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30 de junho de 2026

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Plantio de trigo no Paraná avança para 96% da área estimada

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O plantio de trigo no Paraná atingiu 96% da área estimada, de acordo com boletim divulgado nesta terça-feira (30) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Estado. Na semana anterior, o índice estava em 93%. A semeadura está próxima da conclusão em diversas regiões do estado.

Segundo o Deral, o excesso de umidade e a ocorrência de geadas em algumas localidades elevaram o risco de doenças e podem provocar impactos pontuais nas lavouras. Ainda assim, 99% da área cultivada com trigo apresenta boas condições.

No estágio de desenvolvimento da cultura, 7% das lavouras estão em germinação, 85% em desenvolvimento vegetativo e 8% em floração. Os dados indicam avanço da implantação da safra e predominância de áreas em fase de crescimento.

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No milho segunda safra, a colheita chegou a 5% da área até segunda-feira (29), mas segue limitada pela elevada umidade dos grãos e pelas chuvas recentes. As condições das lavouras mostram 79% em situação boa, 14% em condição média e 7% em condição ruim.

O boletim também registra preocupação com possíveis efeitos de geadas e de estiagens anteriores sobre a produtividade e a qualidade do cereal. Em relação ao estágio das áreas de milho, 1% está em floração, 50% em frutificação e 49% em maturação.

Os dados do Deral mostram, ao mesmo tempo, a reta final do plantio de trigo no Paraná e um ritmo ainda inicial de colheita do milho safrinha, em um cenário marcado por umidade elevada, chuvas recentes e ocorrência de geadas em parte das regiões produtoras.

Fonte: Estadão Conteúdo

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‘Há grande chance do valor do Plano Safra não ser efetivamente utilizado’, diz especialista

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Foto: Magnific

O mistério acabou e o governo anunciou, nesta terça-feira (30), R$ 525,1 bilhões em recursos para o Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial. A dúvida que fica agora é sobre o acesso dos produtores rurais a esse dinheiro.

Para o diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna, David Télio, “há uma grande probabilidade” do valor anunciado não ser utilizado efetivamente. Nesse cenário, ele cita a diferença entre os valores disponibilizados e o desembolso do que foi, de fato, contratado pelo produtor na última safra.

“Se fizermos o cálculo, no Plano Safra anterior o desembolso efetivo ficou 76% aquém do valor anunciado”, afirma. Isso significa que menos produtores conseguiram acessar os recursos.

Télio também alerta para a falta de recursos equalizados – aqueles captados por bancos a taxas de mercado, mas emprestados com juros bem mais baixos e subsidiados. “No ano passado, o governo anunciou R$ 13,5 bilhões para a equalização. Mas chegou um momento em que o Conselho Monetário Nacional (CMN) determinou a suspensão dos desembolsos porque não havia mais recursos”, diz o especialista.

A explicação para esse esgotamento rápido está na própria engrenagem do plano. O valor citado por Télio se refere ao orçamento que o Tesouro Nacional separa para pagar a diferença de juros aos bancos — o que, na prática, viabiliza um volume muito maior de crédito na ponta.

No anúncio desta terça-feira, por exemplo, o governo informou que o Plano Safra 2026/27 terá R$ 97 bilhões em linhas com juros equalizados. Apesar de expressivo, o montante representa um recuo de 14,7% em comparação com o ciclo anterior, quando foram disponibilizados R$ 113,8 bilhões nessa modalidade.

Distribuição dos recursos desigual

Para Télio, outro ponto que destoou do cenário vivido pelo campo foi a redistribuição dos recursos entre as modalidades de crédito. Enquanto o governo reduziu o volume destinado ao custeio e à comercialização, ampliou os recursos para investimentos em máquinas, equipamentos e armazenagem.

Na avaliação do especialista, a mudança vai na contramão do comportamento observado pelo mercado ao longo do último ano. Segundo ele, produtores têm adiado investimentos diante da queda da rentabilidade e das dificuldades financeiras acumuladas desde 2023.

“Todas as feiras registraram redução na aquisição de máquinas, na modernização de equipamentos, na renovação de frotas e, principalmente, em armazenagem. Se o produtor não está investindo, o que leva o governo a aumentar o valor destinado aos investimentos de longo prazo?”, questiona.

Renegociação de dívidas segue fora do radar

Outro ponto criticado pelo diretor da TerraMagna é a ausência de medidas voltadas à renegociação das dívidas rurais. Durante o anúncio do novo Plano Safra, o ministro da Fazenda Dario Durigan afirmou que o governo deve apresentar uma proposta ao Congresso Nacional nos próximos dias, mas sem detalhes.

