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Cotonicultura brasileira busca competitividade em meio às mudanças no mercado global

A cotonicultura brasileira busca manter a competitividade em um mercado global marcado por mudanças na produção, na demanda e nas relações comerciais. O desempenho de Mato Grosso, que supera os Estados Unidos e ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais, reforça a relevância do estado e do Brasil na cadeia internacional da fibra.
A avaliação sobre o cenário do setor foi apresentada por André Pessoa, fundador e CEO da Agroconsult, durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado em Belo Horizonte (MG). Para ele, o momento combina preços favoráveis e uma boa safra colhida, mas exige atenção aos movimentos da produção e do consumo.
Durante o painel “O algodão no tabuleiro global: perspectivas e estratégias para a safra 2026/27”, o especialista destacou a posição do Brasil na cotonicultura mundial, considerando o crescimento da produção em relação à demanda. A China permanece como líder na produção, com 7 milhões de toneladas de pluma, seguida pela Índia com 5,19 milhões.
Mato Grosso produzia na safra 2024/25 2,99 milhões de toneladas de pluma de algodão, enquanto os Estados Unidos registram 2,79 milhões de toneladas. O resultado coloca o estado brasileiro à frente dos pelo norte-americanos segundo ano consecutivo e evidencia sua participação no mercado internacional.
Produção, demanda e relações comerciais
A China também ocupa uma posição central no consumo mundial de algodão. Segundo as informações apresentadas por Pessoa, cerca de 40% da fibra brasileira exportada possui o país asiático como destino.
O Brasil mantém participação relevante em diferentes mercados consumidores. Além da China, entre os destaques estão o Vietnã e Bangladesh. A presença nesses destinos integra as discussões sobre a capacidade de o país sustentar os embarques e preservar espaço no comércio internacional.
“O Brasil consegue hoje manter uma constância nas suas exportações. Não há sazonalidade, o que o torna relevante para todos os mercados”, pontuou Pessoa.
As condições de comercialização, entretanto, estão relacionadas às mudanças na economia global. A produção, a demanda e os custos da cadeia são influenciados por decisões tomadas pelos principais países participantes do mercado.
O valor do petróleo também apareceu entre os fatores discutidos. A variação do preço, conforme o especialista da Agroconsult, pode interferir na relação entre as fibras naturais e sintéticas, como o poliéster, cuja produção está ligada aos derivados do petróleo.
Pessoa também abordou os efeitos das questões geopolíticas sobre os insumos e os fretes marítimos. As guerras e as disputas internacionais interferem nas condições de circulação de mercadorias e nos custos enfrentados pela cadeia produtiva.
Produtividade e qualidade sustentam avanços
A eficiência produtiva é apontada como um dos elementos que contribuem para a competitividade do Brasil. O crescimento da área cultivada e os ganhos obtidos ao longo dos últimos anos fazem parte da evolução da cotonicultura nacional.
Aurélio Pavinato, CEO da SLC, destacou a expansão da área destinada ao algodão no país. De acordo com ele, o Brasil passou de 1 milhão para 2 milhões de hectares cultivados nos últimos 10 anos.
“Alta eficiência produtiva são alguns pontos que levam o Brasil a estar cada vez mais competitivo”, salientou Pavinato.
A China também apresenta avanços em produtividade, enquanto a Índia reduz a área destinada ao algodão para ampliar o cultivo de outras culturas. As decisões de plantio refletem as condições específicas de cada país e os fatores que influenciam a rentabilidade das atividades agrícolas. “É tudo questão estrutural”, disse Pavinato.
O mercado e as decisões políticas dos governos também integram a análise de Pavinato. Ele citou a existência de subsídios governamentais na China e nos Estados Unidos como parte dos fatores que interferem na dinâmica da produção.
A qualidade da fibra é outro aspecto considerado importante para o posicionamento brasileiro. O setor passou por ajustes em fatores que precisavam ser corrigidos, contribuindo para a evolução da qualidade do algodão produzido no país.
A organização da cadeia produtiva foi outro aspecto destacado nas discussões sobre a competitividade do algodão brasileiro. A articulação entre os diferentes participantes do setor contribuiu para a evolução da produção e para o posicionamento do país no mercado internacional.
Alessandra Zanotto, presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), considera que a estruturação da cadeia também foi importante para esse processo.
“A organização da cadeia produtiva foi um grande impulsionador para o Brasil ser competitivo”, frisou Zanotto.
