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22 de junho de 2026

Sustentabilidade

Drones são eficientes para o controle da cigarrinha-do-milho? – MAIS SOJA

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As cigarrinhas-do-milho (Dalbulus maidis e Leptodelphax maculigera) são os principais vetores responsáveis pela transmissão dos enfezamentos na cultura do milho. Essas doenças, causadas por microrganismos fitopatogênicos, prejudicam o crescimento das plantas, reduzindo significativamente a produtividade da lavoura. Em situações severas, os enfezamentos podem até inviabilizar economicamente o cultivo.

Figura 1.  Cigarrinhas  Dalbulus maidis e Leptodelphax maculigera.
Fonte: Ferreira et al. (2023)

A cigarrinha apresenta um curto ciclo de vida, o período de ovo a adulto varia normalmente entre 15 a 27 dias dependendo das condições ambientais. Já o ciclo total de vida, normalmente é inferior a 80 dias, variando normalmente entre 51 a 77 dias. Embora com um curto ciclo de vida, a praga apresenta alta capacidade reprodutiva, cada fêmea pode depositar de 400 a 600 ovos, além disso, sob condições adequadas, a cigarrinha-do-milho pode ter mais de duas gerações durante o período de cultivo do milho (Ávila et al., 2022).

Esse curto ciclo de vida atrelado a alta prolificidade da praga torna necessário intervenções frequentes de manejo para um controle eficiente da praga, com intervalos entre aplicação de inseticidas de 5 a 7 dias, especialmente durante o período crítico do milho a ocorrência da cigarrinha, período esse que se estende de VE a V5.

Considerando a necessidade da reentrada frequente em lavouras de milho para o controle químico da cigarrinha-do-milho, condições ambientais como a umidade elevada do solo podem ser um empecilho para a pulverização, especialmente se tratando de pulverizações terrestres, dificultando a entrada de máquinas na lavoura e o controle efetivo da praga, prejudicando o posicionamento dos inseticidas quanto ao momento de aplicação.

Em cenárias como esse, aplicações aéreas tem-se mostrado importantes para o manejo da cigarrinha-do-milho. Além dos tradicionais aviões agrícolas, os drones tem ganhado espaço e participação no manejo fitossanitário das lavouras, possibilitando a entrada para a pulverização das áreas, mesmo sob condições consideradas inadequadas de umidade do solo para a pulverização terrestre.

Drones são eficientes para o controle da cigarrinha-do-milho?

Com relação ao manejo de doenças, estudos demonstram que as pulverizações via drone são eficazes para o controle de doenças fungicidas como a ferrugem-asiática da soja, demonstrando inclusive, maior capacidade de distribuir defensivos no terço inferior da planta (Soares et al., 2023). E para o controle de insetos como a cigarrinha-do-milho?

Analisando a eficiência da aplicação de inseticida químico (acefato) via pulverização com drone no controle da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), Bortolotto et al. (2025) constataram que  o uso do drone agrícola para aplicação de inseticidas no manejo  da  cigarrinha-do-milho  demonstrou  ser  uma  tecnologia  eficaz  na  fase inicial de desenvolvimento da cultura (Figuras 2 e 3) e também quando o milho atingiu maior porte (Figura 4).

Figura 2. Eficácia de controle (%) de cigarrinha-do-milho em diferentes dias e métodos de aplicação. DAA = dias após a aplicação.
Fonte: Bortolotto et al. (2025)
Figura 3. Eficácia de controle (%) de cigarrinha-do-milho em diferentes dias e métodos de aplicação. DAA = dias após a aplicação
Fonte: Bortolotto et al. (2025)
Figura 4. Eficácia de controle (%) de cigarrinha-do-milho em diferentes métodos de aplicação. DAA = dias após a aplicação.
Fonte: Bortolotto et al. (2025)

De acordo com Bortolotto et al. (2025), a aplicação com drone apresentou qualidade semelhante à aplicação com pulverizador costal, sendo portanto eficiente para o manejo da cigarrinha do milho como método de pulverização. Resultados similares demonstrando a eficiência dos drones no controle de pragas também foram observados por outros autores, especialmente para a cultura da soja, fato que demonstra a aptidão do drone como meio de pulverização para o manejo de pragas.

Contudo, é importante destacar que drones operam com volumes de calda consideravelmente menores, o que demanda atenção redobrada às condições climáticas e ambientais no momento da pulverização. Dessa forma, o uso dessa tecnologia requer criterioso planejamento e monitoramento das condições de aplicação, a fim de garantir eficiência e minimizar riscos de perdas ou deriva.

Confira o trabalho completo desenvolvido por Bortolotto e colaboradores (2025) clicando aqui!

Referências:

BORTOLOTTO, O. C. et al. USO DE DRONE AGRÍCOLA NO MANEJO DA CIGARRINHA DO MILHO. Revista Caderno Pedagógico, 2025. Disponível em: < https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/cadped/article/view/15540/8696 >, acesso em: 13/08/2025.

