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25 de junho de 2026

Business

FPA critica governo por controlar só 22% do Plano Safra e vender como apoio ao agro

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O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), teceu duras críticas ao Plano Safra 2025/26, anunciado nesta terça-feira (1) pelo governo federal.

Na opinião do parlamentar, o valor anunciado de R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial contém distorções e omissões que comprometem a transparência do programa e impõem custos sem precedentes ao setor produtivo.

“O governo anuncia um plano de R$ 516 bilhões, mas só tem controle real sobre 22% disso. O restante é dinheiro dos bancos, a juros de mercado, muitas vezes acima de 2% ao mês. Não se pode vender isso como apoio estatal ao agro”, disse Lupion.

De acordo com o deputado, no ano passado o governo havia prometido R$ 138 bilhões em recursos com juros controlados, mas contingenciamentos reduziram a execução a R$ 92,8 bilhões. Neste ano, o governo anunciou R$ 113,8 bilhões nessa mesma categoria, o que representa aumento frente ao que foi efetivamente executado, mas queda em relação ao valor prometido no ano anterior.

“Quando comparo o que foi anunciado em 2023 com o que está sendo prometido agora, houve recuo. Estão vendendo crescimento onde há perda de ambição”, afirmou.

Equalização de juros do Plano Safra

Lupion também criticou o volume de recursos da União destinados diretamente à agricultura empresarial. Dos R$ 13,5 bilhões previstos para equalização de juros na safra 2025/26, R$ 9,5 bilhões serão para a agricultura familiar e somente R$ 3,9 bilhões para a empresarial.

“Esse é o gasto real do governo com o agro empresarial. Todo o resto é dinheiro de banco, do mercado, emprestado a taxas muitas vezes impagáveis. No fim, o governo gasta pouco e transfere o custo ao produtor”, criticou.

Segundo Lupion, o impacto da alta da Selic — atualmente em 15% ao ano — vai impor um peso inédito à produção. Ele estima que, mesmo com parte do crédito rural operando com equalização, o custo adicional só com juros será de pelo menos R$ 54 bilhões em 2025/26, podendo ultrapassar R$ 58 bilhões se considerados também os efeitos da tributação sobre instrumentos como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).

“Esse é o verdadeiro recorde que o governo está entregando: R$ 58 bilhões a mais em juros para o produtor pagar. O plano é recorde no custo, não no apoio”, disse o presidente da FPA.

Tributação das LCAs

Deputado Pedro Lupion. Foto: FPA/divulgação

O deputado também voltou a criticar a MP 1303/2025, que prevê a taxação das LCAs, responsáveis por financiar até 43% da produção rural na última safra.

“Mexer nas LCAs é atacar o coração do crédito rural. A insegurança jurídica afasta investidores e tira liquidez do sistema. É um risco enorme para quem produz e para quem financia”, afirmou.

Segundo ele, os próprios bancos poderiam ampliar o volume de recursos destinados ao setor agropecuário se elevassem de 50% para 60% a exigência de aplicação das LCAs.

Outro ponto de preocupação destacado por Lupion é o silêncio do governo sobre o seguro rural. De acordo com ele, essa é a principal política de proteção da agricultura, e sua ausência compromete a segurança da produção.

Segundo dados do Portal da Transparência, dos R$ 1 bilhão previstos no orçamento para o seguro rural em 2025, apenas R$ 67 milhões foram executados até o momento — pouco mais de 6% do total.

Por fim, Lupion reconheceu aspectos positivos do anúncio, como o discurso do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que destacou a importância estratégica do agro e demonstrou sensibilidade com o Rio Grande do Sul. Ele também elogiou o aumento do teto do Pronamp de R$ 3 milhões para R$ 3,5 milhões, vem como a elevação do limite do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para 12 mil toneladas.

Diminuição de recurosos para investimento

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) também demonstrou insatisfação com o novo Plano Safra. Em nota, a entidade diz reconhecer o esforço do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na busca de recursos para o programa, mas considera os volumes insuficientes e as taxas
de juros inadequadas.

