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18 de junho de 2026

Sustentabilidade

Trigo: Densidade e profundidade de semeadura são essenciais para a plantabilidade e produtividade da cultura – MAIS SOJA

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A semeadura do trigo representa uma das etapas mais determinantes para a definição do potencial produtivo da cultura. Fatores como densidade e profundidade de semeadura influenciam diretamente o estabelecimento da lavoura, a uniformidade do estande, a formação dos componentes de rendimento e, consequentemente, a produtividade final. Embora a densidade de semeadura possa variar conforme a região de cultivo, a cultivar utilizada e as recomendações técnicas, estudos demonstram uma relação positiva entre o número de plantas estabelecidas por metro quadrado e a quantidade de espigas por área, componente essencial para a determinação do rendimento de grãos do trigo (Figura 1).

Figura 1. Médias do número de espigas por unidade de área (espigas m-2) de três genótipos de trigo, por local (Londrina e Ponta Grossa, PR, 2009 e 2010).
Fonte: Tavares et al. (2014)

No entanto, não necessariamente o aumento substancial da densidade de semeadura resulte obrigatoriamente no aumento da produtividade do trigo. De acordo com as recomendações técnicas para trigo e triticale, para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Caterina, a densidade de semeadura indicada é de 250 sementes viáveis/m² para cultivares semitardias e tardias, e de 250 sementes viáveis/m2 a 330 sementes viáveis/m2 para cultivares médias e precoces. Já para o Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, as densidades variam de 60 a 80 sementes por metro de linha de semeadura, ou de 200 sementes viáveis/m2 a 400 sementes viáveis/m2, em função do ciclo, porte das cultivares e, algumas vezes, dos tipos de clima e solo, enquanto para Minas Gerais, Goiás, Bahia, Mato Grosso e Distrito Federal, a densidade indicada para trigo de sequeiro é de 350 sementes viáveis/m2 a 450 sementes viáveis/m2 (Almeida, 2024). Essas recomendações podem variar de acordo com as características de clima, solo e propósito do cultivo, devendo-se sempre seguir as orientações estabelecidas para a cultivar escolhida e região de cultivo.

Outro ponto importante relacionado a plantabilidade do trigo é a profundidade de semeadura. Do ponto de vista técnico, o ideal é que a profundidade de semeadura do trigo varie entre 2 cm e 5 cm (Almeida, 2024). Embora os efeitos da profundidade de semeadura inadequada sejam observados principalmente no estabelecimento da lavoura, em alguns casos, alguns componentes de rendimento também podem ser influenciados por essa variável.

Conforme observado por Pimentel et al. (2018), o aumento da profundidade de semeadura do trigo reduz a emergência e retarda a velocidade de emergência das plântulas, comprometendo a uniformidade de estabelecimento da lavoura e o estande final de plantas (Figura 2). Entretanto, independentemente da profundidade avaliada, os autores verificaram que sementes com maior nível de vigor apresentaram melhor desempenho, com maior capacidade de emergência e maior velocidade de estabelecimento. Esse comportamento está associado à maior eficiência fisiológica das sementes vigorosas, contribuindo para a formação de uma lavoura mais uniforme e com maior potencial produtivo.

O vigor das sementes está relacionado a uma série de processos citológicos, fisiológicos e moleculares que determinam a capacidade de desempenho da semente durante a germinação e o estabelecimento inicial das plântulas. Sementes de maior vigor, quando comparadas às de menor vigor, apresentam melhor desempenho principalmente sob condições ambientais desfavoráveis, devido à maior eficiência na mobilização, metabolização e utilização das reservas armazenadas, favorecendo a emergência rápida e uniforme e o desenvolvimento inicial das plantas (Pimentel et al., 2018).

Figura 2. Emergência em campo (E) e índice de velocidade de emergência (IVE) de sementes de trigo de diferentes níveis de vigor (alto, médio e baixo) submetidas a diferentes profundidades de semeadura.
(Nível significância de *5% e NS não significativo)
Fonte: Pimentel et al. (2018)

Logo, a densidade e a profundidade de semeadura, associadas à qualidade fisiológica das sementes, especialmente germinação e vigor, são fatores determinantes para o estabelecimento adequado da cultura do trigo e para a expressão do potencial produtivo. Dessa forma, uma boa plantabilidade, caracterizada pela distribuição uniforme e posicionamento adequado das sementes no solo, constitui uma etapa fundamental para a obtenção de elevadas produtividades.

Referências:

ALMEIDA, J. L. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA TRIGO E TRITICALE: SAFRAS 2924 & 2025. Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, 2024. Disponível em: < https://static.conferenceplay.com.br/conteudo/arquivo/infotecnitrigotriticalesafras20242025livrodigitalfinal-1721832775.pdf >, acesso em: 16/06/2026.

PIMENTAL, J. R. et al. DESENVOLVIMENTO INICIAL E COMPONENTES DO RENDIMENTO EM RESPOSTA À ASSOCIAÇÃO ENTRE NÍVEL DE VIGOR E PROFUNDIDADEDE SEMEADURA NA CULTURA DO TRIGO. Revista Brasileira de Tecnologia Agropecuária, 2018. Disponível em: < https://revistas.fw.uri.br/rbdta/article/view/2778/2667 >, acesso em: 16/06/2026.

