Agro Mato Grosso
Revisão alerta para avanço global de Spodoptera frugiperda

Estudo reúne dados sobre bioecologia, genética e controle de praga com impacto em mais de 350 plantas
A lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, consolidou-se como uma das principais ameaças globais à segurança alimentar. A praga, nativa das Américas, invadiu áreas da África, Ásia e Oceania. Também registrou incursões iniciais na Europa. Sua capacidade de atacar mais de 350 espécies vegetais amplia o risco para culturas alimentares, fibras e sistemas agrícolas em regiões tropicais e subtropicais.
Revisão assinada por 19 cientistas de diversos países reuniu dados sobre bioecologia, genética e estratégias de controle da espécie (DOI 10.1127/entomologia/4342). O trabalho aponta perdas de produtividade próximas de 70% em algumas regiões. Também cita prejuízos econômicos anuais superiores a 13 bilhões de dólares em mais de 42 países. No milho, os danos podem atingir folhas, colmos tenros, estilos-estigmas e espigas. As larvas se alimentam principalmente durante a noite.
Rotas de invasão
A praga apresenta alto potencial migratório, ampla plasticidade ecológica e grande capacidade reprodutiva. Esses fatores favorecem a invasão de novas áreas. Condições climáticas favoráveis e o comércio global também contribuem para a dispersão. A revisão informa desacordo sobre as rotas exatas de invasão. Uma hipótese indica origem na América do Norte, provavelmente no Caribe, com entrada na África Ocidental e posterior avanço para África subsaariana, Índia, China e Sudeste Asiático. Outro estudo genômico aponta múltiplas introduções independentes na Ásia.
A Europa ainda não registra estabelecimento da praga. O risco, porém, cresce com a migração a partir do Norte da África, o fluxo de mercadorias e pessoas e o aquecimento climático. A revisão estima perdas anuais de até 900 milhões de euros apenas no milho, caso Spodoptera frugiperda se estabeleça no continente europeu.
Linhagens simpátricas
O inseto possui duas linhagens simpátricas, morfologicamente idênticas. Uma linhagem apresenta preferência por milho e sorgo. A outra apresenta associação com arroz, gramíneas forrageiras, pastagens, alfafa e milheto. Marcadores genéticos no gene Triosephosphate isomerase e no gene mitocondrial Cytochrome oxidase I ajudam na diferenciação. A revisão também relata híbridos entre linhagens em populações de campo, com frequência média próxima de 9% em hospedeiros do grupo milho e 10% em hospedeiros do grupo arroz.
A ampla gama de hospedeiros envolve plantas das famílias Poaceae, Asteraceae e Fabaceae. Milho, arroz e sorgo figuram entre os principais hospedeiros. A praga também danifica trigo, cevada, soja, algodão, cebola, batata e cana-de-açúcar. Na área invadida, pesquisadores projetam impactos negativos em espécies arbóreas de valor econômico, como árvore-do-incenso, seringueira e coqueiro.
Adaptação da lagarta
A adaptação da lagarta envolve mecanismos de desintoxicação. Spodoptera frugiperda usa enzimas como citocromos P450, carboxilesterases, UDP-glicosiltransferases, glutationa S-transferases e transportadores ABC. Esses sistemas ajudam o inseto a neutralizar metabólitos secundários de plantas e inseticidas sintéticos. A revisão cita 244 casos de resistência a inseticidas até junho de 2025, envolvendo 47 ingredientes ativos, entre organofosforados, piretroides, diamidas e reguladores de crescimento.
Manejo com microrganismos
O manejo com microrganismos recebe destaque no estudo. Fungos entomopatogênicos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae apresentam potencial contra ovos e larvas. Isolados de Metarhizium anisopliae alcançaram mortalidade superior a 93% em testes com ovos e larvas. A eficácia em campo, porém, depende de temperatura, umidade e radiação ultravioleta. A revisão defende formulações mais estáveis e seleção de isolados locais.
Fungos endofíticos também aparecem como alternativa. Aplicações em milho, por pulverização foliar, inoculação de sementes ou drench no solo, podem promover colonização interna das plantas e reduzir o desempenho larval. Em um estudo citado, Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae aplicados ao solo causaram até 87% de mortalidade de larvas em milho. A adoção ampla ainda enfrenta limitações, como colonização irregular e menor eficácia em condições de campo.
Produtos à base de Bacillus thuringiensis também integram as estratégias de controle. A revisão informa toxicidade de várias cepas contra larvas em laboratório. No campo, o controle pode falhar porque as lagartas se alojam no cartucho e em estruturas reprodutivas do milho. Plantas transgênicas Bt oferecem outra via de manejo, com proteínas como Cry1F, Cry2Ab, Vip3Aa e Cry1A.105. A resistência prática à Cry1F já foi documentada em populações das Américas.
Agentes biológicos e inseticidas
A combinação de agentes biológicos e inseticidas pode elevar a eficiência. A associação de Beauveria bassiana Bb88 com espinosade aumentou a mortalidade larval em 34% em comparação ao espinosade isolado. A combinação de Beauveria bassiana GHA com benzoato de emamectina resultou em 92,6% de mortalidade larval, ante até 70% com o inseticida isolado. A compatibilidade depende de dose, momento de aplicação, formulação e fisiologia dos agentes envolvidos.
A revisão também aponta ferramentas emergentes, como interferência por RNA, edição gênica CRISPR-Cas9 e manipulação de simbiontes microbianos. A interferência por RNA enfrenta dificuldades de entrega oral, degradação no intestino médio e baixa estabilidade em campo. Nanocarreadores e polímeros mostraram potencial em estudos de laboratório. A edição gênica pode ajudar na avaliação funcional de genes ligados a metabolismo, desenvolvimento, detoxificação e sinalização química.
Manejo integrado
O manejo integrado aparece como eixo central. A revisão cita rotação de culturas, consórcios com plantas aromáticas, plantio antecipado, conservação de inimigos naturais, parasitoides, armadilhas com feromônio e uso criterioso de inseticidas e biopesticidas. O estudo destaca a necessidade de rotação de modos de ação para reduzir a seleção de resistência. Também aponta diferenças econômicas entre programas de manejo integrado em países como Índia e Burkina Faso.
As mudanças climáticas podem alterar a distribuição da praga. Modelos indicam avanço para novas regiões, incluindo Sul e Leste da Europa, Ásia Central e áreas de maior altitude na África Oriental e nos Andes. Temperaturas mais altas aceleram o desenvolvimento e reduzem o tempo necessário para completar unidades térmicas. Alterações na chuva podem ampliar a disponibilidade de hospedeiros ou interromper o ciclo do inseto em situações de excesso hídrico.
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Sicredi disponibiliza R$ 72,1 bilhões para apoiar associados na Safra 2026/2027

