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19 de outubro de 2026

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Fazenda no Vale do Araguaia aposta na integração entre lavoura e pecuária para ampliar resultados

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A integração entre lavoura e pecuária orienta o sistema produtivo da Fazenda Mirante do Tesouro, em Água Boa (MT). Na propriedade, a produção de soja, milho e capim está conectada à criação e à terminação de bovinos, em uma estratégia que busca aproveitar melhor a área disponível e agregar valor à produção dentro da própria fazenda.

A mudança começou há 11 anos, quando Gilmar Dell Osbel e um sócio adquiriram uma propriedade com pastagens degradadas e infraestrutura precária para a pecuária. A localização e a qualidade do solo, porém, favoreceram a recuperação da área e a ampliação gradual das atividades agrícolas.

Desde então, a fazenda passou por reformas de pastagens, recuperação de estruturas e incorporação da agricultura ao sistema. O resultado foi a adoção de um modelo que conecta diferentes etapas da produção, com o milho desempenhando papel importante na alimentação dos animais.

“Estamos adotando essa prática e o resultado é muito interessante, porque a pecuária entrega muito para agricultura e a agricultura entrega muito benefício para a pecuária”, afirma Gilmar ao Especial Mais Milho.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Produção integrada dentro da propriedade

A Fazenda Mirante do Tesouro tem 2,1 mil hectares destinados à lavoura e outros 1,2 mil hectares de pastagem perene. A soja ocupa a primeira safra, seguida pelo milho consorciado com braquiária em parte da área. Na sequência, o planejamento inclui o cultivo de gergelim e a formação de pastagens.

O sistema permite utilizar o capim para o pastejo e o milho na alimentação do rebanho. A propriedade também trabalha com a terminação dos bovinos, que permanecem no sistema até a venda para o frigorífico.

A estratégia está relacionada à decisão de intensificar a produção nas áreas disponíveis, em vez de priorizar a expansão para novas propriedades. Para Gilmar, a aquisição de terras e os custos de arrendamento exigem investimentos elevados, enquanto a melhoria da estrutura produtiva pode valorizar o patrimônio já existente.

“Aprendi e faço dessa maneira: é a verticalização. Porque para crescer dos lados é muito caro adquirir uma propriedade de um vizinho”, explica o produtor, que procura concentrar diferentes etapas da produção nas áreas da família.

O aproveitamento dos grãos também se estende a outra propriedade, em Canarana, onde Gilmar mantém uma estrutura para esmagamento de soja. O farelo é utilizado na dieta dos animais, enquanto o óleo tem aplicação na pulverização das lavouras. A estratégia permite aproveitar os produtos da própria atividade agrícola na pecuária.

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“Então, eu faço a arroba com custo mais baixo. E está dando certo. Achei muito melhor do que horizontalizar”, avalia o produtor em entrevista ao programa do Canal Rural Mato Grosso, que integra o projeto Mais Milho.

Especial Mais Milho família Dell Osbel Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Milho acompanha a trajetória da família

A relação com o milho começou antes mesmo da estruturação do atual sistema integrado. Gilmar chegou a Mato Grosso em 1972, aos oito anos, quando a família deixou o Rio Grande do Sul para participar do processo de colonização do Vale do Araguaia.

Na época, a produção agrícola enfrentava limitações de infraestrutura e de acesso a insumos. O plantio de milho começou de forma manual, e a mecanização avançou gradualmente, à medida que os produtores conseguiam acesso a máquinas, calcário e financiamento.

O pai de Gilmar também participou desse processo, adaptando equipamentos para colher milho quando ainda não havia plataformas específicas disponíveis na região. A produção atendia pecuaristas e criadores de animais, inicialmente em sacas e, mais tarde, em volumes maiores.

“Eu vivi o milho a vida toda”, conta Gilmar, que acompanhou as transformações da cultura desde os primeiros anos da agricultura na região.

As lembranças da chegada ao estado também ajudam a dimensionar as mudanças na atividade rural. O produtor recorda as dificuldades enfrentadas pelas primeiras famílias que se instalaram na região, em um período de pouca infraestrutura e recursos limitados para desenvolver a agricultura.

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“Foi difícil. A gente sabe da luta, da persistência dos que ficaram, mas valeu a pena”, relembra.

