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Governo federal destina R$ 18,5 bilhões para ampliar crédito a empresas afetadas pelo tarifaço

O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (22), uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento destinadas a apoiar empresas brasileiras que atuam em setores estratégicos para a balança comercial. O objetivo é reduzir os impactos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, dos conflitos internacionais e do avanço de medidas protecionistas no comércio mundial.
Do total previsto para o Plano Brasil Soberano III, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além da prospecção e abertura de novos mercados.
A ampliação será viabilizada por uma nova Medida Provisória, que será assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e encaminhada ao Congresso Nacional. A medida autoriza o uso de recursos do Tesouro Nacional combinados com recursos próprios do BNDES.
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O plano de aplicação será elaborado pelo banco e submetido à aprovação de um conselho interministerial, cuja composição e funcionamento serão definidos por decreto. O mecanismo permitirá direcionar os financiamentos conforme os impactos enfrentados por cada setor e sua relevância estratégica para a economia e o comércio exterior brasileiro.
Também nesta quarta-feira (22), o presidente sanciona o Projeto de Lei de Conversão nº 7, originado da Medida Provisória nº 1.345, que criou as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano.
Durante a tramitação no Congresso Nacional, o alcance do programa foi ampliado. Além dos exportadores de bens industriais, passam a ter acesso aos financiamentos exportadores da agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca, aquicultura e mineração, além de cooperativas e associações ligadas a essas atividades.
A nova legislação também permite que os recursos destinados à inovação tecnológica sejam utilizados para adaptações relacionadas ao cumprimento de exigências sanitárias, fitossanitárias, ambientais, de rastreabilidade e de conformidade exigidas pelo comércio internacional.
Entre os principais beneficiários da nova etapa estão empresas exportadoras afetadas pelas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos com base nas seções 232 e 301 da legislação comercial norte-americana. O programa também atenderá empresas impactadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas que exportam para países do Golfo Pérsico.
Além disso, serão contemplados setores considerados estratégicos para a balança comercial e para a segurança produtiva do país, como fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automotivos, equipamentos eletrônicos, máquinas e materiais elétricos.
Criado para preservar empresas, empregos, investimentos e a capacidade exportadora brasileira diante das mudanças no comércio internacional, o Plano Brasil Soberano teve sua primeira etapa lançada em 2025, com R$ 16 bilhões. A segunda fase, anunciada em 2026, possui orçamento de R$ 21 bilhões e já registra R$ 19,5 bilhões em pedidos protocolados, dos quais R$ 10,6 bilhões já foram aprovados pelo BNDES.
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SP aposta em batata-doce para ampliar produção de etanol e biometano

O governo de São Paulo formaliza nesta quinta-feira (23), durante a abertura da Batatec 2026, em Presidente Prudente (SP), uma parceria tecnológica para desenvolver novas cultivares industriais de batata-doce voltadas prioritariamente à produção de etanol e biometano.
O acordo será assinado entre a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Instituto Agronômico (IAC-Apta), e a Agropecuária Vista Alegre, empresa do Grupo Better Beef. A iniciativa busca aproximar a pesquisa científica das demandas da indústria, ampliando o potencial da cultura como matéria-prima para a geração de combustíveis renováveis.
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A cooperação prevê projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, além do intercâmbio de pesquisadores e da troca de conhecimento técnico entre as instituições.
Segundo o governo paulista, a proposta é combinar a experiência do IAC em melhoramento genético com o conhecimento do setor produtivo sobre as características agronômicas e industriais necessárias para elevar o desempenho da batata-doce na produção de bioenergia.
Pesquisa mira maior rendimento industrial
O Instituto Agronômico já desenvolve cultivares de batata-doce com foco em produtividade, uniformidade das raízes, resistência a doenças e adaptação às diferentes condições de cultivo do Estado.
