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22 de julho de 2026

Business

O mundo mudou, mas e o agro?

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Foto: Magnific

Durante décadas, o Brasil aprendeu a medir a força do agronegócio por indicadores que continuam fundamentais: produtividade, área plantada, safras recordes e exportações. Foi assim que nos tornamos uma potência agrícola reconhecida no mundo inteiro.

Mas tenho a impressão de que uma nova mudança já começou.

A pergunta não é mais apenas quanto alimento o mundo será capaz de produzir. A questão passa a ser outra: quais alimentos o mundo vai querer consumir?

Basta observar o comportamento das pessoas. Nunca se falou tanto em qualidade de vida, longevidade e alimentação saudável. O consumo de proteína cresce em praticamente todos os mercados. Ao mesmo tempo, medicamentos como Mounjaro e Ozempic estão mudando a relação de milhões de pessoas com a comida. Quem utiliza essas terapias costuma comer menos, mas passa a escolher melhor o que coloca no prato.

Cada refeição precisa entregar mais valor.

É justamente nesse cenário que alimentos como Feijões, lentilhas, ervilhas, grão-de-bico, gergelim e outras proteínas vegetais ganham importância. Não apenas porque são nutritivos, mas porque reúnem características que o consumidor moderno procura: proteína, fibras, minerais, versatilidade e sustentabilidade.

O Brasil está em uma posição privilegiada. Produzimos praticamente o ano inteiro, dominamos tecnologias para agricultura tropical e temos produtores altamente eficientes. Poucos países conseguem reunir tantas vantagens.

Mas existe um desafio que merece a mesma atenção que dedicamos às exportações.

Antes de convencer o mundo sobre o valor dos nossos alimentos, precisamos convencer os próprios brasileiros.

É curioso perceber que muitos jovens conhecem muito mais sobre alimentos ultraprocessados do que sobre a riqueza nutricional de um prato de Feijão. Falamos pouco sobre aquilo que produzimos de melhor. Talvez tenha chegado a hora de voltar a falar de comida. De explicar a importância das proteínas vegetais, de incentivar seu consumo e de mostrar que elas fazem parte de uma alimentação moderna, saudável e acessível.

É por isso que acredito que o próximo passo do agronegócio brasileiro seja o Agroalimento.

Não se trata de substituir um conceito pelo outro. O agronegócio continuará sendo a base da nossa força. O Agroalimento é uma evolução dessa visão. Significa integrar produção, ciência, nutrição, inovação, sustentabilidade e confiança. Significa entender que o verdadeiro valor não está apenas na quantidade produzida, mas também na capacidade de entregar saúde e qualidade de vida.

O Brasil já aprendeu a alimentar o mundo. Agora temos a oportunidade de mostrar que também sabemos alimentar melhor.

E essa transformação começa muito antes dos portos ou das grandes negociações internacionais. Ela começa no prato de cada brasileiro.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Custo do milho recua 0,61% em MT, mas preço segue abaixo do custo total

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Foto: Imea

O custo total de produção do milho da safra 2026/27 em Mato Grosso recuou 0,61% em junho, para R$ 7.372,88 por hectare. A redução foi influenciada principalmente pela queda de 2,38% nos gastos com fertilizantes e corretivos, que passaram a representar R$ 1.532,66 por hectare.

Os dados fazem parte do projeto CPA-MT, estimado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Senar-MT. No mesmo período, o custo operacional total (COT) caiu 0,60%, para R$ 6.057,70 por hectare, enquanto o custo operacional efetivo (COE) recuou 0,63%, para R$ 5.493,40 por hectare.

A redução dos custos ocorreu em um momento de melhora na logística do Oriente Médio. A normalização do fluxo permitiu a retomada das exportações e melhorou as condições de negociação para os compradores, pressionando os preços dos fertilizantes. O atraso nas compras, no entanto, pode concentrar a demanda nos próximos meses e elevar novamente os valores.

Além dos fertilizantes e corretivos, os gastos com defensivos caíram 0,32% em junho, para R$ 913,04 por hectare. Já as sementes subiram 0,95%, chegando a R$ 848,78 por hectare.

Segundo o levantamento, a alta das sementes limitou uma redução maior do custo de custeio, estimado em R$ 3.767,37 por hectare. O indicador apresentou queda mensal de 0,84%.

Preço precisa superar R$ 47 para cobrir custo total

Considerando a produtividade estimada de 128,64 sacas por hectare na safra 2025/26, o produtor mato-grossense precisaria comercializar o milho a R$ 42,70 por saca para cobrir o COE. Para alcançar o COT, o preço necessário sobe para R$ 47,09 por saca. Com isso, o produtor precisa comercializar a saca de 60 quilos acima de tal valor para cobrir o custo total.

O preço médio mensal do milho na safra 2026/27 foi estimado em R$ 44,76 por saca. Com isso, a cotação permanece acima do ponto de equilíbrio do COE, mas abaixo do valor necessário para cobrir o custo operacional total.

O cenário mostra que, mesmo com a queda mensal dos custos, a margem do produtor continua pressionada. A diferença entre o preço médio e o custo total reforça a necessidade de atenção às despesas e ao momento de comercialização da produção.


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Os bastidores da liderança da soja brasileira estarão em debate em evento da Embrapa; saiba como participar

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Divulgação Embrapa Soja

O que garante a competitividade da soja brasileira no mercado mundial? Como as mudanças climáticas, a relação comercial com a China, a logística e a agregação de valor podem influenciar o futuro da cadeia produtiva? Essas e outras questões estarão no centro do VIII Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 4 e 5 de agosto, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

As inscrições são gratuitas e já estão abertas no site oficial do evento. O seminário será realizado exclusivamente de forma presencial e deve reunir cerca de 150 participantes, entre pesquisadores, técnicos, agentes governamentais, especialistas, representantes da indústria e produtores rurais.

