Sustentabilidade
Análise Mensal do Mercado do Milho – MAIS SOJA

As cotações domésticas do milho até apresentaram reações pontuais em julho, mas acumularam quedas no balanço do mês. A pressão veio sobretudo da retração de consumidores. Estes agentes estavam à espera de novas desvalorizações do cereal, fundamentados no avanço da colheita da segunda safra, em estimativas indicando colheita recorde no Brasil e nas exportações enfraquecidas. Assim, consumidores priorizaram a utilização dos lotes negociados antecipadamente. Vendedores, por sua vez, também estiveram mais flexíveis nos valores de negociação.
No campo, o ritmo de colheita da segunda safra ainda esteve abaixo do verificado em 2024. Esse cenário e os aumentos nos custos com fretes evitaram desvalorizações mais intensas do milho.
PREÇOS – No acumulado de julho, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa recuou 5,2%, fechando a R$ 63,54/saca de 60 kg no dia 31. A média mensal de julho também registrou forte queda de 6,6% em relação à do mês anterior, e, por mais um mês, foi a menor do ano, em termos nominais.
Na média das regiões pesquisadas pelo Cepea, o cereal se valorizou 1,4% no mercado de balcão (ao produtor), mas cedeu 2,4% no de lotes (negociação entre empresas) também no acumulado do mês. Já as médias mensais de julho foram 3,8% e 7,7% inferiores às de junho, respectivamente.
Na B3, o atraso da colheita nas regiões brasileiras e as preocupações com as tarifas dos Estados Unidos impostas ao País elevaram os valores. Deste modo, os vencimentos Set/25 e Nov/25 avançaram 8% e 4%, fechando a R$ 66,83 e a R$ 69,14/sc de 60 kg no dia 31, respectivamente.

