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30 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Culturas para o manejo do caruru – MAIS SOJA

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As plantas do gênero Amaranthus, conhecidas popularmente como caruru, têm ganhado espaço em áreas de cultivo, figurando como principais e mais preocupantes plantas daninhas da produção de grãos. O manejo dessas plantas daninhas é complexo e exige medidas integradas.

As principais espécies de caruru de importância agrícola, compartilham características como rápido crescimento e desenvolvimento, elevada habilidade competitiva, resistência a herbicidas e grande produção de sementes. Essas características quanto associadas, dificultam ainda mais o controle efetivo do caruru, resultando em falhas de manejo e danos á cultura agrícola.

De acordo com Penckowski et al. (2020), espécies como Amaranthus hybridus tem a capacidade de produzir de 200 a 600 mil sementes por planta. Já se tratando de espécies como Amaranthus palmeri, há relatos na literatura de plantas com produção de sementes superior a 1 milhão (Gazziero & Silva, 2017).

Essa elevada produção de sementes, associada à forma e tamanho pequeno das sementes, contribui para a dispersão das sementes de caruru no solo, resultando em diversos fluxos de emergência da planta daninha ao longo do ciclo da cultura agrícola (figura 1). Embora herbicidas pré-emergentes desempenhem um papel indispensável na redução desses fluxos, medidas alternativas, especialmente durante os períodos entressafra são fundamentais para reduzir as infestações de caruru, de forma sustentável.

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Figura 1. Amaranthus hybridus em diferentes estádios de desenvolvimento.
Fonte: Fundação ABC (2020).

Uma dessas medidas é a inserção de espécies capazes de suprimir os fluxos de emergência do caruru na rotação de culturas do sistema de produção.  Algumas espécies de plantas de cobertura e graníferas podem atuar de forma significativa no controle do caruru, mediante a produção de palhada e/ou biomassa, reduzindo os fluxos de emergência do banco de sementes do solo.

As sementes de caruru são consideradas fotoblásticas positivas e necessitam de luz para germinar. Nesse sentido, a cobertura do solo com biomassa ou palhada pode atuar como barreira física a luz, restringindo a germinação e emergência das sementes de caruru presentes no solo. Estudos científicos demonstram que algumas espécies apresentam maior aptidão para essa estratégia de manejo, com eficiência variando de acordo com a espécie de caruru (tabela 1).

Conforma destacado por Custódio & Karam (2026), algumas culturas de cobertura apresentam efeito supressor sobre as plantas daninhas, inibindo ou reduzindo a germinação, diminuindo a densidade e exercendo efeitos alelopáticos sobre essas espécies, e conhecer as principais para o manejo do caruru é fundamental para o planejamento do sistema de produção.

Confira na tabela abaixo as principais espécies com capacidade de controlar espécies de caruru.

Tabela 1. Culturas de cobertura com efeito negativo sobre espécies de caruru.
Adaptado: Custódio & Karam (2026)


Referências:

CUSTÓDIO, I. G.; KARAM, D. ASSOCIAÇÃO DE PLANTAS DE COBERTURA E HERBICIDAS CONTRIBUI COM O MANEJO DE PLANTAS DANINHAS NA ENTRESSAFRA DA SOJA. Embrapa Milho e Sorgo, Comunicado Técnico, n. 264, 2026. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1186436/1/Associacao-de-plantas-de-cobertura-e-herbicidas.pdf >, acesso em: 11/09/2026.

GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa Soja, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 11/09/2026.

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PENCKOWSKI, L. H. et al. ALERTA! CRESCE O NÚMERO DE LAVOURAS COM Amaranthus hybridus RESISTENTE AO HERBICIDA GLIFOSATO NO SUL DO BRASIL O PRIMEIRO PASSO É SABER IDENTIFICAR ESSA ESPÉCIE! Revista FABC, 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/REVISTA-Fabc.pdf >, acesso em: 11/09/2026.

