Connect with us
23 de junho de 2026

Featured

Pecando em gravidade

Published

on


Às seis da manhã, o padre Antônio foi acordado por batidas desesperadas na porta. Do outro lado estava Damião, convencido de que havia cometido um pecado grave: não acreditava que o homem tinha ido à Lua.

Naquela hora, o padre, recém-ordenado e cheio de vontade de atuar na comunidade, pensou que os caminhos propostos pelo grande arquiteto da humanidade eram realmente incertos.

Então, o fiel insistiu:
— Aqui é o Damião, padre! Preciso falar com o senhor. Acho que estou em pecado. Minha mente está me traindo.

Movido pela obrigação espiritual e pela curiosidade, o religioso abriu a porta e ouviu Damião dizer que precisava se confessar porque não acreditava que o homem tinha ido ao espaço, muito menos à Lua. Uma constatação que o colocara em terrível aflição, já que havia debatido a questão com um amigo e ouvira dele que pensar uma sandice dessas era pecado.

Como a ideia ficou martelando em sua cabeça, roubando-lhe o descanso e o juízo, Damião esperou as primeiras horas da manhã para procurar quem, na cidade, era especialista em pecado: o padre.

Damião começou sua fala pedindo desculpas pelo horário e logo iniciou o desatino:
— Padre, pensei em todas as formas possíveis de o homem ir à Lua e obtive apenas mais perguntas, nenhuma resposta. A primeira delas é a seguinte: a nave sai daqui empurrada por foguetes e, lá, não tem foguetes para empurrá-la de volta para a Terra. Não é mesmo?
A partir daí começaram as indagações:
— Como eles acharam o caminho sem Google Maps? Onde reabasteceram? Como frearam para chegar e aceleraram para sair da Lua?

A paciência do pároco foi se esvaindo até que veio a resposta:
— Damião, presta atenção. Você não sabe que, na descida, todo santo ajuda? Então foi isso. Na hora de voltar, eles colocaram no ponto morto e desceram na banguela. Sua penitência será rezar 20 pais-nossos e 20 ave-marias. E a oração não é pelo pecado; é pela burrice. E tem mais: vá rezar na sua casa, porque eu vou tomar meu café em paz.

E o leitor que chegou até aqui talvez esteja pensando:
— Mas ele quebrou o sigilo da confissão?
A resposta é não.

Quem se encarregou de espalhar a história e registrá-la nos anais etílicos dos botecos do município foi o próprio fiel. Indignado, ele continuou relatando o caso em todo agrupamento de pessoas que encontrava pelo caminho.

Vale ressaltar que, até hoje, Damião não obteve uma resposta que considere plausível. Já o padre reza diariamente para nunca mais ser acordado por dúvidas astronômicas às seis da manhã.
Os nomes deste texto são fictícios para preservar a identidade dos envolvidos. Embora, na cidade, praticamente todo mundo já sabe quem eles são.

***Caroline Rodrigues é jornalista há mais de 20 anos, tenta praticar esportes desde sempre, chora em filmes em que o cachorro morre no final e conta causos em boteco. É acadêmica de Nutrição e escreve sobre temas diversos. Resumindo: fala de tudo e se especializou em muitos nadas.

The post Pecando em gravidade appeared first on O Livre.

Continue Reading

Featured

Sem mexer no regimento interno, Paula Calil já tem voto suficiente para ser reeleita presidente

Published

on


Presidente da Câmara de Cuiabá recebeu colegas em um jantar para acertar um acordo para a próxima eleição da Mesa Diretora

A presidente da Câmara de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), conseguiu apoio prévio de 14 vereadores para a reeleição ao comando da Mesa Diretora. Mas o acordo ainda depende de que ela consiga os votos necessários para mudar o regimento interno da Câmara. 

Paula Calil recebeu 13 vereadores em sua casa para um jantar nessa segunda-feira (22). No grupo estavam os vereadores Dilemário Alencar (União Brasil), candidato a presidente da Câmara, e Baixinha Giraldelli (SD), parte do grupo de apoio a ele. 

Dilemário havia dito que apoiaria a reeleição de Paula Calil desde que ela conseguisse os 14 votos necessários para eleição. Mas o problema maior para a atual presidente está em conseguir 18 votos, no mínimo, para modificar o regimento interno. 

Ela terá que convencer ao menos outros quatro vereadores para isso. E do outro lado está o vereador Ilde Taques (PODE) que, entre altos e baixos, mantém até o momento sua candidatura a presidente da Câmara – vale lembrar que alguns meses atrás ele dizia ter a maioria dos votos. 

O apoio antecipado de Paula Calil mostra a força sua política. Paula decidiu concorrer a novo mandato de presidente após o prefeito Abilio Brunini (PL) anunciar que tentaria convencer Dilemário e Ildes a se juntarem ao projeto. 

O regimento interno precisa ser modificado para permitir que um mesmo vereador seja eleito para o mesmo cargo na Mesa Diretora por duas eleições internas seguidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já autorizou essa regra, a Câmara deve usar esse argumento para mexer no regimento. 

Continue Reading

Agro Mato Grosso

Raízes que transformam: a história de Osmar e Diovani Frizzo em Querência MT

Published

on

Vindos do Rio Grande do Sul, Osmar e Diovani Frizzo ajudaram a construir uma história marcada pelo pioneirismo e amor por Mato Grosso

A cerca de 700 quilômetros de Cuiabá, o casal Osmar Frizzo e Diovani Roselei Frizzo construiu uma trajetória sólida e inspiradora em Querência. Há mais de 30 anos, eles estabeleceram raízes no município mato-grossense, trazendo do Rio Grande do Sul a determinação herdada dos antepassados e o sonho de crescer junto com a terra.

Foi ainda jovem que Osmar decidiu qual caminho queria seguir. Para ele, o segredo para construir uma trajetória sólida sempre esteve ligado a princípios simples, mas fundamentais. “Para ter sucesso, são três coisas importantes. A primeira coisa é fazer aquilo que você gosta. A segunda coisa é saber fazer aquilo. E a terceira coisa é o que sustenta tudo isso. Você tem que ganhar dinheiro com isso”, afirma.

Foi ao lado de Diovani que ele decidiu transformar sonhos em realidade. Após o casamento, o casal começou a planejar uma nova vida. A ligação com o agro já fazia parte da história da família de Diovani há gerações. “Meu pai, como a gente já produzia há muitos anos no Rio Grande do Sul, venho de uma família dentro do agro”, relembra.

O desejo de migrar para Mato Grosso surgiu justamente através do pai dela, Pedro, que acreditava no potencial da região. Osmar conta que o convite aconteceu de forma direta. “Ele queria que eu trabalhasse com ele. Falei para ele que se eu fosse mexer com lavoura, que eu mexeria só no Mato Grosso.”

Segundo Diovani, a decisão nasceu da união entre sonho e oportunidade. “Aí uniu as vontades, onde eles começaram realmente buscando uma melhor região, onde o preço das áreas de terra seriam adequadas à nossa realidade da época.”

A mudança definitiva aconteceu em agosto de 1994. Na memória do casal, aquele momento marcou o início de uma nova vida. “Eu falei para minha esposa: é só uma viagem de ida, mas o importante era vir com o objetivo de ficar. Nós sabíamos que íamos enfrentar dificuldades”, destaca.

E as dificuldades realmente vieram. O início da trajetória em Querência foi marcado por muito trabalho e resiliência. “Nós começamos a plantar 100 hectares. Depois começamos a abrir mais áreas e começar a plantar soja, milho e milheto”, conta Osmar.

Com o passar dos anos, o crescimento da produção caminhou lado a lado com o desenvolvimento do município. Para o produtor, os pioneiros da região tiveram papel fundamental na construção da cidade. “Os produtores aqui de Querência têm esse espírito de pioneirismo mesmo”, afirma.

