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30 de abril de 2026

Business

Trump impõe tarifas ao México e à União Europeia

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (12) novas tarifas de 30% sobre produtos importados do México e da União Europeia. A medida deve entrar em vigor a partir de 1º de agosto e amplia o escopo da nova ofensiva comercial americana, que já inclui Brasil, Japão, Coreia do Sul e Canadá.

O anúncio de Trump ocorre em um momento de crescente tensão comercial entre os Estados Unidos e seus principais parceiros. Desde que reassumiu a presidência, o republicano tem adotado uma postura agressiva nas negociações internacionais, buscando rever acordos e impor tarifas como forma de pressionar por mudanças nas regras comerciais. A justificativa central tem sido a proteção da indústria americana e a correção de déficits considerados excessivos. A nova rodada de tarifas, agora voltada ao México e à União Europeia, reflete essa estratégia e aprofunda o clima de instabilidade nos mercados globais.

O anúncio foi feito diretamente nas redes sociais do presidente, acompanhado da divulgação de cartas enviadas à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e à presidente do México, Claudia Sheinbaum. Nos documentos, datados da sexta-feira (11), Trump justifica as tarifas como “necessárias” para proteger os interesses norte-americanos e afirma que novas retaliações contra os EUA poderão resultar em impostos ainda mais altos.

Em carta endereçada à presidente da Comissão Europeia, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos não podem mais tolerar os déficits comerciais persistentes com a União Europeia, que classificou como resultado de políticas tarifárias e não tarifárias injustas adotadas pelo bloco. Segundo o presidente, a relação comercial entre as duas potências tem sido desequilibrada há anos. “Nosso relacionamento tem sido, infelizmente, longe de ser recíproco”, escreveu Trump, ao defender a tarifa de 30% como uma forma de corrigir esse desequilíbrio. Em 2024, o déficit comercial dos EUA com a UE chegou a US$ 235,6 bilhões, segundo dados oficiais do governo americano.

A resposta europeia veio poucas horas depois. Ursula von der Leyen alertou que a imposição da tarifa comprometeria cadeias de suprimentos transatlânticas vitais, afetando negativamente empresas, consumidores e até pacientes nos dois continentes. A líder da Comissão Europeia afirmou que o bloco segue aberto ao diálogo, mas sinalizou que não aceitará passivamente as medidas unilaterais de Washington. “Tomaremos todas as medidas necessárias para proteger os interesses da UE, incluindo a adoção de contramedidas proporcionais, se necessário”, declarou. Apesar da tensão, os 27 países-membros da União Europeia ainda esperam um desfecho diplomático antes do prazo de 1º de agosto.

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Escalas alongadas e menor capacidade de retenção seguem no foco do mercado do boi gordo

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Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

O mercado físico do boi gordo voltou a registrar tentativas de compra em patamares mais baixos nesta quarta-feira (29), refletindo a posição mais confortável das escalas de abate por parte dos frigoríficos. O movimento indica uma pressão mais recorrente sobre os preços, em linha com o comportamento sazonal do período.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a menor capacidade de retenção dos animais no campo, causada pela perda de qualidade das pastagens, segue como um dos principais fatores de pressão. Essa condição é mais evidente em estados como Goiás e Minas Gerais, enquanto Mato Grosso e regiões do Norte ainda apresentam pastagens mais vigorosas.

Outro ponto que permanece no radar é a progressão da cota chinesa, com expectativa de esgotamento em meados de junho, o que também influencia as estratégias do mercado.

Boi gordo no Brasil (preços):

  • São Paulo (SP): R$ 355,58 (modalidade a prazo)
  • Goiás (GO): R$ 340,89
  • Minas Gerais (MG): R$ 339,88
  • Mato Grosso do Sul (MS): R$ 350,34
  • Mato Grosso (MT): R$ 355,95

Atacado

No mercado atacadista, os preços permaneceram estáveis ao longo do dia. O ambiente de negócios ainda indica menor espaço para reajustes no restante do mês, refletindo o consumo mais fraco típico da segunda quinzena. Além disso, a carne bovina segue com menor competitividade frente a proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango.

Os cortes seguem nos mesmos patamares, com o quarto dianteiro cotado a R$ 23,50 por quilo, o quarto traseiro a R$ 28,50 e a ponta de agulha a R$ 21,50 por quilo.

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Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia com alta de 0,39%, negociado a R$ 5,0014 para venda e R$ 4,9994 para compra, oscilando entre R$ 4,9793 e R$ 5,0138 ao longo da sessão.

