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17 de julho de 2026

Sustentabilidade

Royalties, pirataria e inovação – Mais Soja

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O Brasil fornece 60% da soja produzida no mundo. Em 20 anos, a demanda global pela oleaginosa dobrou — e a produção nacional acompanhou esse ritmo, saindo de 55 milhões de toneladas em 2006 para 180 milhões em 2026. Em segundo lugar no ranking global, os Estados Unidos respondem por apenas 16% do fornecimento mundial. Essa liderança, construída ao longo de décadas, tem na biotecnologia um dos seus principais sustentáculos – mas também um de seus pontos de maior vulnerabilidade.


Por que o Brasil lidera e pode ir mais longe?

A posição de destaque do país no mercado global de soja, para Fabiano Oliveira, líder Soja da Bayer, é resultado de quatro pilares: um ambiente institucional com leis que permitem a inovação, melhorias de infraestrutura – ainda que insuficientes, especialmente em logística, o perfil empreendedor do agricultor brasileiro, com crescente renovação geracional no campo, e a tecnologia, que abrange biotecnologia, genética e mecanização.

A comparação com outros países produtores evidencia a vantagem competitiva brasileira. Existem hoje 50 países produzindo soja no mundo. A Índia, por exemplo, registra produtividade média de 16 sacas por hectare – patamar semelhante ao do Brasil de 60 anos atrás. A média nacional brasileira atual é de aproximadamente 62 sc/ha.

O impacto da soja vai além do campo. Municípios sojicultores brasileiros registram Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,793, superior à média nacional de 0,764 — indicador de que a cadeia produtiva da oleaginosa contribui diretamente para o desenvolvimento social das regiões onde está inserida.


O papel da biotecnologia na produtividade

O avanço da biotecnologia no Brasil é expressivo. O número de cultivares registradas saltou de 450, em 2005, para 2.743 em 2026, consolidando o país como o que oferece mais opções de biotecnologia no mercado mundial. Na prática, a tecnologia garante em média 12% de ganho de produtividade — o equivalente a cerca de 6 sacas por hectare. Com o preço referenciado em R$ 120/sc, isso representa R$720,00/ha de valor gerado ao produtor.

Segundo dados apresentados por Fabiano, o custo da biotecnologia, por sua vez, representa menos de 4% do investimento total do agricultor por hectare plantado. Nos últimos anos, esse custo foi corrigido abaixo do IGPM e abaixo do crescimento das demais operações dentro da lavoura.

O ecossistema que sustenta essa cadeia é robusto: 25 empresas de genética, 300 multiplicadores de sementes, mais de 11 mil revendas entre matrizes e filiais de distribuidores, 200 mil agricultores e mais de 4.500 cerealistas. Apenas para a tecnologia Intacta, há mais de 500 mil contratos vigentes.

Três modelos de comercialização de sementes convivem no mercado brasileiro: a semente certificada, que responde por 85% da área cultivada com custo de R$ 235,70/ha; a semente salva legal, presente em 10% da área, com custo de R$ 272,70/ha; e a comercialização na moega, que representa 5% do mercado, com valores entre R$ 500 e R$ 540/ha.


A estrutura jurídica que protege a inovação

A proteção da inovação agrícola no Brasil repousa sobre dois pilares jurídicos distintos. O primeiro é a inovação biotecnológica – que envolve modificação de DNA, características inexistentes na natureza e engenharia química e molecular. Esse tipo de inovação é protegido por patentes, sob responsabilidade do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), com base na Lei 9.279/96. O prazo de exclusividade é de 20 anos. Uma patente protege um invento, mas uma mesma tecnologia pode conter vários inventos.

O segundo pilar é o melhoramento genético – baseado em cruzamento, seleção e no trabalho do agrônomo melhorista sobre o germoplasma. A proteção se dá pela Lei de Proteção de Cultivares (Lei 9.456/97), que regula variedades vegetais com foco em cultivares e germoplasma.

A finalidade desse arcabouço é garantir segurança ao produtor para que ele possa distribuir e comercializar grãos dentro da lei e com certificação. A premissa que sustenta o sistema é direta: segurança jurídica hoje é inovação agrícola amanhã. A pirataria de sementes, por sua vez, ameaça todo o ecossistema de inovação.