 

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Sustentabilidade

El Niño entra na categoria muito forte – MAIS SOJA

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Por Jossana Ceolin Cera, Consultora Técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Meteorologista (CREA-RS)
Condições meteorológicas ocorridas em setembro de 2026 no estado do Rio Grande do Sul (RS)

O mês de setembro voltou a ter acumulados mais altos de precipitação na região Nordeste do Estado, acima de 350 mm. Já os menores acumulados, abaixo de 160 mm, concentraram-se em boa parte da Metade Sul (Figura 1A). O mapa de anomalias mostra que toda as regiões da Fronteira Oeste, Campanha e Zona Sul ficaram abaixo dos valores da Normal Climatológica (NC) (Figura 1B). O menor volume de chuva entre o final de agosto e todo o mês de setembro favoreceu o avanço da semeadura do arroz na Fronteira Oeste e na Zona Sul.

Figura 1. Mapa da precipitação pluvial acumulada (A) e da anomalia da precipitação (B), em mm, no estado do Rio Grande do Sul, durante o mês de setembro de 2026, em relação aos valores da Normal Climatológica (NC),relativa ao período 1991-2020. Fonte de dados: INMET.

 As precipitações ocorreram, em sua maioria, durante a segunda quinzena do mês (Figura 2). Ao contrário de agosto, o mês de setembro teve menos oscilação nas temperaturas, sendo que a primeira quinzena teve temperaturas máximas e mínimas abaixo dos valores da NC, nas diferentes regiões. Bagé, por exemplo, teve três picos com temperatura mínima próxima ou abaixo de 5°C. Na média mensal, a temperatura ficou dentro ou abaixo da NC, dependendo da região, segundo os dados do INMET.

Gráfico de temperaturas do ar máxima e mínima diária
Figura 2. Temperaturas do ar máxima e mínima diária (°C) e suas respectivas Normais Climatológicas (°C) relativas ao período 1991-2020 (nas linhas pontilhadas em vermelho e azul) e precipitação pluvial diária (mm) referentes ao mês de setembro de 2026, em seis municípios da Metade Sul do RS, representativos das seis regiões arrozeiras. Fonte de dados: INMET.
Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño – Oscilação Sul) e perspectivas

O El Niño segue em intensificação e, segundo a atualização da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), de 08 de outubro de 2026, o sistema acoplado oceano-atmosfera refletiu-se em um El Niño em intensificação.

O mapa da anomalia da temperatura da água da superfície do mar mostra o amplo aquecimento das águas em toda a extensão do Oceano Pacífico Equatorial (Figura 3). Destaca-se que o aquecimento tomou forma robusta entre os meses de julho e setembro. No boletim mensal do mês de setembro divulgado pela NOAA, a anomalia na região do Niño 3.4, considerando a metodologia antiga (ONI), foi de +2,8°C e, considerando a metodologia nova (RONI), foi de +2,1°C. Ou seja, em ambas as metodologias o El Niño está em intensidade muito forte (popularmente chamado de Super El Niño). A anomalia trimestral (Jul-Ago-Set/2026), segundo o método ONI, foi de +2,2°C, e pela metodologia nova (RONI), foi de +1,7°C.

Observação: apenas para lembrar, a NOAA mudou a metodologia de cálculo a partir de fevereiro deste ano, de ONI para RONI, tema já debatido em boletins anteriores. E suas previsões estão sendo baseadas na nova metodologia. Só que, ao se analisar a Figura 3, ela parece representar os dados do método antigo. Ou seja, a anomalia de temperatura na região do Niño 3.4 é mais condizente com o método antigo (+2,8°C) do que com o novo (+2,1°C).