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CNA solicita redução da burocracia no crédito rural e mudanças em regras ambientais

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Foto: Ministério da Agricultura

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) encaminhou propostas para o Plano Safra defendendo a redução da burocracia no acesso ao crédito rural e alterações em regras ambientais que, segundo a entidade, vêm dificultando o financiamento aos produtores.

Entre os principais pontos apresentados está a revisão de exigências consideradas entraves na liberação dos recursos, como mudanças recentes no Programa de Regularização Ambiental, que, na avaliação da CNA, têm restringido o acesso de produtores ao crédito.

A entidade argumenta que não é contrária às exigências ambientais, mas considera que obrigações relacionadas à fiscalização e regularização não devem ser transferidas às instituições financeiras, o que acaba ampliando a burocracia e atrasando a concessão de financiamentos.

“A questão do Prodes que recentemente foi alterado, o que tem dificultado o acesso aos produtores. Ninguém aqui é contra as questões ambientais. Só acreditamos que isso não deve ser imputado, um trabalho dos órgãos ambientais aos bancos”, destaca o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi.

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Outro tema levado pela CNA ao governo é a situação de endividamento dos produtores rurais. A confederação defende ajustes em projetos de lei em tramitação para ampliar prazos, garantir fontes de recursos e permitir a recuperação financeira dos produtores.

“Temos aí um projeto de lei que está para ser votado, que precisa de algumas adequações, precisa realmente buscar fontes, adequar prazos para que o produtor possa recuperar a sua saúde financeira e aí sim aproveitar todos os benefícios do Plano Safra”, completa Lucci.

Segundo a CNA, essas medidas são fundamentais para que os agricultores consigam acessar os benefícios do próximo Plano Safra e tenham condições de manter os investimentos na produção.

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Futuro da alimentação global passa por produção sustentável e protagonismo brasileiro

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Foto: Freepik

Garantir alimento suficiente, acessível e produzido de forma sustentável para uma população global crescente é um dos maiores desafios da atualidade. Com cerca de 670 milhões de pessoas em situação de fome e mais de 2 bilhões vivendo algum grau de insegurança alimentar, o debate sobre segurança alimentar ganha cada vez mais urgência.

Além de aumentar a produção, especialistas defendem que será necessário ampliar a eficiência dos sistemas produtivos, reduzir desperdícios e investir em práticas sustentáveis.

Nesse cenário, o Brasil surge como protagonista, tanto pelo volume de alimentos que produz quanto pelo potencial de expandir a produção sem avançar sobre novas áreas.

“São nesses países, nessas nações, onde você tem a maior dependência de alimentos. Portanto, será obrigatório que esses países se desenvolvam também e passem a ter um agronegócio viável e sustentável. Nesse sentido, quem aprendeu a fazer isso no mundo foi o Brasil”, afirma o professor em agronegócio na Fecap, José Luiz Tejon.

Descarte de alimentos

Hoje, quase um terço de tudo o que é produzido no mundo não chega a ser consumido. Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 13% dos alimentos se perdem entre a colheita e o varejo, enquanto outros 19% são descartados no consumo, em residências, restaurantes e supermercados.

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Para especialistas, reduzir essas perdas é parte essencial da solução. A cadeia produtiva e o consumidor têm papel importante nesse processo, seja por meio da conscientização sobre o aproveitamento de alimentos, seja pela criação de alternativas para reutilizar produtos que perderam valor comercial, mas continuam próprios para o consumo.

“Maior parte desse desperdício, ela tá concentrada no consumidor e principalmente pela falta de conhecimento em relação ao que está se consumindo. Eu acho que também existem oportunidades de reutilização e reaproveitamento de produtos”, professor na Harven Agribusiness School, Vinícius Cambaúva.

De acordo com Cambaúva, algumas redes varejistas já adotam estratégias para reduzir o desperdício de alimentos, ajustando a comercialização conforme o estágio de conservação dos produtos.

Inicialmente, frutas, legumes e verduras são vendidos in natura, mas, à medida que avançam no processo de maturação e perdem atratividade para o consumidor, podem passar por um microprocessamento, sendo cortados e embalados para nova oferta.

Em estágios mais avançados, esses alimentos ainda podem ser aproveitados na produção de sucos, bebidas e outros itens processados, ampliando o aproveitamento e reduzindo perdas ao longo da cadeia.

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População mundial

Atualmente, o planeta abriga cerca de 8,2 bilhões de pessoas e deve ultrapassar 9 bilhões nas próximas décadas, o que ampliará ainda mais a demanda por alimentos e a pressão sobre os sistemas produtivos.

Segundo a chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Paula Packer, o agro tem dado esses passos, um pouco mais lento em alguns setores e um pouco mais avançado em outros. Técnicas como agricultura de baixo carbono, uso de bioinsumos, sistemas integrados e manejo regenerativo do solo vêm ganhando espaço no campo

“Tudo isso hoje está em jogo para que realmente a agricultura do futuro seja a agricultura do Brasil. Não dá para pensar no verde se você estiver no vermelho, mas também tem um complemento. Se você não pensar no verde, você fica no vermelho”, alerta Packer.

Solo

Mesmo com o avanço da tecnologia, o campo segue com muitos desafios. O produtor lida com cenários de instabilidade que vão desde conflitos geopolíticos que afetam rotas comerciais e o custo de produção até eventos climáticos extremos, como secas e chuvas irregulares. Diante disso, é preciso se adaptar e é no solo que parte dessas soluções se constrói.

“Pela adoção das boas práticas, pela adoção da melhor genética, pela integração de um conjunto de soluções tecnológicas, nós podemos então trabalhar sistemas cujo o balanço de carbono é mais favorável comparativamente a outros sistemas que não adotam na plenitude essas boas práticas e essas tecnologias”, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Clenio Pillon.

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O solo é o ativo mais importante, um sistema vivo, dinâmico, onde diferentes organismos interagem e contribuem para uma produção de alimentos mais eficiente.

Agricultura regenerativa

A agricultura regenerativa tem se mostrado uma ferramenta importante para reduzir perdas e aumentar a resiliência das lavouras diante das adversidades climáticas

“A agricultura regenerativa está evitando você de perder no futuro. E isso já é perceptível em uma fazenda que aplica a prática para uma que não aplica. O jeito talvez de engajar o vizinho que não aplica é quando ele vê um veranico e vê que o milho do outro vizinho germinou, não perdeu produtividade e ele perdeu 50% da lavoura”, destaca a head de agricultura regenerativa da Nestlé Brasil, Bárbara Sollero.

Na agricultura regenerativa, cada planta utilizada no sistema desempenha uma função específica que contribui para a saúde do solo e para o aumento da produtividade.

Ao aproveitar essa inteligência natural de forma estratégica, o produtor consegue melhorar a fertilidade do solo, aumentar a resiliência da lavoura e sustentar altos níveis de produtividade, mesmo em cenários desafiadores.

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“Temos cinco biomas, diferentes tipos de solo, diferentes tipos de clima. Lá fora, plantio direto, ninguém sabe o que é. Quando você fala de bioinsumos, muito menos. Quando você fala de sistemas integrados, então… nós estamos falando grego. Nós temos que trazer o que nós fazemos, mostrar realmente o que nós fazemos e de forma uníssona”, destaca Packer.

Relações comerciais

O país já ajuda a alimentar quase 1 bilhão de pessoas no mundo e se destaca entre os maiores exportadores globais de soja, milho, carnes, algodão, café, suco de laranja e açúcar.

De acordo com Cambaúva, nós estamos passando por um processo de desglobalização, onde os países que antes focavam muito em exportar relações comerciais estão cada vez mais olhando para si mesmos e para minha autossuficiência e deixando de participar mais ativamente do comércio global.

“Isso porque está ficando cada vez mais claro que esses conflitos têm trazido riscos, para as economias, para os negócios e talvez se proteger seja o melhor caminho. Ou seja, nós precisamos repensar muita coisa e talvez esse seja um grande desafio também” afirma.

Avanço

O Brasil ainda tem espaço para ampliar a produção sem avançar sobre novas áreas. São dezenas de milhões de hectares de pastagens degradadas que podem ser recuperadas e convertidas em áreas produtivas.

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Essa transformação tá no centro do plano ABC+, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A meta é produzir mais, com menos recursos e menor impacto ambiental. 

Atualmente, o Brasil possui cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas que podem ser recuperadas e convertidas em áreas produtivas. “Então, a ideia é ampliar a área plantada sem precisar desmatar nada, ou seja, manter todo esse todo esse grande programa que temos hoje intacto”, o professor emérito da FGV Agro, Roberto Rodrigues.

Para o futuro

A expectativa é que o futuro da segurança alimentar mundial dependa da capacidade de produzir mais com menos recursos, aliando inovação, preservação ambiental e eficiência. Nesse processo, o Brasil desponta como peça estratégica para garantir o abastecimento global nas próximas décadas.

“As estimativas do mundo apontam para 2032 o Brasil tendo uma área agrícola superior a dos Estados Unidos. Então, o Brasil no planeta Terra a médio prazo, é o único país que pode crescer de tamanho, não apenas na área, mas com os modelos agroambientais, como por exemplo, integração lavoura pecuária, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)”, completa Tejon.

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