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4 de junho de 2026

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Em votação relâmpago, Senado derruba regra de acolhimento a crianças vítimas de violência sexual

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Senadora Damares Alves celebrou medida como “vitória da família”, enquanto Governo Federal e entidades alertam para o enfraquecimento da rede de proteção às vítimas

O plenário do Senado suspendeu, nesta terça-feira (2), a validade da Resolução nº 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) que trata do atendimento humanizado de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e da garantia de seus direitos, entre eles, o aborto legal quando a gravidez é decorrente de estupro.

A norma anulada, aprovada pelo Conanda em dezembro de 2024, regulava os procedimentos já previstos no ordenamento jurídico brasileiro para casos específicos, como gravidez resultante de estupro, risco à vida da pessoa gestante e anencefalia fetal.

Após a decisão plenária semipresencial, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 3/2025, de autoria da deputada federal Chris (Christiane) Tonietto (PL-RJ), seguirá para promulgação no Senado.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), relatora do projeto no Senado, comemorou a aprovação em votação simbólica e disse que o Senado “corrigiu” a resolução do Conanda. “Vitória da família. Vitória dos pais. Autonomia e poder familiar garantidos.”

 

Brasília (DF), 19/02/2025  - Eleição dos novos presidentes das comissões do Senado. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) foi eleita presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH)
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) quando foi eleita presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Posicionamento do Conanda

Após a derrubada da resolução, o Conanda emitiu uma nota de repúdio em que manifesta profunda indignação com a aprovação do PDL 3/2025 pelo Senado.

O colegiado classificou a decisão como um grave retrocesso na proteção integral de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, que constitui mais um ataque aos direitos humanos da infância e da adolescência no Brasil.

O órgão diz, ainda, que é falsa a narrativa de que a resolução teria invadido competência legislativa do Congresso Nacional ou instituído direitos inexistentes.

“A norma não inovou na ordem jurídica. Apenas disciplinava procedimentos e responsabilidades institucionais voltados à garantia de direitos já assegurados em lei.”

“Seu objetivo [da Resolução nº 258/2024] nunca foi criar novos direitos ou alterar a legislação vigente, mas estabelecer diretrizes nacionais para qualificar a atuação da rede de proteção, organizar fluxos de atendimento e assegurar a efetivação de direitos já reconhecidos pelo ordenamento jurídico brasileiro”, rebateu o comunicado.

Como consequência do ato legislativo, o Conanda acusou o parlamento de enfraquecer os mecanismos de participação social e de deslegitimar instâncias democráticas de formulação e monitoramento de políticas públicas.

A entidade cobra uma mobilização política mais firme por parte de setores comprometidos com a democracia, os direitos humanos e a proteção integral.

“O silêncio também produz consequências. A omissão diante de medidas que restringem direitos contribui para o avanço de agendas que fragilizam a proteção social e ampliam vulnerabilidades.”

O órgão colegiado convocou toda a rede de proteção (Conselhos Tutelares, Judiciário e a sociedade civil) à mobilização sob o lema de que não haverá “nenhum passo atrás na proteção da infância”.

Por fim, a instituição reafirmou também que os direitos previstos na Constituição Federal de 1988, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e em tratados internacionais continuam vigentes.

Repercussão

O Conanda integra a estrutura do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Nesta terça-feira (2), a ministra da pasta, Janine Mello, criticou a aprovação do projeto pelo Senado.

“Entendo que a decisão do Parlamento caminha na contramão de um esforço conjunto e intersetorial do Governo do Brasil, dos conselhos participativos e da sociedade civil na promoção de políticas públicas que protejam nossas crianças e adolescentes”, declarou em sua rede social.

Janine Mello garantiu que o colegiado e MDHC seguirão trabalhando para enfrentar, com rigor, aqueles que abusam e exploram sexualmente as crianças brasileiras, “sem deixar de garantir o devido atendimento e acolhimento a todas as crianças e adolescentes vítimas de violência sexual no Brasil.”

No reforço desta posição, as organizações da sociedade civil que coordenam a campanha “Criança Não é Mãe” entendem que a tramitação acelerada “impede o debate qualificado sobre os impactos da proposta e pode fragilizar a rede de proteção às vítimas de violência sexual”. As entidades chamam o projeto aprovado de PDL da Pedofilia.