Rentabilidade e planejamento das próximas safras
A rentabilidade da produção está entre os pontos de atenção para os próximos ciclos. A produtividade da fibra e as condições de mercado são consideradas na avaliação sobre a continuidade do crescimento da cotonicultura brasileira.
André Pessoa também relacionou as perspectivas do setor ao comportamento das chuvas e ao calendário agrícola. O plantio em janeiro foi mencionado nas discussões sobre a produção, com a observação de que a duração das precipitações pode interferir no desenvolvimento das lavouras.
O cenário climático, portanto, integra os fatores que precisam ser considerados no planejamento. A época em que as chuvas cessam pode influenciar os resultados, dependendo do estágio de desenvolvimento da cultura.
A evolução da produção brasileira ocorre em meio a mudanças nas condições de mercado e nas estratégias dos países produtores. Nesse contexto, a produtividade, a qualidade da fibra e a organização da cadeia permanecem entre os elementos discutidos pelos representantes do setor.
O 15º Congresso Brasileiro do Algodão ocorre em Belo Horizonte (MG), entre os dias 22 e 24 de setembro, e reúne representantes da cotonicultura nacional para discutir os desafios e as oportunidades do setor.
Realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o congresso tem como tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”.
A programação conta com plenárias técnicas, conexões estratégicas, hubs especializados, workshops e minicursos. O evento se consolida como o principal ponto de encontro da cotonicultura nacional e reafirma o compromisso do setor com qualidade, credibilidade e propósito.
*A reportagem do Canal Rural Mato Grosso viajou para Belo Horizonte a convite da Abrapa.
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Indícios de um possível El Niño colocam o milho segunda safra no radar em MT

O comportamento das chuvas nos próximos meses pode influenciar não apenas o desenvolvimento da soja 2026/27, mas também o calendário do milho segunda safra em Mato Grosso. Com indícios de um possível El Niño e a previsão de regularização das precipitações a partir da segunda quinzena de outubro, produtores avaliam o momento de avançar com a semeadura e os reflexos das decisões sobre o ciclo seguinte.
O plantio da soja já começou no estado, mas ocorre de forma desigual entre as regiões. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que 1,15% da área estimada havia sido semeada até o dia 18 de setembro, índice 0,60 ponto percentual acima do registrado no mesmo período da safra anterior.
O Oeste lidera os trabalhos, com 2,19% da área plantada, seguido pelo Médio-Norte, com 2,16%, e pelo Norte, com 1,44%. No Sudeste, o índice é de 0,26%, concentrado principalmente em áreas irrigadas. No Vale do Guaporé, os trabalhos ainda não começaram.
Em Tapurah, na região Médio-Norte, as chuvas chegaram mais cedo e já permitiram o avanço da semeadura em algumas propriedades. O presidente do Sindicato Rural do município, Dirceu Luiz Dezen, relata que os volumes ultrapassaram 80 milímetros na maioria das áreas, o que garante 30% da área para o plantio do algodão após a colheita da oleaginosa.
A disponibilidade de umidade, entretanto, não significa que o produtor precise antecipar todas as operações. “O pessoal da safrinha de milho não está tão apressado porque não é necessário”, afirma Dezen, ao explicar que o uso de cultivares de soja com ciclos mais curtos permite avaliar com mais cautela o momento de entrada nas áreas.
A decisão também passa pelo comportamento do clima nas próximas semanas. O meteorologista do Canal Rural, Arthur Muller, orienta que os produtores que já receberam volumes superiores a 100 milímetros e possuem boa palhada podem avançar, enquanto aqueles que aguardam mais chuva devem observar a tendência de regularização das precipitações.
“Mas aquele produtor que está esperando por muito mais chuva aguarde, porque a tendência é dessa chuva só firmar a partir de outubro”, alerta ao projeto Mais Milho. Além da disponibilidade de água, o especialista chama atenção para o aumento da pressão de pragas e das temperaturas, que podem acelerar o ciclo da soja e afetar a produtividade.
Custos e decisões no plantio
A margem financeira mais apertada acrescenta outro elemento à definição do calendário agrícola. Conforme os dados apresentados pelo Imea, a rentabilidade projetada para a soja é 35,05% menor que a do ciclo anterior, enquanto o custo para produzir um hectare na safra 2026/27 chega a R$ 8.170,00.
