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13 de agosto de 2026

Pantanal MT

Pai, filho e outras 3 pessoas são resgatadas de trabalho escravo em empresa de reciclagem em MT

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Cinco trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em uma empresa de reciclagem de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, durante uma operação realizada por auditores-fiscais do Trabalho na segunda-feira (22). A fiscalização ocorreu após uma denúncia recebida pelo plantão fiscal da Gerência Regional do Trabalho.

O resgate ocorreu cerca de um mês após uma trabalhadora doméstica ser encontrada em situação semelhante no mesmo município. Na ocasião, a vítima passou 11 meses sem receber salário e foi submetida a um esquema de servidão por dívida.

Embora os casos envolvam empregadores diferentes, os episódios reforçam um cenário preocupante em Mato Grosso, estado que liderou o ranking nacional de trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão em 2025.

Segundo a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso (SRTE-MT), na empresa de reciclagem, os trabalhadores eram submetidos a condições degradantes tanto no ambiente de trabalho quanto nos alojamentos fornecidos pela empresa.

Jornadas exaustivas e risco constante de acidentes

  • A fiscalização constatou que os trabalhadores enfrentavam jornadas exaustivas. Segundo os relatos, o expediente começava às 5h30 e frequentemente se estendia até depois das 22h.
  • Os auditores também encontraram máquinas antigas, sem manutenção adequada e operadas sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), obrigatórios por lei.
  • Além disso, as vítimas relataram que sofriam choques elétricos frequentes durante o uso dos equipamentos.

 

Aliciamento, alojamento precário e falta de água potável

 

Os trabalhadores recebiam alimentos recolhidos de sobras de feiras livres para consumo no alojamento. — Foto: SRTE-MT

Os trabalhadores recebiam alimentos recolhidos de sobras de feiras livres para consumo no alojamento. — Foto: SRTE-MT

Entre os cinco trabalhadores resgatados, três são do interior de Mato Grosso. Os outros dois, pai e filho, moram em Rondonópolis. De acordo com a denúncia, um casal foi atraído para a empresa após receber falsas promessas de emprego.

Além das falsas promessas de aliciamento, a fiscalização verificou que os trabalhadores viviam em condições precárias. O local funcionava sem fornecimento regular de água potável. Segundo a SRTE-MT, a água consumida pelos trabalhadores era transportada pelos empregadores em garrafas PET de forma inadequada.

Além disso, os trabalhadores recebiam alimentos recolhidos de sobras de feiras livres para consumo no alojamento, conforme apontou o relatório da operação.

Os auditores também constataram que o casal utilizava banheiros compartilhados com os demais funcionários e ocupava quartos sem armárioscom pouca ventilação e sem fornecimento de roupas de cama.

Acordo com o Ministério do Trabalho

Após a operação, o procurador do Trabalho Pedro Henrique Godinho Faccioli, propôs, durante audiência, a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a empresa investigada. Pelo acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a empresa se comprometeu a cumprir 16 obrigações, entre elas:

  • não submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão, incluindo trabalho forçado;
  • não submeter trabalhadores a jornada exaustiva;
  • não submeter trabalhadores a servidão por dívida ou condições degradantes;
  • proibida qualquer forma de restrição à locomoção dos funcionários.

A empresa ainda assumiu o compromisso de regularizar a situação dos trabalhadores, com registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), pagamento das verbas rescisórias e indenizações por dano moral individual.

Além disso, deverá custear o deslocamento dos trabalhadores até suas cidades de origem e garantir hospedagem até o retorno.

O TAC também prevê multa de R$ 20 mil por obrigação descumprida e por trabalhador prejudicado, em caso de reincidência das irregularidades.

Mato Grosso liderou ranking nacional em 2025

Mais de 500 trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em MT

Segundo o levantamento, 606 trabalhadores foram liberados de situações degradantes no estado apenas no ano passado.

O principal caso ocorreu no mês de agosto de 2025, em Porto Alegre do Norte, a 1.021 km de Cuiabá, onde 586 pessoas foram encontradas em condições análogas à escravidão durante a construção de uma usina de etanol.

