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29 de setembro de 2026

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Decisão judicial sobre uso de herbicida 2,4-D causa preocupação entre produtores de grãos do RS

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Em decisão proferida na última segunda-feira (1º), a juíza Patrícia Antunes Laydner, da Vara Regional do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, determinou a proibição imediata do uso do herbicida à base de 2,4-Dem toda a região da Campanha Gaúcha. A restrição também vale para áreas localizadas a menos de 50 metros de plantações de uva e maçã em qualquer região do estado.

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A magistrada destacou que o produto tem alto potencial de deriva, quando partículas do químico são carregadas pelo vento, atingindo lavouras vizinhas e provocando danos ambientais e riscos à saúde. Entre as culturas mais vulneráveis, foram citadas a viticultura e a fruticultura familiar.

A liminar concede 120 dias para que o governo estadual apresente e implemente um sistema de monitoramento e fiscalização, além de definir zonas de exclusão em locais de maior risco de deriva. Também prevê ampla divulgação da medida a agricultores, distribuidores de insumos e à população. O descumprimento pode gerar multa diária de R$ 10 mil.

Impacto na safra de grãos

Às vésperas do início da safra 2025/26, a decisão gera apreensão entre produtores de grãos, especialmente de soja e arroz.

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“Essa decisão traz pontos positivos para culturas mais sensíveis, mas para os produtores de grãos da nossa região tem diversos impactos negativos. Um deles é o alto custo de tecnologias alternativas* contra ervas daninhas resistentes, já que o 2,4-D é, até agora, uma ferramenta barata e eficaz. Além disso, muitos produtores já adquiriram sementes de soja da tecnologia Enlist, que exigem o uso desse herbicida em etapas posteriores. Isso gera complicações na implantação e desenvolvimento da nova safra. No entanto, é preciso buscar caminhos de coexistência entre todas as culturas, pensando sempre no desenvolvimento regional”, afirmou Gilberto Dickel da Fontoura, presidente da Cotrisul, cooperativa de produtores de grãos de Caçapava do Sul.

Secretaria da Agricultura

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi)informou que está avaliando as medidas cabíveis diante da decisão, com o objetivo de assegurar a proteção das lavouras e evitar prejuízos ao calendário agrícola.

Durante a Expointer, a pasta assinou um protocolo de intenções para fortalecer a Política Estadual de Conservação do Solo e da Água, em parceria com entidades como Emater, Fetag-RS e CREA-RS, reforçando o compromisso com práticas agrícolas sustentáveis.

A Seapi lembrou ainda que, desde 2019, adota medidas específicas para reduzir os impactos da deriva do 2,4-D, como as Instruções Normativas nº 05 e 06, que instituíram termos de responsabilidade, cadastramento de aplicadores, registro de áreas sensíveis e exigência de declaração de uso.

Segundo dados da Secretaria, essas ações já resultaram em avanços: houve redução de 40,28% nas ocorrências de deriva entre a safra 2022/23 e as anteriores, acumulando uma queda superior a 63% nos últimos dois anos.

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Mercado da soja já começa a precificar os futuros impactos do El Niño?

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A colheita da soja avança nos Estados Unidos e, em breve, o mercado terá uma definição mais clara sobre o tamanho da temporada 2026/27. Isso significa que, em breve, os olhares se voltarão para a safra sul-americana, especialmente ao Brasil.

Embora os riscos climáticos de um Super El Niño ainda não estejam totalmente incorporados às cotações, as projeções para os próximos meses já colocam o clima no centro das decisões dos investidores. Essa é a avaliação do analista da consultoria Safras & Mercado Rafael Silveira, durante a live Commodities em Foco. Assista abaixo:

O especialista lembrou que o fenômeno favorece volumes elevados de chuva no Sul. “O Paraná, por exemplo, tem previsão de acumulados expressivos nos próximos dias. Para outubro, os mapas climáticos ainda apresentam condições consideradas relativamente favoráveis em importantes áreas do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul”, enumera.

De acordo com ele, a situação exige mais atenção em áreas do Matopiba, onde, além da irregularidade das precipitações, há perspectiva de ondas de calor intensas. Assim, o quadro pode se tornar mais desafiador a partir de novembro.

Diante das adversidades climáticas e de um possível corte na produção brasileira de soja, Silveira ressalta que o mercado pode começar a precificar os efeitos do Super El Niño por conta do atual ritmo da demanda internacional.

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“Caso problemas climáticos provoquem uma redução mais significativa da produção brasileira em 2027, compradores poderiam recorrer com maior intensidade à soja dos Estados Unidos”, ressalta.

Na live Commodities em Foco, o analista de Safras & Mercado chamou atenção ao fato de, além da China, outros importadores poderem ampliar as compras do produto norte-americano. Esse movimento teria potencial para reduzir de forma expressiva os estoques dos Estados Unidos e mudar o cenário das cotações na Bolsa de Chicago.

“Se o Brasil tiver problemas mais graves no ano que vem por conta de uma produção menor em relação às questões climáticas, nós podemos ter uma demanda incremental sobre a exportação norte-americana”, aponta.

Silveira ainda apontou que em um cenário mais adverso para a produção sul-americana, Chicago pode registrar uma valorização significativa, superando US$ 14 por bushel em 2027.

Dezembro pode ser decisivo para a soja

Apesar dos riscos, uma eventual quebra da safra brasileira provocada pelo Super El Niño ainda não está precificada pelo mercado. Neste momento, investidores acompanham principalmente as atualizações dos modelos meteorológicos.

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Os meses de novembro e dezembro devem ganhar importância nesse processo. Dezembro, especialmente, coincide com uma fase decisiva para o potencial produtivo da soja em diferentes regiões do país.

