Connect with us
25 de junho de 2026

Business

Com bioinsumos consolidados, América Latina enfrenta novo desafio

Published

on


Foto: Divulgação Senar-GO

A América Latina continua sendo palco de expansão no uso de bioinsumos. O vice-presidente de Desenvolvimento de Mercado da DunhamTrimmer para a região, Ignacio Moyano, credita esse aumento às pressões regulatórias, exigências de exportação e à busca de maior eficiência agronômica.

No entanto, para ele, a adoção das tecnologias não será mais o grande desafio para o setor em 2026, mas sim a capacidade das empresas de transformar crescimento em rentabilidade sustentável.

Segundo o especialista, o cenário permanece estruturalmente positivo, mas o ambiente mais competitivo, com margens sob pressão e modelos de negócio sendo colocados à prova.

“A América Latina reúne uma base agrícola muito ampla, um peso crescente em culturas de exportação e uma pressão regulatória e comercial que favorece soluções de menor impacto ambiental”, enfatiza.

No entanto, ele chama atenção para uma confusão recorrente no setor. “É fundamental separar dois planos que costumam ser confundidos: crescimento de mercado não equivale automaticamente à qualidade do negócio”, afirma. Para Moyano, o avanço do volume não garante, por si só, modelos econômicos sólidos.

Captura de valor

Moyano ressalta que a expectativa é a de que diversas categorias continuem crescendo, mas em um contexto mais desafiador. “Em 2026 veremos um ambiente muito mais competitivo, com maior pressão sobre preços e margens, especialmente em mercados e culturas onde a adoção já é elevada”, diz.

Nesse cenário, a discussão deixa de ser se há demanda — que, segundo ele, “existe e é real” — e passa a ser quem, de fato, consegue capturar valor. “O que começa a entrar em debate é quem captura valor dentro desse crescimento e quem apenas acompanha o volume sem construir um modelo rentável e defensável.”

Assim, para Moyano, o principal obstáculo do setor em 2026 está na rentabilidade das operações envolvendo bioinsumos. De acordo com a sua análise, em muitos mercados latino-americanos, a oferta cresce mais rapidamente do que a demanda economicamente saudável, o que acaba gerando uma saturação de soluções similares e deslocando a concorrência para o preço.

Empresas do setor podem se estrangular

O executivo da DunhamTrimmer acrescenta que todo esse contexto vem acompanhado de fragilidades internas nas empresas. Ele observa “estruturas comerciais superdimensionadas, pressão por volume, alongamento dos prazos de recebimento e uma gestão do capital de giro cada vez mais exigente”.

Com isso, o risco é que o crescimento sem foco comprometa os resultados. “Nesse contexto, crescer sem foco pode corroer o Ebitda de forma silenciosa, porém constante.”

Além disso, a diferenciação puramente técnica perde força. “O discurso técnico já não é suficiente”, afirma Moyano. Para ele, o mercado passa a valorizar mais a execução, o nível de serviço, o foco estratégico e o acesso efetivo ao produtor do que apenas a inovação do produto.

Visão positiva para os próximos anos

Apesar dos desafios, Moyano destaca fatores estruturais que sustentam uma visão positiva para os próximos anos. Segundo ele, a demanda segue firme, impulsionada por sistemas produtivos voltados à exportação, por exigências relacionadas a resíduos e pela necessidade de ganhos de eficiência em um cenário de custos crescentes.

Outro ponto relevante é o maior interesse estratégico de grandes empresas do agronegócio. “Os bioinsumos já não são vistos como um complemento marginal, mas como uma peça estrutural dos portfólios futuros”, afirma.

Além disso, o executivo lembra que ainda há oportunidades pouco exploradas na região. “Em diferentes países da América Latina existem nichos pouco profissionalizados, nos quais empresas com foco, serviço técnico sólido e boa execução podem construir posições defensáveis, mesmo em um ambiente de maior pressão competitiva”, avalia.

Na visão de Moyano, 2026 deve aprofundar a diferença entre empresas bem estruturadas e aquelas excessivamente dependentes de um bom produto. “Vai se aprofundar a brecha entre companhias com acesso real ao mercado, relações sólidas com o canal e capacidade de execução, e aquelas que dependem quase exclusivamente de ter um bom produto”, diz.