Os dados integram o relatório ‘Conflitos no Campo Brasil 2025‘, lançado nesta terça-feira (19) pela Comissão Pastoral da Terra de Mato Grosso (CPT-MT), em Cuiabá.

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Agro Mato Grosso

Alta Floresta amplia rede de pontes de dossel para animais silvestres

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Alta Floresta (MT) instalará oito novas pontes artificiais de dossel durante a segunda etapa do programa Alta Floresta Não Atropela (AFNA), realizada entre os dias 3 e 20 de agosto de 2026. Com a ampliação, o município passará a contar com 15 estruturas destinadas a reconectar fragmentos florestais, permitir o deslocamento seguro de animais arborícolas e reduzir os atropelamentos de fauna nas vias urbanas.

A iniciativa é coordenada pela bióloga Fernanda Abra, do Projeto Reconecta, vencedora do Whitley Award 2024 e reconhecida pela National Geographic Society como National Geographic Explorer. As novas estruturas seguirão o modelo técnico desenvolvido pelo Projeto Reconecta e incorporado às diretrizes nacionais do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

 

Quase 15 mil travessias registradas
As primeiras sete pontes de dossel foram instaladas em Alta Floresta em outubro de 2024. Em 15 meses de monitoramento por câmeras, o programa registrou quase 15 mil travessias de animais silvestres. Seis espécies de primatas já utilizaram as estruturas, entre elas espécies raras e ameaçadas de extinção.

Desde a instalação das pontes, também não foram registrados novos atropelamentos de primatas nas áreas diretamente contempladas pelas estruturas. Os resultados demonstram o potencial dessas passagens para restabelecer a conectividade do dossel e reduzir os riscos enfrentados pela fauna em ambientes urbanos.

“Os resultados mostram que as pontes não são apenas estruturas experimentais: elas são utilizadas diariamente pelos animais e oferecem uma alternativa segura para o deslocamento entre os fragmentos florestais. Alta Floresta está demonstrando que é possível conciliar desenvolvimento urbano, segurança viária e conservação da biodiversidade”, afirma Fernanda Abra.

“O reconhecimento da National Geographic Society foi um marco para todos nós. Ele permitiu levar Alta Floresta e sua extraordinária biodiversidade a uma audiência global. Quando ciência, poder público, empresas e comunidade trabalham juntos, é possível transformar desafios locais em soluções capazes de inspirar outras cidades”, destaca Fernanda Abra.

 

Oito novas pontes em pontos estratégicos
As novas pontes serão instaladas em quatro vias que concentram registros de incidentes envolvendo animais silvestres:
• quatro na Avenida Teles Pires;
• duas na Rua Raimundo Carlos de Figueiredo;
• uma na Avenida Jaime Veríssimo de Campos;
• uma na Avenida Mato Grosso.

As estruturas utilizarão o sistema conhecido como “3 em 1”, formado por elementos que atendem às diferentes formas de locomoção dos animais: uma ponte com cordas entrecruzadas, uma ponte composta por cabo de aço e cordas trançadas e um cabo superior que auxilia o deslocamento de espécies com cauda preênsil.

Outra novidade desta etapa é a participação da Energisa na adequação da rede elétrica próxima às travessias. A empresa realizará o rebaixamento das redes e o isolamento dos cabos em dez pontos, incluindo duas pontes já existentes, para diminuir o risco de choques elétricos em animais silvestres.

 

Uma cidade amazônica com seis espécies de primatas
A área urbana e periurbana de Alta Floresta abriga seis espécies de primatas: o macaco-aranha-de-cara-branca (Ateles chamek), o zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi), o sauim-de-Schneider (Mico schneideri), o bugio-ruivo-do-rio-Purus (Alouatta puruensis), o macaco-prego (Sapajus apella) e o macaco-da-noite (Aotus sp.).