Em nota, as organizações defenderam a Resolução nº 258/2024 do Conanda, aprovada à época após debate com especialistas, organizações da sociedade civil e órgãos públicos ligados à infância e aos direitos humanos. Entre os pontos de foco, estão orientações para acolhimento institucional, escuta protegida, encaminhamento aos serviços de saúde e acionamento da rede de proteção.

“Não se trata de corrigir uma resolução, mas de impedir que meninas vítimas de estupro tenham acesso a um atendimento organizado, seguro e sem constrangimentos. A resolução não cria novos direitos. Ela orienta os serviços públicos para que direitos já garantidos em lei sejam efetivamente cumpridos. Derrubá-la é produzir desproteção”, afirma Letícia Vella, advogada do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde e integrante da campanha.

A mobilização “Criança Não é Mãe” criou um abaixo-assinado que critica a falta de diálogo e transparência na tramitação da medida no Congresso Nacional.

 

Brasília (DF) 19/06/2024 - Membros do movimento

 Membros do movimento “Criança não é Mãe” realizam protesto, em 2024, contra o projeto de lei (PL 1.904/2024), que equipara aborto de gestação acima de 22 semanas a homicídio. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Entenda a tramitação do projeto

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou na terça-feira o parecer favorável da senadora Damares Alves ao PDL. Houve pedido de vista apresentado pelo senador Paulo Paim (PT-RS), porém, a comissão o concedeu por apenas uma hora, em razão de um requerimento de urgência apresentado em paralelo.

No plenário do Senado, a relatora solicitou que o projeto fosse votado como uma pauta extra na sessão. Damares argumentou que seria necessário o “conserto da resolução”.

“Apesar da boa vontade e da boa intenção do Conanda, a resolução tem equívocos constitucionais, de ordem jurídica e ultrapassa os limites de um conselho”, disse Damares Alves, ao apresentar a pauta que não constava na ordem do dia, divulgada antecipadamente.

  1. O presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), então, acolheu o pedido da senadora Damares e colocou o PDL 3/2025 em votação. A apreciação da matéria e votação simbólica duraram quase dois minutos e teve como resultado a anulação do texto da resolução do Conanda.
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Criminosos fizeram videochamada para pedir autorização do Comando Vermelho para matar coronel da PM durante assalto em Cuiabá

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Quadrilha descobriu que a vítima era oficial aposentada da Polícia Militar e passou a consultar um comparsa que acompanhava a ação à distância; um suspeito morreu e outro foi preso

Uma tentativa de roubo a uma residência no bairro Jardim Itália, em Cuiabá, mobilizou equipes das forças de segurança na madrugada desta quinta-feira (4). O imóvel pertence à tenente-coronel aposentada da Polícia Militar Cristina Veloso, esposa do cabo da PM e ex-suplente de deputado federal Juliano Rabelo.

Segundo informações apuradas pela Polícia Militar, os criminosos invadiram a casa, renderam os moradores e exigiram dinheiro, joias e outros objetos de valor. Durante o assalto, os suspeitos encontraram equipamentos ligados à atividade policial e passaram a questionar a vítima sobre sua ligação com a corporação.

Em relato aos policiais, a oficial aposentada afirmou que os criminosos mantinham contato constante com uma quarta pessoa por meio de videochamada. De acordo com a vítima, o homem acompanhava a ação em tempo real e orientava os assaltantes sobre os próximos passos dentro da residência.

Ainda conforme o depoimento, a situação se agravou após os invasores descobrirem que a moradora era tenente-coronel da reserva da Polícia Militar. A vítima relatou que os suspeitos ficaram mais agressivos e chegaram a consultar o comparsa por telefone sobre a possibilidade de executá-la. Temendo pelo pior, ela informou que quem exercia atividade policial era seu marido.

Equipes do 3º Batalhão da PM foram acionadas pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) e chegaram ao local enquanto os criminosos tentavam escapar. Dois suspeitos conseguiram fugir pulando muros de imóveis vizinhos.