Sementes ilegais: R$ 10 bilhões de impacto anual

O mercado ilegal de sementes representa uma das maiores ameaças à cadeia produtiva da soja brasileira. Pesquisa de 2024 indica que 11% das sementes de soja utilizadas no Brasil são ilegais. No Rio Grande do Sul, esse índice chega a 28% – e os dados são considerados subestimados. O impacto econômico estimado é de R$ 10 bilhões por ano.

Os mais afetados, nessa ordem, são: o próprio agricultor, a indústria e a cadeia exportadora.

O histórico da pirataria de sementes no Brasil passa pelo episódio da chamada “semente Maradona”, que chegava da Argentina a baixo custo e sem qualquer regulamentação. A lentidão do Estado brasileiro para legislar sobre transgenia criou um vácuo regulatório que favoreceu a entrada desse material irregular. O ponto de virada ocorreu quando a China — principal importadora da soja brasileira – testou o produto e comprovou a presença de material transgênico. Diante do risco iminente de perda do maior comprador, o país avançou na regularização dos organismos geneticamente modificados (OGMs) e transgênicos.


Os desafios e oportunidades até 2050

O horizonte de longo prazo coloca desafios de escala global: mais de 2,2 bilhões de pessoas a mais no planeta até 2050, necessidade de produzir 50% mais alimentos, adaptação às mudanças climáticas e pressões da transição energética. O Brasil parte de vantagens competitivas consolidadas para enfrentar esse cenário.

A produção nacional de soja cresce 6,2% ao ano e a produtividade avança 2,3% ao ano. Em termos práticos, isso representa uma economia projetada de 31 milhões de hectares em relação a 2024 – ou seja, o Brasil conseguirá produzir volumes crescentes sem necessidade de incorporar essa área adicional ao cultivo, desde que o ritmo de ganhos de produtividade seja mantido.

Hoje, 3 milhões de hectares de soja no Brasil já são destinados à produção voltada ao setor de biocombustíveis. O Brasil possui a melhor matriz energética em relação ao mundo, o que posiciona o país com vantagens competitivas também nesse mercado em expansão. Os desafios do futuro passam pelo novo mercado de biocombustíveis e pela capacidade do país em gerar valor no produto brasileiro – e não apenas exportar matéria-prima.


Inovação ameaçada sem proteção

A biotecnologia é ao mesmo tempo o principal motor e uma das maiores vulnerabilidades da soja brasileira. O ecossistema de inovação – com suas 25 empresas de genética, centenas de multiplicadores e milhares de revendas – só se sustenta quando a propriedade intelectual é respeitada e remunerada. A pirataria de sementes, além de prejudicar diretamente o agricultor, corrói a base financeira que viabiliza pesquisa, desenvolvimento e o lançamento de novas tecnologias.

O Brasil reúne as condições para aprofundar sua liderança global na produção de soja. O caminho passa por fortalecer o ambiente regulatório, combater os insumos ilegais e garantir que a inovação continue sendo o principal diferencial competitivo do agronegócio nacional.

Redação: Equipe Mais Soja com informações do Workshop Biotecnologia no Brasil: Oportunidade, inovação e futuro do Agro – Bayer

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Sustentabilidade

Ceema: Mercado do clima nos EUA e alta do trigo sustentam cotações do milho em Chicago – MAIS SOJA

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As cotações do milho, em Chicago, se mantiveram firmes nesta semana, com o bushel fechando a quinta-feira (16) em US$ 4,41, após ter atingido a US$ 4,47 na véspera, a qual foi a melhor cotação desde o dia 28/05, para o primeiro mês cotado. Uma semana antes o bushel valia US$ 4,27.

A pressão climática nos EUA vem ajudando a este movimento, assim como a forte alta do trigo durante a corrente semana. Lembrando que estamos em pleno mercado do clima nos EUA e no momento mais delicado do desenvolvimento das lavouras do cereal naquele país. Ao mesmo tempo, o aumento das tensões bélicas entre Rússia e Ucrânia, nestes últimos dias, trouxe novas preocupações quanto ao comércio do milho e do trigo junto ao Mar Negro, influenciando as cotações.