“O Plano Safra não atendeu o setor, aumentou muito pouco o volume total e diminuiu o volume de recursos para investimentos. As taxas de juros são elevadas ainda e o tema do seguro agrícola nem foi tocado pelo governo, o que é negativo para nós”, avaliou o presidente da SRB, Sérgio Bortolozzo.

Além disso, a entidade entende que o corte de 5,4% nos programas de máquinas, irrigação e armazenagem limita o avanço tecnológico e a produtividade futura, comprometendo a competitividade do setor no médio e longo prazo.

De acordo com Bortolozzo, é fato que houve aumento no volume de recursos anunciado, totalizando um valor recorde de R$ 594 bilhões, somando-se agricultura familiar e empresarial. “Porém, o crescimento nominal do crédito (1,5% para empresarial e 3% para
familiar) fica abaixo da inflação acumulada (IPCA de 5,2%), reduzindo o poder real de compra e o impacto efetivo do financiamento. A SRB gostaria de um plano safra mais abrangente, que acompanhasse o crescimento vigoroso do agro brasileiro.”

Pontos positivos

Apesar das críticas, a SRB avalia alguns pontos positivos no Plano Safra 25/26. “Destacamos, por exemplo, a prioridade para linhas empresariais de custeio, o que ajuda a manter a liquidez dos produtores diante da compressão das margens, reduzindo o risco de inadimplência”, diz o presidente da entidade.

Para a Sociedade Rural Brasileira, é válida a iniciativa de oferecer desconto de 0,5 ponto percentual na taxa de juros para produtores rurais que adotam práticas sustentáveis. A entidade ressalta que o financiamento de reflorestamento, culturas de cobertura e ações de prevenção a incêndios trazidos pelo Plano ampliam o compromisso com a sustentabilidade.

A SRB entende que entre as medidas que podem beneficiar o setor está ainda a ampliação da exigibilidade das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). “O aumento de 50% para 60% deve liberar cerca de R$ 64 bilhões adicionais em funding privado para o setor, diversificando as fontes de financiamento e reduzindo a dependência do Tesouro Nacional”, finaliza a nota.

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El Niño aumenta risco para qualidade do trigo e produção deve cair 20%, aponta Itaú BBA

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Foto: Divulgação

A produção brasileira de trigo deve recuar cerca de 20% na safra 2026/27, para 6,2 milhões de toneladas, diante da redução da área plantada e da expectativa de menor produtividade, estima relatório da consultoria Agro do Itaú BBA.

Segundo a análise, o cultivo da nova safra ocorre em um cenário de margens apertadas, fator que desestimula a expansão da área. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta retração de 13,4% na área semeada e queda de 7,6% na produtividade, contribuindo para a redução da oferta nacional.

De acordo com a analista do Itaú BBA Marina Marangon, o aumento dos custos de produção também influencia as decisões dos produtores. “O aumento dos custos de produção tem levado os produtores a adotarem uma postura mais cautelosa, limitando a expansão de área e os investimentos em manejo tecnológico, o que reforça o viés de baixa na produção”, afirma.

Impacto do El Niño no trigo

Além das questões econômicas, o clima também preocupa. O documento enfatiza que a confirmação do fenômeno El Niño eleva os riscos para a safra, especialmente em relação à qualidade do cereal.

Embora as chuvas possam favorecer o desenvolvimento inicial das lavouras no Sul do país, o excesso de umidade ao longo do ciclo aumenta a incidência de doenças e pode comprometer a qualidade dos grãos na fase final de desenvolvimento.

No mercado, a expectativa é de preços mais firmes durante a entressafra, sustentados pela menor oferta doméstica e pela maior necessidade de importações. Ainda assim, o Itaú BBA avalia que um cenário internacional com ampla disponibilidade de trigo deve limitar altas mais expressivas.

Nesse contexto, os preços no mercado brasileiro tendem a continuar sensíveis às oscilações do câmbio e à competitividade do trigo argentino.

