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CNA responde acusações de práticas desleais no comércio feitas pelos Estados Unidos

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, nesta sexta-feira (15), respostas técnicas ao processo que o governo dos Estados Unidos abriu contra o que chamam de “práticas desleais” de comércio que seriam praticadas pelo Brasil.
A investigação dos Estados Unidos tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio que permite, ao Poder Executivo norte-americano, apurar práticas comerciais que possam ser consideradas “desleais ou discriminatórias”. A lei também permite a aplicação de sanções, de forma unilateral, caso sejam comprovadas irregularidades.
Os Estados Unidos apontaram seis eixos temáticos na investigação aberta contra o Brasil:
- Comércio Digital e Pagamentos Eletrônicos;
- Tarifas Preferenciais;
- Práticas Anticorrupção;
- Propriedade Intelectual;
- Acesso ao Mercado de Etanol;
- Desmatamento Ilegal.
Legalidade dos eixos
Na defesa enviada pela CNA foram apresentados fundamentos legais que buscam demonstrar a conformidade e legalidade das políticas e práticas adotadas pelo país relativas a três eixos apontados pelos norte-americanos: “Tarifas Preferenciais”, “Acesso ao Mercado de Etanol” e “Desmatamento ilegal”.
A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que o agronegócio brasileiro está intrinsicamente ligado ao mercado internacional, seja comprando insumos ou vendendo sua produção. “O Brasil se tornou um grande exportador agrícola porque somos altamente produtivos e competitivos”. Atualmente, os Estados Unidos são o terceiro principal destino das exportações agropecuárias do Brasil.
“A CNA, que representa mais de cinco milhões de produtores rurais brasileiros, tem confiança de que a investigação americana comprovará o compromisso, não só do agro, mas de toda a economia brasileira, em um comércio internacional justo, transparente e baseado em regras claras”, afirmou Sueme.
A manifestação da CNA foi submetida ao Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Em setembro, a Confederação pretende participar presencialmente da audiência pública sobre a investigação.
Resposta da CNA às acusações
Abaixo está o resumo das alegações que constam na resposta da CNA enviada ao governo de Donald Trump para cada um dos três eixos:
“Tarifas Preferenciais”
- O Brasil concede tratamento tarifário preferencial de forma limitada, com base em acordos compatíveis com o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) e com a Cláusula de Habilitação da Organização Mundial do Comércio (OMC), como os celebrados com México e Índia;
- Esses acordos com tratamento tarifário preferencial representam apenas 1,9% das importações brasileiras e não discriminam ou prejudicam as exportações americanas;
- Em comparação, os EUA possuem acordos de livre comércio abrangentes em vigor com 20 países;
- Portanto, não há tratamento discriminatório contra os EUA e a rede atual de acordos preferenciais do Brasil é limitada e não prejudica as relações comerciais bilaterais com o país.
Acesso ao Mercado de Etanol
- Entre 2010 e 2017 houve isenção tarifária para o etanol dos EUA; posteriormente, adotou-se a tarifa de Nação Mais Favorecida (NMF) de 18%, inferior à aplicada aos países do Mercosul, que permanecem com tarifa de 20%;
- A política tarifária é transparente, não discriminatória e em conformidade com a OMC;
- O programa RenovaBio é aberto a produtores estrangeiros que atendam aos critérios técnicos e ambientais;
- Alegações de favorecimento à Índia e México não se sustentam diante dos volumes exportados.
- A CNA defende a cooperação bilateral com os EUA na transição energética, especialmente em bioenergia e combustíveis sustentáveis, reconhecendo a relevância desses produtos para a descarbonização global.
Desmatamento ilegal
- O Brasil possui legislação ambiental robusta e avançada, como o Código Florestal e a Lei de Crimes Ambientais, além de sistemas de monitoramento;
- O Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas (PPCD) e políticas semelhantes resultaram em reduções no desmatamento;
- Ferramentas como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) garantem rastreabilidade e conformidade da produção agropecuária;
- O controle da exploração de madeira é feito via Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor) e via Documento de Origem Florestal (DOF+), com rastreabilidade obrigatória e certificações reconhecidas.
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Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) eleva projeção da safra 2025/26 e estima exportação recorde em 2026

A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) revisou para cima a estimativa da safra brasileira de algodão 2025/26, que passou de 3,955 milhões para 4,006 milhões de toneladas, segundo balanço divulgado em São Paulo, no dia 22. A entidade também elevou a projeção de exportações de 2026 para 3,359 milhões de toneladas, acima das 3,21 milhões previstas em abril. Se confirmados, os embarques representarão novo recorde para o setor.