Quatro delas estão ameaçadas de extinção em nível global. O zogue-zogue-de-Alta-Floresta é classificado como Criticamente em Perigo e foi descrito pela ciência apenas em 2019. Essa espécie é o animal símbolo de Alta Floresta.
O macaco-aranha-de-cara-preta e o sauim-de-Schneider são classificados como Em Perigo, enquanto o bugio-ruivo-do-rio-Purus é consideradoVulnerável.

Essa diversidade confere a Alta Floresta uma importância singular para a conservação dos primatas amazônicos. Ao mesmo tempo, a expansão urbana e a abertura de vias fragmentam os remanescentes florestais, interrompem as rotas naturais de deslocamento e expõem os animais a atropelamentos, eletrocussões e outros riscos.

“Ver o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, uma espécie que existe apenas na nossa região e que se tornou um símbolo da cidade, utilizando as pontes de dossel é algo emocionante. Cada travessia registrada representa uma oportunidade de sobrevivência para essa espécie criticamente ameaçada e reforça a importância de investirmos em soluções que mantenham a floresta conectada.” – Vitória Da Riva, Fundação Ecológica Cristalino

 

Modelo tornou-se referência nacional
O modelo de ponte de dossel desenvolvido pelo Projeto Reconecta e implementado em Alta Floresta passou a integrar as orientações técnicas nacionais para a mitigação dos impactos das rodovias sobre a fauna.

Em abril de 2026, o DNIT publicou o livro “Segurança Viária e Conservação da Fauna: Medidas de Mitigação para Reduzir Impactos sobre Animais Silvestres em Rodovias Federais Brasileiras”. A publicação apresenta diretrizes e projetos técnicos para diferentes medidas de mitigação, incluindo o modelo de ponte artificial de dossel adotado pelo programa.

Com a instalação das novas estruturas, Alta Floresta consolida-se como município Amazônico pioneiro na aplicação de uma solução brasileira para redução de impactos causados pelas vias e o tráfego sobre a fauna silvestre.

 

Parceria entre ciência, poder público e iniciativa privada
A segunda etapa do Alta Floresta Não Atropela é realizada pela Prefeitura de Alta Floresta, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e Conselho Municipal de Segurança Pública, pelo Projeto Reconecta, pela Energisa, pela Fazenda Anacã e pela Fundação Ecológica Cristalino.

O projeto conta com recursos e apoio da Whitley Fund for Nature, National Geographic Society, Sounds Right e Smithsonian’s National Zoo and Conservation Biology Institute.

A Prefeitura oferece contrapartidas para a aquisição de postes e cruzetas, disponibilização de caminhão munck e alimentação das equipes. A Fazenda Anacã contribui com hospedagem, alimentação e recursos humanos, enquanto a Fundação Ecológica Cristalino apoia as ações de hospedagem, educação ambiental e divulgação.

 

Lançamento da segunda etapa
O lançamento oficial da segunda etapa do programa Alta Floresta Não Atropela será realizado no dia 10 de agosto de 2026, às 19h, no Teatro da Praça do Avião, em Alta Floresta.

O evento contará com representantes do poder público, das instituições parceiras e da comunidade local, incluindo o prefeito de Alta Floresta, a secretária municipal de Meio Ambiente, Gercilene Meira, e o diretor municipal de Segurança Pública.

 

Alta Floresta Não Atropela além das pontes

Além das pontes de dossel, o Municipio também mantém um outdoor em local privilegiado da cidade a fim de que a população acompanha a contagem de número de travessias nas pontes da cidade. Essa é uma forma de engajar a população e conhecerem os resultados do projeto.

O município também adotou 40 placas de sinalização de travessia de fauna especiais utilizando as silhuetas dos animais da cidade, especialmente do Zogue-zogue-de-Alta-Floresta e outros primatas. Também, em 2024 1300 crianças das escolas de Alta Floresta participaram de atividades de educação ambiental para aprender sobre a diversidade dos primatas locais e a respeitá-los. Em 2026, escolas da rede pública de Alta Floresta participarão de atividades lúdicas como confecção de mascaras com as faces dos primatas da cidade, além de participarem de visitas guiadas no Parque Zoobotânico e assistirem a um vídeo documentário sobre a fauna da região de Alta Floresta produzido pelo fotógrafo e cineasta da vida selvagem, João Paulo Krajewski.

Ainda, a equipe do Projeto Reconecta e Professores e alunos da UNEMAT e Universidade Federal de Viçosa farão o 1º Censo de primatas da área urbana de alta Floresta. Será criada uma metodologia unindo censo de transecto a pé com drones termais para detecção dos primatas em quatro fragmentos florestais do município, Fazenda Anacã, Reserva Surucuá, Parque Zoobotânico Leopoldo Linhares Fernandes e Floresta Experimental da UNEMAT. Essa metodologia será replicada ao longo dos próximos anos e servirá de linha base para compreensão da dinâmica populacional das espécies do município.

“Realizar o primeiro censo de primatas da área urbana de Alta Floresta é fundamental para conhecermos melhor o tamanho, a distribuição e a situação dessas populações nos fragmentos florestais do município. Mais do que produzir um retrato deste momento, queremos estabelecer uma linha de base científica e manter o monitoramento ao longo dos próximos anos. Pesquisas de longo prazo são essenciais para identificarmos mudanças populacionais, avaliarmos os efeitos da urbanização e das ações de conservação e orientarmos decisões mais eficazes para garantir a permanência dessas espécies em Alta Floresta”, explica Luan Goebel, pesquisador do Projeto Reconecta que liderará o censo.

 

Sobre o Alta Floresta Não Atropela
Lançado em 2024, o Alta Floresta Não Atropela é um programa pioneiro que reúne ciência, poder público, iniciativa privada e comunidade para reduzir os impactos das vias urbanas sobre a fauna silvestre. Suas ações incluem a instalação e o monitoramento de pontes de dossel, medidas de segurança para a fauna e atividades de educação e sensibilização ambiental.Além das estruturas instaladas em Alta Floresta, o Projeto Reconecta participa da manutenção e do monitoramento de 32 pontes de dossel distribuídas ao longo de 125 quilômetros da BR-174, no trecho que atravessa a Terra Indígena Waimiri Atroari, entre Amazonas e Roraima.

“O Reconecta e o Programa Alta Floresta Não Atropela transformaram Alta Floresta em uma referência para a conservação da fauna em áreas urbanas da Amazônia. Os resultados demonstram que, com ciência, parceria e planejamento, é possível proteger a biodiversidade e promover o desenvolvimento sustentável.” -– Gercilene Meira Leite, Secretária Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Alta Floresta.

“Para nós, é uma grande honra ter três pontes de dossel instaladas próximas à Fazenda Anacã. As pontes ajudam a manter os animais seguros e, ao mesmo tempo, fortalecem o turismo de natureza, permitindo que visitantes conheçam a extraordinária biodiversidade da região. É um excelente exemplo de como conservação e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.” – Fernão Prado, Fazenda Anacã

 

Serviço
O quê: Lançamento da 2ª fase do Programa Alta Floresta Não Atropela — instalação de 8 novas pontes de dossel
Quando: 10 de agosto de 2026, às 19h
Onde: Teatro da Praça do Avião — Alta Floresta (MT)
Instalação das pontes: 3 a 20 de agosto de 2026
Informações para a imprensa: [Josana Salles – 65-99966-3681
Imagens: Seguem algumas imagens abaixo com as respectivas legendas e créditos.

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Agro Mato Grosso

VÍDEO: ‘porcos selvagens’ invadem quintal de casa e colocam moradores para correr em MT

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Um bando com mais de 40 queixadas, conhecidos popularmente como porcos-do-mato ou porcos selvagens, invadiu o quintal de uma casa e assustou os moradores no assentamento Brasil Novo, em Querência, a 912 km de Cuiabá, na última semana. Câmeras de segurança registraram o momento em que os animais entram na propriedade em meio aos latidos dos cachorros e gritos de desespero (assista abaixo).

Apesar da cena impressionante, ninguém ficou ferido e os animais não provocaram danos à propriedade. A dona da casa, Elenice Paes Cardoso, contou que a presença dos queixadas é comum na região, mas nunca havia presenciado uma invasão como essa.

“A gente ficou desesperado, com medo, nunca tinha visto tão de perto”, relatou.

Segundo Elenice, a reação de um dos cachorros pode ter atraído o grupo para dentro do quintal. “Tinha uma cachorra da minha sogra lá que não tem costume com essa espécie. Ela foi para cima e eles vieram”, explicou.

Embora o episódio tenha terminado sem ataques, o desfecho poderia ter sido diferente. De acordo com o biólogo Henrique Abrahão Charles, os queixadas podem reagir de forma agressiva quando se sentem ameaçados, principalmente se estiverem em grandes grupos.

“Podem atacar tanto cachorro quanto pessoas. Não é bom ficar no caminho, não. Podem inclusive matar outros animais caso haja conflito”, alertou.

O tamanho do bando também chamou atenção. Conforme o especialista, os queixadas vivem em grupos numerosos, normalmente com cerca de 50 indivíduos, mas há registros de bandos que ultrapassam 200 animais.

''Porcos selvagens' invadem quintal de casa e colocam moradores para correr em MT — Foto: Reprodução

”Porcos selvagens’ invadem quintal de casa e colocam moradores para correr em MT — Foto: Reprodução

Queixadas não são porcos

Apesar de serem conhecidos popularmente como porcos-do-mato ou porcos selvagens, os queixadas (Tayassu pecari) não pertencem à mesma família dos porcos. Eles são mamíferos da família dos taiaçuídeos, grupo nativo das Américas, assim como os catetos.

A espécie possui pelagem escura, com uma característica faixa esbranquiçada na região do queixo, pesa cerca de 30 quilos e ocorre em praticamente todo o território brasileiro. Para sobreviver, depende de grandes áreas contínuas de vegetação preservada, que podem chegar a sete mil hectares, além da presença de riachos e matas.

Espécie enfrenta risco de desaparecimento

 

O queixada ( Tayassu pecari ) é uma espécie encontrada na América Central e do Sul e o único membro do gênero Tayassu. — Foto: Projeto Hapia/Carlos Tuyama

O queixada ( Tayassu pecari ) é uma espécie encontrada na América Central e do Sul e o único membro do gênero Tayassu. — Foto: Projeto Hapia/Carlos Tuyama

Embora ainda seja encontrada em diferentes regiões do Brasil, a população de queixadas vem diminuindo devido à destruição do habitat provocada pelo desmatamento, queimadas e pela caça ilegal para comercialização da carne.

Há alguns anos, a espécie está classificada como “Criticamente em Perigo” na Mata Atlântica, “Em Perigo” no Cerrado e “Vulnerável” no Brasil, conforme avaliações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

VIDEO:

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Agro Mato Grosso

VÍDEO: capivara escapa de ataque de onça-pintada às margens de rio no Pantanal de MT

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O macho de onça-pintada Ousado, um dos animais mais conhecidos do Pantanal mato-grossense, foi flagrado perdendo uma caçada após uma capivara escapar no último instante, no rio Três Irmãos, na região de Porto Jofre. O vídeo, publicado nas redes sociais no último sábado (1º), mostra a estratégia incomum usada pelo felino para tentar surpreender a presa (assista abaixo).

As imagens foram registradas pelo casal de guias de turismo Branco Arruda e Raquelle Saladin, enquanto acompanhavam uma família de turistas norte-americanos pela região.

No vídeo, Ousado nada silenciosamente em direção à margem do rio, onde a capivara está parada. Em determinado momento, ele mergulha para tentar surpreender o animal por baixo da água. Antes que o felino emerja, porém, a capivara parece perceber a aproximação e salta para dentro do rio, conseguindo escapar. Quando volta à superfície, Ousado observa a presa se afastando e parece desistir da investida. Toda a cena é acompanhada pelos turistas, que reagem a cada movimento dos animais.

Raquelle contou que o grupo percebeu a presença da capivara e decidiu manter distância para não interferir na caçada.

