Business
FPA critica governo por controlar só 22% do Plano Safra e vender como apoio ao agro

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), teceu duras críticas ao Plano Safra 2025/26, anunciado nesta terça-feira (1) pelo governo federal.
Na opinião do parlamentar, o valor anunciado de R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial contém distorções e omissões que comprometem a transparência do programa e impõem custos sem precedentes ao setor produtivo.
“O governo anuncia um plano de R$ 516 bilhões, mas só tem controle real sobre 22% disso. O restante é dinheiro dos bancos, a juros de mercado, muitas vezes acima de 2% ao mês. Não se pode vender isso como apoio estatal ao agro”, disse Lupion.
De acordo com o deputado, no ano passado o governo havia prometido R$ 138 bilhões em recursos com juros controlados, mas contingenciamentos reduziram a execução a R$ 92,8 bilhões. Neste ano, o governo anunciou R$ 113,8 bilhões nessa mesma categoria, o que representa aumento frente ao que foi efetivamente executado, mas queda em relação ao valor prometido no ano anterior.
“Quando comparo o que foi anunciado em 2023 com o que está sendo prometido agora, houve recuo. Estão vendendo crescimento onde há perda de ambição”, afirmou.
Equalização de juros do Plano Safra
Lupion também criticou o volume de recursos da União destinados diretamente à agricultura empresarial. Dos R$ 13,5 bilhões previstos para equalização de juros na safra 2025/26, R$ 9,5 bilhões serão para a agricultura familiar e somente R$ 3,9 bilhões para a empresarial.
“Esse é o gasto real do governo com o agro empresarial. Todo o resto é dinheiro de banco, do mercado, emprestado a taxas muitas vezes impagáveis. No fim, o governo gasta pouco e transfere o custo ao produtor”, criticou.
Segundo Lupion, o impacto da alta da Selic — atualmente em 15% ao ano — vai impor um peso inédito à produção. Ele estima que, mesmo com parte do crédito rural operando com equalização, o custo adicional só com juros será de pelo menos R$ 54 bilhões em 2025/26, podendo ultrapassar R$ 58 bilhões se considerados também os efeitos da tributação sobre instrumentos como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
“Esse é o verdadeiro recorde que o governo está entregando: R$ 58 bilhões a mais em juros para o produtor pagar. O plano é recorde no custo, não no apoio”, disse o presidente da FPA.
Tributação das LCAs
O deputado também voltou a criticar a MP 1303/2025, que prevê a taxação das LCAs, responsáveis por financiar até 43% da produção rural na última safra.
“Mexer nas LCAs é atacar o coração do crédito rural. A insegurança jurídica afasta investidores e tira liquidez do sistema. É um risco enorme para quem produz e para quem financia”, afirmou.
Segundo ele, os próprios bancos poderiam ampliar o volume de recursos destinados ao setor agropecuário se elevassem de 50% para 60% a exigência de aplicação das LCAs.
Outro ponto de preocupação destacado por Lupion é o silêncio do governo sobre o seguro rural. De acordo com ele, essa é a principal política de proteção da agricultura, e sua ausência compromete a segurança da produção.
Segundo dados do Portal da Transparência, dos R$ 1 bilhão previstos no orçamento para o seguro rural em 2025, apenas R$ 67 milhões foram executados até o momento — pouco mais de 6% do total.
Por fim, Lupion reconheceu aspectos positivos do anúncio, como o discurso do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que destacou a importância estratégica do agro e demonstrou sensibilidade com o Rio Grande do Sul. Ele também elogiou o aumento do teto do Pronamp de R$ 3 milhões para R$ 3,5 milhões, vem como a elevação do limite do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para 12 mil toneladas.
Diminuição de recurosos para investimento
A Sociedade Rural Brasileira (SRB) também demonstrou insatisfação com o novo Plano Safra. Em nota, a entidade diz reconhecer o esforço do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na busca de recursos para o programa, mas considera os volumes insuficientes e as taxas
de juros inadequadas.
“O Plano Safra não atendeu o setor, aumentou muito pouco o volume total e diminuiu o volume de recursos para investimentos. As taxas de juros são elevadas ainda e o tema do seguro agrícola nem foi tocado pelo governo, o que é negativo para nós”, avaliou o presidente da SRB, Sérgio Bortolozzo.
