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Roda de conversa encerra Agosto Lilás com alerta sobre violência contra a mulher

Encontro reuniu profissionais da rede de proteção, representantes do Ministério Público, Polícia Militar, pacientes e residentes para reforçar a importância da prevenção, informação e denúncia
Para encerrar as ações do Agosto Lilás, o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) e o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) realizaram, na manhã desta segunda-feira (31), uma roda de conversa voltada à conscientização, à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
O encontro reuniu profissionais da rede de proteção, entre elas a tenente-coronel da Polícia Militar Raíssa Helena, representantes do Ministério Público, por meio do Núcleo de Violência Sexual (NAVES), além de residentes da Escola de Saúde Pública e pacientes atendidos pelo serviço. O momento proporcionou diálogo, troca de experiências e, principalmente, um espaço de reflexão sobre um tema que precisa ser enfrentado por toda a sociedade.
Para a responsável técnica do SAE/CTA, Lidiane Cunha Siqueira, a iniciativa reforça que o combate à violência contra a mulher é uma responsabilidade coletiva.
“Encerramos o Agosto Lilás com uma roda de conversa que nos mostrou a importância de falar, ouvir e não permanecer em silêncio. A violência contra a mulher não é um problema de uma pessoa só, é uma responsabilidade de todos nós. Quando fortalecemos a informação, a escuta e a parceria entre os serviços, conseguimos ampliar a rede de proteção e mostrar que nenhuma mulher está sozinha”, destacou Lidiane.
A atividade também fortaleceu a integração entre o Município e os demais órgãos que atuam na prevenção e no enfrentamento das violências sexual e doméstica. Mais do que marcar o encerramento do Agosto Lilás, o encontro reforçou uma mensagem que precisa permanecer durante todo o ano: violência não é normal, não deve ser silenciada, e denunciar pode ser o primeiro passo para romper esse ciclo.
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Bombeiros salvam bebê de 24 dias engasgado após pais pedirem socorro em quartel de Comodoro

Militares utilizaram a Manobra de Heimlich para desobstruir as vias aéreas do recém-nascido, que voltou a respirar normalmente em poucos instantes
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) salvou a vida de um bebê de 24 dias, na noite desta quarta-feira (21.10), após um episódio de engasgo, em Comodoro (a 639 km de Cuiabá).
A ação foi conduzida pela equipe do 5º Núcleo Bombeiro Militar (5º NBM) após os pais pedirem socorro na unidade operacional pela situação de emergência do recém-nascido, um menino de 24 dias.
Os bombeiros agiram de forma imediata, utilizando a Manobra de Heimlich para desobstrução das vias aéreas.
Logo após os procedimentos, o bebê voltou a respirar normalmente e foi devolvido aos pais que foram orientados a levar a criança para a uma unidade hospitalar para avaliação médica.
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Neurociência cognitiva e pobreza na infância

Muitos grupos de pesquisa estão estudando a relação entre o status socioeconômico e o desenvolvimento infantil sobre a perspectiva da neurociência. Algumas pesquisas têm mostrado diferenças estruturais e funcionais de cérebros de crianças de diferentes status socioeconômico.
Diferenças no volume do hipocampo de crianças pobres tem sido atribuída ao estresse e comportamento materno, o que sustentaria a hipótese de que o desenvolvimento cerebral seja vulnerável aos efeitos da pobreza, embora a neurociência defenda que o cérebro possa se modificar em resposta aos ambientes em qualquer idade.
Toda pesquisa tem sua motivação. A atividade científica não começa com a coleta de dados. O cientista, como todos os indivíduos, é guiado por suas crenças. A observação, a coleta de dados, e as experiências são feitas de acordo com determinados interesses e, conforme certas expectativas ou ideias preconcebidas. Não existem, portanto, observações puras, sem ideias preconcebidas.
É fácil identificar a intenção original dos pesquisadores de mapear os impactos da pobreza no cérebro infantil como uma estratégia para justificar investimentos e políticas públicas. O que, do ponto de vista de desenho da pesquisa e sua validade, não constitui um problema. Mas, alguns críticos apontam para riscoséticos, conceituais e metodológicos que devem ser levados em consideração (Veja DeJoseph, Meriah et al, 2024).
Ao focar excessivamente em imagens cerebrais que mostram menor volume cortical ou menor atividade no córtex pré-frontal de crianças de baixa renda, cria-se a narrativa de que o cérebro do pobre é “defeituoso”, “danificado” ou “biologicamente inferior”, o que geraria uma patologização da pobreza. Se existe mobilidade social, como alguns indivíduos conseguem sair dessa condição se seus cérebros têm problemas?
Um impacto social da formulação de neurocientistas é que esse determinismo biológico pode reforçar estereótipos racistas e de classe, levando educadores e a sociedade a acreditarem que essas crianças têm uma limitação intrínseca e irreversível na capacidade de aprender.
Além disso, a neurociência pode desviar a atenção das causas sociológicas, macroeconômicas e políticas da desigualdade, transferindo a responsabilidade exclusivamente para o indivíduo.
Vários cientistas da educação argumentam que esses estudos trazem de volta a antiga teoria do “déficit cultural” sob uma nova roupagem biológica. Essa teoria defendeque o fracasso escolar e social de grupos de baixa renda ou minorias ocorre porque suas culturas de origem possuem deficiências, lacunas de estímulos ou falta de valores educacionais adequados, em comparação com a cultura dominante.
O déficit cultural atribui o baixo desempenho dos alunos a supostos ambientes familiares pobres em estímulos verbais, afeto ou interesse pela escola. Ou seja, transforma uma desigualdade estrutural e socioeconômica em um suposto “defeito” ou incapacidade intrínseca do aluno e de sua família.
Durante a década de 1970, a teoria do déficit cultural teve forte influência no Brasil. A infância das classes populares passou a ser vista sob a ótica da carência (nutricional, afetiva, cultural e linguística). Isso moldou o formato das creches e pré-escolas da época.
E ajudou a criar e difundir o estereótipo do “aluno carente”: consolidou-se no imaginário docente a ideia de que o aluno da escola pública era alguém “sem cultura”, “sem limites” e com famílias “desestruturadas”. Sabemos que esta ideia não se sustenta enquanto generalização.
A pobreza não é um fator isolado. Embora ela se manifeste junto com violência no bairro, instabilidade familiar e poluição, sua manifestação social não coincide com sua expressão econômica. Isolar o que é “efeito da pobreza” no cérebro em modelos estatísticos é extremamente complexo, e muitos estudos falham ao tentar simplificar essa teia causal.
Dizer que, em média, o grupo de menor renda tem menor volume em certas áreas cerebrais não significa que toda pessoa pobre tenha essa alteração. Há uma enorme sobreposição de dados entre indivíduos ricos e pobres, mas o discurso público costuma ignorar essa variação individual.
O interesse dos neurocientistas que estudam a relação entre desenvolvimento do cérebro e pobreza tem motivações nobres, mas, na ciência, isso não é suficiente para se chegar a resultados falsificáveis e reconhecidos pela comunidade científica.
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André L. Ribeiro-Lacerda é psicólogo social, ecologista do comportamento e professor de ciência, tecnologia e sociedade na UFMT, campus Várzea Grande.
Agro Mato Grosso
Alunas de escola do campo em MT produzem seis tipos de pomadas com plantas medicinais

Projeto em Barra do Garças reúne três estudantes e pesquisa o uso de espécies vegetais do Cerrado mato-grossense.
Alunas da Escola Estadual de Campo Heronides Araújo, localizada na zona rural de Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá, estão desenvolvendo pomadas naturais a partir de plantas medicinais como parte de um projeto de pesquisa sobre os saberes tradicionais do Cerrado mato-grossense. A iniciativa reúne três estudantes e investiga o uso de espécies vegetais na produção de seis tipos de pomadas.
A iniciativa começou há cerca de quatro meses. O diretor da escola, Eugênio Marcos de Sousa, informou que a equipe já tinha uma horta com plantas medicinais e decidiu pesquisar formas de utilizá-las na produção das preparações.