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Agro Mato Grosso

Governo de MT lança concurso para eleger os melhores cafés produzidos no Estado

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O governo de Mato Grosso lançou o 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso – “Valorizando Origens, Impulsionando Negócios”, iniciativa que busca reconhecer os melhores cafés produzidos no estado e fortalecer a cafeicultura como fonte de renda para as famílias rurais. O evento aconteceu em Colniza, reconhecida no estado como ‘Capital do Café’, neste final de semana.

O lançamento reuniu produtores, técnicos, pesquisadores e autoridades da região noroeste do estado. Durante o evento, uma série de palestras orientou os participantes sobre todas as etapas da competição, desde os critérios de avaliação até os cuidados necessários na colheita e pós-colheita para garantir um café de alta qualidade.

Os produtores receberam orientações sobre o checklist diagnóstico que será avaliado pelo laboratório, a forma correta de embalar e enviar as amostras, a importância da ciência na produção cafeeira, além dos principais atributos analisados pelos especialistas, como aroma, sabor, acidez, corpo, finalização, uniformidade e ausência de defeitos.

A secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, destacou que o concurso foi criado para dar visibilidade ao trabalho dos produtores e abrir novas oportunidades de mercado. Entre os anos de 2019 e 2025, o governo por meio da secretaria de Agricultura Familiar, investiu mais de R$ 4,4 milhões na cefeicutura do estado com insumos, mudas, máquinas e equipamentos.

“Os produtores já provaram que fazem acontecer. Chegaram nesta região, desbravaram essas terras com coragem e determinação e acreditaram que era possível produzir café de qualidade. Os resultados estão aí para todos verem. Nossa missão, enquanto Estado, é ajudar vocês a impulsionar esse mercado. Em parceria com o governador Otaviano Pivetta e com o Sebrae, criamos essa iniciativa para identificar e apoiar os produtores na missão de mostrar o melhor café de Mato Grosso e transformar sua produção em excelência”, afirmou.

Andreia também ressaltou os impactos sociais da valorização da cafeicultura. “Quanto mais valor vocês agregarem ao café produzido, mais renda terão e mais qualidade de vida poderão proporcionar às suas famílias. Vamos contribuir para reduzir o êxodo rural dos jovens, fortalecer a participação das mulheres e incentivar o desenvolvimento das comunidades. Este é apenas o primeiro de muitos concursos. Assumimos o compromisso de realizar o Concurso de Qualidade do Café todos os anos”, completou.

As inscrições seguem abertas até o dia 31 de julho. O resultado será divulgado durante evento na cidade de Juína, no dia 31 de outubro.

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Concurso que elege o melhor tomate do Brasil volta a ser realizado após 12 anos

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Foto: Pixabay

O concurso que elege o melhor tomate de mesa do Brasil volta a acontecer em 2027, após um hiato de 12 anos.

As inscrições serão abertas em 1 de janeiro e os vencedores serão divulgados em agosto, enquanto a cerimônia de premiação está prevista para 15 de setembro. Podem concorrer produtores de tomates uva, italiano, redondo e gourmet.

O regulamento aponta que serão premiados os primeiros colocados das três primeiras categorias. Já os gourmets serão reconhecidos como Revelação do Ano, O mais saboroso e O mais diferenciado.

Além disso, o concurso também homenageará quatro produtores com os prêmios Jovem Tomateiro, Tomate no Feminino, Tomate Rastreável e Tomate Sustentável.

Entre os membros da comissão avaliadora está o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

“Assim como na primeira edição, o Ital será responsável pelas análises físico-químicas e pelos painéis sensoriais descritivos”, destaca a pesquisadora do Instituto e presidente da comissão avaliadora do concurso, Aline de Oliveira Garcia.

Também estão confirmadas na comissão as pesquisadoras Silvia Moura, diretora do Centro de Tecnologia de Frutas e Hortaliças (Fruthotec) do Ital, e Kátia Cipolli, que atua com Aline Garcia no Centro de Ciência e Qualidade dos Alimentos (CCQA) do Instituto.

Os organizadores do concurso esperam superar os 36 inscritos e 330 quilos de tomates recebidos na edição de estreia. A organização do prêmio é do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort) em parceria com a Eacea.

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