Além disso, a entidade entende que o corte de 5,4% nos programas de máquinas, irrigação e armazenagem limita o avanço tecnológico e a produtividade futura, comprometendo a competitividade do setor no médio e longo prazo.
De acordo com Bortolozzo, é fato que houve aumento no volume de recursos anunciado, totalizando um valor recorde de R$ 594 bilhões, somando-se agricultura familiar e empresarial. “Porém, o crescimento nominal do crédito (1,5% para empresarial e 3% para
familiar) fica abaixo da inflação acumulada (IPCA de 5,2%), reduzindo o poder real de compra e o impacto efetivo do financiamento. A SRB gostaria de um plano safra mais abrangente, que acompanhasse o crescimento vigoroso do agro brasileiro.”
Pontos positivos
Apesar das críticas, a SRB avalia alguns pontos positivos no Plano Safra 25/26. “Destacamos, por exemplo, a prioridade para linhas empresariais de custeio, o que ajuda a manter a liquidez dos produtores diante da compressão das margens, reduzindo o risco de inadimplência”, diz o presidente da entidade.
Para a Sociedade Rural Brasileira, é válida a iniciativa de oferecer desconto de 0,5 ponto percentual na taxa de juros para produtores rurais que adotam práticas sustentáveis. A entidade ressalta que o financiamento de reflorestamento, culturas de cobertura e ações de prevenção a incêndios trazidos pelo Plano ampliam o compromisso com a sustentabilidade.
A SRB entende que entre as medidas que podem beneficiar o setor está ainda a ampliação da exigibilidade das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). “O aumento de 50% para 60% deve liberar cerca de R$ 64 bilhões adicionais em funding privado para o setor, diversificando as fontes de financiamento e reduzindo a dependência do Tesouro Nacional”, finaliza a nota.
Business
Novo regulador de crescimento chega ao mercado para elevar a produtividade do algodão

O manejo hormonal tem conquistado espaço no agronegócio entre as estratégias para elevar a eficiência das lavouras. No algodão, onde cada estrutura reprodutiva preservada pode representar maior produtividade na colheita, ferramentas capazes de otimizar o desenvolvimento da planta ganham cada vez mais importância.
É nesse cenário que a Innovak apresenta o Kresko®, um regulador de crescimento hormonal desenvolvido para promover uma arquitetura vegetal mais equilibrada, estimular a formação de estruturas reprodutivas e contribuir para o aumento do potencial produtivo da cultura.
O produto reúne, em uma mesma formulação, a atuação hormonal da cinetina e o efeito bioestimulante da tecnologia ECCA Carboxy®, combinação que representa um dos principais diferenciais do Kresko® em relação aos reguladores hormonais disponíveis no mercado.
Com registro recente, o Kresko® abre um novo horizonte ao oferecer um produto específico para a cultura do algodão. A proposta é disponibilizar uma tecnologia que atue desde a estruturação da planta até a preservação do seu potencial produtivo, auxiliando agricultores, consultores e empresas de assistência técnica na busca por lavouras mais uniformes e eficientes.
A solução é desenvolvida pela Innovak, empresa que atua há 69 anos no desenvolvimento e comercialização de produtos bioracionais e tecnologias voltadas à agricultura. Com presença em mais de 30 países e filiais nas Américas e na Europa, a companhia também mantém colaboração com instituições de pesquisa para o desenvolvimento de tecnologias destinadas a aumentar a eficiência da produção agrícola.
Como Kresko® atua na planta
A principal diferença na formulação está na combinação da tecnologia exclusiva ECCA Carboxy®, desenvolvida pela Innovak, em conjunto com a cinetina (um hormônio estável e altamente assimilado pela planta).
Dessa forma, o Kresko® associa duas frentes de atuação: o efeito hormonal, responsável por desencadear processos fisiológicos ligados ao crescimento e à divisão celular, e a ação bioestimulante, que contribui para potencializar o metabolismo da planta.
A ação começa quando a citocinina alcança os tecidos-alvo e desencadeia uma série de respostas fisiológicas relacionadas ao crescimento, à divisão e à diferenciação celular. Em seguida, a tecnologia ECCA Carboxy® potencializa esse efeito por meio de sua ação bioestimulante, favorecendo uma resposta hormonal mais equilibrada, gradual e eficiente.