“Esse projeto começou com uma ideia que tivemos assim que a Fapemat divulgou o edital. Nós já havíamos pensado nessa questão das plantas medicinais na escola, tanto que temos uma horta”, contou.
O projeto é desenvolvido por Eugênio e pela professora de matemática e bióloga Fabiane Borges de Souza, com a participação de três estudantes: Marcela Matos Luz Vieira, do 8º ano das salas anexas; Yasmin Lorraine Queiroz Nero, do 8º ano; e Gabrielle Mutzenberg Morais, do 2º ano do ensino médio, ambas da sede da escola.
As estudantes fazem parte do grêmio estudantil. De acordo com o diretor, a professora Fabiane teve a ideia inicial e mobilizou as alunas para participar da pesquisa.
Os produtos são feitos de forma caseira, em um espaço adaptado na escola, e não possuem regulamentação sanitária para comercialização. As pomadas fazem parte do projeto de pesquisa e, até o momento, não são produtos regularizados para venda.
Seis tipos de pomadas
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Projeto produz seis tipos de pomadas naturais, incluindo versões para dores musculares, queda capilar e ação repelente. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
As estudantes produzem seis preparações: pomada para dores musculares, antiqueda capilar, anti-idade, repelente, cicatrizante e uma versão chamada de “Vick natural”, inspirada em produtos tradicionais usados para aliviar desconfortos respiratórios.
Os ingredientes variam conforme a finalidade de cada preparo. A pomada para queda capilar, por exemplo, leva folhas de goiaba e amora, além de canela e cravo. Já a versão repelente utiliza citronela e eucalipto.
A pomada cicatrizante contém açafrão e barbatimão. Para a preparação chamada de “Vick natural”, são utilizadas folhas de hortelã, eucalipto e poejo.
O diretor explicou que a escolha dos ingredientes e a consistência das preparações foram definidas a partir das pesquisas realizadas pela equipe.
“Para dar consistência à pomada, tivemos a ideia de usar a cera de abelha. Dependendo da preparação, também mudamos os óleos utilizados, conforme as pesquisas feitas pelas meninas”, relatou.
Além das pomadas, as estudantes também começaram a pesquisar a extração dos óleos vegetais para disponibilizá-los separadamente.
Produção dentro da escola
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Pomadas são produzidas de forma caseira em espaço adaptado na escola estadual, em Barra do Garças. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
As pomadas são produzidas em um espaço improvisado na biblioteca da escola, adaptado para funcionar como laboratório. Inicialmente, a equipe utilizava um fogão elétrico de duas bocas, mas, com os recursos do projeto, comprou um equipamento de quatro bocas.
Segundo o diretor, as primeiras preparações foram apresentadas a familiares, professores e integrantes da Diretoria Regional de Educação (DRE). A equipe recebeu avaliações positivas e pedidos de novas unidades.
“Por exemplo, a nossa pomada mágica, que é para dor muscular, já disseram que é muito boa, excelente. Inclusive, já nos solicitaram mais”, destacou.
Entre os produtos que receberam comentários favoráveis também estão as versões para queda capilar e cicatrização, conforme o diretor.
Planos para o futuro
Atualmente, parte das plantas utilizadas no projeto é cultivada na própria escola, como hortelã, goiaba, poejo, guaco, eucalipto, capim-limão e babosa. A equipe pretende ampliar o cultivo com novas espécies para dar continuidade às pesquisas.
O objetivo inicial é divulgar o projeto e compartilhar o conhecimento produzido pelas estudantes. No futuro, a equipe pretende buscar um espaço próprio para a fabricação das pomadas e avaliar a possibilidade de comercializá-las para a comunidade.
“Quem sabe, lá na frente, a gente consiga fazer na escola um local próprio para isso e comercializar essas pomadas para a comunidade, com um preço acessível a todas as pessoas”, afirmou Eugênio.
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A horta inclui plantas como hortelã, babosa, guaco, poejo e eucalipto. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
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