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Brasil cria grupo de trabalho para ampliar investimentos agropecuários com Angola

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) instituíram, nesta terça-feira (1º), o Grupo de Trabalho Interministerial Brasil-Angola (GTI BR-AO). A portaria interministerial nº 23, publicada no Diário Oficial da União, cria o grupo com o objetivo de elaborar um Programa de Investimento Produtivo Agropecuário entre os dois países.
Segundo o governo, o GTI BR-AO terá como foco fortalecer a cooperação técnica, comercial e institucional no setor agrícola, além de propor soluções para desafios estruturais em Angola.
Entre os temas a serem abordados estão os altos custos de produção, a carência de unidades de armazenagem, a falta de infraestrutura básica no meio rural, a demanda por assistência técnica permanente aos produtores e a necessidade de linhas de financiamento agropecuário de médio e grande porte.
O grupo será composto por representantes do Mapa, MRE, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Embrapa, Programa de Financiamento às Exportações do Banco do Brasil, além de entidades do setor produtivo agropecuário brasileiro.
A coordenação do GTI BR-AO será feita conjuntamente pelos representantes do Mapa e do MRE, enquanto a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI/Mapa) exercerá a secretaria-executiva. De acordo com a Portaria, o grupo se reunirá ordinariamente uma vez por semana, podendo convocar reuniões extraordinárias quando necessário.
A proposta de Programa de Investimento Produtivo Agropecuário a ser encaminhada ao governo angolano deverá conter, no mínimo, o diagnóstico da realidade dos dois países em relação a recursos territoriais, capital e finanças, infraestrutura, qualificação de pessoal, legislação sobre terras rurais e políticas públicas de apoio à agricultura.
A criação do GTI BR-AO reforça o posicionamento do Brasil em ampliar a presença internacional do agronegócio, impulsionando exportações, tecnologia, capacitação e investimentos conjuntos no setor agropecuário.
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Pedidos de recuperação judicial no agro caem 20,7% no segundo trimestre, aponta Serasa

O número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro caiu 20,7% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 448 solicitações entre abril e junho, contra 565 registradas em igual intervalo de 2025, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (19) pela Serasa Experian.
O resultado interrompe a sequência de aumentos observada nos segundos trimestres de 2023, 2024 e 2025, considerando a série histórica consolidada da instituição, iniciada em 2021.
Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, quando foram contabilizados 474 pedidos, também houve retração, de 5,5%.
O levantamento considera pedidos de recuperação judicial apresentados por produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas que integram a cadeia do agronegócio.
Apesar da redução, a Serasa alerta que os números não representam necessariamente uma recuperação da situação financeira do setor, que ainda enfrenta custos elevados, restrições de crédito e endividamento.
Queda nos pedidos exige cautela, avalia Serasa
Para o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, a diminuição dos pedidos pode estar associada a fatores sazonais, como a maior entrada de receitas para parte dos produtores rurais, além do avanço das renegociações de dívidas.
“A retração nesse segundo trimestre, registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados, pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores”, afirma.
Segundo o executivo, o ambiente financeiro do agronegócio continua desafiador, especialmente diante dos custos de produção elevados e da maior seletividade na concessão de crédito.
Por isso, a continuidade da queda nos pedidos de recuperação judicial dependerá do comportamento das condições econômicas nos próximos trimestres.
Pimenta destaca que a preservação do fluxo de caixa, o planejamento financeiro e a renegociação de dívidas permanecem fundamentais para os produtores, enquanto a recuperação judicial deve ser considerada uma alternativa de último recurso.
Mato Grosso lidera pedidos de recuperação judicial no agro
Entre os estados brasileiros, Mato Grosso concentrou o maior número de solicitações no segundo trimestre de 2026, com 107 registros, o equivalente a 23,9% do total nacional.
Goiás aparece na segunda posição, com 84 pedidos, seguido por São Paulo, Minas Gerais e Paraná.