Por sua vez, o relatório de oferta e demanda do USDA, do dia 10/07, manteve a produção final dos EUA em 406,4 milhões de toneladas, colocando os estoques finais daquele país, para 2026/27, em 45,5 milhões de toneladas, com pouco mais de quatro milhões de toneladas a menos do que o anunciado em junho. Já a produção mundial do cereal ficou em 1,297 bilhão de toneladas, perdendo três milhões sobre junho, enquanto os estoques finais mundiais ficaram em 275,3 milhões, perdendo seis milhões de toneladas em relação a junho. A produção brasileira é prevista em 139 milhões e a da Argentina em 55 milhões de toneladas.

O USDA também apontou que, no dia 12/07, 68% das lavouras de milho estadunidense estavam entre boas a excelentes condições, contra 67% da semana anterior. Outras 24% estavam em situação regular e 8% em condições ruins ou muito ruins. Por outro lado, 34% das lavouras estavam na fase de pendoamento, contra a média de 30% para o período. Outras 6% estavam na fase de formação de grãos, contra a média de 5%.

Já aqui no Brasil, as altas em Chicago têm pouco efeito, pois o milho nacional responde especialmente a uma realidade do mercado interno. Assim, os preços do cereal, nesta semana, oscilaram entre R$ 42,00 e R$ 60,50/saco conforme as diferentes praças nacionais. No Rio Grande do Sul, os mesmos continuaram em R$ 58,00/saco.

Houve pequeno aumento em diferentes regiões nacionais, em relação à semana anterior, porém, a pressão da colheita da safrinha, que avança bem no país, continua a impedir melhorias substanciais nos preços. Até o dia 10/07 a colheita da safrinha, no Brasil, atingia a 38,9% da área semeada, contra 46,7% na média histórica. Segundo os últimos dados da Conab, anunciados agora em julho, a produção total da safrinha está esperada em 108,4 milhões de toneladas para 2025/26, contra pouco mais de 113 milhões no ano anterior. Já a produção total de milho está, agora, estimada em 140,7 milhões, contra 141,2 milhões de toneladas no ano anterior.

Em particular, no Mato Grosso, a colheita de milho atingiu a 60% da área cultivada na safra 2025/26 na virada da semana, contra a média de 70,6% para esta época. Entretanto, estimativas revisadas apontam para um safra recorde naquele estado, com a safra 2025/26 podendo atingir a 57 milhões de toneladas. Este volume supera os 55,4 milhões da safra anterior. “O avanço se dá exclusivamente com a contabilização de uma produtividade mais alta, já que a área plantada permaneceu inalterada, sendo estimada em 7,39 milhões de hectares, o que representa um aumento de 1,8% no comparativo anual. A produtividade média por hectare passou para 128,6 sacos/ha, superando a do ano anterior, que havia sido de 127,3 sacos (cf. Imea).

Enquanto isso, no Centro-Sul brasileiro a colheita atingia a 40% da área até o dia 09/07 (cf. AgRural).

Já as exportações de milho pelo Brasil, nos primeiros oito dias úteis de julho, atingiram a 519.706 toneladas, com recuo de 38,9% na média diária em relação a todo o mês de julho de 2025. Este baixo ritmo se justificaria devido aos baixos preços do cereal nos portos nacionais. Enfim, o preço médio recebido por tonelada avançou 3% até aqui, saindo dos US$ 205,20 de 2025 para US$ 211,50 no acumulado de julho de 2026.

