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O clima não espera: agro reage ao fim da escala 6×1 e alerta para impactos no campo

O avanço da proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho tem gerado preocupação no agronegócio. Representantes do setor avaliam que a mudança pode elevar os custos de produção, ampliar a dificuldade para contratação de mão de obra especializada e comprometer atividades que dependem de períodos curtos para serem executadas.
A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados reduz gradualmente a carga horária semanal das atuais 44 horas para 40 horas, sem redução salarial. A transição prevê uma primeira etapa com jornada de 42 horas semanais e, após um ano, a redução para o novo limite.
No campo, produtores argumentam que a rotina das propriedades segue um calendário diferente de outros setores da economia. Operações como plantio, pulverização e colheita dependem das condições climáticas e precisam ser realizadas dentro de janelas específicas para evitar perdas e garantir produtividade.
Diante desse cenário, entidades e produtores rurais defendem que a legislação trabalhista considere as particularidades da atividade agropecuária, marcada pela sazonalidade e pela necessidade de adaptação das jornadas em determinados períodos do ano.

Sazonalidade do campo
Para o produtor rural Fernando Ferri, a legislação trabalhista ainda não acompanha plenamente a realidade da atividade agrícola. Ele lembra que algumas adequações foram conquistadas nos últimos anos, especialmente para operadores de máquinas, mas o setor ainda necessita de regras mais compatíveis com a dinâmica das lavouras. “Teria de ser um regime de carga horária diferente. A gente conseguiu umas extensões no passado de carga horária para trabalhador, de hora extra para operador de máquina, mas a gente precisa ainda evoluir muito nesse ponto de vista”.
A preocupação também é compartilhada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso). O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, ressalta que o setor não é contrário ao descanso dos trabalhadores, mas entende que a proposta precisa considerar as particularidades da produção agropecuária. “Primeiro tem que deixar claro que nós não somos contra o descanso do funcionário, mas nós temos que entender por outro lado principalmente no setor agropecuário que nós temos sazonalidades”.
Na avaliação de Beber, a redução da jornada pode trazer impactos especialmente para pequenos produtores que possuem equipes reduzidas. “Nós tememos o aumento de custos principalmente para pequenos produtores. Aquele que tem condições de manter apenas um funcionário isso vai impactar bastante, pode tirar pequenos produtores também da atividade”, ressalta em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
O dirigente também defende que o debate seja acompanhado de medidas voltadas ao aumento da produtividade e à desoneração da folha de pagamento, criando condições para manter empregos e ampliar a competitividade.

Custos e mão de obra preocupam produtores
Em regiões agrícolas como Querência, no nordeste de Mato Grosso, a discussão é acompanhada com atenção. Além do possível aumento dos custos, produtores temem que a redução da jornada agrave um problema já enfrentado pelas propriedades rurais: a escassez de mão de obra qualificada.
O agricultor Írio José Guisolphi afirma que a dificuldade para encontrar operadores especializados já faz parte da rotina das fazendas. “Já faltam horas para trabalhar com um operador que está em uma máquina, tem momentos que precisa do operador e tem que dispensar pela hora, pela escala”, relata.
Para ele, a necessidade de ampliar as equipes pode elevar ainda mais os custos da atividade. “Com certeza no lugar de dois, vai ter que contratar três”.
Hoje, a mão de obra representa cerca de 5% do custo operacional das propriedades. “Então nós vamos sentir muito esse impacto”, acrescenta.
A preocupação também é compartilhada pelo gerente de produção Carlos Henrique Hortêncio. Segundo ele, a dinâmica da atividade agrícola é diferente da observada em outros segmentos da economia e exige flexibilidade para atender os períodos de maior demanda.
“Hoje a gente ganha soja, a gente ganha milho e somos assalariados, agora se entrar em vigor essa lei aí, não vai compensar para o patrão pagar mais nós esse valor”, afirma.
Hortêncio acredita que a medida pode resultar na contratação de mais trabalhadores para cumprir a mesma operação, o que pode reduzir os ganhos atualmente obtidos pelos funcionários. “O que vai acontecer é que vai ter que contratar mais gente para se adequar aos horários, certeza vai baixar a renda familiar”.
Ele ressalta ainda que a realidade dos trabalhadores safristas é diferente da encontrada em setores industriais. “Safrista que mexe com lavoura é totalmente diferente”.