TAVARES, L. C. V. et al. GENÓTIPOS DE TRIGO EM DIFERENTES DENSIDADES DE SEMEADURA. Pesq. Agropec. Trop., 2014. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1004789/1/genotiposdetrigo…2014.PDF >, acesso em: 16/06/2026.

 

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Sustentabilidade

Safra de incertezas? Custos elevados, endividamento e El Niño extremo tiram o sono do sojicultor e ameaçam rentabilidade

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Imagem gerada por IA

O vazio sanitário da soja já está em vigor em diversas regiões do Brasil e, em outras, começa em breve. O período, essencial para o controle da ferrugem asiática, também marca o início dos preparativos para a safra 2026/27. No entanto, o cenário para o próximo ciclo preocupa o produtor rural.

Mesmo após uma safra 2025/26 recorde, o clima de otimismo não se sustenta. O setor enfrenta uma combinação delicada de fatores, como endividamento agrícola, dificuldade de acesso ao crédito, custos elevados com insumos e preços pressionados no mercado.

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A Aprosoja São Paulo alerta que o momento exige cautela redobrada. A relação de troca, indicador importante para o produtor, segue desfavorável, exigindo planejamento rigoroso.
“Vamos para a próxima safra com incertezas constantes, tanto no cenário nacional quanto internacional, especialmente em relação aos fertilizantes e insumos. Mais do que nunca, é preciso fazer conta e agir com cautela”, destaca Andrey Rodrigues, presidente da associação.

Em Goiás, após o encerramento da safrinha, o estado entra no período de vazio sanitário. Por lá, cerca de 20% da safra 2026/27 já foi comercializada, com produtores aproveitando oportunidades de barter para antecipar a compra de insumos. Ainda assim, o ritmo de negócios segue abaixo da média histórica para esta época do ano.

O retorno do El Niño

Além das questões econômicas, o clima surge como o principal fator de preocupação. O retorno do El Niño reacende o alerta no campo. O fenômeno deve ganhar intensidade ao longo do segundo semestre de 2026 e pode se estender até o início de 2027. Para a sojicultura, isso representa mudanças importantes no regime de chuvas e aumento do risco de eventos climáticos extremos.

De acordo com projeções meteorológicas, o Centro-Oeste e o Sudeste devem enfrentar atraso no início das chuvas, o que pode comprometer a janela ideal de plantio. A regularização das precipitações é esperada apenas entre o fim de outubro e o início de novembro.

Por fim, no Sul do país, o cenário é oposto, com a tendência de aumento no volume de chuvas, o que pode favorecer a produtividade. Já no Matopiba e em áreas do Norte e Nordeste, a previsão é de redução das chuvas e elevação das temperaturas, aumentando o risco de perdas e atrasos no plantio.

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Como a disponibilidade de nitrogênio altera a distribuição da produtividade de grãos na planta de soja – MAIS SOJA

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A produtividade da soja é resultado da interação entre fatores genéticos, ambientais e de manejo, sendo determinada principalmente pela disponibilidade de recursos durante o ciclo da cultura. Recentemente, têm surgido o questionamento quanto à capacidade da Fixação biológica de nitrogênio (FBN) e do solo em atender às exigências de nitrogênio visando altas produtividades na soja (Salvagiotti et al., 2008; Cafaro La Menza et al., 2020). Embora diversos estudos já tenham demonstrado que a limitação de nitrogênio (N) pode reduzir a produtividade da soja (Cafaro La Menza et al., 2017), ainda existem lacunas sobre como esse nutriente afeta os componentes de rendimento ao longo da arquitetura da planta.

Nesse contexto, um estudo conduzido por Bonfanti et al. (2025) em nove ambientes irrigados nos Estados Unidos, comparou um tratamento com suprimento abundante de N (Full-N) com outro dependente exclusivamente do N do solo e da FBN (Zero-N), o resultado obtivo foi de um ganho médio de 984 kg ha-1 na produtividade de grãos, evidenciando a importância desse nutriente para a maximização do rendimento da cultura.

A resposta produtiva foi resultado da combinação entre aumento do número de sementes (+7%) e do peso individual das sementes (+11%). Entretanto, esses componentes responderam de maneira distinta dentro da planta. O incremento no número de sementes concentrou-se principalmente nos nós da região média-superior do dossel, em função do aumento do número de vagens, enquanto o peso das sementes apresentou resposta positiva em praticamente todas as posições da planta. O número de sementes por vagem foi pouco influenciado pelo suprimento de N (Figura 1).

