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Recuperação empresarial ganha protagonismo em congresso nacional realizado em MT

O aumento dos pedidos de recuperação judicial no Brasil, os desafios enfrentados pelo agronegócio, a volatilidade dos mercados internacionais e a necessidade de preservar empresas, empregos e investimentos colocaram a reestruturação empresarial no centro das discussões sobre o futuro da economia brasileira. Neste contexto, Mato Grosso recebe um dos mais importantes eventos do país dedicados ao tema.
A abertura do VIII Congresso de Reestruturação e Recuperação Empresarial ocorreu nesta quinta-feira (18), no Malai Manso, em Cuiabá, reunindo magistrados, advogados, membros do Ministério Público, administradores judiciais, professores, empresários e especialistas de diversas regiões do Brasil. O evento segue até esta sexta-feira (19).
Nos últimos anos, o país registrou crescimento significativo nos pedidos de recuperação judicial, impulsionado por fatores como o aumento do custo do crédito, oscilações nos mercados globais, eventos climáticos extremos e dificuldades enfrentadas por setores estratégicos da economia.
Em Mato Grosso, um dos maiores polos do agronegócio mundial, o tema ganhou ainda mais relevância diante dos desafios vividos por produtores rurais, cooperativas e empresas ligadas às cadeias produtivas do campo.
A presidente da Comissão de Estudos sobre a Lei de Falências e Recuperação Empresarial da OAB-MT, e organizadora do congresso, a advogada Aline Barini Nespoli destacou que a reestruturação empresarial tornou-se uma das ferramentas mais importantes para a retomada do equilíbrio econômico em períodos de crise.
“O direito precisa caminhar ao lado da economia, em compasso com o tempo do mercado”, afirmou.
Segundo ela, a economia é formada por uma complexa rede de relações entre empresas, trabalhadores, fornecedores, financiadores e consumidores, exigindo soluções jurídicas capazes de preservar atividades produtivas viáveis e garantir segurança jurídica aos envolvidos.
O conselheiro federal da OAB, Breno Miranda, ressaltou que o congresso alcançou relevância nacional ao reunir alguns dos principais especialistas brasileiros em recuperação e reestruturação empresarial.
“É motivo de orgulho ver este congresso consolidado como referência nacional. O fortalecimento do debate técnico e institucional contribui para o aperfeiçoamento da Justiça, para a segurança jurídica e para a construção de soluções que atendam às necessidades da economia contemporânea”, afirmou.
A presidente da OAB-MT, Gisela Cardoso, destacou que a recuperação judicial deixou de ser um tema restrito ao ambiente jurídico e passou a desempenhar papel estratégico para o desenvolvimento econômico do país.
Segundo ela, a preservação de empresas significa também preservar empregos, arrecadação tributária, investimentos e a própria função social da atividade econômica.
“A recuperação judicial é um espaço de diálogo institucional onde, por meio da técnica, da cooperação e da segurança jurídica, é possível transformar crises em oportunidades de reestruturação e viabilidade econômica”, observou.
Representando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o conselheiro Rodrigo Badaró defendeu a aproximação entre advocacia, magistratura e Ministério Público como elemento fundamental para a construção de um ambiente econômico estável e previsível.
“A preservação das empresas e dos empregos exige diálogo institucional e compreensão dos impactos econômicos das decisões judiciais”, destacou.
Coordenadora acadêmica do congresso, a desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira ressaltou que o evento reúne alguns dos maiores estudiosos do Direito da Insolvência do Brasil e do exterior, transformando Mato Grosso em um importante centro nacional de reflexão sobre o tema.
Ela destacou que o aperfeiçoamento dos mecanismos de recuperação empresarial é essencial para preservar empresas economicamente viáveis, estimular investimentos e fortalecer a geração de riqueza.
Representando o Ministério Público de Mato Grosso, o promotor Marcelo Vachiano observou que o Estado desenvolveu uma experiência singular na recuperação judicial ligada ao agronegócio, especialmente em relação ao produtor rural.
Segundo ele, a realidade mato-grossense tornou-se referência nacional por exigir soluções que conciliem interesses econômicos, preservação da atividade produtiva e segurança jurídica, em um setor que movimenta grande parte da economia brasileira.
Promovido pela OAB-MT, o VIII Congresso de Reestruturação e Recuperação Empresarial reúne autoridades do sistema de Justiça, especialistas nacionais e convidados internacionais para debater temas como recuperação judicial, insolvência empresarial, financiamento, arbitragem, agronegócio, inteligência artificial e os novos desafios da reestruturação de empresas em um cenário econômico cada vez mais complexo.
Agro Mato Grosso
Microbioma de insetos abre novas rotas para o manejo de pragas

Microrganismos associados a insetos podem produzir, modificar ou mediar sinais químicos usados em agregação, acasalamento, alimentação e escolha de hospedeiros. A conclusão aparece em trabalho que aponta quatro rotas principais de influência microbiana sobre a comunicação química dos insetos: produção direta de compostos orgânicos voláteis, fornecimento ou modificação de precursores de feromônios, alteração da função sensorial e neural do hospedeiro e efeitos dependentes de dieta, desenvolvimento, quorum sensing e microbiomas ambientais (DOI: 10.1002/ps.71015).