Na prática, essa combinação contribui para o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da cultura, promovendo uma planta mais estruturada e preparada para expressar seu potencial produtivo.
Entre os principais efeitos observados com o uso do Kresko® está a melhoria da arquitetura das plantas. O produto estimula processos de diferenciação e divisão celular, contribuindo para um desenvolvimento mais homogêneo.
Esse processo favorece características importantes para o manejo da cultura, como:
- Encurtamento dos nós;
- Estímulo à diferenciação celular;
- Melhor desenvolvimento das gemas axilares e laterais;
- Formação de plantas mais equilibradas e produtivas.
Uma arquitetura vegetal mais uniforme também cria condições favoráveis para o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis ao longo do ciclo da cultura.

Tecnologia ECCA Carboxy
A ECCA Carboxy® — Ecotecnologia de Compostos Carboxi Aromáticos — é uma das principais tecnologias desenvolvidas pela Innovak. Com efeito bioestimulante, ela atua no metabolismo vegetal, contribuindo para melhorar a captura de resposta da planta.
A tecnologia é obtida por meio de um processo patenteado de extração, concentração, purificação e identificação de ácidos Carboxy® com efeito benéfico sobre as culturas.
Segundo a Innovak, o resultado desse processo é uma tecnologia com elevada efetividade biológica, desenvolvida para favorecer diferentes processos fisiológicos da planta.
No Kresko®, a ECCA Carboxy® também contribui para tornar a ação hormonal mais eficiente, ajudando a cinetina a atingir com maior eficácia os tecidos onde deve atuar.
É justamente essa associação entre bioestimulação e ação hormonal que diferencia o produto. Enquanto reguladores convencionais atuam prioritariamente sobre os processos hormonais da planta, o Kresko® combina esse mecanismo com uma tecnologia bioestimulante voltada à ativação do metabolismo vegetal.
Preservação das estruturas reprodutivas
Outro ponto de destaque da nova tecnologia da Innovak é a atuação sobre as estruturas reprodutivas.
O Kresko® bioestimula a formação e a retenção dessas estruturas, contribuindo para reduzir o índice de aborto floral e favorecer o pegamento. Com isso, a planta pode manter um número maior de estruturas capazes de evoluir ao longo do ciclo e chegar à produção, refletindo diretamente em seu potencial produtivo.
Segundo a Innovak, esse efeito é resultado da atuação conjunta da cinetina e da tecnologia ECCA Carboxy®, que proporciona maior estabilidade à formulação e potencializa a resposta hormonal durante o desenvolvimento da planta.
A tecnologia também favorece uma resposta mais consistente ao longo do ciclo da cultura, ampliando a eficiência da ação bioestimulante e contribuindo para um desenvolvimento vegetal mais equilibrado.
Mais produtividade
Em um cenário em que a eficiência agronômica é cada vez mais determinante para a rentabilidade da produção, ferramentas que auxiliam na construção e preservação do potencial produtivo das plantas ganham relevância.
Ao atuar simultaneamente sobre o metabolismo vegetal, a arquitetura da planta e a preservação das estruturas reprodutivas, o Kresko® chega ao mercado como uma nova alternativa para o manejo do algodão.
O diferencial está justamente na combinação de bioestimulante e hormônio em uma mesma solução, associando a ação da cinetina de alta estabilidade à tecnologia ECCA Carboxy®. A proposta é favorecer plantas mais equilibradas, com maior retenção de estruturas produtivas e melhores condições para expressar seu potencial ao longo do ciclo.
Com a novidade, a Innovak amplia seu portfólio voltado ao manejo fisiológico das culturas e reforça a estratégia de desenvolver soluções que unem inovação, fisiologia vegetal e tecnologias bioracionais para contribuir com uma agricultura mais eficiente e sustentável.
O post Novo regulador de crescimento chega ao mercado para elevar a produtividade do algodão apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Agro ainda não saiu da turbulência e 2027 deve exigir prudência

O agronegócio de Mato Grosso e brasileiro ainda não conseguiu deixar para trás o cenário de turbulência e a projeção para as próximas safras é de manutenção do aperto financeiro. Diante da combinação de juros elevados, endividamento e custos pressionados, a estimativa dos setores produtivo e financeiro é de que o ciclo de readequação nas propriedades rurais avance ao menos até 2027.