 E a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) considera a aprovação da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), um importante avanço para a política nacional de biocombustíveis e para a implementação da Lei do Combustível do Futuro. Afinal, considerando as recentes evoluções do mandato de mistura, em menos de um ano o Brasil acrescentou cinco pontos percentuais ao teor de etanol na gasolina, o equivalente a cerca de 2,25 bilhões de litros anuais adicionais de etanol anidro no mercado nacional. Se, por um lado, este processo tem muitos pontos positivos, por outro lado, se o mesmo não levar a uma redução do preço do litro da gasolina ao consumidor final, este terá prejuízo, pois o álcool diminui a performance quilômetros/litro nos automóveis flex, hoje a grande maioria da frota nacional.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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Ceema: Trigo dispara em Chicago e atinge maior valor em dois anos com menor safra nos EUA desde 1970 – MAIS SOJA

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Trigo: Em Chicago, o primeiro mês cotado viu sua cotação disparar no dia 15/07, batendo em US$ 6,77/bushel. Esta foi a mais alta cotação desde o dia 31 de maio de 2024, portanto, há mais de dois anos. Lembrando que ainda no final de junho o bushel do cereal esteve cotado em US$ 5,69. Ou seja, em cerca de 15 dias úteis o bushel do cereal ganhou mais de um dólar em Chicago. Já o fechamento desta quinta-feira (16) ficou em US$ 6,74/bushel, contra US$ 6,11 uma semana antes. Aqui, além das questões climáticas mundiais, e a redução da produção nos EUA e problemas climáticos locais (a colheita de trigo nos EUA, prevista para apenas 41,8 milhões de toneladas neste ano, será a menor desde 1970/71), tem-se, ainda, o recrudescimento do conflito entre Rússia x Ucrânia, o qual passou a pesar sobre este mercado, já que a região do Mar Negro é forte produtora e exportadora do cereal.

Por sua vez, o relatório de oferta e demanda, do dia 10/07, reduziu ainda mais a safra estadunidense, com a mesma ficando estimada, agora, em 41,8 milhões de toneladas. Os estoques finais estadunidenses igualmente recuaram, caindo para 19,7 milhões para o ano 2026/27. Já a produção mundial ficou mantida em 820 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais globais seriam de 272,8 milhões, perdendo cerca de três milhões de toneladas sobre junho. A produção da Argentina ficou estimada em 21 milhões de toneladas, enquanto a brasileira em 6,7 milhões. Com isso, estima-se que o Brasil irá importar 7,2 milhões de toneladas neste novo ano comercial.

Aliás, em relação a Argentina, os agricultores locais estão vendendo uma quantidade excepcionalmente baixa de sua nova safra de trigo, mesmo com o plantio avançando rapidamente, informou a Bolsa de Grãos de Rosário, isso devido a preços mais baixos e uma preocupação crescente com a oferta futura. Os agricultores argentinos já teriam semeado 82% da área prevista pelo governo para a safra de trigo 2026/27. No entanto, as vendas da nova safra atingiram apenas 2 milhões de toneladas até o momento, um dos inícios mais fracos da última década. A bolsa informou que o volume contratado representa apenas 10,5% da produção prevista, ficando abaixo da média de cinco anos que é de 16,6% para esta fase. Do trigo já vendido, 690.000 toneladas ainda não têm preço fixado. De fato, os preços do trigo a ser entregue após a colheita caíram acentuadamente. O contrato de dezembro caiu de cerca de US$ 231,00 por tonelada, no final de abril e meados de maio, para cerca de US$ 206,00 no início de julho, levando os agricultores a desacelerar as vendas em vez de fechar negócios a preços mais baixos. Em tal contexto, a Argentina pode acabar com estoques maiores de trigo se as exportações não continuarem fluindo. A Bolsa estimou os estoques finais de 2025/26 em cerca de 4,5 milhões de toneladas, o maior nível desde 2014/15, mesmo com a demanda interna estimada em 9,2 milhões de toneladas e as exportações em um recorde de 19 milhões de toneladas. A Argentina também enfrenta uma concorrência mais acirrada no exterior. Seu preço de exportação do trigo está agora em cerca de US$ 227,00/tonelada, próximo ao de fornecedores rivais, enquanto as grandes safras do Hemisfério Norte estão pressionando os preços globais.