Com o novo acordo, os pesquisadores passarão a priorizar materiais voltados ao processamento industrial, buscando características como:
- maior produtividade;
- elevado teor de matéria seca e amido;
- raízes mais uniformes;
- melhor rendimento para produção de etanol.
Além disso, os estudos também avaliarão o aproveitamento da biomassa e dos resíduos do cultivo e do processamento para a geração de biogás e biometano, ampliando o potencial energético da cultura.
Outro objetivo da parceria é testar as novas cultivares em condições comerciais de produção, aproximando os resultados obtidos em laboratório da realidade do campo e da agroindústria.
Programa reúne cultivares para diferentes mercados
O IAC é uma das principais instituições brasileiras no desenvolvimento de cultivares de batata-doce. O programa de melhoramento genético atende diferentes segmentos, incluindo alimentação, indústria, biofortificação e mercado ornamental.
Entre os materiais desenvolvidos recentemente está a IAC Dom Pedro II, cultivar biofortificada que apresenta concentração de carotenoides 64,71 vezes superior à das variedades de polpa branca mais cultivadas no Estado de São Paulo e produtividade 48,6% maior que a principal cultivar utilizada pelos produtores paulistas.
O protocolo de cooperação terá vigência inicial de 12 meses, podendo ser prorrogado. O acordo não prevê transferência de recursos financeiros entre as instituições, sendo que cada parte será responsável pelos custos das atividades sob sua responsabilidade.
Projeto também beneficia assentamentos rurais
A parceria complementa outra iniciativa firmada entre o Governo de São Paulo e a Agropecuária Vista Alegre durante a Feicorte 2026.
Na ocasião, a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) assinou um protocolo de intenções para avaliar a implantação de projetos produtivos em assentamentos estaduais do Oeste Paulista.
A proposta prevê estudos para o cultivo de 150 hectares de batata-doce destinados à produção de etanol e biometano, além de 80 hectares de eucalipto para geração de biomassa. O projeto poderá beneficiar cerca de 45 lotes rurais, promovendo geração de renda e integração entre agricultores, pesquisa e agroindústria.
São Paulo lidera produção nacional de batata-doce
São Paulo é o maior produtor brasileiro de batata-doce. Em 2025, o estado colheu 149,5 mil toneladas, movimentando R$ 183,95 milhões em Valor da Produção Agropecuária (VPA), segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta).
A região administrativa de Presidente Prudente concentra a maior parte dessa produção, com 81,5 mil toneladas colhidas no ano passado. O VPA regional alcançou R$ 100,27 milhões, equivalente a 54,5% do valor gerado pela cultura em todo o estado.
A cadeia produtiva reúne cerca de 180 produtores em municípios como Alfredo Marcondes, Álvares Machado, Caiabu, Martinópolis, Narandiba, Pirapozinho, Presidente Bernardes e Santo Expedito.
Batatec 2026 reúne pesquisas e inovações
Realizada entre os dias 23 e 26 de julho, no Centro de Eventos do IBC, em Presidente Prudente, a Batatec 2026 chega à sua sétima edição com expectativa de receber cerca de 80 mil visitantes.
Durante a feira, o IAC apresentará pesquisas, materiais genéticos de alta produtividade e cultivares biofortificadas, além de variedades ornamentais. A programação técnica também contará com palestras sobre manejo, conservação do solo, crédito rural, sustentabilidade e novas tecnologias voltadas ao fortalecimento da cadeia da batata-doce no Brasil.
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Mercado de biológicos cresce, mas guerra de preços desafia empresas, diz consultoria

O mercado latino-americano de produtos biológicos para a agricultura entra em uma nova etapa de maturidade após anos de expansão acelerada. O crescimento permanece consistente, mas a simples presença em um segmento em expansão já não garante rentabilidade.
Essa é uma das principais conclusões da DunhamTrimmer em seu panorama “Biological Market Overview & Future Trends”, que será apresentado pelo presidente e fundador da consultoria internacional, Mark Trimmer, no evento Biocontrol Latam 2026, no dia 27 de julho, em Campinas, São Paulo.
Em um ambiente marcado por maior concorrência, pressão sobre preços e consolidação empresarial, companhias que oferecem soluções diferenciadas e conseguem comunicar claramente seu valor tendem a conquistar espaço.
O estudo da DunhamTrimmer mostra que a América Latina continua sendo uma das regiões mais estratégicas para os insumos biológicos no mundo, embora o ritmo de expansão tenha mudado significativamente, sobretudo no Brasil.
Segundo a consultoria, o Brasil continua concentrando a maior parcela do mercado latino-americano de biocontrole, impulsionado pela rápida adoção dos produtos em grandes culturas. Entretanto, o ingresso de centenas de novas empresas e produtos provocou forte aumento da competição, reduzindo preços e desacelerando o crescimento em valor, mesmo com a área tratada continuando em expansão.
Registros ativos de biológicos
Os números ajudam a explicar esse cenário. Atualmente existem 859 registros ativos de biopesticidas no Brasil, dos quais 826 correspondem a produtos microbianos. Mais da metade desses registros foi concedida desde 2022, incluindo 175 novos registros apenas em 2025. A consequência direta foi uma intensa disputa comercial, especialmente nos segmentos de bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas.
Para a DunhamTrimmer, o mercado brasileiro deixou de ser caracterizado apenas pelo rápido crescimento e passou a ser definido pela necessidade de diferenciação. A consultoria observa que as notícias mais recentes sobre o setor já não destacam apenas a expansão da demanda, mas concentram-se na competição crescente, na guerra de preços e na busca por modelos de negócios rentáveis.
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Ao mesmo tempo, outros mercados latino-americanos ganham protagonismo. O Peru desponta como o mercado de biocontrole com crescimento mais acelerado da região, impulsionado pela expansão das culturas de exportação e pela necessidade de reduzir resíduos de pesticidas em frutas frescas.
A Colômbia também apresenta forte avanço, especialmente em culturas tropicais e ornamentais, com projeções superiores a 8% ao ano e expectativa de superar US$ 100 milhões até 2032.
Nos bioestimulantes, a América Latina mantém a posição de região de maior crescimento mundial, com taxa anual próxima de 12%. O Brasil responde por mais da metade desse mercado, enquanto Peru, Colômbia e Equador ampliam rapidamente sua participação impulsionados pelas culturas de alto valor agregado.
Apesar do ambiente mais competitivo, a consultoria sustenta que as oportunidades permanecem significativas. A diferença é que elas passarão a favorecer empresas capazes de oferecer valor além do produto.
“O mercado já não pergunta se continuará crescendo, mas quem capturará esse crescimento”, destaca Mark Trimmer. Segundo a análise, a inovação tecnológica, isoladamente, deixou de ser suficiente. A vantagem competitiva passa a depender da capacidade de entregar desempenho consistente no campo, integrar os biológicos ao sistema produtivo existente e executar uma estratégia comercial eficiente.
Outro ponto enfatizado é que os agricultores administram um conjunto cada vez mais complexo de tecnologias. Nesse contexto, compatibilidade entre produtos, facilidade de uso, validação local, assistência técnica e integração com defensivos químicos e fertilizantes tornam-se fatores decisivos para adoção comercial.
A eficácia biológica continua essencial, mas, segundo a DunhamTrimmer, já não basta para garantir sucesso de mercado. A consultoria também alerta que fatores externos devem continuar pressionando a rentabilidade do setor.
Tensões comerciais internacionais, conflitos geopolíticos, custos elevados de fertilizantes, restrição de crédito no canal de distribuição e possíveis impactos de um novo episódio intenso de El Niño poderão influenciar as decisões de investimento dos produtores nos próximos anos.
Nesse ambiente, fabricantes precisarão adaptar produtos às condições específicas da agricultura latino-americana, desenvolver parcerias locais, integrar soluções biológicas aos programas convencionais de manejo e compreender as particularidades operacionais de cada mercado.
Navegando os desafios do mercado
A nova realidade do setor será um dos principais temas em debate durante o Biocontrol Latam 2026, um dos mais importantes encontros da indústria de biocontrole e produtos biológicos da América Latina.
Em vez de apenas apresentar números de mercado, a DunhamTrimmer utilizará o evento para discutir como as empresas podem competir em um cenário de maior maturidade e pressão sobre margens.
No dia 28 de julho, Ignacio Moyano, vice president of Business Development Latam da consultoria e especialista com ampla experiência no mercado latino-americano, moderará o painel “Navegando os desafios do mercado: diferenciação, inovação e resiliência em um panorama agroempresarial competitivo”.
A discussão reunirá executivos da Simbiose, BioConsortia, Koppert Brasil, Veganic e Invasive Species Corporation para analisar os principais desafios estratégicos da indústria, incluindo diferenciação sustentável, inovação, consolidação do mercado, rentabilidade e preparação para o próximo ciclo de crescimento.
As quatro questões centrais propostas por Moyano sintetizam a mudança de paradigma vivida pelo setor: identificar o principal desafio atual da indústria, compreender o que realmente diferencia uma empresa em um mercado saturado, discutir como construir negócios mais resilientes diante da pressão sobre margens e avaliar quais transformações terão maior impacto sobre os biológicos nos próximos cinco anos.
Serviço
O que: Biocontrol Latam 2026
Quando: Workshops 27 de julho de 2026/ Conferência e Exposição: 28 e 29 de julho
Onde: Royal Palm Hall, Campinas, São Paulo (Av. Monsenhor Luís Fernandes de Abreu, 311 – Jardim do Lago Continuação, Campinas – SP)
Para se inscrever, clique aqui
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Novo tarifaço dos EUA entra em vigor; estimativas apontam impacto de R$ 4,6 bi no agro

Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos exportados pelo Brasil.
A medida, decorrente de investigações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), atinge diretamente cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas ao mercado norte-americano, segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
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O impacto direto no setor produtivo é estimado em R$ 4,6 bilhões anuais. Embora negociações diplomáticas e setoriais tenham garantido a isenção de itens estratégicos de maior volume — como café e carnes bovina e suína —, a nova alíquota incide pesadamente sobre cadeias como as de etanol, madeira, derivados e bens manufaturados.
Nesta terça-feira (21), o governo brasileiro deu início a uma rodada de reuniões com entidades e representares dos setores afetados.
Assimetria regional e pressão sobre contratos
O alcance do ‘tarifaço’ varia expressivamente de acordo com a região e o segmento produtivo. Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta que até 79% das exportações gaúchas para os EUA são afetadas, evidenciando o peso da taxação sobre os estados com maior dependência de itens derivados e industrializados.
Outro entrave imediato reportado por exportadores é o fator tempo: com a medida passando a valer na data de hoje, empresas e cooperativas enfrentam prazos escassos para renegociar contratos de embarque já firmados ou ajustar margens operacionais sem repassar prejuízos.
Além da tarifa base de 25%, o setor permanece atento à investigação em curso no USTR que pode adicionar uma sobretaxa cumulativa de 12,5%, podendo elevar a taxação total para 37,5% em caso de desfecho desfavorável.
Principais focos de atenção no campo
Para conter perdas e garantir liquidez no comércio exterior, consultores e analistas de mercado ouvidos pelo Canal Rural destacam como prioridades:
- Gestão de risco e margem: Adoção imediata de travas cambiais (hedge) e revisão rigorosa das planilhas de custos de exportação.
- Readequação logística: Renegociação de rotas e contratos de frete marítimo para embarques de menor margem.
- Diversificação de destinos: Intensificação das negociações de abertura e expansão de mercado com países da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina.
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