EXPORTAÇÕES – De fevereiro/25 a julho/25, o volume embarcado limitou-se a 5,2 milhões de toneladas, contra as 7 milhões de toneladas enviadas no mesmo período de 2024 e ainda bem distante das 34 milhões projetadas pela Conab até janeiro/26. Especificamente em julho, considerando-se 23 dias úteis, foram exportadas apenas 2,43 milhões de toneladas, abaixo das 3,5 milhões de toneladas de julho/24, segundo a Secex.
Tradicionalmente, as maiores quantidades são embarcadas no segundo semestre, mas o alcance da estimativa oficial requer o envio mensal de aproximadamente 5 milhões de toneladas, o que ainda não foi registrado neste ano. Com a redução das exportações e a produção recorde brasileira, a oferta interna pode aumentar, reforçando a pressão sobre os valores domésticos. Por enquanto, a Conab estima estoques de 8,41 milhões de toneladas ao final da temporada, em janeiro/26.
Além dos fatores internos, pesam sobre a demanda e as cotações notícias de outros importantes países produtores. No caso dos Estados Unidos, os preços cederam devido à expectativa de produção também recorde – segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), até o momento, são esperadas 398,92 milhões de toneladas na temporada 2025/26. Na Argentina, o presidente Javier Milei indicou que as tarifas para exportação do cereal agora serão de 9,5%, contra 11,5%, o que pode aumentar a oferta disponível para embarque.
ESTIMATIVAS – Em seu 10º levantamento de safra, a Conab apontou aumento na produção total de milho no Brasil. O reajuste positivo em julho – tanto em relação ao relatório de junho/25 quanto ao de julho/24 – se deve às maiores produções esperadas para as primeira e segunda safras.
A segunda safra 2024/25 foi reajustada pela Conab para 104,53 milhões de toneladas, aumento de 16% em relação à temporada anterior e um recorde da série histórica da Conab, iniciada em 1976/77. Essa melhora na produção é reflexo do aumento da produtividade em quase todos os estados produtores.
Para a primeira safra, as boas condições climáticas e o aumento na produtividade também impulsionaram a produção, que foi estimada neste mês em 24,91 milhões de toneladas, 8,5% superior ao ciclo anterior. Quanto à terceira safra, a produção poderá superar em 1,4% a anterior, totalizando 2,51 milhões de toneladas.
No agregado, a Conab estima produção de 131,97 milhões de toneladas de milho na temporada 2024/25, consolidando o aumento de 14,3% em relação ao ano anterior (2023/24) e a maior colheita da história. Com os atuais avanços na produção, a Conab elevou a estimativa de exportação, agora prevista em 36 milhões de toneladas, acima das 34 milhões de toneladas estimadas em junho, mas abaixo das 38,5 milhões de toneladas escoadas em 2023/24.
A Conab prevê consumo interno de 89,75 milhões de toneladas, impulsionado pela crescente produção de etanol de milho. Neste cenário de aumento na produção brasileira, o estoque final seria de 9,54 milhões de toneladas em janeiro/26, bem superior ao da temporada anterior, que foi de 1,85 milhão de toneladas. Em termos globais, estimativa do USDA mostra produção e o consumo da temporada 2024/25 em respectivos 1,26 bilhão de toneladas e 1,27 bilhão de toneladas; e o estoque de passagem, em 272,08 milhões de toneladas. Especificamente para os Estados Unidos, estimativas indicam produção de 398,92 milhões de toneladas, abaixo do apontado no relatório do mês anterior (de 401,84 milhões de toneladas), mas, ainda assim, um recorde, segundo o USDA.
CAMPO – A colheita da segunda safra avançou por todas as regiões em julho, chegando a média nacional 75,2% até o dia 2 de agosto, mas ainda abaixo dos 91,32% registrado ne mesmo período de 2024 e inferior ao 77,6% da média dos últimos cinco anos, segundo a Conab.
No Paraná, a Seab/Deral indica que 75% da área havia sido colhida até 4 de agosto, abaixo dos 92% do ano anterior. Apesar de problemas climáticos, como geadas, ondas de calor e pontuais casos de pragas durante o desenvolvimento, a Seab/Deral apontou que a produção estadual deve ser de 17,06 milhões de toneladas, ante as 16,8 milhões estimadas inicialmente, o que caracterizaria como a maior safra deste estado.
Em Mato Grosso, a colheita se aproximou da reta final e, com boa produtividade e problemas logísticos, agricultores encontraram dificuldade no armazenamento do cereal. Até o dia 1º de agosto, 96,38% da área estadual havia sido colhida, atraso de 3,53 p.p. em relação ao ano anterior conforme o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária). Em Mato Grosso do Sul, a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) indicou que 31,6% da área estadual havia sido colhida até o dia 25 de julho.
INTERNACIONAL – Nos Estados Unidos, os preços acumularam quedas em julho, refletindo as condições favoráveis à safra norte-americana e o avanço da colheita no Brasil. Com isso, os contratos Set/25 e Dez/25 recuaram 3,7% e 2,7% entre 30 de junho e 31 de julho, passando para US$ 3,94/bushel (US$ 155,11/t) e a US$ 4,1375/bushel (US$ 162,88/t), respectivamente, no dia 31. O USDA apontou que, até o dia 3 de agosto, 73% da safra de milho dos Estados Unidos estava em condição entre boas ou excelentes, acima dos 67% registrados no mesmo período de 2024. Na Argentina, a colheita alcançou 88% da área nacional até o dia 31, segundo dados da Bolsa de Cereales.
Confira o Agromensal do Milho de Julho/2025 completo, clicando aqui!
Fonte: Cepea

Autor:AGROMENSAIS JULHO/2025
Site: CEPEA
Sustentabilidade
Soja: Bactérias do gênero Bacillus apresentam eficiência no controle de fitonematoides – MAIS SOJA