“Os produtores perdem tempo tentando refinanciar e renegociar dívidas e, muitas vezes, acabam recorrendo à recuperação judicial. Isso não é bom para o produtor, para os bancos nem para o mercado financeiro”, afirma. Na estimativa feita por Télio, esse estoque de dívidas já alcança R$ 180 bilhões.

O especialista também chamou atenção para a falta de sinalização sobre o orçamento destinado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Embora o governo tenha condicionado a renegociação de dívidas da agricultura empresarial à contratação de seguro rural, ele avalia que não houve indicação de reforço nos recursos para subsidiar os prêmios pagos pelos produtores.

Crédito chega, mas muito mais caro

Se, por um lado, o desembolso do Plano Safra anterior ficou aquém do valor anunciado, por outro o mercado de crédito privado e de capitais segue em expansão. De acordo com Télio, o volume dessas operações já ultrapassa R$ 1 trilhão entre o ano passado e o início de 2026.

Na avaliação do especialista, esse movimento é reflexo da dificuldade dos produtores em acessar as linhas oficiais de financiamento. Como alternativa, eles recorrem a outras modalidades de crédito, mas com custos muito mais elevados.

“Isso não acontece por acaso. É porque, efetivamente, o Plano Safra não está chegando ao produtor. Existe o anúncio, mas o recurso não chega”, afirma.

Entre os fatores que explicam esse cenário, Télio cita a burocracia e a falta de orientação para acessar os financiamentos, sobretudo entre os agricultores familiares. Segundo ele, muitos pequenos produtores desconhecem como funciona o Plano Safra, quais documentos são exigidos e a quem recorrer para contratar as linhas de crédito.

“A impressão que fica é que o governo anuncia excelentes taxas e volumes de recursos, mas você não vê esses agricultores tendo condições reais de acessar esse crédito”, reforça.

Para Télio, uma atuação mais próxima de instituições como sindicatos rurais, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil poderia facilitar o acesso dos pequenos produtores aos financiamentos, com orientação sobre documentação, digitalização de processos e contratação das linhas.

“Quando você anuncia e não oferece nada, significa apenas: ‘estou mostrando que existe’, mas sem criar condições para que essas pessoas tenham acesso”, conclui.

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Agro Mato Grosso

Aprosoja MT; Mais que números bilionários, Plano Safra precisa garantir crédito acessível

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Dados oficiais indicam queda nas linhas tradicionais e retração do custeio e maior participação da CPR no financiamento agropecuário

O governo federal lançou nesta terça-feira, 30 de junho, o Plano Safra 2026/2027, mais uma vez apresentado como o maior volume já ofertado. Ao todo, foram anunciados R$ 525,1 bilhões para financiar a produção agropecuária no novo ciclo, sem considerar o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familia (Pronaf). Desse total, R$ 384,9 bilhões serão destinados a custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões irão para investimentos.

Apesar do volume total anunciado, a composição dos recursos exige atenção. O crescimento do plano foi puxado pelos investimentos, enquanto a principal frente de apoio ao ciclo produtivo – custeio e comercialização – teve redução nominal. No Plano Safra 2025/2026, essa finalidade contava com R$ 414,7 bilhões. Para 2026/2027, o valor caiu para R$ 384,9 bilhões, uma retração de R$ 29,8 bilhões. Por isso, o anúncio precisa ser analisado além do número global.

O acréscimo total em relação à safra anterior foi de aproximadamente R$ 9 bilhões, o que representa alta nominal de cerca de 1,7%. Considerando que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado nos últimos 11 meses foi de 4,4%, seriam necessários aproximadamente R$ 538,7 bilhões apenas para manter, em termos reais, o mesmo volume de recursos da safra anterior. Assim, embora o valor anunciado seja maior em termos nominais, o Plano Safra 2026/27 representa uma redução real de cerca de R$ 13,6 bilhões quando descontado a inflação.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, esse cenário preocupa porque o produtor chega ao novo ciclo em um ambiente de crédito mais caro, seletivo e condicionado a exigências cada vez mais rígidas. Ele destaca que, juros elevados, margens pressionadas, aumento dos custos de produção e maior rigor das instituições financeiras reduzem a efetividade do Plano Safra na ponta.

“O Plano Safra 2026/27 tem R$ 8,9 bilhões a mais no total, mas R$ 29,8 bilhões a menos em custeio e comercialização. Ao mesmo tempo em que reduziu juros em algumas linhas, o governo diminuiu o volume destinado ao giro da safra. Resultado? Crédito com custo menor em parte das operações, mas com menos recurso disponível justamente para plantar, conduzir e comercializar a produção”, explica o presidente da Aprosoja MT.

