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Bombeiros apagam dois incêndios, mas travam batalha contra o fogo em 5 cidades de MT

Ação ininterrupta conta com aviões, Força Nacional e apoio de maquinários de produtores rurais. Chamas ameaçam região da cabeceira do Rio Cuiabá
Corpo de Bombeiros extingue dois incêndios florestais e combate cinco neste sábado (8)
Os militares atuam de forma ininterrupta para conter o avanço das chamas, impedir a propagação do fogo e extinguir os focos ativos
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) extinguiu dois incêndios florestais nas últimas 24 horas e atua, neste sábado (8.8), no combate a cinco ocorrências nos municípios de Rosário Oeste, Nova Santa Helena, Novo São Joaquim, Dom Aquino e Juara.
Os incêndios extintos estavam localizados nos municípios de União do Sul e Boa Esperança do Norte. Apesar do combate às chamas, as equipes seguem monitorando as áreas para prevenir possíveis reignições e o surgimento de novos focos.
Além disso, outras equipes seguem concentradas no combate aos incêndios florestais registrados em Rosário Oeste, nas proximidades da cabeceira do Rio Cuiabá, e nos municípios de Novo São Joaquim, Dom Aquino e Juara. Os militares seguem ainda com a operação em uma área de assentamento localizada na divisa entre os municípios de Marcelândia, Cláudia e Nova Santa Helena. As ações contam com o emprego de viaturas, aeronaves e equipes especializadas.
Na área do assentamento, embora grande parte do incêndio esteja concentrada em território federal, as equipes atuam de forma ininterrupta para impedir o avanço das chamas para áreas estaduais, além de combater e extinguir os focos ativos. No local, os trabalhos são reforçados pela atuação de brigadistas, equipes da Força Nacional e pelo apoio de produtores rurais da região, que disponibilizaram máquinas para auxiliar nas ações de combate ao incêndio.
Em todas as ocorrências, as ações são conduzidas de forma estratégica, com foco no combate direto às chamas, no monitoramento das áreas atingidas e na proteção de vidas, propriedades rurais e do meio ambiente.
As ações contam com o apoio do Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM), da Defesa Civil Estadual, do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e da Polícia Militar, que atuam de forma integrada, sempre que necessário, reforçando a estrutura empregada no enfrentamento aos incêndios florestais em todo o Estado.
Focos de calor
Em Mato Grosso, foram registrados cinco focos de calor nas últimas 24 horas, conforme a última checagem realizada às 17h no Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados são do Satélite de Referência (Aqua Tarde).
Desse total, três focos de calor foram registrados na Amazônia e dois no Cerrado. Em terras indígenas, foram identificados quatro focos, sendo dois focos na n Terra Indígena Parque Ido Xingu, em Paranatinga; um foco na Terra Indígena Parabubure, em Campinápolis e um foco na Terra Indígena São Marcos, em Barra do Garças.
É importante destacar que um foco de calor, isoladamente, não caracteriza um incêndio florestal. O foco de calor é um indicativo de uma área com temperatura elevada, detectada por satélites, que pode ou não estar associada à ocorrência de fogo.
Já um incêndio florestal, em geral, é identificado pelo conjunto de diversos focos de calor concentrados em uma mesma área. No caso das terras indígenas, o combate aos incêndios deve ser realizado por órgãos do Governo Federal, uma vez que o Estado não possui autorização para atuar.
Fiscalização – Operação Infravermelho
O Corpo de Bombeiros Militar também realiza o monitoramento do uso irregular do fogo nos municípios de Brasnorte e Apiacás, no âmbito da Operação Infravermelho. Esse monitoramento é realizado a partir da Sala de Situação Central, instalada no Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), em Cuiabá.
Com o apoio de imagens de satélite e outras tecnologias, a operação tem como objetivo identificar, de forma antecipada, áreas com risco de incêndio florestal ou onde o fogo já tenha sido iniciado de maneira ilegal, atuando tanto na prevenção quanto na responsabilização dos infratores.
