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8 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

Com o fim do vazio sanitário, Aprosoja MT reforça os detalhes que definem a largada da safra

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Umidade no solo, qualidade das sementes e plantadeira revisada seguem no centro das decisões neste início de plantio

Terminou neste domingo (06.09) o vazio sanitário da soja em Mato Grosso. Ao longo de noventa dias, a proibição de manter plantas vivas de soja no campo cumpriu uma função técnica específica, que é interromper o ciclo do fungo causador da ferrugem asiática. Nas fazendas, o período foi usado para preparar o terreno da nova temporada. Correção de solo, revisão de máquinas e armazenamento de sementes já estão resolvidos na maior parte das propriedades, e a atenção agora se volta para as variáveis que só o momento do plantio define.

Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), é justamente neste período que a produtividade começa a ser construída, no encaixe entre o que foi planejado e a leitura de campo feita no dia da operação. O vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, resume os dois pontos que concentram a maior parte da atenção nesta virada de calendário.

“A principal coisa que temos que analisar antes de iniciar um plantio é a umidade no solo. Primeiro, para dessecar a área, se ela precisa ser dessecada, se não foi feito um manejo pós-colheita, para começar com a lavoura no limpo. Então, tendo umidade boa no solo, tendo a lavoura já dessecada ou limpa, eu acho que a semente é o principal insumo do plantio. Tem que ter o maior cuidado com ela. Ela deve estar bem tratada, bem armazenada, já para ir para a plantadeira, para plantar”, afirma. O dirigente reforça que a combinação entre esses dois fatores tem efeito prolongado sobre a safra. “A umidade no solo e a semente são as duas coisas que têm que ser observadas com muita atenção pelo produtor, porque, se plantou no solo com pouca umidade, com certeza vai ter problema de germinação. E lá na frente isso pode acarretar em queda de produção”, explica.

A delegada coordenadora Taisa Botton, do Núcleo de Lucas do Rio Verde, descreve a rotina. “O que a gente não abre mão, o que sempre é posto à mesa, é justamente a gente fazer a colheita e, na sequência, já fazer o manejo. O nosso manejo é relativamente extenso, porque temos uma área um tanto quanto mais arenosa, então nós sempre estamos mexendo, já vindo com pós-colheita do milho, ou uma grade, ou um subsolador, dependendo do que a área pede, e na sequência calcário”, relata.

Com as primeiras chuvas registradas, a etapa seguinte já foi acionada. “Quando dão os primeiros pinguinhos de chuva, como aconteceu no último final de semana para nós, já entramos com pré-emergente, para quando efetivamente chover a gente estar com tudo redondinho, a plantadeira revisada, a semente no barracão, o manejo do solo já concluído. São pequenos elos que no final vão fazendo toda a diferença. Muitas vezes a gente atrasa um pouquinho o manejo, e quando chega na hora do plantio tem que atrasar um, dois dias, a gente perde a umidade do solo, não é algo interessante. Então sempre a gente procura estar trabalhando com a maior efetividade e celeridade possível dentro da fazenda”, completa.

Com o preparo concluído, restam os pequenos ajustes na operação. “Os ajustes da plantadeira são a conferência via sistema elétrico, hidráulico e a calibração do vácuo. Já a profundidade vai muito do clima e é feita manualmente na hora do plantio, e a velocidade é sempre a mesma”, detalha Taisa Botton. A profundidade de semeadura depende da leitura do dia. “Se você coloca uma semente muito rasa e dá uma chuva muito forte, corre risco dessa semente ser levada embora. Se você faz uma plantabilidade numa profundidade mais alta e posteriormente tem um período de estiagem, pode haver algum problema”, observa.

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O conjunto desses ajustes, regulagem, profundidade e velocidade de operação, converge para um mesmo objetivo, que é a emergência uniforme. Plantas que nascem no mesmo intervalo competem menos entre si, respondem de forma homogênea às aplicações e chegam à colheita com maturação alinhada, o que reduz perdas e facilita o manejo ao longo de todo o ciclo.

Ao lado do associado em todas as etapas do plantio, a Aprosoja MT mantém o programa Semente Forte disponível desde 19 de agosto e durante toda a janela de semeadura, com coleta de amostras por amostrador oficial e análise laboratorial de germinação, vigor e sanidade. O resultado permite ajustar a densidade de semeadura ao desempenho real do lote e dá respaldo ao produtor caso o material não atenda ao padrão contratado.

Previsão do tempo – Mesmo com o preparo concluído, o clima mantém a atenção alta. “Eu acho que essa safra está uma incógnita. Quando você fala em El Niño, todo mundo fica com o pé atrás com relação a chuvas”, pondera Gilson. O impasse está na decisão de quando entrar. “Se plantar cedo e lá na frente der um veranico, isso pode atrapalhar ou pode até comprometer a produtividade. É uma safra de muita atenção, eu diria, de muito cuidado, de muito zelo, mais do que os outros anos”, acrescenta.