Essa preocupação já havia sido levada pela entidade ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em março, antes do lançamento do PAP 2026/2027. Na ocasião, a Aprosoja MT defendeu que o endividamento rural fosse tratado como prioridade da política agrícola. A avaliação é que não basta ampliar o volume nominal de recursos se o produtor enfrenta restrição de acesso a novos financiamentos, dificuldade para renegociar passivos e comprometimento da capacidade de pagamento.

No documento enviado ao Mapa, a entidade propôs medidas estruturantes para enfrentar o endividamento rural, recompor a capacidade financeira dos produtores, preservar o acesso ao crédito e evitar o agravamento da inadimplência. Sem esse enfrentamento prévio, parte dos recursos anunciados tende a ser consumida pela reorganização de dívidas anteriores, em vez de se transformar em novo fôlego para a produção.

Os dados oficiais de execução do PAP 2025/2026 reforçam essa distância entre anúncio e realidade. Entre julho de 2025 e maio de 2026, o crédito rural contratado, sem o Pronaf, somou R$ 433,0 bilhões, contra R$ 458,1 bilhões no mesmo período da safra anterior, queda de 5%.

Quando a CPR é retirada da conta, a retração fica ainda mais evidente. O subtotal das linhas tradicionais, considerando fontes controladas e não controladas, caiu de R$ 286,6 bilhões para R$ 247,8 bilhões, redução aproximada de 14%.

No mesmo período, a CPR alcançou R$ 185,2 bilhões, alta de 8% em relação aos R$ 171,5 bilhões registrados no ciclo anterior. Com isso, passou a representar 42,8% do total concedido, contra 37,4% na safra passada. O dado mostra que parcela relevante do volume divulgado como crédito rural tem sido sustentada por instrumentos privados, e não pelas linhas tradicionais da política agrícola.

Essa mudança de perfil tem impacto direto sobre o produtor. Quando o financiamento depende cada vez mais de mecanismos de mercado, aumentam a exposição ao custo financeiro vigente, às condições pactuadas com os agentes financiadores e às exigências de garantias.

No PAP 25/26 a retração também aparece nas finalidades mais diretamente ligadas à produção. No custeio, houve queda de R$ 158,0 bilhões para R$ 137,5 bilhões, redução de 12,9%. Nas linhas de investimento, o recuo foi ainda maior: de R$ 64,0 bilhões para R$ 46,1 bilhões, queda de 28,1%. Programas importantes para a modernização da atividade rural, como Proirriga, Moderfrota, PCA, Prodecoop e RenovAgro, também registraram redução.

Outro ponto sensível está nos recursos equalizáveis. Entre julho de 2025 e maio de 2026, foram concedidos R$ 48,9 bilhões com essa fonte, contra R$ 91,4 bilhões no mesmo período anterior, queda de 47%. O recuo mostra que as linhas com apoio público não têm acompanhado a necessidade real do setor produtivo.

Embora o PAP 2026/2027 reforce Proagro e seguro rural como pilares da gestão de riscos e condicione a renegociação do custeio agrícola à existência de cobertura, a efetividade da medida dependerá da disponibilidade real desses instrumentos, de custo acessível e de regras compatíveis com a realidade do produtor.

Diante desse quadro, mais importante do que anunciar um Plano Safra como robusto é assegurar que o crédito chegue ao produtor. O campo não precisa apenas de grandes números. Precisa de política agrícola concreta, exequível e compatível com a realidade de quem produz, assume riscos e sustenta a produção dentro da porteira.

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Governo apresentará proposta de renegociação de dívidas rurais nos próximos dias, diz ministro da Fazenda

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Ministro da Fazenda, Dario Durigan, participou do anúncio do Plano Safra 2026/27 nesta terça-feira (30)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo federal apresentará, nos próximos dias, uma proposta que trata da renegociação de dívidas rurais. A afirmação ocorreu durante o anúncio do Plano Safra 2026/27, nesta terça-feira (30), em Brasília. “O diálogo tem sido intenso e permanente com o Congresso”, afirmou.

Além do alívio nas dívidas, o governo aposta na redução de juros para reconquistar a confiança do setor produtivo. “Mesmo em um cenário de taxas de juros altas e política monetária contracionista, conseguimos fazer um esforço e reduzir as taxas em praticamente todas as linhas de financiamento”, disse o ministro.

A fala de Durigan ocorre em um momento sensível para o setor produtivo, que enfrenta um nível alto de endividamento. Nesse contexto, entidades do agro e parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pressionam para que o PL 5122/2023 seja votado na Câmara o quanto antes. A proposta foi aprovada pelo Senado com alterações e por isso volta para análise dos deputados.

Enquanto o Planalto tenta conter os impactos fiscais da renegociação, a bancada do agronegócio defende que o projeto do Senado traz o fôlego financeiro imediato e robusto que os produtores necessitam.

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