Os nematoides fitopatogênicos, dentre eles, Heterodera glycines (nematoide do cisto da soja), Meloidogyne spp. (nematoide das galhas), Rotylenchulus reniformis (nematoide reniforme) e Pratylenchus brachyurus (nematoide das lesões radiculares), integram o grupo das principais espécies de pragas da cultura da soja. Os danos variam em função da espécie, suscetibilidade da cultivar e densidade populacional da praga, podendo resultar em perdas expressivas de produtividade, ou até mesmo inviabilizando o cultivo.
Dentre os fatores que mais influenciam no desenvolvimento dos fitonematoides em áreas agrícolas, destacam-se temperatura e textura do solo. De modo geral, solos de texturas mais leves (com menor teor de argila), tendem a apresentar condições melhores para o desenvolvimento dos fitonematoides, atrelados a isso, condições de temperaturas na faixa de 29 a 31°C favorecem o desenvolvimento do fitonematoides como o M. javanica (Inomoto & Asmus, 2009).
Por se tratar de pragas de solo, o controle direto dos fitonematoides via aplicação de nematicidas químicos é uma tarefa difícil, ainda mais se tratando de moléculas de baixo efeito residual. Além das boas práticas agronômicas que incluem a rotação de culturas com espécies não hospedeiras e a semeadura de cultivares de soja mais tolerantes, o uso de bioinsumos tem contribuído para o controle dos fitonematoides em áreas agrícolas, reduzindo os danos ocasionados por eles na cultura da soja.
Dentre os microrganismos empregados com esse intuito, destacam-se as bactérias do gênero Bacillus. Conforme relatado por Coelho et al. (2021) e Costa et al. (2019), o uso de bactérias do gênero Bacillus na cultura da soja tem se mostrado uma estratégia promissora tanto para o manejo de fitonematoides, como Pratylenchus brachyurus, quanto para a promoção do crescimento vegetal. Nesse contexto, estirpes de Bacillus, especialmente Bacillus subtilis, aplicadas via tratamento de sementes, contribuem para o incremento da parte aérea e do volume radicular das plantas, destacando-se as doses de 2 e 4 mL de produtos à base de B. subtilis por kg de sementes como as mais eficientes.
Os bionematicidas à base de bactérias, majoritariamente compostos por cepas do gênero Bacillus, lideram o mercado devido à ampla eficácia no controle de nematoides. Seu principal mecanismo de ação é a formação de biofilme no rizoplano, que atua como barreira física ao competir por sítios de penetração, além de liberar enzimas e compostos com efeito nematicida, capazes de afetar ovos e formas infectantes dos nematoides no solo (Dias-Arieira & Santana-Gomes, 2025).
Figura 1. Biofilme oriundo de Bacillus spp. ao redor da semente e da raiz de soja.
Corroborando a eficiência das bactérias do gênero Bacillus no controle dos fitonematoides da soja, Reis e Oliveira (2025) observaram que o tratamento de sementes de soja com Bacillus methylotrophicu reduziu significativamente o número de nematoides Meloidogyne javanica nas raízes das plantas tratadas (figura 2), além de reduzir o número de nematoides por amostra de solo (100 cm³).
Figura 2. Resultados de número de nematoides para 5,0 g de raiz em sementes de soja tratadas com B.methylotrophicus e inoculadas com M. javanica.

Os resultados observados por Reis e Oliveira (2025) demonstram que o tratamento de sementes de soja com Bacillus methylotrophicus, contribui não só para a redução da densidade de nematoides no solo e nas raízes, mas também, para um melhoria da massa fresca de raízes e da parte aérea das plantas tratas, sendo que, os melhores resultados foram obtidos com doses de Bacillus methylotrophicus variando de 0,30 a 0,38 ml.kg de sementes.
Estudos anteriores como o realizado por Araújo; Silva; Araújo (2002) também evidenciam a eficiência do gênero Bacillus no biocontrole de fitonematoides da soja. Logo, pode-se dizer que essas bactérias, quando bem posicionadas, podem contribuir significativamente para o manejo de nematoides fitopatogênicos em soja, sendo, portanto, ferramentas essenciais para um manejo estratégico e sustentável em ambientes agrícolas.
Confira o estudo completo desenvolvido por Reis e Oliveira (2025) clicando aqui!
Referências:
ARAÚJO, F. F.; SILVA, J. F. V.; ARAÚJO, A. S. F. INFLUÊNCIA DE BACILLUS SUBTILIS NA ECLOSÃO, ORIENTAÇÃO E INFECÇÃO DE Heterodera glycines EM SOJA. Ciência Rural, v. 32, n. 2, 2002. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/cr/a/7rcT8Hdw3bwh5qmZsVmyw6y/?lang=pt# >, acesso em: 03/02/2026.
COELHO, T. N., et al. CONTROLE BIOLÓGICO NO MANEJO DE Pratylenchus brachyurus EM DIFERENTES TRATAMENTOS NA CULTURA DA SOJA. Journal of Biotechnology and Biodiversity, 2021. Disponível em: < https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/JBB/article/view/11470/19047 >, acesso em: 03/02/2026.
COSTA, L. C. et al. DESENVOLVIMENTO DE CULTIVARES DE SOJA APÓS INOCULAÇÃO DE ESTIRPES DE Bacillus subtilis. Nativa, 2019. Disponível em: < https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/nativa/article/view/6261/5390 >, acesso em: 03/02/2026.
INOMOTO, M. M.; ASMUS, G. L. CULTURAS DE COBERTURA E DE ROTAÇÃO DEVEM SER PLANTAS NÃO HOSPEDEIRAS DE NAMATOIDES. Visão Agrícola, n. 9, 2009. Disponível em: < https://www.esalq.usp.br/visaoagricola/sites/default/files/VA9-Protecao04.pdf >, acesso em: 03/02/2026.
REIS, C. M. R.; OLIVEIRA, R. M. TRATAMENTO DE SEMENTES DE SOJA COM Bacillus methylotrophicus PARA O MANEJO DE Meloidogyne javanica. Revista Cerrado Agrociências, 2025. Disponível em: < https://revistas.unipam.edu.br/index.php/cerradoagrociencias/article/view/5761/3386 >, acesso em: 03/02/2026.
Foto de capa: Cristiano Bellé

Sustentabilidade
Chicago fecha com ganhos moderados para a soja; óleo sobe mais de 2% e lidera recuperação – MAIS SOJA

Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta terça-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), mas abaixo das máximas do dia. O óleo subiu mais de 2% e liderou os ganhos de todo o complexo. Novidades sobre as diretrizes americanas para a política de biodiesel, o acordo entre Estados Unidos e India e o bom desempenho do petróleo asseguraram a recuperação.
Segundo a agência Reuters, os participantes do mercado continuam a analisar as diretrizes atualizadas do Tesouro sobre o crédito tributário 45Z para Produção de Combustível Limpo, que, entre outras mudanças, esclareceu que apenas matérias-primas provenientes dos Estados Unidos, do México e do Canadá se qualificam para o benefício e prorrogou o crédito até 2029.
Os preços dos contratos futuros do petróleo subiram, sob efeito do acordo comercial firmado ontem entre EUA e India e a possibilidade de afetar a commodity russa. O mercado também acredita que o acordo poderá garantir uma maior demanda indiana para os óleos vegetais americanos, principalmente o de soja.
Mas os ganhos foram limitados pelo bom desenvolvimento das lavouras e pelo avanço da colheita da maior safra da história do Brasil. Com isso, cresce o sentimento de que a demanda chinesa estaria se deslocando para a América do Sul.
Os contratos da soja em grão com entrega em março fecharam com alta de 5,50 centavos de dólar, ou 0,51%, a US$ 10,66 3/4 por bushel. A posição maio teve cotação de US$ 10,77 1/4 por bushel, com elevação de 4,75 centavos de dólar ou 0,44%.
Nos subprodutos, a posição março do farelo fechou com baixa de US$ 2,60 ou 0,88% a US$ 291,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em março fecharam a 54,49 centavos de dólar, com ganho de 1,29 centavo ou 2,42%.
Fonte: Agência Safras
Sustentabilidade
TRIGO/CEPEA: Preços apresentam movimentos distintos dentre os estados – MAIS SOJA

Em janeiro, os preços do trigo apresentaram movimentos distintos dentre os estados acompanhados pelo Cepea. Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, os preços foram influenciados pelas diferentes condições de oferta e demanda. Enquanto em Santa Catarina e no Paraná as cotações cederam, pressionadas por liquidação de estoques, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, os valores estiveram mais firmes. No estado sulista, o bom fluxo das exportações deu suporte aos preços.
Em São Paulo, o movimento de avanço foi verificado pelo terceiro mês consecutivo e foi influenciado pela restrição vendedora. Levantamento do Cepea indica que, em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.158,92/tonelada em janeiro, recuos de 1,6% em relação a dezembro e de 18,3% em relação a janeiro/25 e o menor patamar real desde março/18 (as médias mensais foram deflacionadas pelo IGP-DI de dezembro/25).
No Paraná, a média mensal foi de R$ 1.178,66/t, baixa de 0,4% na comparação mensal e de 15,2% na anual e também a menor desde outubro/23, em termos reais. Já no Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.050,89/t em janeiro, a mais elevada em três meses, com avanço mensal de 1,4%, mas queda anual de 16,1%. Em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.257,25/t em janeiro, avanço de 0,4% frente ao de dezembro, porém, recuo de 19,9% em relação a janeiro/25.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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