As vencedoras tendem a ser aquelas capazes de integrar portfólio, serviço, foco por cultura ou região e disciplina financeira. “Essas empresas continuarão crescendo e, em muitos casos, se tornarão atrativas como plataformas regionais”, projeta. Já as que competem apenas por preço ou pela amplitude do portfólio devem enfrentar maior pressão comercial e financeira.

“Nesse contexto, a solidez do modelo de negócio pesa mais do que o tamanho da empresa”, resume.

Fusões e aquisições

O movimento de fusões e aquisições também deve ganhar tração em 2026, mas, diferentemente do que aconteceu em anos anteriores, deve ser de forma mais gradual.

Segundo Moyano, não se trata de uma onda de megatransações, mas de “múltiplos movimentos táticos”, como aquisições para acesso a mercado, compras defensivas e acordos de licenciamento que funcionam como etapa preliminar para M&A.

Um dos exemplos citados pelo executivo é a aquisição da AgBiTech pela Basf, operação que surpreendeu o mercado. “A transação vai muito além de somar um ativo tecnológico”, afirma. Para ele, a Basf incorporou uma plataforma biológica já validada, com capacidades industriais, propriedade intelectual, experiência regulatória e acesso comercial em mercados-chave.

“A transação reflete uma lógica estratégica clara: acelerar posicionamento e execução em biocontrole por meio da compra de capacidades integradas, em vez de construí-las do zero.”

Outro movimento relevante foi a aquisição da Pharmgrade pela HGS BioScience, apoiada por capital financeiro. Para Moyano, o recado é claro para a América Latina: “a consolidação avança em torno de plataformas integradas, que combinam portfólio amplo, capacidades industriais, P&D aplicada e, sobretudo, acesso efetivo ao mercado.”

De forma geral, ele avalia que os compradores serão empresas com musculatura financeira, distribuição e visão de longo prazo, enquanto muitos vendedores terão bons produtos, mas dificuldades para escalar suas operações em um ambiente cada vez mais competitivo.

Para 2026, a mensagem central do executivo é direta: o mercado de bioinsumos continuará crescendo, mas apenas as empresas capazes de transformar volume em rentabilidade consistente conseguirão se destacar e capturar valor no longo prazo.

O post Com bioinsumos consolidados, América Latina enfrenta novo desafio apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

El Niño aumenta risco para qualidade do trigo e produção deve cair 20%, aponta Itaú BBA

Published

on


Foto: Divulgação

A produção brasileira de trigo deve recuar cerca de 20% na safra 2026/27, para 6,2 milhões de toneladas, diante da redução da área plantada e da expectativa de menor produtividade, estima relatório da consultoria Agro do Itaú BBA.

Segundo a análise, o cultivo da nova safra ocorre em um cenário de margens apertadas, fator que desestimula a expansão da área. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta retração de 13,4% na área semeada e queda de 7,6% na produtividade, contribuindo para a redução da oferta nacional.

De acordo com a analista do Itaú BBA Marina Marangon, o aumento dos custos de produção também influencia as decisões dos produtores. “O aumento dos custos de produção tem levado os produtores a adotarem uma postura mais cautelosa, limitando a expansão de área e os investimentos em manejo tecnológico, o que reforça o viés de baixa na produção”, afirma.

Impacto do El Niño no trigo

Além das questões econômicas, o clima também preocupa. O documento enfatiza que a confirmação do fenômeno El Niño eleva os riscos para a safra, especialmente em relação à qualidade do cereal.

Embora as chuvas possam favorecer o desenvolvimento inicial das lavouras no Sul do país, o excesso de umidade ao longo do ciclo aumenta a incidência de doenças e pode comprometer a qualidade dos grãos na fase final de desenvolvimento.

No mercado, a expectativa é de preços mais firmes durante a entressafra, sustentados pela menor oferta doméstica e pela maior necessidade de importações. Ainda assim, o Itaú BBA avalia que um cenário internacional com ampla disponibilidade de trigo deve limitar altas mais expressivas.

Nesse contexto, os preços no mercado brasileiro tendem a continuar sensíveis às oscilações do câmbio e à competitividade do trigo argentino.