Estimativa é realizar mais de 340 mil operações em todo o país para atender produtores rurais de diferentes portes, em diversas culturas agrícolas e pecuária
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VÍDEO: batida entre carreta e carro deixa dois mortos na BR-163

Acidente foi registrado nesta segunda-feira (13), entre Sorriso (MT) e Lucas do Rio Verde(MT); motorista da carreta recebeu atendimento no local.
Duas pessoas morreram após uma batida entre um carro e uma carreta nesta segunda-feira (13), na BR-163, em Sorriso (MT), no trecho que liga o município a Lucas do Rio Verde (MT). Com o impacto da batida, a rodovia foi totalmente interditada para o atendimento da ocorrência. Assista abaixo
Segundo a concessionária Nova Rota do Oeste, o acidente ocorreu por volta das 10h18, no km 716 da rodovia. Equipes de resgate da concessionária e do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas e confirmaram a morte dos dois ocupantes do carro ainda no local.
As informações preliminares indicam que os veículos bateram de frente. O motorista da carreta recebeu atendimento médico, mas o estado de saúde dele não havia sido informado até a última atualização.
As causas do acidente serão investigadas pelas autoridades competentes. A pista permanece totalmente bloqueada durante o trabalho das equipes de resgate e da perícia.
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Três pessoas morrem em grave acidente entre caminhão e carro em MT

Três pessoas morreram em um grave acidente entre um carro de passeio e um caminhão trator com semirreboque, no domingo (12), na MT-235, no km 272, sentido Nova Mutum, antes da rotatória de acesso a São José do Rio Claro. As vítimas ocupavam o automóvel, que ficou completamente destruído após a colisão.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, o motorista do caminhão relatou que chovia intensamente no momento do acidente. O veículo de passeio teria aquaplanado, perdido o controle da direção, rodado na pista e atingido lateralmente o caminhão.
No carro estavam uma mulher, que conduzia o veículo, um homem no banco do passageiro dianteiro e outro no banco traseiro. Com o impacto, o automóvel teve o compartimento de passageiros completamente esmagado.
As três vítimas sofreram ferimentos incompatíveis com a vida, com traumatismo cranioencefálico e múltiplos ferimentos, morrendo ainda no local.
Para retirar os corpos, os bombeiros realizaram o desencarceramento das vítimas, utilizando equipamentos de salvamento para cortar as colunas estruturais do veículo e remover as portas.
Após os trabalhos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), os corpos foram retirados do automóvel e encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML).
O motorista do caminhão não ficou ferido e permaneceu no local para os procedimentos legais. As circunstâncias do acidente serão investigadas.
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