Um dos envolvidos, identificado como Daniel Igor Andrade dos Santos, foi localizado nas proximidades da residência. Segundo a PM, antes da abordagem ele teria descartado uma pistola calibre .380 em uma árvore. Com ele, os policiais encontraram uma corrente de ouro roubada da casa, porções de maconha e uma arma pertencente à vítima.

As buscas continuaram e outro integrante da quadrilha foi localizado por equipes da Rotam. Conforme informações preliminares, ele tentou fugir pelos telhados de residências vizinhas e acabou sendo baleado durante a ação policial. O suspeito morreu no local.

Entre os bens levados pelos criminosos estavam joias, relógios, perfumes e dois celulares. Parte dos objetos ainda não foi recuperada.

O suspeito preso foi encaminhado à Central de Flagrantes. A Polícia Civil investiga o caso e busca identificar os demais envolvidos, além de apurar uma possível ligação da quadrilha com organização criminosa.

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Ilde Taques fica de fora da disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá

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Uma reunião realizada na noite de segunda-feira (1º) reuniu 14 vereadores da Câmara de Cuiabá e marcou uma nova etapa das articulações para a eleição da Mesa Diretora.

O encontro contou com parlamentares ligados à atual presidente, Paula Calil (PL), e ao vereador Dilemário Alencar (União), que também disputa o comando do Legislativo. O grupo do vereador Ilde Taques (Podemos), no entanto, ficou de fora das negociações.

Apesar da aproximação entre os grupos presentes, Dilemário afirmou que mantém sua candidatura e seguirá conversando com os colegas em busca de apoio para a disputa.

Também foi debatida a possibilidade de alterar a data da eleição da Mesa Diretora, atualmente prevista para 25 de agosto. Para que Paula Calil possa concorrer à reeleição, ainda será necessária uma mudança no Regimento Interno da Câmara, que depende da aprovação de pelo menos 18 vereadores. Hoje, o grupo favorável à alteração reúne 14 parlamentares.

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Elefanta do Beto Carrero vai morar em santuário de Chapada dos Guimarães

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A elefanta asiática Baby, que vive há aproximadamente três décadas no Beto Carrero World, em Santa Catarina, deverá ganhar um novo lar em Mato Grosso. A decisão foi tomada pela 2ª Vara da Comarca de Penha (SC), que determinou sua transferência para o Santuário de Elefantes Brasil, localizado em Chapada dos Guimarães, no prazo máximo de 60 dias.

A discussão judicial começou após o anúncio do encerramento das atividades do zoológico do parque. Inicialmente, Baby seria encaminhada para uma instituição em São Paulo, mas a mudança foi interrompida após uma ação ajuizada pela ONG Princípio Animal. Desde então, a elefanta continuou sob os cuidados do parque.

Durante o processo, a ONG e o Santuário de Elefantes defenderam que a estrutura existente em Chapada dos Guimarães oferece melhores condições para a qualidade de vida do animal, incluindo mais espaço para deslocamento, maior liberdade e a possibilidade de convívio com outros elefantes.

O Beto Carrero World sustentou que Baby já possui uma rotina estabelecida, além de acompanhamento especializado, e argumentou que uma transferência poderia causar dificuldades de adaptação.

Ao analisar o caso, a Justiça concluiu que o principal critério deveria ser o bem-estar do animal. Embora tenha reconhecido a adequação das instalações do parque catarinense, entendeu que o santuário mato-grossense reúne condições mais compatíveis com as necessidades naturais da espécie.

A decisão também prevê acompanhamento técnico durante todo o processo de mudança, com participação de veterinários e especialistas responsáveis por exames e monitoramento da adaptação da elefanta após sua chegada ao novo ambiente.

Até a conclusão da transferência, os cuidados com Baby serão divididos entre o parque e o santuário. Além disso, o Beto Carrero World deverá colaborar com os custos iniciais relacionados à adaptação do animal em Mato Grosso.

Segundo a ONG Princípio Animal, a decisão representa um marco ao considerar o bem-estar e os interesses da própria elefanta na definição de seu destino, reforçando o reconhecimento dos animais como seres sencientes.

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