Os cientistas que realizaram o estudo consideram sistemas com maior evidência experimental aqueles nos quais a retirada de microrganismos causa perda do composto químico e do comportamento, seguida de recuperação após recolonização. Esse padrão aparece em estudos com a barata-germânica, Blattella germanica. Indivíduos sem microbiota produziram fezes sem vários ácidos carboxílicos voláteis ligados à agregação. A recolonização com bactérias intestinais restaurou o perfil químico e o comportamento de agregação.
Aplicação no campo
A aplicação mais próxima do campo envolve moscas-das-frutas. Leveduras e bactérias associadas à fermentação produzem etanol, ácido acético, álcoois fusel e ésteres. Esses compostos atraem adultos para locais de alimentação e oviposição. Iscas fermentativas com levedura e açúcar aumentaram capturas de Drosophila suzukii em comparação com iscas à base de vinagre ou misturas sintéticas em diversos sistemas. Os pesquisadores classificam essas ferramentas como promissoras para monitoramento e estratégias de atração e controle.
Os cientistas também destacam metabólitos de Xenorhabdus spp. Entre eles, fabclavinas e compostos relacionados apresentaram ação deterrente contra mosquitos em ensaios de laboratório. O trabalho cita ainda a geosmina, produzida por microrganismos do solo, como sinal capaz de provocar aversão em Drosophila. Esses exemplos indicam fontes microbianas para novos repelentes ou moduladores de comportamento.
Vetores agrícolas
O estudo também aborda vetores agrícolas. Em citros, alterações associadas a Candidatus Liberibacter modificam voláteis da planta, com aumento de salicilato de metila e atração do psilídeo-asiático-dos-citros, Diaphorina citri. Esse tipo de mudança pode favorecer a transmissão de patógenos. Também pode auxiliar no desenho de armadilhas ou sistemas de monitoramento baseados em odores induzidos por infecção.
Lacunas em estudos
Apesar do potencial, há lacunas importantes. Muitos estudos ainda mostram apenas associação entre insetos, microrganismos e voláteis. Falta conectar gene microbiano, metabólito e resposta comportamental. Os pesquisadores defendem ensaios com criação axênica, antibióticos, recolonização, cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas, eletroantenografia, sequenciamento, mutantes microbianos e testes em campo.
Os cientistas também alertam para o efeito do contexto. Substrato, dieta, idade do inseto, estágio de desenvolvimento, microbioma da planta e ambiente podem alterar o conjunto de microrganismos e o perfil de voláteis. Uma levedura pode emitir misturas distintas em sacarose, polpa de fruta ou tecido vegetal. Por isso, iscas testadas em laboratório podem perder desempenho em pomares, armazéns ou lavouras com fundo odorífero complexo.
Engenharia de microbiomas
A engenharia de microbiomas surge como rota mais ambiciosa. A revisão cita microrganismos modificados para produzir voláteis atrativos ou repelentes, além de paratransgênese com simbiontes de insetos. Essas abordagens ainda exigem contenção, avaliação de risco ambiental, análise de transferência gênica, persistência no ambiente e aceitação regulatória. O uso operacional em lavouras permanece distante.
Para o manejo integrado de pragas, os pesquisadores sugerem aplicações em monitoramento, sistemas push-pull, iscas de atração e morte, técnica do inseto estéril e manejo pós-colheita. A prioridade recai sobre ferramentas com validação química, resposta sensorial demonstrada e ensaios de campo replicados. Sem essa sequência, descobertas sobre microbioma e semioquímicos tendem a permanecer no nível experimental.
Agro Mato Grosso
Syngenta automatiza testes de compatibilidade de caldas

A Syngenta passou a usar o robô proprietário ATLAS, sigla em inglês para Application Technology Laboratory Automation System, em testes de compatibilidade de misturas em tanque. O sistema automatizado acelera a avaliação de produtos, reduz a subjetividade das análises e ajuda a reproduzir condições de uso em campo.
A tecnologia foi desenvolvida e refinada pela empresa. O objetivo consiste em gerar resultados mais consistentes e precisos antes da chegada dos produtos ao mercado. O robô processa de 500 a 600 combinações por mês. Segundo a Syngenta, esse volume poderia exigir até seis meses em avaliação manual.
O ATLAS executa todo o processo de compatibilidade. A rotina inclui preparo de amostras, registro de imagens das misturas e análise completa das amostras. A automação reduz variações associadas à avaliação manual. Os dados ajudam no desenvolvimento de produtos, no manejo responsável e nas recomendações técnicas.
O sistema também auxilia o suporte técnico após o lançamento de produtos. Em casos de dificuldades inesperadas em misturas em tanque, o ATLAS pode usar fontes de água ou adjuvantes fornecidos por clientes. Com isso, a empresa recria condições específicas de aplicação em ambiente controlado.