No campo, a expectativa é positiva, mas calibrada. “Logicamente que a gente fica com uma expectativa alta. Afinal, um produtor que produz apenas soja e milho, considerando a soja, você está falando de praticamente dois terços do seu faturamento”, avalia Taisa. “A gente tem uma boa perspectiva, mas sempre com o pé no chão. Sabendo que é um ano delicado, pode sim acontecer replantio, pode sim acontecer quebra de safra, e para isso a gente precisa estar ajustado tanto no operacional como também na nossa gestão com relação ao fluxo de caixa”, conclui.

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Agro Mato Grosso

Produtores rurais carregam no campo o orgulho de ser brasileiro

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Por meio do programa Pátria no Campo, Aprosoja MT incentiva o sentimento de pertencimento e amor à pátria

O amor pelo verde e amarelo da bandeira do Brasil já é um sentimento cravado no coração de cada brasileiro, principalmente daqueles que trabalham para manter o país em movimento. Neste dia 7 de setembro, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) comemora a Independência do Brasil, data que relembra a luta e o sonho dos brasileiros por um país livre. Ao longo dos anos, a Aprosoja MT distribuiu centenas de bandeiras aos produtores rurais por meio do programa Pátria no Campo.

Com mais de sete anos de criação, o projeto já distribuiu mais de 15,5 mil bandeiras aos produtores rurais de Mato Grosso para reforçar o amor à pátria. Mesmo com as dificuldades do dia a dia no campo, os produtores seguem trabalhando e mantendo a esperança em um dia melhor. O produtor rural de Canarana, Geovani Dalagnol, contou sobre o sentimento de ter uma bandeira do Brasil hasteada na propriedade.

“Para mim, a bandeira do Brasil na propriedade é como um legado passado de pai para filho, que eu carrego todos os dias quando acordo. Eu tenho a bandeira na frente da sede da fazenda e, todos os dias, na primeira cuia de chimarrão que nós tomamos, a primeira bandeira que eu vejo é a bandeira do Brasil. Esse é o legado que eu quero carregar e passar para os meus filhos”, contou.

Geovani destaca que a família já está na quinta geração de produtores no país e que é muito grato aos antepassados por terem escolhido o Brasil para prosperar. Além disso, ele ressalta a importância do produtor rural para o desenvolvimento do país.

O amor à bandeira também representa uma escolha de quem decidiu lutar pelo país. A delegada do núcleo de Campo Novo do Parecis, Andreia Stefanello, explicou que sente orgulho de ser apaixonada pelo Brasil e de fazer parte de um movimento que honra a bandeira.

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“A gente aprendeu o patriotismo na escola e houve um tempo em que ele ficou levemente adormecido. Ele está sendo resgatado pela Aprosoja MT, pela comunidade agropecuária, pelo pessoal da agricultura, da pecuária, do campo e pelo povo apaixonado pelo nosso país. A bandeira é o símbolo máximo de todo sentimento de pertencer a uma comunidade, de pertencer a uma nação. Ela é o símbolo da união de todos os brasileiros. E quando você tem a honra de hastear uma bandeira na sua casa, na propriedade, você consegue comunicar com todos os outros brasileiros a intensidade desse sentimento, a paixão que você consegue transferir de dentro da sua casa, da sua família, e alcançar todos os outros que estão perto de você”, explicou.

O sentimento de ser brasileiro é, para Andreia Stefanello, muito mais do que pertencer ao país. Escolher o Brasil todos os dias é uma honra, principalmente por fazer parte de uma nação formada por pessoas guerreiras, que trabalham e não desistem dos seus sonhos.

Assim como a bandeira representa a identidade de um país, o trabalho do produtor rural também faz parte da construção diária do Brasil. É no campo que milhares de famílias produzem alimentos, geram empregos e movimentam a economia. Para esses produtores, manter a bandeira hasteada na propriedade é também uma forma de demonstrar orgulho pela terra onde escolheram construir suas histórias.

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Agro Mato Grosso

Mato Grosso abre os portões para a safra 2026/27

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Fim do vazio sanitário libera o plantio de soja no maior produtor do país; no entanto, com a terra seca e o sol escaldante de setembro, a cautela dita o ritmo nos galpões do interior.

Depois de 90 dias de silêncio forçado nos campos — período vital em que a terra descansa sem uma única folha verde de soja para cortar o ciclo da ferrugem asiática —, Mato Grosso finalmente deu a partida oficial para a safra 2026/27 neste domingo (6).

O encerramento do vazio sanitário, confirmado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja Mato Grosso), libera a entrada dos tratores. Mas, se no papel a porteira está aberta, no chão da roça a história exige o tempo certo.

Quem vive o dia a dia do campo sabe que o calendário do papel nem sempre bate de primeira com o ritmo das nuvens.