FERREIRA, K. R. et al. FIRST RECORD OF THE AFRICAN SPECIES Leptodelphax maculigera (Stål, 1859) (Hemiptera: Delphacidae) IN BRAZIL. Research Square, 2023. Disponível em: < https://www.researchsquare.com/article/rs-2818951/v1 >, acesso em: 13/08/2025.

SOARES, R. M. et al. COBERTURA E DEPÓSITO DE FUNGICIDA PULVERIZADO COM DRONE NA CULTURA DA SOJA. Embrapa, 2023. Disponível em: < https://www.researchgate.net/publication/377489959_COBERTURA_E_DEPOSITO_DE_FUNGICIDA_PULVERIZADO_COM_DRONE_NA_CULTURA_DA_SOJA_COVERAGE_AND_DEPOSIT_OF_FUNGICIDE_SPRAYED_WITH_DRONE_IN_SOYBEAN_CULTURE >, acesso em: 13/08/2025.

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Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Prêmio do óleo segue no menor patamar da série do Cepea – MAIS SOJA

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Apesar de terem registrado recuperação na semana passada, os prêmios de exportação do óleo de soja permanecem em patamares historicamente baixos, considerando-se a série do Cepea, iniciada em junho de 2004.

De acordo com o Centro de Pesquisas, o cenário reflete a ampla disponibilidade do produto na América do Sul e a demanda por biodiesel no Brasil abaixo das expectativas do mercado.

Pesquisadores do Cepea destacam que, apesar da pressão externa, a retração dos prêmios tem aumentado a competitividade do óleo brasileiro no mercado internacional, favorecendo os embarques e limitando os efeitos baixistas sobre os preços domésticos.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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Sustentabilidade

Rotação de culturas pode reduzir perdas no trigo – MAIS SOJA

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A resposta produtiva do trigo depende em cerca de 50% da interferência do ambiente, mas a outra metade é resultado do solo, da genética e do manejo da lavoura. Investir em conhecimento sobre as tecnologias disponíveis para conviver com o El Niño é fundamental para a sustentabilidade da lavoura.

Neste cenário, a rotação de culturas surge como uma prática importante para reduzir perdas. Dados de pesquisa mostram que, historicamente, a rotação agrega entre 35 a 40% na produtividade dos grãos quando comparada ao monocultivo, podendo apresentar resultados ainda melhores quando comparada ao monocultivo do trigo. “Em anos de El Niño esse incremento pode chegar a 60% na produtividade do trigo”, destaca o pesquisador Genei Dalmago. Segundo ele, “não estamos falando de trigo no inverno e soja no verão, mas de rotação inverno/inverno, verão/verão. Por exemplo, a área que recebeu trigo no inverno passado, poderá receber canola neste inverno; onde teve soja no verão, poderá receber o milho”. De forma prática, o pesquisador sugere dividir a área em três ou quatro talhões para fazer rotação de culturas, especialmente entre gramíneas, leguminosas e brássicas, entre outras, evitando o cultivo de trigo sobre trigo.

Cultura antecessora define adubação nitrogenada

A cultura que antecede o trigo pode alterar a demanda por adubação nitrogenada (N).

O nabo forrageiro é uma importante alternativa para aumentar a disponibilidade de nitrogênio para o trigo. “Apesar de não fixar o nitrogênio da atmosfera como as leguminosas, o nabo forrageiro possui raízes profundas que exploram camadas inferiores do solo e promovem a ciclagem de nutrientes, trazendo-os para a superfície por meio da biomassa produzida”, explica o pesquisador André Julio do Amaral. Com a produção de biomassa próximo aos 3 mil kg/ha, o nabo forrageiro pode acumular entre 50 a 60 kg de N/ha na parte aérea, disponibilizando parte desse nutriente para o trigo, por meio da ciclagem de nutrientes e da rápida decomposição da palhada. “Com a produção adequada de biomassa, o nabo forrageiro pode fornecer quase a metade do N necessário para que o trigo produza cerca de 4 mil kg de grãos por hectare. A estratégia reduz custos de produção, aumenta a eficiência do uso de nutrientes e contribui para a sustentabilidade do sistema produtivo”, conclui Amaral.

O milho, embora deixe mais volume de palha no solo do que a soja, disponibiliza menos nitrogênio. Conforme o pesquisador Fabiano De Bona, a lenta degradação da palhada do milho dificulta a oferta desse nitrogênio para o a cultura do trigo. “Áreas de trigo após milho podem demandar até 30 kg/ha adicionais de N em relação ao trigo pós soja”, alerta De Bona.

As áreas com inoculação de Azospirillum brasilense nas sementes de trigo também devem contar com aporte de N. “A inoculação não substitui a adubação nitrogenada, já que as bactérias não são capazes de suprir toda a necessidade de nutrientes que a planta de trigo precisa”, esclarece o pesquisador José Pereira da Silva Júnior. Ele alerta que o comportamento das cultivares em resposta à inoculação é muito variável: “Se o produtor conhece a cultivar e sabe como responde à inoculação, é possível reduzir em até 30% a dose de nitrogênio recomendada. É preciso ter conhecimento de cada cultivar no ambiente de cultivo”.