Esse espírito comunitário ultrapassou as porteiras das fazendas. Osmar relembra que produtores rurais participaram ativamente da construção de estruturas importantes para o município. “Nós, produtores, construímos o CTG. Nós ajudamos a construir as delegacias aqui em Querência. Ajudamos a construir colégios. O fórum aqui de Querência foram nós, produtores, que construímos.”

Entre os momentos mais marcantes dessa trajetória, Osmar recorda aquele que ganhou significado especial durante a pandemia da Covid-19. Na época presidente do sindicato rural, Osmar liderou uma mobilização para ajudar o município na construção de uma UTI. “Eu convoquei os produtores rurais no domingo de manhã e os produtores atenderam ao chamado. Naquele dia, nós conseguimos 500 mil reais. Era cheque, era depósito”, conta. Ao final da campanha, mais de R$1,2 milhão haviam sido arrecadados.

O resultado da união ainda permanece como legado para a cidade. “Nós construímos essa UTI. Na época, ajudou a salvar muitas pessoas aqui de Querência e ainda, até hoje, está funcionando. Então eu acho que foi um marco muito importante aqui para Querência e um feito que realmente fez a diferença.”

A trajetória da família Frizzo também carrega marcas de superação e memória. Um dos maiores incentivadores da mudança para Mato Grosso foi Pedro, pai de Diovani. Sonhador e apaixonado pelo agro, ele desejava reunir toda a família em Querência. No entanto, um acidente interrompeu precocemente esse sonho. “Infelizmente, houve um acidente no ano de 2000. Em janeiro de 2001, ele acabou falecendo. Ele não conseguiu concluir o sonho que ele tinha de vir, trazer toda a família para o Mato Grosso”, relembra Diovani.

Mesmo diante da dor, permanecer em Querência se tornou uma forma de honrar a história construída por ele. “Nós, por opção, junto com toda a família, optamos por seguir aqui em Querência, como era o sonho dele. E nós continuamos e ficamos aqui, e honramos toda essa história que foi construída a partir do nosso pai.”

Hoje, ao olhar para trás, Osmar e Diovani enxergam muito mais do que lavouras cultivadas. Veem uma vida construída com coragem, trabalho e propósito. Uma história que cresceu junto com Querência e que segue fazendo a diferença na vida de muitas pessoas.

https://www.youtube.com/watch?v=AZ3b_SFAuzY
Continue Reading

Agro Mato Grosso

Déficit de armazenagem em MT impulsiona uso de silo bolsa para estocar milho nas propriedades

Published

on

Produtores recorrem ao silo bolsa para ganhar autonomia e reduzir a pressão logística durante a colheita

A perspectiva de mais uma safra recorde de grãos em Mato Grosso desperta um problema antigo no campo: a falta de estrutura para armazenar a produção. O avanço da produção segue em ritmo superior à expansão da capacidade de estocagem, ampliando um gargalo que impacta diretamente a logística, os custos e a rentabilidade do produtor rural.

Atualmente, a capacidade de armazenagem de grãos no Brasil, está estimada em cerca de 225 milhões de toneladas, mostrando-se insuficiente frente à produção nacional. Este número faz com que grande parte da produção precise ser escoada imediatamente após a colheita, pressionando a logística, aumentando filas em unidades recebedoras e reduzindo a capacidade de negociação do produtor rural.

Diante desse cenário, cresce o uso do silo bolsa como alternativa temporária ou complementar para armazenagem dentro das fazendas. Para o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, o déficit de armazenagem continua sendo um dos principais desafios estruturais enfrentados pelo produtor mato-grossense, comprometendo o planejamento da propriedade e reduzindo a autonomia do produtor na hora de comercializar a produção.

“Quando chega o momento da colheita, o produtor muitas vezes não tem onde armazenar a produção. Em várias cidades de Mato Grosso há apenas um ou dois armazéns, e todos acabam colhendo praticamente no mesmo período. Com isso, surgem as filas para descarregar e o produtor fica dias com os caminhões aguardando. Esse atraso afeta diretamente a colheita, reduz a produtividade e compromete a rentabilidade. Na prática, ele acaba ficando refém das tradings e de quem tem estrutura para receber e armazenar esse produto. E, claro, sem o produto em mãos, ele não consegue negociar no momento que considera mais adequado, mas sim quando o mercado está comprando. Se ele tivesse o produto estocado dentro da própria propriedade, com estrutura de armazenagem, poderia escolher o melhor momento para vender, conseguindo melhores preços e maior rentabilidade”, pontuou.