Incêndios extintos
Desde o início do período proibitivo do uso do fogo em Mato Grosso, o Corpo de Bombeiros Militar já atuou na extinção dos incêndios nos municípios de Boa Esperança do Norte, Canarana, Dom Aquino, Chapada dos Guimarães, Colniza, Guarantã do Norte, Guiratinga, Nova Maringá, Paranatinga, Ribeirão Cascalheira e São Felix do Araguaia e União do Sul.
Proibição do uso do fogo
O CBMMT reforça o alerta à população sobre a proibição do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, entre 1º de julho e 30 de novembro de 2026. Nas áreas urbanas, o uso do fogo é proibido durante todo o ano.
O uso irregular do fogo pode configurar crime ambiental e está sujeito às penalidades previstas em lei. Além de ser proibida, a prática representa riscos à segurança pública, à saúde da população e ao meio ambiente. Casos de uso irregular do fogo, inclusive em áreas urbanas, devem ser denunciados pelos números 193 (Corpo de Bombeiros Militar) ou 190 (Polícia Militar).
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Irmãos são esfaqueados durante confusão e Força Tática caça agressores em Sorriso

Um dos suspeitos foi flagrado ainda com a faca na mão, enquanto o comparsa tentou se esconder em um matagal. Vítima mais grave foi esfaqueada nas costas e no ombro
Policiais militares da Força Tática do 3º Comando Regional prenderam em flagrante, na madrugada deste domingo (9.8), dois homens, de 25 e 38 anos, suspeitos por tentativa de homicídio, no município de Sorriso. Dois irmãos foram esfaqueados, após desentendimento com os denunciados.
Durante patrulhamento tático no bairro São Mateus, as equipes receberam informações sobre uma briga generalizada. Os militares localizaram um dos suspeitos portando uma faca em mãos, momento em que foi abordado e detido. Já o segundo suspeito foi encontrado escondido em uma região de mata.
Em seguida, os policiais identificaram um homem, de 42 anos, com duas perfurações pelo corpo, sendo um nas costas e outro no ombro. O homem foi socorrido por uma equipe do Corpo de Bombeiros até uma unidade de saúde.
À PM, a vítima relatou que havia sido atingido pelos suspeitos e que o seu irmão, de 29 anos, também estava ferido. O homem apresentava lesões superficiais nas costas e dispensou atendimento médico.
Diante dos fatos, os policiais militares conduziram a dupla à delegacia para registro do boletim de ocorrência.
Agro Mato Grosso
Futuro em Campo reúne mais de 100 crianças em escola de Gaúcha do Norte

O projeto da Aprosoja MT foi realizado na Escola Municipal Independência
A Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Independência recebeu o projeto Futuro em Campo, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT). Na manhã desta sexta-feira (07.08), mais de 100 crianças aprenderam, por meio de atividades lúdicas, sobre sustentabilidade, origem dos alimentos, preservação ambiental e a importância do setor produtivo para a sociedade.
A iniciativa, realizada dentro do ambiente escolar, proporcionou uma aproximação direta entre as crianças e o campo. O delegado coordenador do núcleo de Gaúcha do Norte, Jhonatan Loss, destacou que receber o projeto no município contribui para que os estudantes conheçam melhor a origem dos alimentos e dos produtos consumidos no dia a dia.
“Receber o Futuro em Campo em Gaúcha do Norte foi uma experiência muito positiva, tanto para nós quanto para as crianças. Elas puderam conhecer todo o processo de produção dos alimentos, desde o cultivo até chegar à mesa, de uma forma simples e acessível para compreenderem como tudo acontece. As crianças gostaram muito das atividades práticas. Assim, conseguimos apresentar toda a cadeia produtiva, mostrando a importância da sustentabilidade, das normas que o produtor segue na propriedade e da responsabilidade ambiental e social presente em todo esse processo”, disse.
Durante a gincana, os alunos aprenderam que diversos produtos de limpeza, higiene, alimentação e beleza possuem soja ou milho na composição. Por meio das brincadeiras, os conteúdos são apresentados de forma prática e reforçam o aprendizado desenvolvido em sala de aula.
A diretora da Escola Municipal Independência, Cleonice Rodrigues, destacou que as atividades do Futuro em Campo complementam os conteúdos trabalhados pelos professores e despertam o interesse dos alunos.