O post El Niño aumenta risco para qualidade do trigo e produção deve cair 20%, aponta Itaú BBA apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Agro Mato Grosso

Governo de MT lança concurso para eleger os melhores cafés produzidos no Estado

Published

on

O governo de Mato Grosso lançou o 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso – “Valorizando Origens, Impulsionando Negócios”, iniciativa que busca reconhecer os melhores cafés produzidos no estado e fortalecer a cafeicultura como fonte de renda para as famílias rurais. O evento aconteceu em Colniza, reconhecida no estado como ‘Capital do Café’, neste final de semana.

O lançamento reuniu produtores, técnicos, pesquisadores e autoridades da região noroeste do estado. Durante o evento, uma série de palestras orientou os participantes sobre todas as etapas da competição, desde os critérios de avaliação até os cuidados necessários na colheita e pós-colheita para garantir um café de alta qualidade.

Os produtores receberam orientações sobre o checklist diagnóstico que será avaliado pelo laboratório, a forma correta de embalar e enviar as amostras, a importância da ciência na produção cafeeira, além dos principais atributos analisados pelos especialistas, como aroma, sabor, acidez, corpo, finalização, uniformidade e ausência de defeitos.

A secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, destacou que o concurso foi criado para dar visibilidade ao trabalho dos produtores e abrir novas oportunidades de mercado. Entre os anos de 2019 e 2025, o governo por meio da secretaria de Agricultura Familiar, investiu mais de R$ 4,4 milhões na cefeicutura do estado com insumos, mudas, máquinas e equipamentos.

“Os produtores já provaram que fazem acontecer. Chegaram nesta região, desbravaram essas terras com coragem e determinação e acreditaram que era possível produzir café de qualidade. Os resultados estão aí para todos verem. Nossa missão, enquanto Estado, é ajudar vocês a impulsionar esse mercado. Em parceria com o governador Otaviano Pivetta e com o Sebrae, criamos essa iniciativa para identificar e apoiar os produtores na missão de mostrar o melhor café de Mato Grosso e transformar sua produção em excelência”, afirmou.

Andreia também ressaltou os impactos sociais da valorização da cafeicultura. “Quanto mais valor vocês agregarem ao café produzido, mais renda terão e mais qualidade de vida poderão proporcionar às suas famílias. Vamos contribuir para reduzir o êxodo rural dos jovens, fortalecer a participação das mulheres e incentivar o desenvolvimento das comunidades. Este é apenas o primeiro de muitos concursos. Assumimos o compromisso de realizar o Concurso de Qualidade do Café todos os anos”, completou.

As inscrições seguem abertas até o dia 31 de julho. O resultado será divulgado durante evento na cidade de Juína, no dia 31 de outubro.

Continue Reading

Business

Concurso que elege o melhor tomate do Brasil volta a ser realizado após 12 anos

Published

on


Foto: Pixabay

O concurso que elege o melhor tomate de mesa do Brasil volta a acontecer em 2027, após um hiato de 12 anos.

As inscrições serão abertas em 1 de janeiro e os vencedores serão divulgados em agosto, enquanto a cerimônia de premiação está prevista para 15 de setembro. Podem concorrer produtores de tomates uva, italiano, redondo e gourmet.

O regulamento aponta que serão premiados os primeiros colocados das três primeiras categorias. Já os gourmets serão reconhecidos como Revelação do Ano, O mais saboroso e O mais diferenciado.

Além disso, o concurso também homenageará quatro produtores com os prêmios Jovem Tomateiro, Tomate no Feminino, Tomate Rastreável e Tomate Sustentável.

Entre os membros da comissão avaliadora está o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

“Assim como na primeira edição, o Ital será responsável pelas análises físico-químicas e pelos painéis sensoriais descritivos”, destaca a pesquisadora do Instituto e presidente da comissão avaliadora do concurso, Aline de Oliveira Garcia.

Também estão confirmadas na comissão as pesquisadoras Silvia Moura, diretora do Centro de Tecnologia de Frutas e Hortaliças (Fruthotec) do Ital, e Kátia Cipolli, que atua com Aline Garcia no Centro de Ciência e Qualidade dos Alimentos (CCQA) do Instituto.

Os organizadores do concurso esperam superar os 36 inscritos e 330 quilos de tomates recebidos na edição de estreia. A organização do prêmio é do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort) em parceria com a Eacea.

O post Concurso que elege o melhor tomate do Brasil volta a ser realizado após 12 anos apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT