Agro Mato Grosso
Mosca-da-raiz (Delia sanctijacobi) tem primeiro registro em soja no Brasil

Presença do inseto causando danos significativos em lavouras comerciais acende alerta sobre manejo de praga emergente
A mosca-da-raiz (Delia sanctijacobi) foi registrada pela primeira vez em soja no Brasil. A ocorrência envolveu lavouras comerciais no Rio Grande do Sul, com danos em raízes, cotilédones e hastes de plântulas. O ataque reduziu o estande de plantas e chegou a cerca de 30% em áreas de Saldanha Marinho e Cruz Alta (DOI: 10.37486/2675-1305.ec08019).
Os pesquisadores Glauber R. Stürmer, Delmar B. dos Santos, Nayane S. França, Henrique Pozebon e Jonas A. Arnemann relataram a presença da praga em soja durante o início da safra de verão 2025/2026. Os exemplares usados na confirmação vieram de lavouras em Saldanha Marinho e Cruz Alta. As áreas haviam recebido semeadura entre 9 e 11 de outubro, após cultivos de aveia-preta, Avena strigosa, e ervilhaca, Vicia sativa.
Os sintomas compatíveis com danos de mosca-da-raiz apareceram em várias lavouras comerciais no Rio Grande do Sul. Os cientistas informam sobre observações em lavouras de soja em Passo Fundo, Carazinho, Saldanha Marinho e Cruz Alta. Também houve registro em melancia em Santa Maria. Nas lavouras de soja, os pesquisadores observaram consumo de cotilédones durante a emergência. Esse dano provocou falhas no estabelecimento inicial da cultura.
Identificação da espécie
A identificação da espécie ocorreu por caracteres morfológicos e por sequenciamento de DNA. As amostras permaneceram em etanol a 96% até a identificação e a extração de DNA. O Laboratório Agronômica de Diagnóstico Fitossanitário, em Porto Alegre, realizou as análises moleculares. Duas sequências nucleotídicas obtidas de larvas apresentaram mais de 99,82% de similaridade com Delia sanctijacobi em comparação no banco NCBI. As sequências de Saldanha Marinho e Cruz Alta foram depositadas no GenBank sob os números PX963737 e PX963848.
A larva causa o dano principal. Ela alimenta-se de sementes, raízes e plântulas. Depois do ataque inicial às raízes, a larva abre galerias em estruturas vegetativas, como bulbos e hastes de plântulas. No caso da soja, o estudo registrou dano em raízes, perfuração de haste e redução de estande.
Hábito polífago
Delia sanctijacobi possui hábito polífago. A espécie já tinha associação com várias culturas comerciais, entre elas milho, feijão, melão, abóbora, trigo, linho, cebola, alho, berinjela, alfafa, girassol e couve-flor. O inseto ocorre na América do Sul e aparece com maior frequência em regiões frias do continente, incluindo Argentina, Chile, Peru e Uruguai.
No Brasil, a primeira ocorrência de Delia sanctijacobi havia sido relatada em brócolis, na Região Sul. Depois, a espécie recebeu registro em tomateiro. Não havia registro da praga causando danos em soja no país.
Diferença de dano
Os pesquisadores não observaram diferença de dano entre lavouras Bt e não Bt. Esse ponto indica a necessidade de estudos específicos sobre manejo da praga na cultura. Os cientistas destacam a dificuldade de identificação de espécies do gênero Delia. As espécies apresentam semelhança morfológica, e a diferenciação exige avaliação detalhada. O uso de marcadores moleculares pode melhorar a detecção e apoiar decisões de manejo.
Dificuldade no manejo
O manejo tende a apresentar dificuldade. A larva alimenta-se de raízes ou cotilédones e depois penetra na haste da planta. Nessa posição, ela fica fora do alcance de muitas pulverizações. Os pesquisadores informam a existência de 192 ingredientes ativos e 2.032 inseticidas comerciais registrados para uso em soja no Brasil, mas nenhum deles com recomendação específica para o controle da mosca-da-raiz.
Neonicotinoides, piretroides, carbamatos e organofosforados usados contra pragas primárias da soja podem ter efeito sobre a espécie, principalmente quando a aplicação atinge a base da haste. Ainda assim, os cientistas apontam a necessidade de novos estudos para avaliar a eficiência de controle. Há também a possibilidade de uso de nematoides entomopatogênicos como alternativa descrita para espécies de Delia. Práticas culturais, como a variação do período de preparo do solo, também podem afetar o tamanho da população infestante.
Agro Mato Grosso
Safra recorde de soja ajuda a derrubar preço do óleo de cozinha em MT

Produção recorde de soja reduz preço do óleo de cozinha e alivia orçamento das famílias
Agro Mato Grosso
MT encerra a última semana de junho com nova queda no preço da cesta básica, R$ 905 I MT

Pela segunda semana consecutiva, a cesta básica encerrou o mês de junho registrando nova queda de preço em Cuiabá. Desta vez, a redução de 2,17% levou o valor médio da cesta para R$ 905,59. Ainda assim, levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) revelou que o preço atual da cesta básica permanece em alta, situando-se 9,72% acima da média de R$ 825,38 registrada no mesmo período de 2025.
Para o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, a melhora na oferta de produtos contribuiu para a redução do preço da cesta básica. Ele também ressaltou que as pressões inflacionárias ainda impedem uma queda mais significativa no valor pago pelo consumidor.
“O mês de junho, apesar das oscilações, finaliza com uma melhora nas condições de abastecimento de alguns alimentos, favorecendo a redução da cesta básica. No entanto, o patamar historicamente elevado e a expressiva variação anual demonstram que as pressões inflacionárias sobre a alimentação permanecem relevantes, limitando uma recuperação mais consistente do poder de compra das famílias”, disse Wenceslau Júnior.
Entre os itens que contribuíram para o recuo semanal da cesta básica, o tomate apresentou a maior variação negativa, com queda de 13,12%, atingindo o préço médio de R$ 11,62/kg. No entanto, em comparação com o mesmo período de 2025, o valor atual está 42,42% mais alto.
Conforme análise do IPF-MT, o avanço da safra, aliado à baixa qualidade dos frutos e à menor demanda, pode ter contribuído para a redução dos preços.
Pelo mesmo motivo, a batata apresentou redução de 5,33% no preço médio, passando a custar R$ 9,14/kg. O recuo foi influenciado pelo bom desempenho da safra, que ampliou a oferta do produto no mercado. Apesar da queda registrada na semana, o valor segue 74,18% acima do observado no mesmo período do ano passado.
Cenário semelhante foi observado no café, que registrou variação negativa de 3,83%, alcançando o valor médio de R$ 29,27/500 g. O avanço da safra e as condições climáticas favoráveis têm reforçado as expectativas de aumento da oferta, fator que pode ter contribuído para a redução dos preços.
Entre os três produtos que apresentaram as maiores variações na semana, o café é o único cujo preço atual está abaixo do registrado no mesmo período de 2025, com recuo de 14,42%. Apesar desse comportamento, a intensidade da redução ainda é insuficiente para compensar as pressões acumuladas ao longo do último ano sobre os demais produtos da cesta básica.
Wenceslau Júnior afirmou, ainda, que as quedas observadas nesta semana representam um alívio pontual para o consumidor, mas os expressivos aumentos anuais registrados em alguns produtos indicam que o processo de normalização dos preços ainda ocorre de forma gradual e desigual.
Agro Mato Grosso
Pequenas propriedades sustentam força da pecuária em Mato Grosso

Maior produtor de gado bovino do Brasil, Mato Grosso tem sua pecuária de corte sustentada principalmente por pequenas propriedades rurais. Dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) apontam que, das 106.009 fazendas voltadas à criação de bovinos para corte no estado, 85.005 possuem até 320 hectares, representando 80,1% do total.
Além de liderar o rebanho nacional, a bovinocultura de corte também aparece como a atividade econômica com maior número de estabelecimentos registrados em Mato Grosso, respondendo por 9,36% de todas as empresas cadastradas no estado. O setor supera segmentos tradicionais como cultivo de soja, comércio varejista de vestuário, transporte rodoviário de cargas e construção civil.
Os dados ainda mostram que a cadeia produtiva conta com 12.583 médias propriedades, equivalentes a 11,8% do total, além de 8.417 grandes fazendas, que representam 7,9% das unidades voltadas à pecuária de corte.
Entre os municípios com maior concentração de propriedades dedicadas à atividade, Colniza lidera o ranking estadual, com 3.762 fazendas cadastradas. Na sequência aparecem Cáceres, com 3.218 propriedades, Juína, com 2.485, Nova Bandeirantes, com 2.140, e Confresa, com 2.051.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne, Bruno de Jesus Andrade, os números demonstram que a força da pecuária estadual vai além dos grandes grupos empresariais.
“Quando observamos que mais de 90% das propriedades pecuárias são de pequeno porte, percebemos que a pecuária mato-grossense é construída por milhares de produtores que geram renda, empregos e movimentam a economia local. Essa ampla base produtiva é um dos fatores que ajudam Mato Grosso a manter sua liderança na produção de carne bovina”, afirmou.
Segundo ele, a presença da atividade em praticamente todas as regiões fortalece a economia dos municípios e amplia a capacidade de crescimento do setor.
“Temos uma cadeia produtiva diversificada, presente em todas as regiões do estado e cada vez mais focada em produtividade e tecnologia. Esse conjunto de fatores tem sido fundamental para consolidar Mato Grosso como uma referência mundial na produção de proteína animal”, completou.
Fonte: FolhaMax
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