Já no Brasil, a forte redução de área semeada neste ano, somada a possibilidade de problemas climáticos graves devido ao super-El Niño, esperado a partir da primavera, manteve aquecido o mercado. Os preços, junto aos principais produtores nacionais (RS e PR), giraram entre R$ 70,00 e R$ 71,00/saco, porém, lembramos que tais preços já estão estacionados nestes níveis há três semanas nos dois estados. Vale destacar que, em condições normais de clima, o recente boletim da Conab reduziu ainda mais a produção nacional de trigo, com a mesma ficando em apenas 6 milhões de toneladas, após 7,9 milhões no ano anterior. Portanto, bem menos do que o relatório do USDA indicou no último dia 10/07. A área total nacional estaria em 2,04 milhões de hectares, contra 2,44 milhões no ano anterior, ou seja, um recuo de 400.000 hectares plantados com o cereal.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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Sustentabilidade

Ceema: Soja em Chicago volta a superar os US$ 12,00/bushel impulsionada por tensões globais e clima nos EUA – MAIS SOJA

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O primeiro mês cotado, em Chicago, voltou a superar os US$ 12,00/bushel nesta semana, após 35 dias úteis abaixo deste teto. No dia 14/07 o bushel atingiu a US$ 12,07. Já o fechamento desta quinta-feira (16) ficou em US$ 11,95, contra US$ 11,79 uma semana antes. Registrar, também, que o farelo chegou a bater em US$ 323,10/tonelada curta no dia 10/07, recuando posteriormente e fechando o dia 16/07 em US$ 322,90. E o óleo de soja voltou a superar o teto dos 70 centavos de dólar por libra-peso, batendo em 73,04 nos dias 13 e 14 de julho e fechando esta quinta-feira (16) em 72,43 centavos.

O movimento de alta se dá em função das novas tensões bélicas entre Rússia e Ucrânia; ao novo aumento nos preços do petróleo devido ao fracasso do cessar-fogo no Oriente Médio; e a um clima mais quente e seco no Meio-Oeste estadunidense, embora neste último caso a situação tenha melhorado um pouco nesta semana.

O relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado no dia 10/07, foi até baixista para o mercado, porém, acabou não tendo este efeito na prática. O mesmo aumentou a futura colheita dos EUA, para o ano 2026/27, em um milhão de toneladas, com ela ficando estimada em 121,8 milhões de toneladas. Já os estoques finais naquele país foram mantidos em 8,4 milhões. As produções da Argentina e do Brasil foram mantidas em 50 e 186 milhões de toneladas respectivamente. Já a produção mundial passou a 441,7 milhões de toneladas e os estoques finais mundiais ficaram em 124,2 milhões. As importações chinesas foram aumentadas para 115 milhões de toneladas, após 114 milhões em junho.

Por sua vez, as condições das lavouras estadunidenses de soja melhoraram um pouco, atingindo, no dia 12/07, 65% entre boas a excelentes, contra 70% um ano atrás. Outras 27% estavam regulares e 8% estavam entre ruins a muito ruins. Na data indicada, 50% das lavouras estavam na fase de florescimento, contra 34% da semana anterior, 45% do mesmo período do ano passado e 44% da média. Já em formação de vagens estavam 19% das lavouras, contra 9% da semana anterior, 14% em 2025 e 13% na média.

Enquanto isso, o esmagamento de soja nos EUA, no mês de junho, foi de 5,83 milhões de toneladas, segundo informou a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas nesta semana. O volume superou em 16% o esmagado em junho de 2025. Já os estoques estadunidenses de óleo de soja ficaram em 1,5 bilhão de libras, testando as mínimas em oito meses.

E aqui no Brasil, os preços da soja se mantiveram firmes, ensaiando novas altas as quais não se sustentaram devido ao fortalecimento do Real perante o dólar. Efetivamente, a moeda brasileira voltou para R$ 5,07 por dólar, após R$ 5,20 dias atrás.

Com isso, as principais praças gaúchas ficaram em R$ 122,00/saco, enquanto no restante do país as principais regiões registraram valores entre R$ 113,00 e R$ 124,00/saco. Um ano atrás, no Rio Grande do Sul se praticava R$ 121,00 e no restante do país valores entre R$ 107,00 e R$ 125,00/saco. Ou seja, os valores atuais estão praticamente idênticos aos de 12 meses atrás, consolidando uma perda real média (considerando a inflação do período) aos produtores de soja no país.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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