Na produção atual, a escolha do nível de investimento em tecnologia considera o funcionamento de todo o sistema. O milho é cultivado junto à braquiária, o que exige atenção à disponibilidade de umidade no solo, especialmente em períodos de estiagem.

“Eu não faço alto investimento nem em variedades, nem em adubação. Usamos média alta tecnologia”, explica Gilmar.

A produtividade, segundo ele, é avaliada dentro dessa estratégia de integração. O produtor considera que buscar rendimentos máximos no milho nem sempre é a melhor opção quando a cultura divide espaço e recursos com o capim.

“Nunca fizemos tecnologia altíssima pensando em colher 170 sacas. Mas, pela composição do sistema que fazemos, produzindo 130, 135, 125 sacas, está muito bom”, afirma, referindo-se à produtividade por hectare.

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especial mais milho armazém família dell osbel foto israel baumann canal rural mato grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Estrutura própria e sucessão familiar

Além da integração produtiva, a fazenda investiu em armazém e equipamentos para dar mais autonomia às operações. A estrutura permite antecipar a colheita, controlar a classificação dos grãos e reduzir a exposição a perdas provocadas por períodos chuvosos.

A possibilidade de retirar os grãos da lavoura antes de condições climáticas desfavoráveis é um dos benefícios apontados pelo produtor. Com a secagem e o armazenamento na própria fazenda, a operação ganha flexibilidade para organizar o ritmo da colheita.

“É muito melhor eu colher um produto um pouco mais úmido, gastar um pouco mais de cavaco para fazer a secagem e energia, do que eu correr o risco de ficar lá na lavoura e de repente vir chuva”, frisa Gilmar.

O investimento também favorece a prestação de serviços a propriedades vizinhas, com a realização de colheitas para terceiros. Embora a construção e a manutenção tenham custos elevados, o produtor considera que a estrutura oferece mais tranquilidade e segurança ao planejamento da safra.

A trajetória da família também está ligada ao cooperativismo. Gilmar mantém uma relação de longa data com o Sicredi, instituição que acompanha a evolução dos negócios e participa do financiamento de custeios e investimentos agrícolas.

“Somos grandes parceiros do Sicredi”, pontua o produtor, ao destacar a relação construída desde a época em que seu pai já participava do cooperativismo na região de Canarana.

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Para Edgar Marcolin, assessor de negócios do Sicredi, a continuidade dessa relação entre gerações faz parte da história da cooperativa. A família Dell Osbel mantém vínculos com a instituição desde a época do pai de Gilmar, e os filhos também participam dos negócios.

“O Gilmar, por exemplo, começou lá pequenininho, pai dele, a família e hoje ele está neste tamanho administrando. É fantástico ver isso e que a gente fez parte dessa vida”, comenta Edgar à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

A sucessão já está presente na rotina da família. O filho administra as atividades de outra propriedade em Canarana, enquanto a filha participa de uma empresa ligada ao agronegócio. Na avaliação de Gilmar, a presença dos familiares na gestão contribui para a continuidade do trabalho construído ao longo das décadas.

“Eu acho que o principal de tudo, do sucesso, de qualquer atividade, é a família, é poder ter a esposa e os filhos junto”, destaca.

Para o produtor, a integração das atividades e a participação dos filhos representam a continuidade de uma trajetória iniciada com a chegada ao Vale do Araguaia, há mais de cinco décadas, e que hoje combina produção agrícola, pecuária e planejamento familiar.

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Produção de laranja da Flórida deve cair 23% e EUA aumenta dependência do Brasil

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A produção de laranjas da Flórida deve recuar 23% na safra 2027/28. A queda é mais um capítulo no processo de redução estrutural da citricultura norte-americana. Para a consultoria Agro do Itaú BBA, a situação reforça o papel do Brasil como principal fornecedor do suco da fruta para os Estados Unidos.

De acordo com a primeira estimativa do USDA para a nova temporada, a produção do estado deve alcançar apenas 10 milhões de caixas. A retração reflete os impactos acumulados das adversidades climáticas e da disseminação do greening, doença que vem limitando a produtividade dos pomares. Para o cinturão-citrícola brasileiro, o Fundecitrus estima produção de 263,15 milhões de caixas.

