAÇÃO DE FOLHAS DE M ILHO INFECTADAS POR Phaeosphaeria maydis. Fitopatologia brasileira 26 (2), 2001. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/fb/a/QS37wLdvDNHhDyPrB78wTnM/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 23/03/2026.
WORDELL FILHO, J. A. et al. PRAGAS E DOENÇAS DO MILHO: DIOAGNOSE, DANOS E ESTRATÉGIAS DE MANEJO. Epagri, Boletim Técnico, n. 170, 2016. Disponível em: < https://ciram.epagri.sc.gov.br/ciram_arquivos/agroconnect/boletins/BT_PragasDoencasMilho.pdf >, acesso em: 23/03/2026.

Sustentabilidade
Clima no Brasil é ponto de atenção para soja; oleaginosa enfrenta volatilidade global

O mercado da soja apresentou comportamento pressionado ao longo da última semana, especialmente nos prêmios de exportação nos portos brasileiros. Mesmo com o dólar em patamar elevado, o encarecimento dos fretes marítimos e dos seguros de guerra no cenário internacional levou as tradings a ajustarem os preços, reduzindo a competitividade.
Lentidão na colheita
No campo, a colheita da safra 2025/26 segue avançando, ainda que em ritmo mais lento que a média histórica, impactada por condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras. Esse atraso tem aumentado a oferta imediata de grãos, favorecendo a liquidez no mercado spot.
No ambiente doméstico, a valorização do dólar, que superou R$ 5,30 em meio à aversão global ao risco, ajudou a sustentar os preços em reais na porta da fazenda, funcionando como um piso para o mercado interno.
Contratos futuros de soja
De acordo com a plataforma Grainsights, da plataforma Grão Direto, os contratos futuros em Chicago registraram queda, refletindo o cenário de pressão internacional. O contrato maio/26 recuou 4,98%, encerrando a US$ 11,63 por bushel, enquanto o março/27 caiu 1,29%.
No Brasil, esse movimento resultou em desvalorização no mercado físico, com destaque para o Noroeste de Minas Gerais, onde os preços caíram, em média, 1,80%, próximos de R$ 106,20 por saca.
O que vem por aí?
Para os próximos dias, o mercado deve permanecer altamente volátil, influenciado por fatores geopolíticos e econômicos. O bloqueio do Estreito de Ormuz tem elevado significativamente os custos logísticos globais, enquanto sinais de possível redução das tensões entre Irã e Estados Unidos podem alterar rapidamente o humor dos investidores.
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Outro ponto de atenção é o relatório Prospective Plantings, do USDA, previsto para 31 de março. A expectativa é de aumento da área de soja nos Estados Unidos na safra 2026/27, o que pode influenciar diretamente a formação de preços.
Além disso, o mercado acompanha a possível reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, que pode resultar em novos acordos comerciais envolvendo a compra de soja americana, embora o histórico de tensões entre as duas potências mantenha o cenário de cautela.
No Brasil, clima segue no radar
No Brasil, o clima segue no radar. A previsão indica chuvas frequentes no Sul, que podem atrasar a colheita, enquanto o Centro-Oeste enfrenta irregularidade nas precipitações. Já no Sudeste, o calor predomina com pancadas isoladas, e no Norte e Nordeste as chuvas continuam mais intensas, mantendo atenção sobre os impactos na qualidade das lavouras e no andamento dos trabalhos em campo.
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Sustentabilidade
Aumento no embarque de arroz é insuficiente para conter perdas de exportação em fevereiro – MAIS SOJA

A Farsul divulgou, nesta sexta-feira (20/03), os resultados das exportações gaúchas de fevereiro de 2026. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve uma queda de 14,4% no valor exportado (um total de US$ 881,7 milhões em comparação com US$ 1,03 bilhão no mesmo período de 2025) e de 19,5% no volume, um total de 1,55 milhões de toneladas. Em fevereiro de 2025, o estado havia exportado 1,92 milhões de toneladas.
Este resultado é um reflexo principalmente da menor oferta de grãos no mercado, principalmente da soja, além de uma base elevada do trigo em comparação com 2025. O valor total exportado pelo Estado no período foi de US$ 1,26 bilhões, com o agronegócio sendo responsável por 69,8% deste montante (US$ 881,7 milhões). Em termos de volume, o agronegócio representou 88,3% do total estadual no período.
Arroz tem desempenho excepcional para o período e freia quedas maiores
O arroz teve aumentos na casa dos três dígitos na comparação com 2025, com crescimento de 106,7% no valor e 284,2% no volume, com embarques para o México, Senegal, Venezuela e Costa Rica. Em contrapartida, o ambiente do mercado para o grão é de baixa liquidez e insatisfação dos produtores com o mercado interno, o que reforça a importância das exportações para absorver a oferta.
As quedas de valor se detiveram principalmente na soja em grão, no trigo e no fumo manufaturado, sendo que os dois primeiros também tiveram grande responsabilidade da queda no volume exportado.
No setor de proteína, houve aumento de 23,4% no valor e 24,2% no volume das vendas de boi vivo na comparação com o ano anterior, com a Turquia ainda sendo o principal mercado, mas entrada também do Egito. Na carne bovina, também houve alta, de 31,3% no valor e 8,5% no volume, com a China sendo o principal mercado, e avanços na Rússia e na Jordânia, o que compensou recuos no mercado americano.
Já a carne de frango teve queda de 5,8% no valor e 12,4% no volume, com dificuldade nos mercados do Oriente Médio e Norte da África. O desempenho da proteína no Estado foi forte, mas questões logísticas e comerciais nas regiões prejudicaram o resultado. As Filipinas reforçaram sua importância no mercado da carne suína, principal destino do produto, que teve alta de 21,1% em valor e 22,4% em volume.
O trigo teve queda no volume, apesar da demanda pelo produto não se alterar. É um sinal de que o trigo gaúcho tem perdido espaço no mercado internacional. Já a soja teve recuo forte, com baixa disponibilidade do grão no final da entressafra e ausência de embarques para o Irã. O fumo e derivados teve uma queda de 20,3% no valor, mas de apenas 0,7% no volume, o que indica uma deterioração de preços médios e indica que houve uma combinação menos favorável de produto e mercados em fevereiro.
Os produtos florestais, tiveram queda de 11,6% no valor e 5,5% no volume, concentrados em celulose e madeira serrada. Sobre a guerra comercial com os Estados Unidos, as exportações do RS recuaram 4,6% em valor, de US$ 65,0 milhões para US$ 62,0 milhões, mas cresceram 15,7% em volume, de 47,8 mil para 55,3 mil toneladas.
Os principais parceiros comerciais do estado em fevereiro foram a Ásia (exceto Oriente Médio) manteve-se como o principal destino das exportações do agronegócio gaúcho, totalizando US$ 367,7 milhões e 690 mil toneladas. Em segundo lugar aparece a Europa, com exportações de US$ 151,7 milhões, sendo US$ 119,0 milhões destinados à União Europeia. O Oriente Médio ocupou a terceira posição, com US$ 95,3 milhões.
Quanto aos países, a China permanece como principal destino, com US$ 103,5 milhões, representando 11,7% do valor exportado pelo agronegócio gaúcho. Na sequência destacam-se Vietnã (7,9%), Estados Unidos (7,0%), Indonésia (6,8%) e Filipinas (6,6%), evidenciando a importância da diversificação de mercados, especialmente no continente asiático.
Fonte: Farsul
Autor:Farsul
Site: Farsul
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