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Dólar sustenta os preços de soja, mas por que os negócios seguem travados?

O mercado brasileiro de soja iniciou a semana com preços entre estáveis e mais altos, mas sem registro de volumes expressivos negociados. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, houve momentos de melhora nas cotações ao longo da sessão, principalmente quando o dólar se aproximou do patamar de R$ 5,20.
Os prêmios passaram por ajustes ao longo do dia e também contribuíram para a formação dos preços. Nos portos, foram registrados negócios pontuais, mas a movimentação ficou distante de um ritmo mais intenso de comercialização.
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De acordo com Silveira, houve alguma atividade nos portos, porém sem grandes destaques em termos de quantidade negociada. O resultado foi uma abertura de semana marcada por sustentação dos preços, impulsionada pelo câmbio, mas sem aceleração significativa dos negócios.
Preços da soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): manteve em R$ 125,50
- Santa Rosa (RS): manteve em R$ 126,50
- Cascavel (PR): subiu de R$ 121,00 para R$ 121,50
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 111,00
- Dourados (MS): subiu de R$ 114,50 para R$ 115,00
- Rio Verde (GO): subiu de R$ 113,50 para R$ 114,00
- Porto de Paranaguá (PR): subiu de R$ 132,00 para R$ 132,50
- Rio Grande (RS): manteve em R$ 132,50
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja encerraram o pregão desta segunda-feira em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT). O mercado segue pressionado pela perspectiva de uma safra norte-americana robusta na temporada 2026/27, favorecida pelas boas condições climáticas no cinturão produtor dos Estados Unidos.
Os agentes também aguardam a divulgação dos dados de evolução do plantio e das condições das lavouras, com expectativa de números positivos. Além disso, o mercado se posiciona para o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para ser divulgado nesta quinta-feira (11).
Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao USDA a venda de 264 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega prevista para a temporada 2026/27.
As inspeções de exportação dos Estados Unidos totalizaram 398.186 toneladas na semana encerrada em 4 de junho, abaixo das 505.109 toneladas registradas na semana anterior.
Contratos futuros de soja
Entre os contratos negociados em Chicago, a soja para julho fechou cotada a US$ 11,15 3/4 por bushel, com queda de 5,75 centavos de dólar, ou 0,51%. O vencimento agosto encerrou a US$ 11,21 1/4 por bushel, com baixa de 4,75 centavos, ou 0,42%.
No mercado de derivados, o farelo de soja para julho caiu US$ 5,80, ou 1,88%, encerrando a US$ 302,70 por tonelada. Já o óleo de soja para julho avançou 0,59%, fechando a 74,56 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,50%. A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,1802 para venda e R$ 5,1782 para compra. Durante o pregão, a divisa oscilou entre a mínima de R$ 5,1332 e a máxima de R$ 5,1947.
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Preço do milho começa junho em queda, aponta Cepea

Os preços do milho seguem em queda neste começo de junho na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento é influenciado principalmente pela postura mais retraída dos compradores no mercado spot e pela pressão vinda do cenário internacional.
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De acordo com o centro de estudos, muitos consumidores nacionais já possuem estoques suficientes para atender à demanda de curto prazo e, por isso, reduziram o ritmo das negociações neste início de mês.
Além disso, agentes acompanham o avanço da colheita da segunda safra no Brasil e a recente desvalorização do milho no mercado externo, fator que reduz a paridade de exportação e acaba pressionando as cotações internas.
Produtores seguram parte da oferta
Do lado vendedor, pesquisadores do Cepea observam que produtores sem necessidade imediata de “fazer caixa” ou liberar espaço nos armazéns seguem limitando a comercialização.
A estratégia é sustentada pela expectativa de possível recuperação nos preços, diante das preocupações com a produção da safra 2025/26 e dos impactos climáticos registrados em importantes regiões produtoras.
Entre os fatores monitorados pelo mercado estão a seca em Goiás e em partes de Mato Grosso do Sul, além das geadas registradas no Paraná, que podem afetar a produtividade das lavouras.
Mercado internacional amplia pressão
No cenário externo, os preços do milho registraram forte queda no início de junho.
Segundo o Cepea, a melhora das condições climáticas nas regiões produtoras dos Estados Unidos aumentou as perspectivas para a safra norte-americana e ampliou a pressão sobre as cotações globais.
Além disso, o avanço da colheita da segunda safra brasileira e a expectativa de boa produção na Argentina reforçam o cenário de maior oferta no mercado internacional.
Outro fator que contribuiu para a desvalorização do milho foi a queda nos preços do trigo, commodity que costuma influenciar diretamente o mercado de grãos.
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Mapa apresenta programa de restauração e crédito em fórum climático no Rio

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou no dia 2 de junho, no Rio de Janeiro (RJ), do III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza, realizado durante a Rio Nature & Climate Week. No evento, representantes do setor público e privado discutiram agricultura regenerativa, segurança alimentar, adaptação climática e formas de ampliar o financiamento para restauração de áreas degradadas. O principal dado apresentado foi a previsão de um novo leilão do Eco Invest Brasil, com US$ 500 milhões da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA).
Representando o Mapa, o assessor especial do ministro e coordenador do Programa Caminho Verde Brasil, Pedro Cunto, participou do painel sobre segurança alimentar e adaptação climática. Segundo ele, a próxima etapa da iniciativa prevê foco em pequenos e médios produtores, com apoio de empresas-âncora e serviços de assistência técnica e monitoramento para reduzir custos operacionais.
Durante o debate, Cunto afirmou que a atração de capital estrangeiro ainda enfrenta entraves no Brasil, citando o custo do hedge cambial e a taxa de juros. De acordo com o representante do ministério, a ampliação do fluxo de recursos externos depende de mecanismos de garantia e redução de risco com menor custo.
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No mesmo painel, o sócio-diretor da Agroícone, Rodrigo Lima, destacou a relação entre agricultura regenerativa e fertilidade do solo. Segundo ele, áreas em degradação reduzem o potencial produtivo e exigem maior acesso a financiamento para recuperação. Lima também mencionou que o Caminho Verde Brasil dispõe de R$ 30 bilhões para financiar ações, mas avaliou que o acesso ao crédito ainda é um desafio para diferentes perfis de produção.
Coordenado pelo Mapa, o Programa Caminho Verde Brasil tem como meta restaurar 40 milhões de hectares de terras degradadas em dez anos. A proposta é direcionar essas áreas para sistemas produtivos sustentáveis. O material divulgado pelo ministério não detalha, porém, cronograma operacional, critérios de seleção dos beneficiários nem datas do novo leilão anunciado.
O debate reforça que restauração produtiva, crédito e mitigação de risco financeiro seguem no centro da agenda agroambiental. A implementação prática das medidas dependerá da regulamentação dos instrumentos financeiros e da definição dos mecanismos de acesso para os produtores.
Fonte: gov.br
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Conflito no Oriente Médio faz produtor mudar padrão de consumo de fertilizantes

O Brasil anda importando menos fertilizantes, mostra balanço da consultoria StoneX. Ao se considerar as principais matérias-primas adquiridas pelo país, o volume caiu 5% entre janeiro e maio em comparação ao mesmo período de 2025, totalizando 14,6 milhões de toneladas.
De acordo com o analista da empresa Tomás Pernías, essa tendência compradora enfraquecida não se restringe ao mercado brasileiro. “Desde que o conflito no Oriente Médio impulsionou as cotações dos fertilizantes, piorando as relações de troca dos agricultores, a demanda global perdeu tração, e o que se tem observado é um comportamento defensivo, cauteloso e seletivo por parte dos compradores”, observa.
Segundo ele, nem mesmo a desvalorização gradual observada nos preços da ureia tem sido suficiente para estimular o apetite comprador do produtor brasileiro. Desde o pico de preço desse produto, registrado em meados de abril, houve queda de 32% nas cotações do nitrogenado. “Contudo, essa retração, que ultrapassa US$ 250 por tonelada, ainda não destravou as compras no Brasil.”
Pernías destaca que, ao mesmo tempo, nos últimos meses o país importou maiores volumes de sulfato de amônio e de TSP (superfosfato triplo) em relação ao período de janeiro a maio de 2025. O analista pontua que esse movimento sugere que os importadores brasileiros têm buscado alternativas que, a depender das condições, podem oferecer um custo-benefício mais atrativo ou maior facilidade de aquisição.
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O balanço da StoneX mostra, também, que as importações de sulfato de amônio estão mais de 15% acima dos números observados no ano passado, enquanto as compras de TSP estão 47% maiores neste ano.
“De todo modo, a média histórica das importações de fertilizantes pelo Brasil aponta que as compras de nitrogenados costumam ganhar tração a partir de junho e que, com o passar do segundo semestre, as aquisições desse tipo de fertilizante tendem a crescer gradualmente, à medida que os importadores avançam na recomposição de estoques para a safrinha”, sintetiza Pernías.
Produção nacional
Balanço da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) mostra que no acumulado de janeiro a março de 2026, a produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou com redução de 16,2%, com um total de 1,41 milhão de toneladas.
No entanto, a entidade esclarece que, apesar dos reforços junto às empresas, em função de mudanças na estrutura societária ou da retomada de produção em ativos, nem toda produção nacional foi capturada no primeiro trimestre.
A respeito das importações, a Anda indica que o estado de Mato Grosso foi o líder nas compras no primeiro trimestre, com 2,45 milhões de toneladas, seguido por Goiás (1,10 milhão), São Paulo (1,08), Paraná (1,02), Minas Gerais (882 mil), Mato Grosso do Sul (543 mil) e Bahia (541 mil).
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