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Anomalia da temperatura
Figura 3. Anomalia da temperatura (°C) da água da Superfície do Mar no mês de setembro de 2026. O retângulo central na imagem mostra a região Niño 3.4, a qual os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (que define a ocorrência de eventos de El Niño e La Niña). Já o retângulo menor mostra a região Niño 1+2, que modula a qualidade de distribuição das chuvas, ou seja, sua regularidade de ocorrência no estado do RS. Fonte: Adaptado de CPTEC.

 A NOAA aumentou a probabilidade para um evento de intensidade muito forte (anomalias superiores a +2,0°C), de 98% para 100%, durante o trimestre Out/Nov/Dez/2026. Segundo essa previsão, este seria o trimestre onde ocorrerá o pico de intensidade do atual fenômeno climático El Niño. Lembrando que, eventos mais intensos nem sempre resultam em impactos meteorológicos e climáticos maiores. Mas, eles podem aumentar a probabilidade de ocorrência, assim como a intensidade. Além da influência do El Niño, os demais oceanos globais também estão com águas mais quentes que a média, sendo que uma atmosfera mais quente consegue armazenar mais vapor d’água. E, assim, alimentar sistemas que geram chuva, aumentando o potencial para episódios de precipitação e eventos extremos em determinadas regiões.

O bolsão de águas subsuperficiais com anomalias positivas de temperatura segue ativo e em intensificação ao longo dos últimos meses na região equatorial (Figura 4). Há áreas com anomalias acima de 8°C desde julho de 2026, aliás, a barra de cores foi modificada, para melhor representar o significativo aquecimento. E essas águas subsuperficiais estão aflorando em superfície e dando sustentação e intensidade ao El Niño, que ainda segue em intensificação.

Gráfico da Anomalia da temperatura (°C) subsuperficial Equatorial
Figura 4. Anomalia da temperatura (°C) subsuperficial das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico em relação à profundidade (de 0 a 300 m), entre os meses de julho a outubro de 2026. Pêntadas significam média de cinco dias consecutivos. Fonte: Adaptado de CPC/NCEP/NOAA.
Previsão de precipitação – trimestre novembro e dezembro/2026 e janeiro/2027 no RS

Para esse trimestre, o consenso do IRI (International Research Institute for Climate Society) indica que há 70% de probabilidade da precipitação ficar acima dos valores da NC em todo o RS. O modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, também prevê, para esses três meses, precipitações acima da NC, em todo o RS. Por sua vez, o modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê precipitações acima da NC durante o mês de novembro, com destaque para o Norte e Noroeste do Estado, onde os acumulados podem superar 300 mm. Lembrando que essas regiões influenciam em rios que banham a Metade Sul, como o Uruguai e o Jacuí. Para dezembro e janeiro, este modelo prevê acumulados mais próximos à NC (Figura 5). Ao se analisar um conjunto maior de modelos, mas que não estão expostos aqui, a convergência entre eles é de que as precipitações fiquem acima da NC durante estes próximos três meses, com destaque para o Norte, em novembro, para o Noroeste, em dezembro, e para o Oeste, em janeiro.

. Precipitação pluvial total (mm) e anomalia de precipitação (mm)
Figura 5. Precipitação pluvial total (mm) e anomalia de precipitação (mm) previstas para novembro e dezembro de 2026 e janeiro de 2027 no estado do RS. Fonte: adaptado de INMET.

O El Niño foi declarado pela NOAA e seus efeitos no aumento da frequência e dos volumes de precipitação já estão sendo observados. É importante ressaltar que o principal efeito do El Niño ocorre durante a primavera do primeiro ano (2026) e, em um segundo momento, durante o outono do ano seguinte (2027). Em anos de El Niño, há aumentos da nebulosidade, com consequente diminuição da radiação solar, da temperatura média do ar, mas sem extremos, e da umidade relativa do ar.