O prolongamento da crise exige maior cautela nas decisões de investimento e na contratação de novos financiamentos. Mais do que uma dificuldade passageira de caixa, a sequência de safras desafiadoras reduziu a margem de manobra do produtor e aumentou o nível de exigência por parte das instituições financeiras.
Para o diretor executivo do Sicredi Central Centro Norte, Seneri Paludo, o mercado precisa entender que a recuperação do campo não ocorrerá no curto prazo. “Os sinais da economia do agro começaram em 2023 e 2024. Veio 2024 muito complexo, 2025 complexo, 2026 também. Para mim, 2027 está tão complexo quanto os últimos anos, até com um agravante: a questão do clima”, alerta o executivo, reforçando que o momento exige contenção. “Esta próxima safra ainda vai ser de bastante ajuste. O nome do jogo é prudência”, frisa em entrevista ao programa Direto ao Ponto.

Inadimplência atinge marcas históricas
O impacto do cenário adverso transborda para o ambiente de crédito. A inadimplência acima de 90 dias no crédito rural brasileiro bateu recordes e atingiu 7,5%, patamar muito distante da média histórica de 1%. Em Mato Grosso, a taxa de atraso do sistema financeiro supera os 8,5%.
A situação ganha contornos ainda mais graves ao analisar os chamados “ativos problemáticos”, indicador que engloba contratos vencidos, renegociados, repactuados ou prorrogados por medidas governamentais. Em praças com maior estresse financeiro, como o Vale do Araguaia, entre 20% e 25% de toda a carteira de crédito rural encontra-se sob algum tipo de readequação ou atraso.
Esse nível de comprometimento assusta o sistema financeiro e trava a circulação de novos recursos. “É um valor extremamente alto da carteira. E aí assusta todo o sistema”, afirma Paludo ao programa do Canal Rural Mato Grosso.
Outro termômetro do endividamento no campo é a disparada dos processos de recuperação judicial (RJ). Em Mato Grosso, o montante envolvido nas solicitações saltou de R$ 3 bilhões em 2023 para R$ 5 bilhões em 2024, alcançando R$ 7,8 bilhões em 2025.
Mesmo com desaceleração no início deste ano, quando foram registrados R$ 1,7 bilhão, o volume acumulado nas últimas quatro safras chega perto de R$ 20 bilhões dentro do estado. Como resposta a essa escalada, bancos e cooperativas passaram a reter operações e a exigir garantias reais para qualquer concessão, inclusive para linhas de capital de giro.
Crédito passa a focar na gestão
O arrocho na análise de crédito fez com que a concessão de recursos passasse a ser mais criteriosa e rigorosa. Além da avaliação do balanço patrimonial, as instituições do setor reforçaram a análise sobre aspectos comportamentais, o nível de profissionalização da gestão e a capacidade de pagamento das propriedades rurais.
Para responder às exigências do mercado e manter a solidez frente aos riscos do setor, o próprio sistema cooperativo vem promovendo incorporações e fusões de unidades regionais no estado. Na área de atuação do Sicredi Central Centro Norte, o volume de ativos administrados atinge R$ 75 bilhões.
Se antes a escassez de recursos limitava a atuação dos agentes financeiros, hoje o principal gargalo é o patamar da taxa de juros, de acordo com o diretor executivo. Embora haja disponibilidade de funding e de repasses de linhas oficiais como FCO, BNDES e Finame, o custo elevado do dinheiro inviabiliza novos projetos de expansão ou a compra de máquinas.
Com a rentabilidade das aplicações financeiras em alta e as margens da atividade agrícola comprimidas, o financiamento da produção tornou-se uma conta de risco elevado para o produtor rural. “Há 8 ou 10 anos, o que faltava para a gente era funding. Hoje a gente tem lastro suficiente e o que pega na conta mesmo é a taxa de juros”, pontua o executivo.