Proposta segue para análise do Senado
Para o presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, produtores e trabalhadores precisam participar mais ativamente das discussões sobre mudanças na legislação trabalhista. “Muitas das vezes não é ouvida a classe produtora, então é o momento de ouvir”, afirma.
Na avaliação dele, o setor precisa ter liberdade para construir modelos que atendam às necessidades de cada atividade. “Nós temos que optar pela a escolha do tempo de trabalho que quiser”.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 segue agora para análise do Senado Federal. Caso os senadores promovam alterações no texto aprovado pela Câmara dos Deputados, a matéria retornará para nova votação antes da conclusão da tramitação.
Enquanto o debate avança, entidades do agronegócio defendem alternativas que preservem a flexibilidade das jornadas sem retirar direitos trabalhistas. Lucas Costa Beber cita a PEC 12/2026, apoiada por entidades do setor e pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), como uma das propostas em discussão.
De acordo com o presidente da Aprosoja Mato Grosso, a medida mantém o limite de 44 horas semanais e amplia a possibilidade de negociação entre empregadores e trabalhadores. “Se mantém o teto máximo de 44 horas, porém flexibilidade na negociação entre o empregado e o empregador, inclusive observando as sazonalidades da produção agrícola”.
Beber destaca ainda que a proposta preserva os direitos trabalhistas. “Também não retira os direitos trabalhistas, bem pelo contrário se mantém, o funcionário recebe proporcional às horas trabalhadas”.
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Com mais de 90% de acerto, tecnologia identifica milho tolerante à seca

Uma equipe do Centro de Pesquisa em Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (GCCRC, na sigla em inglês) desenvolveu um método que combina drones, sensores e inteligência artificial para identificar, em campo, plantas de milho mais tolerantes à seca.
A ferramenta permite acelerar e ampliar a seleção de materiais promissores para programas de melhoramento genético, reduzindo a dependência de avaliações manuais. A expectativa é contribuir para o desenvolvimento de cultivares mais resilientes aos efeitos das mudanças climáticas.
“Em vez de medir manualmente inúmeras características das plantas com réguas, balanças e outros equipamentos, como porômetro e clorofilômetro, a proposta é usar imagens para identificar rapidamente quais materiais são mais tolerantes ou mais suscetíveis à seca”, explica Helcio Pereira, que desenvolveu o estudo durante seu estágio de pós-doutorado no GCCRC.
Os pesquisadores avaliaram 28 híbridos de milho (plantas resultantes do cruzamento entre duas linhagens parentais distintas) geneticamente modificados pelo GCCRC. As plantas foram cultivadas em Campinas (SP) sob duas condições experimentais: uma com irrigação e outra com restrição hídrica.
Ao longo de dois anos, a equipe realizou medições agronômicas convencionais para avaliar o desempenho de cada material sob condições de seca. Foram analisadas características como produtividade, altura das plantas, peso dos grãos e tempo de florescimento, permitindo classificar previamente quais variedades eram mais tolerantes e quais eram mais suscetíveis ao estresse hídrico.
Ao mesmo tempo, um drone equipado com câmeras RGB e multiespectral realizou dezenas de voos sobre as áreas experimentais ao longo do desenvolvimento das plantas, capturando tanto imagens convencionais quanto dados na faixa do infravermelho. Com base nas imagens obtidas, os pesquisadores treinaram algoritmos de inteligência artificial para reproduzir a classificação obtida pelos métodos tradicionais.
Em alguns cenários, os modelos alcançaram taxas de acerto superiores a 90%, demonstrando o potencial da tecnologia para identificar rapidamente, e em larga escala, materiais promissores para programas de melhoramento genético.
“Se a planta mantém produtividade maior em condição de estresse, isso indica maior tolerância. O modelo aprende esses padrões e depois consegue classificar novas amostras apenas usando imagens”, afirma Pereira.
Voos e câmeras
“Realizamos dezenas de voos ao longo de dois anos para testes. Ao final desse experimento, identificamos que seis voos representativos já fornecem as informações necessárias para identificar as diferenças entre os materiais”, complementa Juliana Yassitepe, pesquisadora do GCCRC e da Embrapa Agricultura Digital.
Segundo os autores, as imagens mais informativas foram obtidas em diferentes fases do desenvolvimento da cultura, incluindo períodos vegetativos, florescimento e enchimento de grãos. O estudo mostrou que a resposta das plantas à seca muda ao longo do ciclo e que avaliações distribuídas no tempo permitem capturar alterações fisiológicas importantes relacionadas ao estresse hídrico.
“A resposta da planta muda durante o desenvolvimento. Então, quando usamos imagens coletadas em diferentes fases da cultura, conseguimos uma classificação mais acurada”, explica Pereira.
O estudo também mostrou que os sensores multiespectrais (dispositivos capazes de capturar imagens em diferentes faixas específicas da luz, incluindo aquelas que são invisíveis ao olho humano) são mais eficientes para detectar sinais de estresse hídrico nas plantas do que as câmeras convencionais (tipo RGB).
A vantagem está na capacidade de registrar a banda do infravermelho próximo (NIR, na sigla em inglês), invisível ao olho humano, mas capaz de revelar alterações fisiológicas relacionadas à disponibilidade de água. Essa informação adicional permitiu uma classificação mais precisa das plantas quanto à tolerância à seca.
Novas metodologias
“O GCCRC atua fortemente no desenvolvimento de metodologias de avaliação. Esses modelos ajudam a ampliar a escala das análises no campo e permitem avaliar mais plantas e mais materiais usando imagens com boa confiabilidade”, afirma Yassitepe.
Segundo ela, a metodologia pode ser adaptada para outras culturas e aplicações, como a identificação de plantas resistentes a doenças. “A metodologia pode ser calibrada para diferentes objetivos.
No milho, por exemplo, uma característica importante é o sincronismo entre as flores masculinas e femininas, que influencia a capacidade da planta de produzir grãos sob condições de seca. Em outras culturas, outros parâmetros podem ser mais importantes”, explica a pesquisadora.
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Estudo da FAO aponta que bioinsumos podem reduzir custos no campo

A adoção de bioinsumos pode aumentar a rentabilidade das propriedades rurais e reduzir os custos de produção, desde que a tecnologia seja utilizada nas condições adequadas para cada sistema produtivo. A conclusão é de um novo estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
A publicação reúne estudos de caso realizados em Argentina, Bolívia, Brasil, Costa Rica e México e aponta que o uso de bioinsumos pode trazer benefícios econômicos, ambientais e produtivos. Segundo a FAO, porém, os resultados dependem de fatores como a cultura cultivada, o tipo de solo, as condições agroecológicas, a escala da propriedade e o nível de tecnologia adotado.
O levantamento destaca que a América Latina e o Caribe é a região onde o mercado de bioinsumos mais cresce no mundo, com expansão superior a 10% ao ano. Enquanto a média global de adoção de bioestimulantes, biofertilizantes e agentes de biocontrole é de 38%, no Brasil esse índice chega a 67%, um dos mais elevados do planeta.
Alta dos fertilizantes impulsionou busca por alternativas
Segundo a FAO, o interesse pelos bioinsumos ganhou força após a disparada dos preços dos fertilizantes, provocada pelo aumento do custo do gás natural e pelos impactos da guerra na Ucrânia.
De acordo com o estudo, o valor das importações de fertilizantes pela América Latina e pelo Caribe cresceu 137% em 2022, cenário que acelerou a procura por alternativas capazes de reduzir a dependência de insumos importados e aumentar a resiliência da produção agrícola.
Além do potencial de reduzir custos, os bioinsumos também podem contribuir para preservar a fertilidade do solo, diminuir o impacto ambiental da atividade agrícola e tornar os sistemas produtivos mais resistentes a crises externas.
Casos mostram ganhos em diferentes culturas
A pesquisa avaliou diferentes modelos de adoção e produção de bioinsumos, incluindo o uso de produtos comerciais, a fabricação dentro das propriedades rurais e a operação de biofábricas cooperativas.
Entre os resultados positivos, o estudo cita os casos da cana-de-açúcar no México e das culturas de soja e uva na Bolívia. Nesses sistemas, a combinação de bioinsumos comerciais com a redução parcial do uso de agroquímicos aumentou a rentabilidade, seja pelo ganho de produtividade, seja pela redução dos custos de produção.
Já nas propriedades que produzem os próprios bioinsumos, os resultados variaram mais. Em algumas situações, o aumento da necessidade de mão de obra diminuiu parte das vantagens econômicas.
Ainda assim, a FAO conclui que a produção na própria fazenda pode ser competitiva em relação à compra de produtos comerciais, principalmente em regiões distantes dos centros de abastecimento, desde que sejam adotados protocolos técnicos e controle de qualidade para garantir a eficácia e a segurança dos produtos.
O estudo também aponta que biofábricas organizadas de forma cooperativa tendem a ser financeiramente viáveis quando a capacidade de produção acompanha a demanda local e aproveita a infraestrutura disponível.
Benefícios vão além da economia
Além dos resultados financeiros, a publicação destaca ganhos ambientais associados ao uso de bioinsumos, como a redução das emissões de gases de efeito estufa e o uso mais eficiente da água.
Os autores, porém, ressaltam que esses benefícios podem ser ainda maiores do que os registrados na pesquisa, já que ainda faltam dados para mensurar impactos sobre a saúde do solo, a biodiversidade e até a saúde humana.
Outro ponto destacado é o potencial dos bioinsumos para facilitar o acesso a mercados internacionais mais exigentes, especialmente para produtos exportados, como café, cacau, banana e abacate, ao contribuir para o atendimento dos limites máximos de resíduos de pesticidas.
FAO defende incentivo a políticas públicas
Com base nos resultados, a FAO recomenda ampliar os investimentos e as políticas públicas voltadas à adoção de bioinsumos na região.
Entre as principais medidas sugeridas estão o fortalecimento das linhas de financiamento e da assistência técnica para apoiar principalmente os pequenos produtores durante a transição, além da ampliação das pesquisas científicas, do aperfeiçoamento dos sistemas de controle de qualidade e da consolidação de marcos regulatórios que aumentem a confiança do mercado e incentivem a expansão dessa tecnologia na agricultura.
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Espírito Santo lança mostra para vender café conilon de alta qualidade em grandes volume