Segundo a Anea, o ajuste na produção foi sustentado pelas condições climáticas favoráveis nos últimos meses, especialmente em Mato Grosso e Bahia. De acordo com a entidade, esse cenário explica o incremento de aproximadamente 51 mil toneladas na projeção da safra 2025/26. Se o volume se confirmar, será a segunda maior safra da série mencionada no balanço, atrás apenas das 4,260 milhões de toneladas registradas em 2024/2025.
No comércio exterior, a entidade revisou a estimativa de exportações do primeiro semestre de 2026 de 1,600 milhão para 1,827 milhão de toneladas. Em nota, o presidente da Anea, Dawid Wajs, afirmou: “Nunca tivemos um semestre tão forte na história, como este agora, e junho ainda não acabou”.
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Para o segundo semestre de 2026, a projeção foi ajustada de 1,61 milhão para aproximadamente 1,557 milhão de toneladas. Mesmo com a redução nessa etapa do ano, o total projetado para 2026 foi elevado para 3,359 milhões de toneladas.
O balanço também aponta estoques de passagem menores. A estimativa para o fim de junho de 2026 caiu de 934 mil para 708 mil toneladas. Para dezembro de 2026, o estoque final foi revisado de 2,910 milhões para 2,794 milhões de toneladas. Segundo Wajs, a redução mostra competitividade do algodão brasileiro nos destinos de exportação e forte demanda pelo produto.
Para a safra 2026/27, a Anea elevou a projeção de produção de 3,870 milhões para 3,960 milhões de toneladas. Segundo o presidente da entidade, os números são sustentados por preços “mais interessantes” e por uma aparente estabilidade nos custos dos fertilizantes. A Anea estima exportações de 1,667 milhão de toneladas no primeiro semestre de 2027 e de 1,563 milhão no segundo.
Os dados divulgados pela Anea indicam revisão positiva para produção e embarques de algodão, além de estoques menores ao longo de 2026. O material fornecido não detalha preços internos, áreas plantadas ou estimativas regionais além da referência a Mato Grosso e Bahia.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Companhia Nacional de Abastecimento investe R$ 3,1 milhões em aquisição de alimentos no Pará

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou, nesta quinta-feira (18), em Belém (PA), uma série de ações voltadas ao abastecimento e à agricultura familiar no Pará. A programação incluiu investimento de R$ 3,1 milhões no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), entrega de oito mini colheitadeiras, quatro kits de maquinários agrícolas e a conclusão de obras na Unidade Armazenadora (UA) Ananindeua. Segundo a estatal, a modernização recuperou 17,5 mil toneladas de capacidade de armazenagem.
De acordo com a Conab, os recursos do PAA serão usados na destinação de 147,2 toneladas de alimentos, além de 23,5 mil mudas frutíferas e 18,8 toneladas de sementes crioulas para comunidades quilombolas e assentados da reforma agrária. A estatal informou que, desde 2023, aprovou 328 projetos no Pará, com mais de R$ 96,3 milhões em investimentos, atendimento a mais de 8,3 mil famílias produtoras e estimativa de aquisição de cerca de 12,2 mil toneladas de alimentos em 94 municípios.
Entre os atos formalizados, a Associação Estadual de Agricultores e Guardiões da Agrobiodiversidade na Amazônia (Aefaga), de Igarapé-Açu, assinou termo de pactuação de aproximadamente R$ 615 mil para fornecer 18,7 toneladas de sementes crioulas e 23,5 mil mudas. A ação, segundo a fonte, atenderá 385 famílias agricultoras em Ananindeua, Santa Luzia do Pará e Viseu.
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Na mecanização, a Conab entregou oito mini colheitadeiras do Programa Arroz da Gente e quatro kits do Programa Mecaniza+ para organizações de agricultores familiares, assentados, ribeirinhos e agroextrativistas em municípios como Belém, Cametá, Altamira e Marabá. Segundo o material divulgado, os equipamentos do Mecaniza+ têm potencial para elevar em até 30% a produtividade no campo.
Na armazenagem, a estatal informou investimento de R$ 4,6 milhões, desde 2023, na UA Ananindeua. A fonte afirma que a capacidade passou de 2,5 mil toneladas para 21 toneladas após as intervenções, mas também registra recuperação de 17,5 mil toneladas, sem detalhar esse dado de forma consistente. A Conab também anunciou pregão eletrônico para obras de pavimentação no local.