A plataforma avalia problemas ligados a sedimentação, entupimento de pontas, ordem de mistura e outros fatores. As análises ajudam a compreender o comportamento dentro do tanque de pulverização. Os resultados também alimentam uma base histórica de testes para orientar diagnósticos mais rápidos e baseados em dados.
Agro Mato Grosso
Vazio sanitário da soja não reduz ritmo no campo; milho, algodão sustentam a produtividade em MT

Apesar da proibição do cultivo da soja durante o período do vazio sanitário, as atividades nas propriedades rurais de Mato Grosso seguem em ritmo intenso. Considerado uma etapa estratégica do calendário agrícola, o período é marcado pelo avanço das culturas de segunda safra, que garantem renda aos produtores e ajudam a preparar as áreas para a temporada 2026/27.
Maior produtor de soja do país, Mato Grosso iniciou o vazio sanitário em 8 de junho. A medida, que se estende até 6 de setembro, tem como principal objetivo combater a ferrugem asiática, uma das doenças mais agressivas da cultura da soja. Durante esse intervalo, os agricultores devem eliminar qualquer planta viva de soja existente nas propriedades para interromper o ciclo do fungo causador da doença.
No entanto, a ausência da oleaginosa no campo está longe de representar uma pausa nas atividades agrícolas.
Segunda safra ganha protagonismo nas fazendas
Enquanto a soja permanece fora das lavouras, culturas como milho, algodão, sorgo, gergelim e milheto assumem papel de destaque nas propriedades rurais. Além de contribuírem para a diversificação da produção, essas culturas têm peso significativo na rentabilidade das fazendas.
De acordo com o gerente Técnico e de Serviços da Fiagril, Talis Melo, a segunda safra se consolidou como uma importante fonte de receita para os produtores mato-grossenses.
“Hoje não temos soja no campo devido à proibição do cultivo durante o vazio sanitário, mas as operações continuam normalmente. O milho de segunda safra possui papel fundamental na composição da renda do produtor. Além dele, algodão, sorgo, gergelim e outras culturas seguem exigindo acompanhamento técnico e manejo constante”, destaca.
Nos últimos anos, a chamada “safrinha” deixou de ser uma atividade complementar para se transformar em uma segunda safra robusta, com grande relevância econômica para o agronegócio brasileiro.
Manejo atual influencia diretamente a próxima safra de soja
Além dos resultados financeiros imediatos, as decisões tomadas durante esse período têm impacto direto sobre o desempenho da próxima safra de soja.
Práticas como o controle de plantas daninhas, manejo fitossanitário, escolha de cultivares e estratégias de cobertura do solo são fundamentais para garantir melhores condições de plantio quando o vazio sanitário terminar.
Uma das técnicas mais utilizadas é o cultivo de milho consorciado com braquiária. A prática favorece a formação de palhada sobre o solo, contribuindo para a conservação da umidade, redução da erosão e melhoria da estrutura física da área agrícola.
Segundo especialistas, esse manejo cria um ambiente mais favorável para o desenvolvimento da soja na temporada seguinte, refletindo em maior produtividade e eficiência no uso dos recursos.
Planejamento da safra 2026/27 já está em andamento
O período também é considerado estratégico para o planejamento da próxima temporada agrícola. Muitos produtores aproveitam os meses do vazio sanitário para definir investimentos, adquirir insumos, revisar equipamentos e ajustar estratégias de manejo.
Para Talis Melo, os resultados da safra de soja começam a ser construídos muito antes do plantio.
“Os manejos realizados agora no milho, algodão, sorgo, gergelim e demais culturas refletem diretamente no desempenho da soja 2026/27. Este é um momento de preparação, em que o produtor toma decisões importantes para alcançar melhores resultados na próxima safra”, afirma.
A Fiagril reforça que o acompanhamento técnico nesse período se torna ainda mais relevante, auxiliando os agricultores na adoção de práticas que aumentem a eficiência produtiva e reduzam riscos ao longo do ciclo agrícola.
Entenda o vazio sanitário da soja
O vazio sanitário é uma medida fitossanitária obrigatória adotada em diversos estados produtores de soja do Brasil. Em Mato Grosso, o período começou em 8 de junho e seguirá até 6 de setembro de 2026.
Durante esses meses, é proibida a presença de plantas vivas de soja em áreas agrícolas, margens de rodovias, armazéns, pátios e demais locais onde possam ocorrer plantas voluntárias.
A principal finalidade é combater a ferrugem asiática, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, capaz de provocar perdas expressivas de produtividade quando não controlada adequadamente.
Considerada uma das maiores ameaças à cultura da soja, a ferrugem asiática pode reduzir drasticamente a produção e elevar os custos de manejo nas lavouras.
Campo segue ativo mesmo sem soja
Embora a soja esteja temporariamente ausente das lavouras, o campo continua em plena atividade. O desenvolvimento das culturas de segunda safra, aliado ao planejamento da próxima temporada, demonstra a capacidade do agronegócio mato-grossense de manter produtividade e eficiência ao longo de todo o ano.
O vazio sanitário, portanto, representa não apenas uma medida de proteção fitossanitária, mas também uma etapa estratégica para a construção de uma safra mais saudável, produtiva e sustentável nos próximos meses.
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