Em função disso, o produtor do RS deve ficar atento, na safra 2026/27, para alguns aspectos importantes:

  • Aproveitar os períodos secos para fazer a semeadura do arroz irrigado e das culturas de sequeiro em rotação, dentro do período recomendado; outubro é um mês importante para a semeadura do arroz, e o prognóstico não se mostra favorável;
  • Maior risco de enchentes em áreas próximas de rios. Logo, recomenda-se evitar grandes investimentos nessas áreas;
  • Para as lavouras de soja e milho em rotação, nas áreas baixas, priorizar um eficiente sistema de drenagem;
  • Com a primavera mais chuvosa, as janelas de semeadura serão menores e, possivelmente, haverá atraso na época de semeadura (arroz e soja). Semeaduras muito tardias devem ser evitadas, primeiro devido à redução de produtividade, em decorrência da menor disponibilidade de radiação solar e, segundo, devido ao impacto secundário do El Niño durante o outono de 2027, que poderá prejudicar a operação de colheita dessas culturas, devido ao maior volume e frequência de chuvas;
  • A brusone, principal doença fúngica do arroz, ocorre sob condições de temperaturas em torno de 28°C, alta umidade relativa do ar (>90%), maior nebulosidade e molhamento foliar, conforme recomendações da Comissão Técnica do Arroz (CTAR, 2025). Em anos sob El Niño, essas condições ocorrem com maior frequência. Dentre as práticas de controle dessa doença, atenção deve ser dada para a escolha de cultivares mais resistentes e para a adoção do manejo preventivo;
  • E, por último, mas não menos importante, é ficar atento ao sistema de irrigação para as culturas de sequeiro, como a soja, pois mesmo com El Niño durante a primavera-verão há o risco de ocorrer algum período de 10 a 15 dias sem chuvas, com consequente redução da produtividade de grãos.

Mantem-se a recomendação do acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias), como estratégia para aumentar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do RS nos próximos meses.

Fonte: IRGA



 

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Sustentabilidade

Custo de produção, logística e armazenamento desafiam a produção de arroz em Mato Grosso – MAIS SOJA

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Celebrado em 31 de outubro, o Dia Internacional do Arroz chama a atenção para a importância do cereal na alimentação e na agricultura. Em Mato Grosso, a data também é uma oportunidade para olhar para os desafios da produção. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado ocupa a quarta posição entre os maiores produtores de arroz do Brasil, mas enfrenta desafios para ampliar a participação da cultura no cenário agrícola nacional.

Os custos de produção, a distância dos armazéns especializados e as dificuldades de comercialização estão entre os principais obstáculos enfrentados pelos produtores rurais. Mesmo com os avanços tecnológicos e os ganhos de produtividade, a área destinada ao cereal no estado diminuiu ao longo da última década.

Dados da Conab, analisados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostram que a área cultivada com arroz em Mato Grosso passou de 152,50 mil hectares na safra 2015/2016 para 74,10 mil hectares em 2025/2026, uma redução de 51,41%. No mesmo período, a produtividade média aumentou 27,71%, mas não foi suficiente para compensar a diminuição da área. Com isso, a produção estadual caiu 37,94%, passando de 438,60 mil para 272,20 mil toneladas.

O cenário reflete as mudanças no uso das áreas agrícolas e a expansão de outras culturas, que ganharam espaço no planejamento dos produtores. A dificuldade de comercialização também pesa na decisão de investir no arroz, especialmente para quem não dispõe de estrutura própria de armazenamento.

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O produtor rural Allan Mafra, de Porto dos Gaúchos, conhece essa realidade. Segundo ele, além dos custos envolvidos no cultivo, o produtor enfrenta incertezas na hora de vender a produção, já que o preço pode variar significativamente entre o plantio e a colheita.

“Você coloca ele na terra, faz todo o investimento, todo o trabalho e, na hora da colheita, você descobre o preço que vai estar”, relata.

De acordo com Allan, diferentemente da soja, para a qual existem mecanismos de negociação que permitem ao produtor fixar antecipadamente o preço de parte da produção, o arroz apresenta mais dificuldades para esse tipo de planejamento. Ele explica que, em muitos casos, o preço cai no período da colheita e volta a subir meses depois.