“Tudo o que eles aprendem é enriquecedor e, desde o momento em que divulgamos a atividade, as crianças criam uma expectativa muito grande e ficam ansiosas pela chegada desse dia. O conteúdo apresentado pelo Futuro em Campo complementa o que os alunos aprendem em sala de aula. Ele está diretamente ligado às disciplinas, principalmente Ciências e Geografia, tornando o aprendizado ainda mais completo”, disse.
Além de conhecerem melhor a cadeia produtiva, as crianças descobriram que a soja e o milho estão presentes em diversos produtos utilizados diariamente. A aluna Lorenna Victória Souza contou que se surpreendeu ao aprender sobre ingredientes derivados desses grãos e onde eles podem ser encontrados.
“Estamos participando de várias dinâmicas. Está sendo uma experiência muito divertida e uma forma bem legal de aprender. Aprendi que ingredientes como glicerina, glicerol, glicerinato e lecitina vêm da soja, enquanto o amido e o xarope de milho vêm do milho. Eu não sabia que esses componentes estavam presentes em produtos que usamos no dia a dia, como maquiagens e pasta de dente”, explicou.
A estudante Thayla Sambati também participou das atividades e disse que ficou surpresa ao descobrir quantos produtos fazem parte do cotidiano e têm soja ou milho na composição. Para ela, o Futuro em Campo tornou o aprendizado mais divertido.
“Eu amei essa dinâmica. Eu já sabia um pouco sobre o agro e agora estou expert no assunto. Eu não sabia que tinha milho e soja na maquiagem. Obrigada, Aprosoja MT, pelo Futuro em Campo”, finalizou.
Ao unir brincadeiras e conhecimento, o Futuro em Campo transforma temas do agronegócio em experiências que fazem parte da realidade dos estudantes. A proposta é mostrar, de forma simples e prática, como a soja e o milho estão presentes no cotidiano, incentivando a conscientização ambiental e valorizando o trabalho realizado pelos produtores rurais em Mato Grosso.
Agro Mato Grosso
Trichoderma amplia tolerância de culturas a estresses abióticos

Pesquisadores reuniram evidências sobre salinidade, seca e metais e aponta limites para uso no campo
Fungos do gênero Trichoderma podem ampliar a tolerância de culturas agrícolas à salinidade, à seca e à contaminação por metais pesados por meio de alterações no sistema radicular, na fotossíntese, no equilíbrio iônico e nas defesas antioxidantes. Pesquisadores chineses reuniram resultados disponíveis até junho de 2026. Apontaram forte dependência da linhagem utilizada, da cultura, do método de aplicação e das condições ambientais. Eles alertam para a falta de validação ampla em campo, principalmente diante de temperaturas extremas e estresses combinados.
O estudo analisou o uso de Trichoderma como agente de controle biológico, biofertilizante e bioestimulante microbiano. A síntese abrange salinidade, déficit hídrico, metais pesados, temperaturas extremas e poluentes emergentes. Os mecanismos descritos incluem mudanças na arquitetura das raízes, regulação antioxidante, ajuste osmótico, aquisição de nutrientes, homeostase de íons, equilíbrio hormonal e expressão de genes ligados à resposta ao estresse.
Fungo, planta e rizosfera
Os efeitos dependem da interação entre fungo, planta e rizosfera. A linhagem precisa apresentar características genéticas e metabólicas adequadas, sobreviver ao armazenamento e à aplicação, alcançar a região das raízes e manter colonização funcional. O processo também sofre influência do solo, da microbiota residente, do genótipo da planta e da intensidade do estresse.
A diversidade genética dentro do gênero ajuda a explicar diferenças entre resultados. Uma análise de 25 linhagens agrícolas e industriais encontrou 4.960 genes compartilhados e um pangenoma aberto. Pesquisadores relacionam genes acessórios e específicos de cada linhagem a funções como metabolismo secundário, interação com plantas, competição microbiana e adaptação ambiental.
Colonização radicular
A colonização radicular ocupa posição central nesse processo. Espécies como Trichoderma harzianum, Trichoderma asperellum, Trichoderma virens e Trichoderma atroviride podem atuar na rizosfera e nos tecidos superficiais das raízes. Compostos liberados pelos fungos influenciam ramificação radicular, formação de pelos absorventes e sinalização hormonal. O aumento da superfície radicular favorece a absorção de água e nutrientes sob condições adversas.