Serviço:

Veja mais conteúdos da Campanha Safra de Inverno 2026 nas mídias sociais da Embrapa Trigo, no Youtube e no Instagram (@embrapa.trigo).

Assista as orientações do pesquisador André do Amaral sobre o uso do nabo forrageiro no aporte de N no trigo:



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Sustentabilidade

Estudo avalia resistência de cultivares de trigo à brusone – MAIS SOJA

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A Rede de Ensaios Cooperativos acaba de divulgar o resultado da avaliação de cultivares de trigo quanto à resistência à brusone da espiga. Foram realizados dez ensaios a campo em cultivo de trigo de sequeiro, em seis estados do Brasil Central, nas safras 2024 e 2025. O boletim com os resultados foi publicado pela Embrapa Trigo.

O estudo, conduzido pela Rede de Ensaios Cooperativos para a Resistência à Brusone da Espiga de Trigo (Recorbe), avaliou a reação à brusone de 20 cultivares de trigo em dez ensaios conduzidos nas safras de 2024 (quatro locais) e de 2025 (seis locais). Seguindo um protocolo, as instituições de pesquisa que participam da Recorbe instalaram ensaios, a partir de sementes cedidas pelas empresas obtentoras, para avaliar a brusone em seis estados: Fundação MS (Maracaju, MS), UFLA (Lavras, MG), Coopadap (São Gotardo, MG), IDR (Londrina, PR), Círculo Verde (Luis Eduardo Magalhães, BA), além das unidades da Embrapa Trigo (Uberaba, MG), Cerrados (Planaltina, DF) e Tabuleiros Costeiros (São Miguel dos Campos, AL).

O pesquisador da Embrapa Trigo João Leodato Nunes Maciel explica que foram avaliadas três variáveis no estudo: rendimento de grãos, peso hectolitro (PH) e incidência de brusone na espiga. “Apesar da relação direta entre as variáveis no campo, o grupo de pesquisadores optou por isolar cada uma delas favorecendo aspectos que podem distinguir as cultivares frente à presença da bursone nas lavouras de trigo”.

Desta forma, as cultivares que se destacaram em relação às três variáveis analisadas no estudo foram as seguintes:

  • menor incidência de brusone a campo: TBIO Convicto, ORS Feroz e TBIO Duque;
  • maior rendimento de grãos: TBIO Valente, ORS 1403 e BRS Savana;
  • maior peso do hectolitro: BRS Savana e TBIO Valente.
Figura: Caracterização de cultivares de trigo em ambiente tropical em relação ao rendimento de grãos e à incidência de brusone em espigas sob condições de campo.

RECORBE a Rede de Ensaios Cooperativos para a Resistência à Brusone da Espiga de Trigo (Recorbe), iniciada em 2018, tem como base a execução de ensaios de campo por empresas ou instituições brasileiras interessadas no tema “reação de cultivares de trigo à brusone”. Entre os parceiros que conduzem os ensaios da rede estão cooperativas, instituições de pesquisa e universidades. O principal objetivo da rede é caracterizar as cultivares de trigo disponibilizadas para os produtores rurais quanto à resistência da brusone da espiga. A coordenação é da Embrapa Trigo que, a cada dois anos de condução dos ensaios, reúne as informações junto ao grupo da Recorbe para elaboração de um boletim técnico, onde são apresentados e analisados os resultados obtidos nos ensaios.


Brusone ainda desafia a triticultura

A brusone do trigo continua sendo um grande desafio nas lavouras brasileiras, cuja redução na produtividade pode chegar aos 63% para uma incidência de 50% nas espigas. Os danos maiores são observados nas lavouras dos estados do Brasil Central, embora também prejudique a cultura de forma relativamente importante nos estados da Região Sul, especialmente no norte do Paraná.

Desde a identificação da doença, em 1985, diversas ações têm sido desenvolvidas no Brasil por instituições de pesquisa, universidades, cooperativas e associações de produtores, com o objetivo de gerar e divulgar conhecimento sobre as melhores opções de manejo e controle da brusone do trigo. Ajustes no calendário de semeadura buscando o escape da brusone no espigamento do trigo, bem como a eficiência no uso dos fungicidas são resultados de pesquisa apresentados frequentemente pelas instituições.

O pesquisador João Leodato Maciel destaca as ações de melhoramento genético no combate à brusone do trigo: “É importante destacar a disponibilização de cultivares de trigo com a sequência 2NS em seu genoma em meados de 2010,  condição que tem permitido ao produtor contar com cultivares com maior resistência à doença”, entretanto, mesmo com os benefícios proporcionados pelo 2NS, o pesquisador lembra que “é preciso manter o monitoramento para as possíveis mutações do fungo, o que pode gerar variantes deste patógeno com capacidade de romper essa resistência”.

Fonte: Embrapa


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