O cenário reforça a necessidade de avaliar as condições antes de ampliar as operações. Em propriedades com irrigação, o plantio já avançou, mas as áreas de sequeiro dependem de uma distribuição mais consistente das chuvas.
Em uma propriedade do Grupo Bocch, em Sorriso, cerca de 40% da área irrigada já foi plantada. O gestor administrativo Cristiano Ricardo Coppini estima concluir essa etapa nos próximos dez dias. A fazenda deve cultivar 7,2 mil hectares de soja, dos quais aproximadamente 1.550 hectares são irrigados.
O acumulado de chuva na propriedade varia de 25 a 40 milímetros, volume que ainda não oferece segurança para avançar nas áreas de sequeiro. A situação exige que a equipe acompanhe a ocorrência de novas precipitações antes de ampliar o plantio.
A incerteza sobre a intensidade do possível El Niño também está presente no planejamento. Coppini afirma ao Canal Rural Mato Grossob que os investimentos foram mantidos em relação às safras anteriores, mas que a margem para erros diminuiu diante dos custos de produção.
“Não podemos errar de maneira nenhuma, nós temos que ser assertivo no momento da decisão do plantio”, destaca. A escolha das variedades, segundo ele, precisa considerar as características de cada área da fazenda.
O histórico de perdas em anos influenciados pelo fenômeno climático amplia a preocupação. O gestor lembra que a propriedade já registrou perdas de 40 sacas por hectare em determinadas safras e que, com os custos atuais, o cenário exige atenção redobrada.

Janela da soja pode refletir no milho
O planejamento da segunda safra começa antes mesmo de a soja ser semeada em toda a propriedade. O momento de implantação, a duração do ciclo e as condições climáticas durante o desenvolvimento da cultura podem interferir na colheita e, consequentemente, na entrada do milho.
Para Arthur Muller, a influência do possível El Niño sobre o Brasil Central tende a ser mais percebida nos próximos meses. O oceano está aquecido, e a previsão aponta para uma regularização das chuvas a partir da segunda quinzena de outubro.
O meteorologista ressalta que o fenômeno não representa, necessariamente, uma quebra de safra em Mato Grosso. A preocupação está na distribuição das precipitações e na organização das operações ao longo do ciclo.
A perspectiva de chuvas mais intensas em dezembro e janeiro pode favorecer a disponibilidade hídrica, mas também exige atenção ao intervalo entre a colheita da soja e a implantação do milho segunda safra. É nesse período que o produtor precisa conciliar as atividades para aproveitar as condições de umidade. Segundo ele, a principal dificuldade pode estar na execução das operações dentro do calendário, e não necessariamente na interrupção antecipada das chuvas.
Diante desse cenário, um eventual atraso no plantio do milho não representa, por si só, um problema, desde que as condições climáticas permaneçam favoráveis. A avaliação deve considerar a evolução das chuvas e a possibilidade de aproveitamento dos volumes previstos para o fim do ano.
O acompanhamento das previsões meteorológicas também faz parte das decisões. Muller orienta os produtores a verificar a qualidade das informações utilizadas para o planejamento e a acompanhar a evolução do clima antes de definir as operações.
Em Sorriso, a expectativa do Grupo Bocch é que a regularização das chuvas possa contribuir para o avanço do plantio da soja e para o planejamento da segunda safra. “A gente acredita que no final de setembro, isso possa nos proporcionar um plantio, olhando lá também para uma safrinha de milho”, afirma Coppini.
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Crédito para compra de terras dispara e atrai jovens agricultores

Comprar a própria terra e permanecer no campo é o projeto de muitos jovens agricultores. O acesso à propriedade, porém, esbarra no preço dos imóveis rurais, na documentação exigida e na burocracia para conseguir financiamento.
Nesse cenário, o crédito fundiário tem ganhado espaço como alternativa para viabilizar a compra de propriedades rurais. Na região Sul, o número de contratos praticamente dobrou entre 2024 e 2025, passando de 191 para 383 operações.
O volume de recursos liberados cresceu ainda mais. Saltou de R$ 32,2 milhões em 2024 para R$ 89,8 milhões no ano passado, avanço de aproximadamente 179%.
O Rio Grande do Sul liderou o número de contratos em 2025, com 193 operações, seguido pelo Paraná, com 124, e Santa Catarina, com 66.