O fim do bloqueio é o sinal verde para engatar a primeira, mas o produtor mato-grossense aprendeu no suor que semente jogada no pó é aposta alta demais.

A dança entre o termômetro e o pluviômetro

Nos galpões de Sorriso, BR-163 adentro e por todo o Vale do Araguaia, o movimento é de ajustes finais. As plantadeiras passaram por revisão rigorosa, os lotes de semente foram conferidos no detalhe e o óleo diesel está nos tanques. O que falta para a maquinaria ganhar o trecho de vez é a chuva firmar.

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  • O termômetro do solo: Com o calor sufocante e a baixa umidade que marcam o início deste mês, os agrônomos e produtores acompanham as previsões com lupa. A orientação é esperar que a umidade do solo garanta uma germinação uniforme e sem sustos.
  • A engrenagem do safrinha: O planejamento de agora é a matemática que garante o sucesso de 2027. Semeando na janela certa, o agricultor protege a soja de hoje e garante o espaço para o milho e o algodão que vêm logo na sequência.
  • Sanidade em primeiro lugar: Os três meses sem plantas hospedeiras cumpriram o papel de “limpar” o ambiente, reduzindo drasticamente a incidência do fungo Phakopsora pachyrhizi e aliviando a pressão de defensivos para o início da cultura.

Expectativa que movimenta a economia do estado

O início de mais um ciclo do ouro verde aciona uma engrenagem gigantesca que vai muito além das cercas das fazendas. Do motorista de caminhão ao comércio das cidades do interior, Mato Grosso volta a girar no ritmo do agronegócio, pronto para reafirmar sua posição de liderança no abastecimento global de grãos.

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Agro Mato Grosso

Seleção em laboratório gera alta resistência de Crocidosema a Cry2Ab2

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Linhagem apresentou resistência superior a 15 mil vezes, sem resistência cruzada a Cry1Ac e Cry1A.105

Pesquisadores selecionaram em laboratório uma linhagem de Crocidosema sp. com resistência superior a 15 mil vezes à proteína Cry2Ab2. Seu estudo apontou herança incompletamente recessiva, participação de um gene de efeito maior e ausência de resistência cruzada a Cry1Ac e Cry1A.105. Os resultados reforçam a necessidade de manejo da resistência em soja Bt.

A seleção partiu de uma população coletada em soja não Bt em Capão Bonito do Sul, no Rio Grande do Sul. Em cada uma das nove gerações consecutivas de seleção, as neonatas foram expostas por seis dias a folhas de soja com Cry2Ab2; as larvas sobreviventes seguiam para dieta artificial até a pupação. A mortalidade caiu de 96,5% na primeira geração para 8,9% na nona. Os bioensaios do estudo foram conduzidos entre a nona e a décima quinta geração após a seleção.

Bioensaios com dieta

Nos bioensaios com dieta, a concentração letal para 50% dos insetos suscetíveis atingiu 0,24 nanograma por centímetro quadrado. Na linhagem resistente, a mortalidade permaneceu abaixo de 19% mesmo nas maiores concentrações avaliadas. As concentrações letais superaram 3.600 nanogramas por centímetro quadrado, a maior dose testada, e a baixa mortalidade impediu o ajuste do modelo probit.

Cruzamentos recíprocos indicaram herança predominantemente autossômica. Os pesquisadores não descartaram efeito materno. As estimativas de dominância variaram de 0,08 a 0,25 em dieta e de 0,16 a 0,26 em folhas de soja com Cry2Ab2. Os valores caracterizam resistência incompletamente recessiva.

Suscetibilidade mantida

A linhagem resistente manteve suscetibilidade a Cry1Ac e Cry1A.105. As razões de resistência foram de 0,34 e 0,31, ou seja, a linhagem selecionada mostrou-se ainda mais suscetível a essas proteínas do que a suscetível. Sojas com Cry1Ac ou Cry1A.105 controlaram os insetos resistentes a Cry2Ab2, assim como a combinação de Cry1Ac, Cry1A.105 e Cry2Ab2.

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Os ensaios não apontaram custo adaptativo aparente associado à resistência. A linhagem resistente levou cerca de quatro dias a mais para chegar à fase adulta, mas apresentou taxa intrínseca de crescimento populacional de 0,112 por dia, frente a 0,098 por dia na suscetível, com aptidão relativa de 1,14. Segundo o estudo, a ausência desse custo pode favorecer a persistência dos alelos de resistência no campo.

O trabalho foi realizado pelos cientistas Venicius E. Pretto, Jéssica L. S. Grzybowski, Otavio Liberalesso, Daniela N. Godoy, Arthur Dallanora, Marylia P. Cargnin, Renato J. Horikoshi, Sandy S. Silva, Ramiro F. L. Ovejero, Leonardo Miraldo, Samuel Martinelli, Graham P. Head e Oderlei Bernardi.

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