Nesse cenário, ter condições financeiras para armazenar o cereal e esperar um momento mais favorável para a venda pode fazer diferença na rentabilidade. Porém, nem todos os produtores conseguem manter a produção estocada por tanto tempo.

Allan explica que praticamente toda a produção da região é entregue a um único armazém que recebe o cereal. Depois, o produto segue para grandes empresas beneficiadoras e distribuidoras, que abastecem mercados consumidores de diferentes regiões do país.

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A concentração dos pontos de recebimento limita as alternativas de comercialização e reforça a importância da estrutura de armazenagem para a atividade.

O produtor rural Darlan Welter, que trabalha com arroz e outras culturas agrícolas em Mato Grosso, também aponta a logística como um dos principais entraves. Segundo ele, a distância dos armazéns e a necessidade de contar com estruturas especializadas dificultam o escoamento da produção.

“Os principais desafios para produzir arroz em Mato Grosso são a logística e a distância dos armazéns. Não é qualquer armazém que sabe trabalhar com o cereal”, destaca.

Darlan também chama a atenção para a colheita. O arroz exige cuidados específicos e provoca desgaste significativo nas colheitadeiras, o que dificulta a contratação de serviços terceirizados, principalmente para produtores que não possuem máquinas próprias.

Para ele, o investimento em tecnologia e o manejo adequado são fundamentais para obter bons resultados. O produtor também ressalta que as características do solo e as condições de cada área precisam ser consideradas no planejamento da lavoura.

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Produção nacional e mercado

Enquanto Mato Grosso registra redução na área cultivada, a produção brasileira de arroz apresentou crescimento no período analisado pelo Imea. Entre as safras 2015/2016 e 2025/2026, a área nacional diminuiu 24,45%, mas o aumento de 38,31% na produtividade média contribuiu para elevar a produção em 4,46%, alcançando 11,08 milhões de toneladas.

A região Sul do país concentra aproximadamente 83% da produção brasileira. O Rio Grande do Sul, principal produtor nacional, respondeu por 70,62% do volume produzido na safra 2025/2026, com 7,82 milhões de toneladas.

Do lado da demanda, o consumo brasileiro de arroz passou de 10,50 milhões de toneladas na safra 2021/2022 para 10,80 milhões em 2025/2026, crescimento de 2,79%. A produção nacional é direcionada principalmente ao abastecimento interno, mas o país também participa do comércio internacional.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) reunidos na análise do Imea, as exportações brasileiras somaram 1,31 milhão de toneladas entre janeiro e setembro de 2026, com receita de US$ 388,66 milhões. Em Mato Grosso, os embarques chegaram a 3,37 mil toneladas no mesmo período, gerando US$ 2,03 milhões.

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Os números mostram que, embora a produção mato-grossense tenha diminuído ao longo da década, o arroz estadual continua atendendo ao mercado interno e participando, ainda que de forma complementar, das exportações brasileiras.

Rotação de culturas amplia o papel do arroz

Além da produção de alimentos e da geração de renda, o arroz pode desempenhar uma função importante no planejamento das lavouras. Quando inserido em sistemas de rotação, o cereal contribui para diversificar as culturas, interromper ciclos de determinadas pragas e doenças e favorecer o manejo do solo.

O assessor de Agricultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Alex Rosa, explica que a alternância entre culturas com características diferentes ajuda a reduzir problemas fitossanitários e melhora o aproveitamento dos recursos disponíveis no sistema produtivo.

A rotação também contribui para diversificar os sistemas radiculares, favorecer a agregação do solo, melhorar a infiltração de água e promover a ciclagem de nutrientes. A cobertura vegetal deixada após a colheita, por sua vez, ajuda a proteger a superfície do solo contra a erosão e as variações de temperatura.