Crédito pode ajudar na sucessão familiar
Para jovens agricultores, o financiamento pode representar a possibilidade de construir o próprio patrimônio sem abandonar a atividade rural.
É o caso de Diego, de 21 anos, morador de Cantagalo, no Paraná. Ele tenta financiar a compra de uma área que pertenceu à avó para continuar trabalhando junto à família.
O pedido ainda está em análise na esfera federal. Antes de chegar a essa etapa, foi necessário reunir documentos e cumprir uma série de requisitos.
“O crédito fundiário tem uma burocracia bastante grande. O meu ainda não saiu. Estamos ainda nos trâmites para que possa sair. Agora já está na análise federal. Acredito que logo vai sair”, relata.
A dificuldade de acesso à terra também é apontada por entidades ligadas aos trabalhadores rurais como um dos obstáculos à sucessão familiar. Sem condições de adquirir uma propriedade e gerar renda, parte dos jovens acaba deixando o campo em busca de oportunidades nos centros urbanos.
“O crédito fundiário é um instrumento fundamental porque garante que esse jovem terá acesso à terra, à propriedade”, afirma um dos representantes ouvidos pela reportagem.
Centenas de propostas aguardam contratação
Apesar do crescimento das operações, a demanda ainda supera o número de contratos efetivamente realizados.
Segundo representantes do setor, haveria condições para contratar mais de 500 propostas que permanecem na fila. No Paraná, a plataforma da federação responsável pelo acompanhamento dos projetos registra cerca de 500 demandas.
A meta apresentada pela entidade é alcançar mil famílias beneficiadas pelo crédito fundiário no estado em um curto período.
A documentação dos imóveis aparece como um dos principais gargalos. Para a contratação do financiamento, a propriedade precisa estar regularizada e georreferenciada, exigências que podem ampliar o tempo necessário para concluir a operação.
Preço da terra também dificulta acesso
Outro desafio é o valor das propriedades. No Paraná, o valor médio por operação chegou a R$ 265,6 mil em 2025, o maior entre os três estados da região Sul.
Por outro lado, a estrutura fundiária da região pode favorecer operações envolvendo áreas menores. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul possuem forte presença de pequenas propriedades, o que transforma o crédito fundiário em uma alternativa para filhos de agricultores adquirirem suas próprias áreas.
No Paraná, os jovens já representam parcela expressiva dos beneficiários. Cerca de 45% das operações realizadas em 2025 foram enquadradas na modalidade destinada a esse público.
“Decidimos acessar o crédito fundiário porque é um crédito com uma taxa de juros muito mais baixa, muito acessível para nós, para que eu possa continuar aqui ajudando e trabalhando junto com a minha família”, afirma um dos jovens agricultores entrevistados.
Acesso à terra não encerra o desafio
Representantes da agricultura familiar defendem que o financiamento para aquisição da propriedade seja articulado com outras políticas públicas.
Após comprar a terra, o produtor ainda precisa de recursos para produzir, assistência técnica e extensão rural, além de condições para agregar valor e comercializar a produção.
“O jovem, a família, consegue sua propriedade, sua terra, e depois precisa acessar o crédito, a assistência técnica e extensão rural, acessar a agroindústria familiar para conseguir permanecer naquele território produzindo seus alimentos”, destaca um dos entrevistados.
Para representantes do setor, ampliar essas condições pode fazer com que o crédito fundiário deixe de representar apenas a compra de uma propriedade e se torne também um instrumento para estimular a permanência de uma nova geração de produtores no campo.
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Morre aos 71 anos empresário e pecuarista Carlos Nascimento Pedreira

Morreu nesta terça-feira (22), aos 71 anos, o empresário e pecuarista Carlos Nascimento Pedreira. Atuante na região de Iaçu (BA), ele se dedicava à criação de gado das raças nelore e guzerá na Fazenda Lapa.
Associado à Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) desde dezembro de 2012, Carlos Pedreira também foi sócio-fundador do Grupo GPS, criado em 1962, em Salvador (BA), que se tornou uma das maiores empresas de prestação de serviços terceirizados e facilities do Brasil.
Em 2025, Carlos Pedreira foi listado pela revista Forbes entre os 300 brasileiros com patrimônio superior a R$ 1 bilhão. Ele era filho de Nilo Pedreira, um dos fundadores da Odebrecht.
O sepultamento ocorreu nesta quarta-feira (23), no Funeral Home, em São Paulo (SP).
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