Resultados em salinidade
A salinidade concentra algumas das evidências agronômicas mais consistentes. Em mostarda-da-índia, Brassica juncea, a aplicação de Trichoderma harzianum em solo naturalmente salino elevou clorofila, prolina, teor de óleo e acúmulo de nutrientes. O tratamento também reduziu a absorção de sódio e a relação entre sódio e potássio. A aplicação via composto aumentou a produtividade de sementes em cerca de 23%. O teor de óleo cresceu entre 19% e 23,4%.
Outro experimento mostrou redução da relação entre sódio e potássio de 2,14 para cerca de 0,92 no genótipo Tori-7 sob o tratamento mais intenso com composto. Segundo pesquisadores, esse resultado indica participação do fungo na estabilização iônica, além do estímulo ao crescimento.
Resultados em citros reforçam esse mecanismo. A inoculação com Trichoderma harzianum aumentou crescimento, biomassa, taxa fotossintética, condutância estomática e teor de clorofila sob estresse salino. As plantas acumularam menos sódio e apresentaram maior expressão de genes associados ao transporte de água e à resposta ao excesso de sal.
Dados em seca
Na seca, os resultados envolvem principalmente manutenção do sistema radicular, uso da água, fotossíntese e controle do estresse oxidativo. A inoculação com Trichoderma asperellum melhorou nutrição, concentração de clorofila e carotenoides, taxa fotossintética, condutância estomática e eficiência no uso da água em cana-de-açúcar. O tratamento também elevou a atividade de enzimas antioxidantes e o acúmulo de prolina.
Em milho, uma linhagem de Trichoderma asperellum aplicada às sementes manteve populações do fungo ao longo do desenvolvimento da cultura e reduziu os efeitos do déficit hídrico. Em arroz, o biopriming com Trichoderma harzianum alterou respostas moleculares associadas à tolerância posterior à falta de água.
Tratamentos combinados
Os cientistas alertam para ter cautela na interpretação de tratamentos combinados. Um experimento com pimentão utilizou biochar incorporado ao solo e uma suspensão independente de Trichoderma harzianum. O estudo avaliou coaplicação, mas não comprovou o biochar como veículo do fungo. Sob irrigação correspondente a 50% do regime avaliado, o tratamento combinado elevou em mais de 40% a atividade de três enzimas antioxidantes e reduziu o peróxido de hidrogênio em aproximadamente 25%. Outro marcador de dano oxidativo, no entanto, apresentou resposta divergente.
Metais pesados
Os metais pesados formam outra frente de pesquisa. Em mostarda-da-índia submetida a cádmio, a combinação entre Trichoderma harzianum e ácido poliaspártico aumentou o volume radicular em 30,65% e a biomassa total em 42,38%. O acúmulo total de cádmio subiu 79,11%. A concentração do metal nas folhas cresceu até 71,12%. Os pesquisadores interpretam o resultado como aumento simultâneo da tolerância da planta e da capacidade de remoção do contaminante.
A mesma combinação elevou a eficiência de remoção de cádmio do solo de 21,71% para 38,27% em outro estudo. As análises também detectaram mudanças na comunidade microbiana da rizosfera. A revisão ressalta uma limitação: associações obtidas por análises de coocorrência não comprovam relações causais nem demonstram recuperação funcional da rede microbiana.
Calor e frio
As evidências para calor e frio permanecem mais restritas. Estudos com Trichoderma harzianum após exposição ao calor demonstraram sobrevivência e adaptação do próprio fungo. Esses dados não comprovam proteção térmica das culturas, manutenção da produtividade ou estabilidade em campo.
Para ampliar a aplicação agrícola, os pesquisadores recomendam seleção específica de linhagens para cada cultura, estudos de genes e proteínas envolvidos nas respostas, padronização de formulações, experimentos com múltiplos estresses e ensaios em diferentes locais. A revisão também aponta necessidade de avaliações de biossegurança e análises econômicas em escala de produtor. O avanço dessas etapas poderá definir com maior precisão onde os inoculantes de Trichoderma entregam respostas reproduzíveis sob condições comerciais (doi 10.3390/jof12080578).
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