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No caso do arroz, a cultura pode integrar sequências com soja, milho e plantas de cobertura, como milheto e braquiária. O planejamento deve considerar as características da área, a época de semeadura, a disponibilidade de água e o intervalo adequado entre os cultivos.

O arroz de terras altas também apresenta características que favorecem seu uso em determinadas áreas de transição para a agricultura, pois tolera melhor a acidez do solo e a presença de alumínio do que a soja. Isso, porém, não elimina a necessidade de correção da fertilidade e de um manejo adequado.

Alex ressalta que “os benefícios dependem da condução do sistema produtivo. A repetição do arroz na mesma área, sem o intervalo necessário, pode aumentar a incidência de doenças, como a brusone, além de outros problemas fitossanitários. Por isso, a diversificação precisa ser acompanhada de planejamento técnico”, explica Alex.

A cultura também exige atenção à disponibilidade de água, especialmente nas fases reprodutivas, quando a falta de chuva pode comprometer a produtividade. Em Mato Grosso, a época ideal para o plantio do arroz de terras altas (sequeiro) vai de outubro a dezembro, coincidindo com o início das chuvas da primavera e do verão.

Autor/Fonte: CNA AGRO

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IMEA: Esmagamento de soja em MT cresce 4,74% e registra recorde no acumulado do ano – MAIS SOJA

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O esmagamento de soja em Mato Grosso alcançou um recorde no acumulado de janeiro a setembro de 2026. De acordo com dados analisados pelo Instituto Mato-grossensse de Economia Agropecuária (Imea), as indústrias do estado processaram 10,42 milhões de toneladas durante esse período, um volume 4,74% superior ao registrado nos nove meses de 2025.

Conforme aponta o instituto, esse é o maior desempenho da série histórica e está relacionado à maior disponibilidade de soja nas últimas duas safras. Além disso, a produção recorde do grão e os ganhos de eficiência das unidades industriais, que vêm utilizando cada vez mais a capacidade de processamento, contribuíram para esse crescimento.

A perspectiva também é positiva para o fechamento do ano. O Imea projeta que o esmagamento alcance 13,66 milhões de toneladas no ciclo atual, o que deve resultar num crescimento de 5% em relação ao ano passado. Caso a estimativa se confirme, o setor poderá estabelecer um novo recorde anual.

Para a coordenadora de inteligência econômica do Imea, Laysa Avalos, a combinação entre a oferta de matéria-prima e o melhor aproveitamento da estrutura industrial colabora para ampliar o processamento.

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“A maior disponibilidade de soja permite que as indústrias mantenham volumes elevados de atividade, enquanto o uso mais eficiente da capacidade instalada favorece o avanço do processamento. Esse cenário ajuda a explicar o recorde alcançado nesse acumulado de 2026”, diz.

Em setembro, mesmo com o estado tendo um registrado processamento de 1,01 milhão de toneladas, os dados mostram uma redução de 12,80% em relação a agosto. Esse resultado mensal no esmagamento foi influenciado pelas paradas anuais para manutenção de unidades industriais, mas, ainda assim, a retração pontual não alterou o desempenho positivo do esmagamento da soja.

“O avanço do esmagamento demonstra o potencial de Mato Grosso para transformar parte da produção agrícola em produtos industrializados no próprio território. Esse processo amplia as possibilidades de agregação de valor à soja e contribui para fortalecer a cadeia produtiva estadual”, diz a coordenadora de inteligência econômica do Imea.

Laysa destaca ainda que a atividade favorece a economia estadual, pois movimenta a indústria, os serviços associados ao processamento e a logística, além de contribuir para a geração de empregos e renda.

O esmagamento da soja é o processo pelo qual os grãos são transformados em produtos como óleo de soja e farelo. O óleo é utilizado na alimentação humana e na produção de biodiesel, enquanto o farelo vai para a fabricação de rações para aves, suínos, bovinos e outros animais.

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Fonte: Sistema Famato



 

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