+Confira mais entrevistas do programa Direto ao Ponto
+Confira outras entrevistas do Programa Direto ao Ponto em nossa playlist no YouTube
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Agro ainda não saiu da turbulência e 2027 deve exigir prudência apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
Agro de Mato Grosso liga o alerta para qualificação e impactos da nova jornada

A falta de trabalhadores já faz parte da rotina de propriedades rurais de Mato Grosso, que recorrem a profissionais de outros estados para manter as atividades. Agora, a possível mudança na jornada de trabalho coloca uma nova variável nesta equação: a necessidade de reorganizar equipes que já são difíceis de formar.
O levantamento realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e pelo Senar Mato Grosso mostra que mais de 62% dos produtores de Mato Grosso possuem dificuldade para contratar mão de obra qualificada. Ao mesmo tempo, 83,8% das propriedades entrevistadas precisam contratar trabalhadores, o que mantém a busca por profissionais como um dos desafios para o setor.
O avanço da mecanização também mudou o perfil procurado no campo. Além de operadores de máquinas, produtores precisam de trabalhadores polivalentes e de profissionais capazes de atuar na gestão das propriedades, acompanhando processos, tecnologias e decisões que exigem maior qualificação.
O movimento de trabalhadores em direção a Mato Grosso ocorre tanto entre estados quanto dentro do próprio setor agropecuário. Parte dos profissionais que hoje atua na agricultura veio da pecuária, enquanto outros chegam de regiões como Maranhão e Piauí e passam por capacitação para operar máquinas.
“Mato Grosso na verdade é um importador de trabalhadores de outros estados”, afirma o presidente da Aprosoja Brasil, Lucas Costa Beber, ao Patrulheiro Agro. Ele destaca que essa chegada de profissionais tem contribuído para ampliar a oferta de mão de obra, mas ainda não é suficiente para atender às necessidades do setor.
A busca por pessoas preparadas também tem levado os produtores a investir na formação das próprias equipes. Em propriedades com equipamentos cada vez mais modernos, contratar alguém sem experiência significa, muitas vezes, assumir o custo e o tempo necessários para capacitá-lo.

Campo precisa de profissionais mais preparados
O levantamento realizado pelo Imea e pelo Senar Mato Grosso mostra que a dificuldade não está restrita às funções operacionais. Entre as demandas identificadas estão operadores de máquinas, trabalhadores polivalentes e, mais recentemente, profissionais preparados para atuar na gestão das propriedades.
“Principalmente nos processos continuam persistindo operadores de máquinas, operadores de mão de obra polivalente”, observa o superintendente do Imea, Cleiton Gauer. Ao mesmo tempo, ele aponta uma mudança no perfil buscado pelos produtores: “O que surgiu de mudanças nesses últimos levantamentos foi a mão de obra capacitada para gestão da propriedade seja um técnico rural, um engenheiro agrônomo ou um veterinário, para conseguir gerir todo esse negócio”.
A qualificação, portanto, acompanha a própria transformação da atividade rural. A tecnologia incorporada às máquinas e aos processos aumenta a necessidade de profissionais que saibam operar os equipamentos e tomar decisões dentro das propriedades.
Para Lucas Costa Beber, a formação precisa estar alinhada às necessidades específicas de Mato Grosso. “Precisamos de maior capacitação e focadas principalmente nas demandas que o estado precisa”, afirma. O produtor também acaba participando diretamente desse processo, já que muitos recorrem a recursos próprios para capacitar funcionários ou contratam pessoas sem experiência, absorvendo os custos dessa preparação.

Capacitação vira caminho para preencher vagas
O Senar Mato Grosso mantém atualmente 278 cursos voltados às diferentes cadeias produtivas do estado. A oferta inclui agricultura, pecuária, gestão e saúde e segurança do trabalho, além de formações específicas para operação de máquinas, classificação de grãos, agroindústria e utilização de drones.
“Praticamente tudo o que você tiver interesse de aprender no meio rural, o Senar Mato Grosso ele dispõe”, explica o gerente de Formação Técnica do Senar Mato Grosso, Pedro Gabriel Gomes de Souza, à reportagem do Canal Rural mato Grosso. A capacitação também acompanha a diversificação das atividades dentro das propriedades, com treinamentos para operação de máquinas agrícolas, manejo, doma racional de equinos, processamento de produtos e operação de drones convencionais e de pulverização.
O estudo aponta ainda que 81,20% das propriedades já investem na capacitação dos funcionários. O dado mostra que os próprios produtores estão buscando alternativas para enfrentar a dificuldade de encontrar profissionais preparados.
Para o Imea, a dificuldade de contratação também precisa ser observada pelo lado das oportunidades. A remuneração, os benefícios e a possibilidade de crescimento podem funcionar como atrativos para trabalhadores que vivem em outras regiões do país.
Cleiton Gauer considera que o campo pode representar uma mudança de trajetória profissional para essas pessoas. “Ele pode enxergar nisso uma oportunidade de mudar às vezes de momento de vida, uma oportunidade de escala e estabilidade em relação a crescimento na profissão, e encarar Mato Grosso como uma oportunidade às vezes de desenvolver seu futuro e criar e desenvolver sua família por aqui”.

Jornada pode ampliar necessidade de contratação
É nesse cenário de dificuldade para formar equipes que os produtores passaram a acompanhar também a discussão sobre a mudança da jornada de trabalho. A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados prevê a substituição da escala 6×1 pela 5×2, com jornada de 40 horas semanais, dois dias de descanso, sem redução salarial e implantação gradual. O texto agora aguarda análise do Senado.
Para o campo, a preocupação está principalmente na necessidade de reorganizar as equipes. Em atividades que dependem da presença dos trabalhadores, a redução das horas disponíveis pode exigir mais pessoas para executar as mesmas funções.
A agricultora Edina Ferreira Bueno avalia que esse efeito seria sentido diretamente nas propriedades. “O que cinco fazia, você vai ter que contratar mais dois para poder separar essa jornada e organizar”. A organização também precisaria considerar os períodos de maior demanda, já que, durante a safra, determinadas operações precisam ser realizadas dentro de uma janela específica, aumentando a pressão sobre as equipes disponíveis.
“Cada fazenda vai ter que se adequar à demanda, porque na época da safra o pessoal trabalha mais tempo”, afirma Edina. A preocupação, portanto, não está apenas na mudança da escala, mas na disponibilidade de trabalhadores para substituir aqueles que passariam a ter mais dias de descanso. Em um mercado no qual a contratação já é considerada difícil, ampliar as equipes pode se tornar outro obstáculo.
Produtores pedem regras adaptadas ao campo
Para o presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, Eder Ferreira Bueno, as discussões sobre mudanças na legislação precisam considerar a realidade das propriedades rurais. Ele argumenta que os produtores já vêm investindo em estrutura e condições para atrair e manter trabalhadores, com recursos como moradia, alimentação e serviços de apoio.
“Eu acredito que as pessoas que criam as leis elas não estão dentro do campo, então eu gostaria que elas viessem no campo ver como é que realmente funciona uma propriedade rural para que aprendam de uma maneira como é que funciona, como é que tem que ser levado para frente e essas leis sejam criadas de dentro da porteira para fora e não de fora para dentro”, diz.
Na avaliação dele, mesmo com os investimentos feitos pelos produtores, a contratação continua sendo um problema. “Hoje a maioria das propriedades elas tem uma questão de aparelhos com ar condicionado, com cantina, psicólogos, moradia, tudo o que a pessoa precisa e mesmo assim é dificultoso”.
+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Agro de Mato Grosso liga o alerta para qualificação e impactos da nova jornada apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Sustentabilidade23 horas agoSTF reconhece validade da Moratória da Soja
Sustentabilidade24 horas agoCepea/Algodão: Cotação da pluma recupera ritmo em julho com suporte externo e oferta restrita – MAIS SOJA
Business20 horas agoSLC Agrícola registra receita recorde de R$ 2,2 bilhões e amplia lucro líquido em 75%
Sustentabilidade23 horas agoSaiba como ficaram as cotações brasileiras de soja em dia de relatório do USDA
Featured21 horas agoAlívio de R$ 5 não muda cenário: cesta básica segue mais cara em Cuiabá
Featured24 horas agoMP investiga licenças e origem de biomassa nativa de 15 grandes empresas em Mato Grosso
Business22 horas agoProfert ajudará Brasil a combater o protecionismo dos concorrentes, diz Tirso Meirelles
Sustentabilidade23 horas agoMercado brasileiro de milho deve ter dia mais cauteloso nos negócios, atento ao relatório do USDA – MAIS SOJA
