Diante desse cenário, Gilson avalia que o silo bolsa tem se consolidado como uma alternativa eficiente e economicamente viável para ampliar a capacidade de armazenagem dentro das propriedades.

“O silo bolsa caiu como uma luva nesse cenário. Se considerarmos que a capacidade de armazenagem cobre cerca de 50% da safra, o restante acaba ficando na lavoura ou nos caminhões. Nesse contexto, a silo bolsa se tornou uma das primeiras alternativas dos produtores para armazenar a produção. Ela não exige um custo elevado para implantação, mantém a qualidade dos grãos e permite que o produtor comercialize em um momento mais estratégico, quando o mercado não está em plena colheita, o que geralmente resulta em melhores preços. Hoje, depois dos armazéns convencionais, a silo bolsa é uma das alternativas mais viáveis, especialmente para a segunda safra. É uma solução que garante a conservação do produto com um custo relativamente baixo, considerando os benefícios que oferece”, salientou Gilson Antunes de Melo.

De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), embora Mato Grosso possua a maior capacidade instalada do país, com cerca de 57,9 milhões de toneladas, esse volume é suficiente para armazenar 52% da produção total de grãos do estado, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e 56% se considerada apenas as culturas de soja e milho, gerando um déficit estimado em 45,28 milhões de toneladas. Esse descompasso evidencia um gargalo estrutural, no qual a expansão da produção supera de forma consistente a evolução da infraestrutura.

O produtor rural de Campos de Júlio, Ivo Frohlich Júnior, relata que a falta de espaço para armazenar a produção dentro da propriedade muda completamente a dinâmica da colheita e da venda do milho.

“O principal motivo que nos levou a adotar o uso da silo bolsa foi a possibilidade de obter um preço melhor. Na entressafra, é possível alcançar valores mais atrativos, o que acaba compensando todos os custos do sistema e garantindo rentabilidade. Outro ponto importante é a questão do frete, já que a contratação de caminhões, especialmente no caso do milho, eleva significativamente os custos logísticos. Além disso, há também os descontos praticados pelas empresas e os custos de armazenagem. Com a silo bolsa, o produtor ganha mais autonomia, uma vez que ele fica livre para negociar no mercado, vender para quem quiser e quando puder, inclusive para o mercado interno, sem pagar custos de armazenagem. Para mim, ela continua sendo uma das melhores opções disponíveis”, afirmou.

Na prática, o uso do silo bolsa tem ganhado cada vez mais espaço entre os produtores como alternativa para ampliar a autonomia na armazenagem e melhorar a estratégia de comercialização. Para Ivo, a ferramenta já se tornou essencial dentro da propriedade, principalmente diante das limitações da estrutura tradicional de armazenagem no estado.

“Para mim, a silo bolsa se tornou uma ferramenta indispensável. Sem sombra de dúvida, o produtor que ainda não utiliza essa alternativa acaba deixando muito dinheiro para as tradings. Eu vejo a silo bolsa como uma das tecnologias de armazenamento que chegaram para ficar e que têm sido cada vez mais utilizadas. Quem adotou essa ferramenta até hoje, em geral, não se arrepende, justamente pelos benefícios que ela oferece. E a tendência é que cada vez mais produtores passem a utilizá-la”, disse Ivo.

Devido ao aumento constante da produção e da defasagem estrutural, o uso do silo bolsa surge como uma alternativa cada vez mais presente no campo, enquanto o setor busca soluções de longo prazo para equilibrar a oferta de grãos e a capacidade de armazenamento no estado. Para a entidade, ampliar a infraestrutura de armazenagem segue como uma das pautas estratégicas para o fortalecimento do setor.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT