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29 de setembro de 2026

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Semeadura da soja 26/27 ganha ritmo em MT, mas clima e janela do milho preocupam produtores

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O plantio da soja 2026/27 avança em Mato Grosso, mas ainda está atrás do ritmo observado na safra passada. Até 25 de setembro, 3,87% da área prevista havia sido semeada, enquanto, no mesmo período do ciclo anterior, o percentual chegava a 5,97%.

O atraso ocorre em um cenário de atenção ao comportamento das chuvas e à necessidade de garantir tempo suficiente para o cultivo do milho segunda safra. A preocupação entre os produtores é aproveitar a umidade disponível sem comprometer a janela de plantio do cereal.

Entre as regiões produtoras, o Oeste de Mato Grosso apresenta o maior percentual de área semeada, com 7,56%, de acordo com relatório do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na sequência aparecem o Médio-Norte, com 5,38%, e o Centro-Sul, com 3,77%.

A definição do momento de entrada das máquinas no campo também está ligada às expectativas para o clima nos próximos meses. O produtor precisa conciliar a disponibilidade de umidade com o calendário das culturas que vêm na sequência. “As chuvas estão chegando em um momento bom, nem muito atrasadas nem muito adiantadas”, diz Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Clima e janela do milho entram no planejamento

A avaliação é de que, havendo condições adequadas de umidade, é importante acelerar a semeadura para antecipar a colheita da soja e preservar espaço no calendário do milho. O planejamento ganha peso diante das incertezas em relação ao comportamento climático.

Lucas Costa Beber chama atenção para as especulações sobre a ocorrência de um El Niño intenso. Conforme ele, diante desse cenário, o produtor precisa considerar os possíveis impactos sobre as condições de cultivo e, ao mesmo tempo, manter atenção ao mercado.

“Só se faz uma segunda safra plantando dentro da janela”, pontua. Por isso, a orientação é aproveitar as condições favoráveis para avançar com o plantio da soja e evitar a perda de tempo no calendário agrícola.

A preocupação também envolve as projeções para a produção brasileira. Beber cita a estimativa de 186 milhões de toneladas divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e questiona a compatibilidade desse volume com um eventual cenário de El Niño intenso. “É impossível viver um El Niño intenso e uma super safra”, afirma em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

Além das condições climáticas, o produtor precisa administrar também os custos da atividade. A orientação é manter atenção aos tratos culturais e ao desenvolvimento das lavouras, mas dentro de uma realidade de maior pressão sobre as despesas.

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“É claro que nós temos que fazer a nossa parte, cuidar bem da nossa lavoura, do nosso trato cultural”, frisa Beber. Segundo ele, porém, os custos atuais dificultam a manutenção do padrão de lavoura adotado pelos produtores nos últimos anos.


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CNA participa de agenda internacional do café na Suíça até sexta-feira

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participa, até sexta-feira (2), de uma agenda internacional do café em Genebra e Montreux, na Suíça. A programação inclui a 142ª Sessão do Conselho Internacional do Café (CIC) e encontros com instituições internacionais ligadas à cafeicultura, com foco nos desafios e nas prioridades da cadeia global e em questões do comércio internacional do produto.

O presidente da Comissão Nacional de Café da CNA, Ademar Pereira, representa a entidade nas discussões ao lado de representantes do governo brasileiro e de outras entidades do setor.

O Conselho Internacional do Café é o principal fórum intergovernamental da Organização Internacional do Café (OIC). O espaço reúne produtores, exportadores, consumidores e importadores para tratar de temas ligados ao mercado internacional, à sustentabilidade e ao desenvolvimento da produção cafeeira.

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Segundo Ademar Pereira, a cafeicultura atravessa um momento de adaptação às novas exigências dos mercados. Ele afirmou que esse processo precisa considerar as diferentes realidades dos agentes que integram a cadeia. Para o dirigente, transparência nas cadeias de suprimentos, capacitação, informação e acesso a novas tecnologias são pontos centrais para o avanço de uma cadeia mais sustentável, competitiva e inclusiva.

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Pereira também defendeu que a sustentabilidade contemple as dimensões ambiental, econômica e social, com atenção à remuneração dos produtores e à distribuição do valor gerado ao longo da cadeia. De acordo com ele, o diálogo entre os diferentes segmentos do setor é essencial para a construção de soluções que considerem toda a cadeia de valor, da produção ao consumidor.

A agenda começou na segunda-feira (28), em Genebra, com reunião da Plataforma Global do Café. Nesta terça-feira (29), Ademar Pereira participou da Sessão do Conselho Internacional do Café. Na quarta-feira (30), está prevista reunião da Força-Tarefa Público-Privada do Café (FTPPC), com debate sobre o impacto da legislação ambiental europeia (EUDR) para o setor, além de um encontro entre o Conselho da OIC e a Plataforma Suíça do Café, também em Genebra.

Na quinta-feira (1) e na sexta-feira (2), a programação segue em Montreux com as celebrações do Dia Internacional do Café e uma reunião do Fórum das Lideranças Mundiais do Café (WCLF).

Fonte: cnabrasil.org.br

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Linhas de crédito da MP 1.376 atenderam apenas 9,9% da dívida rural gaúcha, diz Farsul

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Levantamento da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) mostra que a Medida Provisória 1.376/2026 resolveu, até o momento, uma pequena fração do endividamento rural do estado.

O estudo da entidade se baseou no painel de acompanhamento do Banco Central e ilustra que as operações contratadas no Rio Grande do Sul somam R$ 4,47 bilhões, o equivalente a 9,9% do saldo problemático do crédito rural gaúcho, de R$ 45 bilhões.

No Brasil, foram R$ 5,27 bilhões contratados com base na MP publicada em 15 de julho que autorizou a criação de linhas de crédito especiais para a composição, liquidação ou amortização de dívidas de produtores rurais afetados por quebras de safra e eventos climáticos. Assim, no total do país, apenas 2,5% do saldo problemático nacional, de R$ 207,4 bilhões, foi contemplado. O Rio Grande do Sul concentra 85% de tudo o que foi contratado.

A Farsul destaca que o baixo atendimento à resolução das dívidas confirma uma projeção realizada ainda em julho, quando uma análise de contratos da dívida de uma amostra de produtores indicou que apenas 11,7% do saldo devedor caberia nas regras da MP, mesmo com premissas favoráveis ao produtor.

Dívidas continuaram subindo

A Federação ressalta que enquanto a MP contratava R$ 4,47 bilhões no estado, o saldo problemático do Rio Grande do Sul seguiu subindo. Conforme os cálculos da entidade, entre abril e julho de 2026, o aumento foi de R$ 5,1 bilhões, mais do que tudo o que a medida contratou no território gaúcho.

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“Hoje, o saldo equivale a 41,3% de toda a carteira de crédito rural do estado e é cinco vezes maior do que em janeiro de 2024, antes da enchente”, cita o levantamento.

Na somatória das contratações, o custeio respondeu por 71,1% do valor e a rolagem de operações já renegociadas pela MP 1.314/2025, por 26,3%. Ao mesmo tempo, a linha de investimento ficou com 1%, enquanto CPR e capital de giro sequer aparecem no painel.

O levantamento mostra que Sicredi e Banrisul foram responsáveis por 89% do valor contratado, ao passo que o montante ofertado pelo Banco do Brasil foi de R$ 0,29 bilhão.

Relatório amplia o acesso

A Farsul aponta que o relatório do deputado Paulo Pimenta (PT/RS), relator da MP na Comissão Mista, corrige parte das distorções apontadas, uma vez que traz como principais mudanças em relação ao texto original os seguintes elementos:

  • Produtores em dia passam a poder acessar a linha sem ter renegociado antes, com perda comprovada;
  • Capital de giro, incluindo as linhas emergenciais abertas após a enchente, CPR em dia e dívida rural refinanciada fora do crédito rural ganham porta de entrada;
  • Investimento em dia entra, mas apenas pelas parcelas que vencem até 31/12/2026;
  • A data de corte da inadimplência passa de 31/05 para 31/08/2026;
  • CPR em atraso emitida a favor de cooperativas de produção e fornecedores de insumos passa a ser aceita;
  • Quem renegociou pela MP 1.314 poderá voltar a ter acesso se comprovar perda nova e posterior.

A Assessoria Econômica da Farsul aponta que cinco das sete propostas de redação apresentadas pela entidade em julho ao Governo Federal foram incorporadas ao texto do relator. Ficaram de fora o saldo de investimento que vence após 2026, as parcelas do Fundo Social, a CPR inadimplente com juros controlados e as dívidas com cerealistas.

Prazo é o maior risco

O levantamento ressalta que há uma corrida contra o calendário, visto que a MP perde a validade em 11 de novembro, enquanto a contratação finda no dia seguinte.

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“Antes disso, o parecer precisa ser votado na Comissão Mista, na Câmara e no Senado, seguir para sanção presidencial e ainda aguardar nova resolução do CMN. A Farsul considera fundamental que o relatório seja votado até quinta-feira, 1º de outubro. Do contrário, a lei chegará depois do plantio da safra de verão, com o crédito já decidido pelos bancos”, destaca o levantamento.

O presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, diz que a entidade concentrará esforços para que o tema vá à votação ainda nesta semana no Congresso Nacional. “A situação é de emergência e necessita agilidade. O período do plantio da safra de verão já iniciou”, afirma.

A Farsul ainda pontuou que continuará defendendo ajustes ao texto, como a contagem do prazo de contratação a partir da publicação da lei, a ampliação da janela de parcelas de investimento e a inclusão das parcelas do Fundo Social que vencem em 2026.

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Cooperativas respondem por quase metade do milho produzido em MT

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A produção de milho vinculada a cooperativas já representa 43% do volume colhido em Mato Grosso. Na última safra, foram 25,12 milhões de toneladas produzidas por produtores associados, de um total que superou 58 milhões de toneladas no estado.

A participação do cooperativismo também é expressiva em outras culturas. Entre os produtores associados, o sistema responde por mais de 31% da produção de soja e supera 57% da produção de algodão.

Os números fazem parte do Anuário do Cooperativismo Mato-Grossense, lançado nesta semana, e acompanham a expansão das cooperativas agropecuárias no estado. Atualmente, são 84, 12 a mais do que no ano anterior.

Além de ampliar a presença na produção, as cooperativas têm reunido produtores para ganhar escala na compra de insumos, na comercialização e na armazenagem. A atuação conjunta também alcança decisões dentro da propriedade, como escolha de sementes, produtos e manejo agronômico.

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“Eles conseguem comprar melhor. O custo de produção deles cai bastante pela compra em conjunto”, afirma o superintendente do Sistema OCB-MT, Frederico Azevedo, ao Mais Milho. Segundo ele, algumas cooperativas chegam a reunir 80 mil ou 100 mil hectares agregados para formar grandes volumes de compra, o que permite reduzir custos.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Escala amplia alternativas para produtores

A formação de grandes volumes também interfere na comercialização da produção. Com maior quantidade disponível, as cooperativas conseguem negociar de maneira conjunta em um mercado no qual compradores buscam garantir o abastecimento.

A armazenagem é outro movimento observado no cooperativismo mato-grossense. Conforme Azevedo, cooperativas têm se unido para estruturar essa operação, com reflexos nos custos e na composição dos produtos comercializados, minimizando também um dos grandes gargalos do estado.

O trabalho conjunto ainda chega à parte técnica da produção. A discussão sobre materiais, sementes, produtos e manejo agronômico ganha espaço entre os produtores reunidos nas cooperativas, ampliando a troca de informações e a adoção de estratégias comuns.

“A gente tem visto que os produtores entenderam essa percepção de melhoria e cada vez mais têm partido para se juntarem em grupos de cooperativas para poder gerar essa rentabilidade para eles”, acrescenta Azevedo.

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Para o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, o avanço acompanha uma evolução do próprio setor produtivo e responde a dificuldades estruturais de Mato Grosso, principalmente relacionadas às grandes distâncias e aos custos logísticos.

“Demonstra a evolução natural do setor. O cooperativismo vem para solucionar algumas dores do estado, principalmente pelas distâncias, seja a logística, seja pelas distâncias complementares com os custos de produção diferentes de outras regiões”, pontua Gauer.

O cooperativismo, segundo ele, atua inicialmente na redução de custos de aquisição e na comercialização conjunta. A construção de armazéns também permite que produtores tenham acesso a estruturas que, individualmente, poderiam não ser viáveis.

Cooperativismo ganha espaço na economia estadual

A expansão do modelo também aparece nos números gerais do setor. As cooperativas agropecuárias reúnem mais de 10 mil cooperados em Mato Grosso e empregam diretamente 3.661 pessoas.

No ano passado, elas registraram mais de R$ 37 bilhões em ingressos, valor equivalente a dois terços do total movimentado pelas 172 cooperativas em atividade no estado, considerando todos os ramos do cooperativismo.

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A avaliação é de que o crescimento observado nos últimos anos também acompanha a consolidação de cooperativas que já atuam há décadas no estado. “Apesar de terem surgido cooperativas novas, elas são muito estáveis”, frisa a gerente de Desenvolvimento e Inteligência de Cooperativas do Sistema OCB-MT, Sâmyla Sousa, ao Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com ela, 60% das cooperativas estão há mais de 30 anos no mercado. A permanência dessas organizações é associada à geração de empregos, circulação de renda e manutenção de uma atividade econômica nas regiões onde estão inseridas.

Um estudo da FIP apresentado junto ao anuário também buscou dimensionar esse impacto. O levantamento aponta que, para cada R$ 1 movimentado em demanda pelo cooperativismo, são gerados R$ 1,34 de efeito na economia, o que representa mais de R$ 75 bilhões em valor bruto da produção.

O resultado amplia a discussão sobre o papel das cooperativas para além da produção e comercialização. A movimentação econômica gerada pelo setor alcança as comunidades onde essas organizações estão instaladas e pode influenciar atividades relacionadas à produção agropecuária.

“Aonde você tem cooperativa, você tem uma melhoria econômica para a região”, afirma Frederico Azevedo. Conforme ele, os dados do estudo permitem mensurar um efeito que já era percebido no cotidiano e podem subsidiar a discussão sobre políticas públicas voltadas à integração do cooperativismo ao modelo econômico de Mato Grosso.

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