Segundo o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, a programação foi elaborada para discutir os principais desafios e oportunidades da cadeia da soja brasileira.

“Nossa expectativa é debater a geopolítica e a relação comercial Brasil-China, assim como trazer foco para desafios e oportunidades da cadeia da soja brasileira, abordando desde o desenvolvimento de cultivares adaptadas às mudanças climáticas até soluções para os gargalos logísticos”, destaca. “Também vamos debater temáticas sobre descarbonização e o papel do biodiesel na sustentabilidade da cadeia produtiva.”

Para Daniel Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, manter a liderança mundial exige atenção constante à qualidade da produção.

“Preservar nossa liderança exige um debate técnico constante sobre a qualidade da soja brasileira, que é o propósito central deste seminário. Afinal, garantir um produto de alto padrão para as indústrias nacional e internacional de óleos e farelos é o que realmente define a competitividade do setor, indo muito além da simples quantidade produzida”, afirma.

O encontro é promovido pela Embrapa Soja, em parceria com a Abiove, Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Aprosoja MS, Aprosoja PR, Associação das Supervisoras e Controladoras do Brasil (ASCB), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sistema OCB e Sindirações.

Na safra 2025/26, o Brasil produziu 180 milhões de toneladas de soja em aproximadamente 48 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), consolidando sua posição como maior produtor mundial da oleaginosa. Além da produção, o país também amplia o processamento interno, que deve alcançar 63 milhões de toneladas em 2026, de acordo com estimativas da Abiove.

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Agro Mato Grosso

FS e AMAGGI concluem acordo estratégico em MT na produção de etanol no Brasil

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A FS e a AMAGGI  concluíram o acordo que une uma das líderes na produção de etanol no Brasil e a maior empresa brasileira de grãos e fibras, após a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento de todas as condições precedentes.

A transação, por meio da qual a AMAGGI adquire uma participação de 40% do capital social da FS, contempla um aporte de US$ 100 milhões na companhia, por meio de uma emissão primária de ações. Além disso, prevê a aquisição de participações detidas por acionistas da FS.

Com raízes no estado de Mato Grosso, tanto a FS quanto a AMAGGI compartilham uma trajetória marcada por inovação, crescimento sustentável e protagonismo na cadeia agrícola. Fundada com foco na produção de biocombustíveis e nutrição animal a partir do milho, a FS foi pioneira na produção de etanol de milho no Brasil e protagonista no desenvolvimento do setor, consolidando-se como referência em eficiência, inovação e sustentabilidade.

A AMAGGI, que completa 50 anos no próximo ano, tornou-se a maior empresa de capital integralmente brasileiro na cadeia da soja, do milho e do algodão. Atua na produção, exportação, industrialização, logística, geração e comercialização de energia, produtos e serviços financeiros, insumos, produção de biodiesel, entre diversas outras atividades do agronegócio. A companhia também é referência em sustentabilidade, com diversos reconhecimentos internacionais e posição de liderança em rankings globais sobre o tema.

A parceria tem como foco apoiar o crescimento da FS e capturar conhecimentos e sinergias relevantes em áreas estratégicas, incluindo originação de milho, otimização logística e exportações, fortalecendo ainda mais a competitividade das duas organizações. Para a AMAGGI, trata-se de mais um passo em sua estratégia de industrialização e verticalização das operações, contribuindo para a crescente diversificação de seu portfólio de negócios.

A FS deve inaugurar sua quarta unidade produtiva ao fim de 2026, em Campo Novo do Parecis, e a quinta, em Querência, em julho de 2027. Ao fim desse ciclo de expansão, a empresa terá capacidade produtiva estimada de 3,9 bilhões de litros de etanol e de aproximadamente 3,0 milhões de toneladas de DDG.

Sobre a FS – A FS foi a primeira empresa a produzir etanol exclusivamente a partir de milho no Brasil, e sua visão de negócio é ser a maior companhia de combustível carbono negativo do mundo. Desde o início das atividades, em 2017, o negócio cresceu mais de 10 vezes e vive um novo ciclo de expansão. A receita líquida da companhia alcançou R$ 13 bilhões ao fim do ano-safra 2025/2026, com lucro líquido de R$ 1,6 bilhão.

A companhia processa atualmente mais de 6 milhões de toneladas de milho por ano-safra e produz 2,6 bilhões de litros de etanol e 2,2 milhões de toneladas de DDG (proteína de milho para nutrição animal). O etanol de milho produzido pela FS possui a menor pegada de carbono do mundo.

Sobre a AMAGGI – Fundada em 1977, a AMAGGI é a maior empresa brasileira de grãos e fibras. Presente em diversas etapas da cadeia do agronegócio, a companhia atua na produção agrícola de grãos, fibras e sementes; na originação, processamento e comercialização de grãos e insumos; além de transporte fluvial e rodoviário, operações portuárias e geração e comercialização de energia elétrica renovável.

Com sede em Cuiabá (MT), a AMAGGI está presente em todas as regiões do Brasil, com fazendas, armazéns, escritórios, fábricas, frota fluvial e rodoviária, terminais portuários e centrais hidrelétricas. No exterior, possui unidades e escritórios na Argentina, China, Holanda, Noruega, Suíça, Singapura e Panamá.

A empresa comercializa 24,7 milhões de toneladas de grãos e fibras em todo o mundo, das quais 1,7 milhão de toneladas é proveniente de suas próprias fazendas. Além disso, mantém relacionamento comercial com aproximadamente 5,6 mil produtores rurais.

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Agro MT