Por isso, mudanças nas projeções de chuva poderão gerar movimentos importantes nas cotações. “Logo mais à frente podemos ter rallies importantes de preço conforme os mapas vão trazendo chuvas ou não”, destaca.

Silveira destaca que para o produtor brasileiro, o cenário reforça a necessidade de acompanhar não apenas Chicago e o câmbio, mas também as atualizações meteorológicas. “Se os mapas mais adversos previstos para o fim do ano se confirmarem, o risco climático brasileiro poderá passar de uma preocupação para um fator efetivamente incorporado aos preços da soja”, conclui.

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CNA participa de agenda internacional do café na Suíça até sexta-feira

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participa, até sexta-feira (2), de uma agenda internacional do café em Genebra e Montreux, na Suíça. A programação inclui a 142ª Sessão do Conselho Internacional do Café (CIC) e encontros com instituições internacionais ligadas à cafeicultura, com foco nos desafios e nas prioridades da cadeia global e em questões do comércio internacional do produto.

O presidente da Comissão Nacional de Café da CNA, Ademar Pereira, representa a entidade nas discussões ao lado de representantes do governo brasileiro e de outras entidades do setor.

O Conselho Internacional do Café é o principal fórum intergovernamental da Organização Internacional do Café (OIC). O espaço reúne produtores, exportadores, consumidores e importadores para tratar de temas ligados ao mercado internacional, à sustentabilidade e ao desenvolvimento da produção cafeeira.

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Segundo Ademar Pereira, a cafeicultura atravessa um momento de adaptação às novas exigências dos mercados. Ele afirmou que esse processo precisa considerar as diferentes realidades dos agentes que integram a cadeia. Para o dirigente, transparência nas cadeias de suprimentos, capacitação, informação e acesso a novas tecnologias são pontos centrais para o avanço de uma cadeia mais sustentável, competitiva e inclusiva.

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Pereira também defendeu que a sustentabilidade contemple as dimensões ambiental, econômica e social, com atenção à remuneração dos produtores e à distribuição do valor gerado ao longo da cadeia. De acordo com ele, o diálogo entre os diferentes segmentos do setor é essencial para a construção de soluções que considerem toda a cadeia de valor, da produção ao consumidor.

A agenda começou na segunda-feira (28), em Genebra, com reunião da Plataforma Global do Café. Nesta terça-feira (29), Ademar Pereira participou da Sessão do Conselho Internacional do Café. Na quarta-feira (30), está prevista reunião da Força-Tarefa Público-Privada do Café (FTPPC), com debate sobre o impacto da legislação ambiental europeia (EUDR) para o setor, além de um encontro entre o Conselho da OIC e a Plataforma Suíça do Café, também em Genebra.

Na quinta-feira (1) e na sexta-feira (2), a programação segue em Montreux com as celebrações do Dia Internacional do Café e uma reunião do Fórum das Lideranças Mundiais do Café (WCLF).

Fonte: cnabrasil.org.br

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Semeadura da soja 26/27 ganha ritmo em MT, mas clima e janela do milho preocupam produtores

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O plantio da soja 2026/27 avança em Mato Grosso, mas ainda está atrás do ritmo observado na safra passada. Até 25 de setembro, 3,87% da área prevista havia sido semeada, enquanto, no mesmo período do ciclo anterior, o percentual chegava a 5,97%.

O atraso ocorre em um cenário de atenção ao comportamento das chuvas e à necessidade de garantir tempo suficiente para o cultivo do milho segunda safra. A preocupação entre os produtores é aproveitar a umidade disponível sem comprometer a janela de plantio do cereal.

Entre as regiões produtoras, o Oeste de Mato Grosso apresenta o maior percentual de área semeada, com 7,56%, de acordo com relatório do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na sequência aparecem o Médio-Norte, com 5,38%, e o Centro-Sul, com 3,77%.

A definição do momento de entrada das máquinas no campo também está ligada às expectativas para o clima nos próximos meses. O produtor precisa conciliar a disponibilidade de umidade com o calendário das culturas que vêm na sequência. “As chuvas estão chegando em um momento bom, nem muito atrasadas nem muito adiantadas”, diz Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Clima e janela do milho entram no planejamento

A avaliação é de que, havendo condições adequadas de umidade, é importante acelerar a semeadura para antecipar a colheita da soja e preservar espaço no calendário do milho. O planejamento ganha peso diante das incertezas em relação ao comportamento climático.

Lucas Costa Beber chama atenção para as especulações sobre a ocorrência de um El Niño intenso. Conforme ele, diante desse cenário, o produtor precisa considerar os possíveis impactos sobre as condições de cultivo e, ao mesmo tempo, manter atenção ao mercado.

“Só se faz uma segunda safra plantando dentro da janela”, pontua. Por isso, a orientação é aproveitar as condições favoráveis para avançar com o plantio da soja e evitar a perda de tempo no calendário agrícola.

A preocupação também envolve as projeções para a produção brasileira. Beber cita a estimativa de 186 milhões de toneladas divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e questiona a compatibilidade desse volume com um eventual cenário de El Niño intenso. “É impossível viver um El Niño intenso e uma super safra”, afirma em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

Além das condições climáticas, o produtor precisa administrar também os custos da atividade. A orientação é manter atenção aos tratos culturais e ao desenvolvimento das lavouras, mas dentro de uma realidade de maior pressão sobre as despesas.

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“É claro que nós temos que fazer a nossa parte, cuidar bem da nossa lavoura, do nosso trato cultural”, frisa Beber. Segundo ele, porém, os custos atuais dificultam a manutenção do padrão de lavoura adotado pelos produtores nos últimos anos.


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