O material ainda informa que, entre 2023 e 2026, o Programa de Venda em Balcão comercializou cerca de 3,6 toneladas de milho no Pará, com aproximadamente 1,3 mil atendimentos a cerca de 190 clientes.
Segundo a Conab, os investimentos também preveem quase R$ 500 mil para pavimentação e instalação de 127 placas fotovoltaicas na unidade de Ananindeua. O material divulgado não detalha prazos de conclusão dessas etapas nem esclarece a divergência numérica sobre a capacidade final de armazenagem.
Fonte: gov.br
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Ferrovia avança em Mato Grosso com entrega dos primeiros 162 quilômetros entre Rondonópolis e Dom Aquino

A ferrovia que promete aproximar a produção mato-grossense dos portos brasileiros avançou mais uma etapa neste sábado (20). Com a entrega dos primeiros 162 quilômetros entre Rondonópolis e Dom Aquino, o projeto da Ferrovia Estadual de Mato Grosso inicia sua operação e amplia a capacidade logística de um dos principais corredores do agronegócio nacional.
O trecho inaugurado integra a expansão da Malha Norte e conecta Rondonópolis ao novo terminal ferroviário instalado às margens da BR-070, em Dom Aquino. Nesta primeira fase, o investimento soma R$ 5 bilhões.
Considerada a primeira ferrovia estadual em construção no país e a maior em execução, a obra deverá alcançar mais de 740 quilômetros de extensão quando concluída, ligando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde e passando por 16 municípios mato-grossenses. O projeto também prevê um ramal para Cuiabá.
As obras começaram em novembro de 2022 e mobilizaram cerca de 5 mil trabalhadores. Somente na construção do terminal ferroviário foram gerados mais de 800 empregos diretos e indiretos.
Ligação com os portos
A nova estrutura aproxima os trilhos das principais regiões produtoras de grãos do estado e reforça a ligação de Mato Grosso com o Porto de Santos, principal porta de saída das exportações brasileiras.
O terminal de Dom Aquino foi projetado para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho. As operações entram agora em fase de testes e preparação para o início das atividades em escala comercial.
Durante a inauguração, o governador Otaviano Pivetta relacionou a entrega da ferrovia aos investimentos em infraestrutura realizados no estado.
“Mato Grosso é um exemplo do que o Brasil pode fazer. Enquanto a Rumo construiu 162 quilômetros de ferrovia, nós vamos concluir mais de 7 mil quilômetros de asfalto novo nas rodovias estaduais até o final do ano. Investimos R$ 28 bilhões em infraestrutura para melhorar a vida do nosso povo”.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou a necessidade de ampliar a participação das ferrovias no transporte nacional. “Vamos precisar de muita ferrovia para transportar o desenvolvimento do Brasil”.
Segundo ele, o crescimento da produção agrícola exige investimentos em infraestrutura para garantir competitividade.
“O Brasil, que era importador de alimentos há 70 anos, hoje está entre os três maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. Nós precisamos chegar aos portos. E, para chegar aos portos, precisamos de ferrovia”, disse o vice-presidente.
Próximas etapas
O trecho entregue representa apenas a primeira fase do projeto ferroviário. Quando concluída, a Ferrovia Estadual deverá formar um novo corredor logístico para o escoamento da produção agrícola do médio-norte mato-grossense.
O presidente da Rumo, Pedro Palma, afirmou que a obra é resultado de um planejamento de longo prazo e de um modelo que permitiu viabilizar os investimentos necessários. “A visão de futuro é importante, mas ela não basta. É preciso conhecimento, parceria e coragem para transformar projetos em realidade”.
Para o presidente do conselho de administração da Cosan, Rubens Ometto, a ferrovia amplia a conexão da produção mato-grossense com os mercados nacional e internacional. “Esse projeto conecta a produção de Mato Grosso ao Porto de Santos e ao mundo. É a verdadeira ferrovia do grão, que também traz fertilizantes, exporta algodão e movimenta a indústria do etanol”.
Em Dom Aquino, a expectativa é que a nova estrutura impulsione a atividade econômica local. Conforme o prefeito Carlim Amarelo, a chegada da ferrovia insere o município em uma importante rota logística. “Dom Aquino passa a integrar uma importante rota logística nacional, ampliando oportunidades para produtores, empresas e para toda a população”.
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