Antes vista apenas em concursos de qualidade, a valorização do café conilon agora ganha um novo formato no Espírito Santo. Pela primeira vez no Brasil, grandes lotes comerciais de alta qualidade dessa variedade serão apresentados diretamente a compradores em uma rodada de negócios, conectando quem produz a quem compra e abrindo novas oportunidades para o mercado.
O estado vai sediar uma iniciativa inédita no Brasil voltada ao café conilon. A Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) lançaram a 1ª Mostra de Negócios de Conilon Fine Cup em Volume, uma rodada de negócios criada para comercializar grandes lotes de café conilon de alta qualidade.
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A proposta marca uma mudança na forma de promover o produto. Em vez de premiar pequenos lotes, como acontece nos tradicionais concursos de qualidade, a mostra reunirá produtores e compradores para negociar volumes comerciais de cafés que atendam a elevados padrões físicos e sensoriais. É a primeira iniciativa do gênero voltada exclusivamente ao café conilon no Brasil.
A expectativa é reconhecer o trabalho de produtores que vêm investindo na melhoria da qualidade dos grãos e dos processos pós-colheita, além de ampliar o acesso do café capixaba a novos mercados e fortalecer sua presença nos cenários nacional e internacional.
“O Espírito Santo é referência nacional na produção de café conilon e agora avança para mostrar ao mercado que também possui capacidade de ofertar grandes volumes com elevado padrão de qualidade. A mostra aproxima produtores e compradores, agrega valor à produção e fortalece a imagem do nosso café nos mercados nacional e internacional”, afirma o secretário de estado da Agricultura, Enio Bergoli.
Segundo a gerente de Projetos de Cafeicultura da Seag, Aline Silva, a iniciativa representa uma nova etapa para o setor.
“Estamos falando de lotes comerciais que reúnem volume, padronização e qualidade. É uma oportunidade para valorizar o trabalho realizado nas lavouras e no pós-colheita, conectando essa produção diferenciada a compradores que buscam grandes lotes com qualidade comprovada”, destaca.
Como funciona a mostra de café conilon
Podem participar produtores de café conilon com lavouras localizadas no Espírito Santo, além de cooperativas e associações de produtores que desejarem inscrever lotes coletivos.
Cada lote deverá ter, no mínimo, 420 sacas de 60 quilos da safra atual. Não há limite de inscrições por participante. As amostras passarão por análises físicas e sensoriais realizadas por provadores certificados, seguindo os critérios definidos no regulamento.
Inscrições
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 28 de agosto nos Escritórios Locais de Desenvolvimento Rural (ELDRs) do Incaper, distribuídos em todos os municípios capixabas.
Cupping e negócios
A mostra será realizada em 17 de setembro. Durante o evento, compradores convidados participarão de sessões de cupping para avaliar física e sensorialmente os lotes habilitados.
As negociações serão feitas diretamente entre produtores e compradores, enquanto a Seag e o Incaper atuarão apenas como facilitadores da aproximação entre as partes.
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