Confira os cinco estados com mais registros:Estado Pedidos Participação nacional Mato Grosso 107 23,9% Goiás 84 18,8% São Paulo 72 16,1% Minas Gerais 54 12,1% Paraná 42 9,4%
Juntos, esses cinco estados concentraram aproximadamente 80% das solicitações registradas no agronegócio brasileiro no período.
Pará, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Tocantins completam a lista dos dez estados com mais pedidos.
Produtores rurais pessoas físicas concentram maior número de solicitações
Os produtores rurais que atuam como pessoa física responderam por 197 pedidos de recuperação judicial entre abril e junho de 2026.
O número representa uma queda de 10,5% em relação às 220 solicitações contabilizadas no segundo trimestre de 2025. Apesar da retração, esse grupo permaneceu com o maior volume de pedidos entre os três perfis analisados.
Mato Grosso liderou esse recorte, com 49 solicitações, seguido por Goiás, com 46, Minas Gerais, com 23, São Paulo, com 22, e Paraná, com 16.
Na classificação por porte, os produtores identificados como “sem propriedades” concentraram 70 pedidos. Essa categoria pode incluir arrendatários e integrantes de grupos familiares ou econômicos ligados à atividade rural.
Entre os demais perfis, foram registrados 51 pedidos de grandes proprietários, 39 de pequenos produtores e 37 de médios proprietários.
Pedidos de produtores pessoas jurídicas recuam 34,2%
A maior redução percentual ocorreu entre os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica.
Nesse grupo, os pedidos de recuperação judicial passaram de 243 no segundo trimestre de 2025 para 160 no mesmo período de 2026, uma queda de 34,2%.
O cultivo de soja concentrou o maior número de solicitações, com 70 registros, seguido pela criação de bovinos, com 28.
Outras atividades com destaque foram o cultivo de cana-de-açúcar, com 15 pedidos, café, com 13, e cereais, com 12.
Na distribuição estadual, Mato Grosso novamente liderou, com 54 solicitações. São Paulo apareceu em seguida, com 28, Goiás, com 22, Minas Gerais, com 21, e Paraná, com 15.
Empresas ligadas ao agronegócio também registram queda
Entre as empresas que integram a cadeia produtiva do agronegócio, foram contabilizados 91 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre deste ano, redução de 10,8% em relação aos 102 registros do mesmo período de 2025.
Os serviços de apoio à agropecuária concentraram a maior quantidade de solicitações, com 26 pedidos.
Na sequência, aparecem a agroindústria de transformação primária, com 20 registros, e o comércio atacadista de produtos agropecuários primários, com 18.
As empresas de revenda de insumos agropecuários, excluindo máquinas, responderam por outros dez pedidos.
Endividamento e acesso ao crédito continuam no radar
Mesmo com a redução dos pedidos de recuperação judicial, a Serasa Experian destaca a importância do acompanhamento da saúde financeira de produtores e empresas do setor.
A instituição utiliza modelos preditivos baseados em inteligência artificial para identificar sinais de deterioração financeira e apoiar avaliações de risco de crédito.
Segundo a empresa, análises realizadas com essas ferramentas mostraram que produtores rurais pessoas físicas que posteriormente solicitaram recuperação judicial já apresentavam indicadores de risco significativamente inferiores aos da população rural em geral até três anos antes da formalização do pedido.
Para Marcelo Pimenta, considerar as particularidades da atividade agropecuária permite identificar situações de risco que podem passar despercebidas em análises financeiras convencionais.
A expectativa é que o acompanhamento desses indicadores contribua para decisões de crédito mais adequadas e para a identificação antecipada de dificuldades financeiras no campo.
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Plantio de arroz no RS alcança 36,83% da área prevista para a safra 2026/27

O plantio de arroz da safra 2026/27 no Rio Grande do Sul atingiu 36,83% da área estimada em 861,778 mil hectares, segundo o Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga). O avanço da semeadura é liderado pela Fronteira Oeste, com 163.165 hectares plantados, o equivalente a 65,9% do previsto para a região.