Figura 1. Efeito da disponibilidade de nitrogênio sobre: (a) produtividade de grãos, (b) peso de sementes, (c) o número de sementes e (d) número de vagens, em diferentes posições da planta de soja. Os círculos amarelos representam os nós da haste principal e os triângulos verdes os ramos. Os valores expressam a diferença entre os tratamentos com alta disponibilidade de nitrogênio (Full-N) e baixa disponibilidade (Zero-N), considerando nove ambientes de avaliação. A linha vermelha indica a resposta média ao longo do dossel, dividido em cinco estratos conforme a posição relativa dos nós na planta.
Adaptado de Bonfanti et al. (2025)

Os resultados demonstram que o manejo adequado do N pode ampliar o potencial produtivo da soja. A compreensão da distribuição dos componentes de rendimento ao longo do dossel permite identificar quais regiões da planta são mais responsivas ao suprimento de N e oferece subsídios para estratégias de manejo voltadas à obtenção de maiores rendimentos.

Referências:

BONFANTI, L. et al. Soybean seed yield distribution within the canopy as affected by nitrogen supply. Crop Science, v. 65, n. 2, mar. 2025. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/csc2.70033 >, acesso: 18/05/2026.

CAFARO LA MENZA, N. et al. Insufficient nitrogen supply from symbiotic fixation reduces seasonal crop growth and nitrogen mobilization to seed in highly productive soybean crops. Plant, cell & environment, v. 43, n.8, p. 1958-1972, 2020. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32430922/ > ,acesso: 15/05/2026

CAFARO LA MENZA, N. et al. Is soybean yield limited by nitrogen supply? FieldCrops Research, v. 213, p. 204-212, 2017. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378429017307797 >, acesso: 14/05/2026

SALVAGIOTTI, F. et al. Nitrogen uptake, fixation and response to fertilizer n in soybeans: a review. Field Crops Research, V. 108, n.1, p. 1-13, 2008. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378429008000555 >, acesso: 15/05/2026

WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

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Sustentabilidade

China reforça segurança alimentar e amplia estratégia para se tornar potência agrícola global – MAIS SOJA

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A China está promovendo uma profunda reorganização de seu sistema agroalimentar com o objetivo de reduzir vulnerabilidades externas, fortalecer a segurança nacional e consolidar sua posição como potência agrícola global. A análise faz parte do estudo “O dilema da segurança alimentar na China: fases históricas e perspectivas”, publicado pelo Insper Agro Global neste mês.

Transformação agrícola

Segundo o levantamento, a política agrícola chinesa passou por uma transformação significativa ao longo dos últimos 70 anos. Se nos primeiros planos quinquenais a agricultura era subordinada ao processo de industrialização, atualmente ela ocupa papel central na estratégia nacional do país. Hoje, a China é o maior produtor, consumidor e importador mundial de alimentos, mas enfrenta limitações estruturais importantes: abriga cerca de 20% da população mundial, enquanto dispõe de apenas 8% das terras aráveis e 6% da água doce do planeta.

Metas ambiciosas

O estudo destaca que o 14º Plano Quinquenal (2021-2025) elevou a segurança alimentar ao mesmo nível estratégico de áreas como energia e finanças. Já o 15º Plano Quinquenal (2026-2030) amplia essa diretriz ao estabelecer metas ambiciosas, como elevar a produção de grãos para 725 milhões de toneladas, alcançar 85% de autossuficiência em sementes e ampliar a mecanização agrícola para mais de 80%.

Fatores externos

A mudança foi impulsionada por fatores externos recentes, entre eles a guerra comercial entre China e Estados Unidos, a pandemia de Covid-19 e os impactos da guerra na Ucrânia sobre os mercados globais de alimentos e fertilizantes. Nesse contexto, o governo chinês passou a tratar a segurança alimentar como elemento fundamental da segurança nacional.

Nova estratégia

Outro destaque da nova estratégia é a chamada “Grande Abordagem Alimentar”, que incorpora investimentos em biotecnologia, biologia sintética e proteínas alternativas. O objetivo é ampliar as fontes de abastecimento alimentar e reduzir a dependência de produtos importados, especialmente da soja, principal vulnerabilidade do sistema alimentar chinês. Atualmente, o país depende do exterior para cerca de 85% do consumo desse grão.

Risco de limitações

Apesar dos investimentos em inovação e produtividade, os pesquisadores alertam que a agricultura está sujeita a limitações físicas, climáticas e biológicas que tornam a substituição das importações um processo gradual. Por isso, a expectativa não é de uma redução abrupta das compras internacionais, mas de uma gestão mais estratégica das dependências externas.

Brasil e China

Para o Brasil, principal fornecedor agrícola da China, a tendência é de manutenção da relevância comercial, especialmente em cadeias como soja, carnes e outros produtos agroalimentares. O estudo aponta que a complementaridade entre as duas economias continua elevada, embora o cenário exija atenção crescente às mudanças regulatórias, tecnológicas e produtivas promovidas pelo governo chinês.

Transformação gradual

A avaliação final dos pesquisadores é que a nova estratégia chinesa não representa uma ameaça imediata às exportações brasileiras, mas sinaliza uma transformação gradual da forma como o país asiático administra sua segurança alimentar. Nesse cenário, acompanhar a evolução das políticas chinesas e diversificar a pauta exportadora brasileira serão fatores decisivos para manter a competitividade no mercado internacional.

Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Com informações do Insper Agro Global
FONTE

Autor:Por Larissa Machado – Com informações do Insper Agro Global

Site: SNA

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