A área produtiva de laranja na Flórida também continua em queda. Em 2026, foram registrados 51,3 mil hectares em produção, queda de 24% em relação ao ano anterior. Desde 2015, quando o estado contava com 164 mil hectares produtivos, a retração acumulada já alcança 69%.

Exportações brasileiras

Os embarques brasileiros de suco de laranja ganharam força. Em setembro, as exportações somaram 96 mil toneladas equivalentes em FCOJ (Suco de Laranja Concentrado e Congelado), alta de 78% em relação a agosto e o maior volume mensal dos últimos 23 meses.

No acumulado do primeiro trimestre da safra 2026/27, os embarques cresceram cerca de 12% na comparação anual.

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“A contínua redução da capacidade produtiva da Flórida reforça a dependência dos Estados Unidos das importações de suco. Nesse contexto, o Brasil permanece como fornecedor estratégico para o abastecimento do mercado norte-americano e tende a seguir desempenhando papel central no equilíbrio da oferta global”, afirma o analista do Itaú BBA, Wharlhey Nunes.

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Plantio da soja 2026/27 avança para 26% da área no Brasil, diz AgRural

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O plantio da safra de soja 2026/27 alcançou 26% da área estimada para o Brasil até quinta-feira (15), informou a AgRural nesta segunda-feira (19). Na semana anterior, o índice era de 15%. No mesmo período do ano passado, os trabalhos atingiam 24% da área.

Segundo a AgRural, o avanço da semeadura foi favorecido por chuvas mais generosas, ainda que irregulares, em Estados que dependiam da melhora da umidade para acelerar os trabalhos. O destaque ficou para Mato Grosso, que passou a liderar o ritmo entre os Estados, e para Goiás.

No Paraná, o cenário foi diferente. De acordo com a consultoria, o excesso de chuva praticamente travou o plantio no Estado. O comportamento do clima, portanto, seguiu influenciando de forma distinta o andamento da safra entre as regiões produtoras.

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No milho verão 2026/27, a área estimada estava 48% semeada no Centro-Sul do Brasil até quinta-feira (15). Uma semana antes, o índice era de 44%. No mesmo intervalo do ano passado, a semeadura alcançava 51%.

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A AgRural informou que, no Sul, a reta final do plantio do milho verão avança com lentidão por causa do excesso de chuva. As precipitações também dificultam os tratos culturais e danificam parte das lavouras.

Os dados da AgRural mostram avanço do plantio da soja no país, com recuperação em áreas beneficiadas por chuvas, enquanto o milho verão no Centro-Sul segue em semeadura e enfrenta lentidão no Sul por causa do excesso de precipitação.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Feijão preto ganha do carioca na valorização; oferta segue restrita

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Apesar da demanda lenta, os preços do feijão-preto avançam em outubro, enquanto os do carioca seguem com leves baixas. É o que mostra o levantamento mais recente do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), feito na sexta-feira (16).

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Segundo o Cepea, no acumulado do ano, ambas as variedades registram valorização no campo, com destaque para o preto. No varejo, porém, o carioca apresenta a maior alta anual.

De acordo com pesquisadores do Cepea, a perspectiva de recuperação dos estoques nacionais em 2026/27 não elimina a restrição da oferta, já que os volumes projetados permanecem baixos.

No monitoramento do Cepea separado por região, cada saca de 60kg do feijão carioca tipo peneira 12 (e/ou nota acima de 9) variou de R$ 290,18 em Sorriso, no Mato Grosso, até R$ 348,43 em São Paulo – que, apesar de ser o maior preço, também teve a maior queda da categoria, de 0,48% na variação diária.

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Já o carioca com notas 8 e 8,5 também está mais barato em Sorriso, por R$ 277,32, e mais caro em São Paulo, por R$ 327,87, mas a maior queda ficou com a região do Centro/Noroeste Goiano, que marcou variação diária de -1,40%.

O feijão preto tipo 1 cresceu mais no Oeste Catarinense, com preços 3,56% maiores do que os registrados no dia anterior. A cotação mais cara é, novamente, a de São Paulo, a R$ 298,75 por saca de 60kg; a mais barata é a da metade sul do Paraná, a R$ 264,97.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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