Na sequência, a Zona Sul aparece com 62,19% da área prevista já semeada. Os dados do Irga mostram que o ritmo de plantio é mais lento nas demais regiões produtoras do estado.
Na Planície Costeira Interna, o plantio alcançou 23.580 hectares, correspondentes a 18,15% da área prevista. Na Planície Costeira Externa, foram semeados 15.850 hectares, ou 15,51% do total projetado.
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A Região Central contabilizou 12.224 hectares plantados, o que representa 10,64% da área estimada. Na Campanha, a semeadura chegou a 12,171 mil hectares, equivalentes a 10% do previsto.
Os números consolidam um cenário de avanço desigual entre as regiões gaúchas nesta etapa inicial dos trabalhos de campo. Enquanto Fronteira Oeste e Zona Sul apresentam percentual superior ao registrado nas demais áreas, Planície Costeira Interna, Planície Costeira Externa, Região Central e Campanha seguem com participação menor no total já implantado.
No acumulado do estado, o arroz 2026/27 ocupa 36,83% da área estimada em 861,778 mil hectares, com a Fronteira Oeste na liderança do plantio e a Zona Sul em seguida entre as regiões acompanhadas pelo Irga.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Oferta restrita mantém preços do feijão em alta na primeira quinzena de outubro

As cotações do feijão seguiram valorizadas na primeira quinzena de outubro, com destaque para o tipo preto, em meio à menor disponibilidade de produto e à oferta limitada de lotes de melhor qualidade. Segundo o Indicador de Preços do Feijão, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os preços permaneceram sustentados em importantes regiões produtoras, mesmo com demanda enfraquecida e negociações pontuais.
No período, o feijão preto acumulou alta de 9,72%. Entre os tipos carioca, o produto de qualidade superior avançou 0,69%, enquanto o intermediário subiu 1,35%. No acumulado de 2026, as valorizações chegam a 87,96% para o feijão preto, 36,23% para o carioca de melhor padrão e 38,06% para o intermediário.
No feijão carioca peneira 12 e nota 9 ou superior, a valorização foi puxada pela menor disponibilidade de lotes e pela retenção de produto com maior umidade pelos vendedores. O Centro-Noroeste Goiano registrou alta de 2,02%, seguido pelo Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com 1,65%, e pelo Noroeste Mineiro, com 1,62%. Em Barreiras (BA), houve recuo de 0,68%, e em Sorriso (MT), de 0,91%.
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No segmento de notas 8 e 8,5, a pressão sobre os preços foi maior. As principais quedas ocorreram no Leste Goiano, com 3,46%, em Sorriso (MT), com 2,33%, e no Distrito Federal, com 2,08%. Em Itapeva (SP), a cotação subiu 2,32%, com preferência dos compradores por lotes de melhor padrão.
O feijão preto tipo 1 manteve trajetória de valorização. Sorriso (MT) apresentou alta de 3,30%, Curitiba (PR), incluindo os Campos Gerais, avançou 1,42%, e o Oeste Catarinense, 0,92%. A Metade Sul do Paraná recuou 0,46%.
No campo, o avanço da primeira safra 2026/2027 segue no radar do mercado. Até sexta-feira (9), a semeadura nacional alcançava 18,1% da área prevista, abaixo dos 21,1% registrados no mesmo período de 2025. Segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentadas pelo Cepea, a produção nacional deve atingir 2,93 milhões de toneladas em 2026/27, redução de 0,7% em relação à safra anterior. Os estoques finais estão projetados em 135,8 mil toneladas, alta de 37,9%, volume equivalente a 2,7 semanas de consumo interno.
No curto prazo, a oferta restrita e a menor disponibilidade de lotes de qualidade superior seguem dando sustentação às cotações, sobretudo do feijão preto e do carioca de melhor padrão. Para o carioca intermediário, a demanda enfraquecida mantém pressão sobre os preços, enquanto o ritmo do plantio, as condições climáticas e a entrada das novas safras seguem no centro da formação do mercado.
Fonte: cnabrasil.org.br
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