“O Ousado passou e ficamos acompanhando ele por um longo período. Quando a gente viu a capivara, já paramos para não atrapalhar ele, mas a capivara parece ter visto ele. Eu trabalho no Pantanal há 18 anos e ainda é indescritível a sensação de encontrar uma onça-pintada. Ainda me emociono e fico mais emocionada ao ver a alegria dos turistas”, afirmou.

Veja Video:

Segundo a guia, a, já conhecida, forma como Ousado tenta capturar as presas ainda chama atenção. “É um comportamento do Ousado mesmo. Ele caça dessa maneira, na aproximação. Ele mergulha para tentar agarrar a presa”.

De acordo com especialistas, esse tipo de abordagem é considerado incomum entre as onças-pintadas da região, tornando Ousado conhecido justamente por essa técnica de caça.

Outro detalhe que chamou atenção dos turistas é o colar que o animal ainda carrega no pescoço. Ousado é a única onça conhecida da região que continua usando o equipamento.

Ousado passou a usar um colar de monitoramento após se recuperar dos ferimentos causados durante o maior incêndio do Pantanal de MT — Foto: Marcelo Tchebes

Ousado passou a usar um colar de monitoramento após se recuperar dos ferimentos causados durante o maior incêndio do Pantanal de MT — Foto: Marcelo Tchebes

Por que Ousado ainda usa um colar?

O felino se tornou símbolo da recuperação do Pantanal depois de ser resgatado em 2020 com queimaduras de terceiro grau nas patas e problemas respiratórios provocados pela intensa fumaça dos incêndios que devastaram o bioma.

Ousado teve as quatro patas queimadas durante o incêndio no Pantanal em 2020 — Foto: Corpo de Bombeiros

Ousado teve as quatro patas queimadas durante o incêndio no Pantanal em 2020 — Foto: Corpo de Bombeiros

Após meses de tratamento, ele voltou à natureza usando um GPS-colar para que pesquisadores acompanhassem sua recuperação e adaptação ao ambiente no período pós-incêndio.

Ao g1, o coordenador do Programa de Conservação da ONG Panthera, Fernando Tortato, explicou que o equipamento deveria ter se desprendido automaticamente ao fim do período de monitoramento, mas houve uma falha no mecanismo.

“O colar enviou uma localização por hora durante cerca de 14 meses, permitindo entender como o Ousado utilizava a paisagem e como se deslocava pelo Pantanal após os incêndios. O equipamento possuía um dispositivo de soltura automática programado para cair sozinho, mas, infelizmente, esse mecanismo apresentou falha e o colar permaneceu no animal”, explicou.

Segundo Tortato, desde então o acompanhamento passou a ser feito por armadilhas fotográficas, observações em campo e registros enviados por pesquisadores, guias e turistas.

Ele destaca que, até o momento, não há qualquer indício de que o colar esteja prejudicando a saúde ou o comportamento da onça.

“O Ousado está desempenhando as funções normais que uma onça desempenha. Está caçando, nadando e se deslocando dentro do território esperado. O colar não representa risco para a vida do animal nem interfere nas atividades de rotina”.

 

Retirar o equipamento traria mais riscos

 

Onça ‘Ousado’ bebendo água — Foto: Ailton Lara

Onça ‘Ousado’ bebendo água — Foto: Ailton Lara

Apesar dos questionamentos frequentes sobre a retirada do colar, a equipe técnica afirma que capturar novamente Ousado seria mais perigoso do que mantê-lo com o equipamento.

Segundo Tortato, a captura exigiria anestesiar um animal de vida livre em áreas próximas aos rios, aumentando o risco de acidentes, como quedas em locais alagados e até afogamento. Além disso, os métodos de captura não permitem escolher qual onça será capturada primeiro, o que poderia expor outros animais aos mesmos procedimentos.

“O Ousado já é um animal idoso, com mais de 13 anos. Como o colar não provoca ferimentos nem interfere na vida dele, a decisão técnica, tomada em conjunto por várias instituições e especialistas, é não realizar uma captura apenas para remover o equipamento”, afirmou.

 

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