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‘O produtor rural está retraído’, afirmam lideranças do agro sobre insegurança vivida no campo

Crédito rural, custos de produção elevados, competitividade, conflitos geopolíticos e a possibilidade de um El Niño intenso na safra 2026/27 foram os principais focos dos debates da Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra em Querência, região leste de Mato Grosso. Segundo o setor produtivo, o produtor rural mato-grossense “está retraído” em meio aos desafios vividos hoje, o levando a segurar os investimentos diante tamanhas incertezas.
O evento, realizado na Estância VN, integra o projeto Mais Milho, desenvolvido pelo Canal Rural Mato Grosso, afiliado do Canal Rural, em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso).
A programação da Abertura da Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra ocorreu ao pôr do sol, feito inédito nos 10 anos do projeto Mais Milho. O encontro contou com dois painéis técnicos voltados aos desafios enfrentados pelos produtores e às oportunidades que surgem com o crescimento da cadeia do milho no estado e no país.

A safra 2025/26 tem surpreendido, principalmente em Mato Grosso, após um início de plantio da soja com ausência de chuvas e excesso durante a colheita, o que levou a um atraso da retirada dos grãos das lavouras e, consequentemente, a semeadura do milho. Contudo, os desafios envolvendo os conflitos geopolíticos, somado aos custos de produção elevados e os preços da saca de 60 quilos das duas commodities estacionados, preocupam o setor produtivo.
“Estamos sofrendo muito com essa questão geopolítica. O produtor rural está retraído, segurando seus investimentos”, salientou o vice-presidente Leste da Aprosoja Mato Grosso, Lauri Jantsch. “É um momento de apreensão, de preocupação. Está gerando um desequilíbrio nas contas do produtor”, frisou o vice-presidente Norte da entidade, Ilson Redivo.
De acordo com o superintendente do Sistema Famato, Cleiton Gauer, somente em milho Mato Grosso deve colher 53,3 milhões de toneladas. O volume 1,32% superior ao projetado em maio. Na avaliação dele, o momento é de pé no chão diante tamanhas situações em desfavor do produtor rural, em especial quando se olha para o ciclo 2026/27 que deve ser realizado com a presença do fenômeno El Niño.
“Ainda não sabemos a intensidade que será desse El Niño. Aumento ou redução de área é um ponto da gestão do negócio. Mas, o ideal é não dar um passo maior do que a perna”, aconselhou.

Usinas de etanol uma “salvação” para o milho
Para o setor produtivo mato-grossense o crescimento da presença das usinas de etanol de milho no estado, em especial na região leste, tem feito “toda a diferença”. “O milho há 10 anos recebíamos R$ 10, R$ 15 na saca. Plantamos mais por questão agronômica na época e hoje vemos outra coisa. O milho está trazendo rentabilidade tanto quanto a soja”, lembrou o presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo.
Presente na Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra, o governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, reforçou a importância do milho. Conforme ele, a verticalização do cereal é o que tem feito com que ele se sobressaia em relação à soja.
O prefeito de Querência, Gilmar Wentz, lembrou que há 23 anos foi realizado o primeiro dia de campo no município sobre o cereal. “Muita coisa mudou. O milho vai se tornar a principal safra de Querência e de Mato Grosso. Momentos bons e ruins nós tivemos. Estamos vivendo uma transição e vamos sair dessa”, disse com otimismo sobre a atual situação do campo.

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Corteva e Aprosoja lançam cartilha para controle de pragas quarentenárias na soja

A Corteva Agriscience e a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) lançaram, nesta quarta-feira (3), em Brasília, uma cartilha com estratégias de manejo e controle de pragas quarentenárias na cultura da soja. O material foi apresentado durante o Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja e tem como foco orientar produtores a reduzir riscos fitossanitários na lavoura e na comercialização do grão.
Pragas quarentenárias incluem insetos, fungos, bactérias, vírus e plantas daninhas que representam risco econômico e à sanidade vegetal. Cada país importador mantém listas próprias de organismos ausentes em seu território e pode barrar cargas que descumpram protocolos sanitários. Nesse caso, os embarques podem ser devolvidos ou embargados.
A divulgação da cartilha ocorre após a China ter vetado, em março deste ano, a entrada de cargas de soja brasileira com detecção de sementes de plantas daninhas e resíduos de pragas ausentes no país asiático. O tema ganhou peso adicional por envolver o principal destino das exportações brasileiras da oleaginosa.
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Segundo Mauro Rizzardi, engenheiro agrônomo, professor da Universidade de Passo Fundo e responsável pela elaboração do material, plantas daninhas podem comprometer de 5% a 10% da produtividade da soja. Em casos específicos, o caruru-gigante, já identificado em diferentes estados, tem potencial de reduzir em até 80% a produtividade de soja, milho e algodão.
Entre as práticas recomendadas estão o uso de sementes e mudas certificadas, a limpeza de máquinas e implementos vindos de áreas externas, o monitoramento de beiras de estrada, o manejo de plantas daninhas durante o desenvolvimento da cultura e o controle no pós-colheita com manejo outonal. O material também alerta para espécies observadas com atenção em embarques para a China, como capim-massambará, capim-carrapicho, aveia-barbada, crotalária, carrapichão e leiteiro.
De acordo com a Aprosoja Brasil, a campanha será realizada em nível nacional com apoio de 16 associações estaduais. A entidade destaca que o controle fitossanitário ganha relevância em um cenário de crédito mais restrito e maior pressão sobre custos de produção.
A orientação técnica apresentada pelas entidades é de adoção contínua de boas práticas agrícolas para reduzir a disseminação de pragas quarentenárias e diminuir o risco de recusas comerciais. O efeito da campanha sobre produtividade e exportações dependerá da adesão dos produtores e do cumprimento dos protocolos fitossanitários exigidos pelos mercados compradores.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Terra Indígena Marãiwatsédé recebe mini colheitadeira para safra de arroz em Mato Grosso

A Terra Indígena Marãiwatsédé, em Alto Boa Vista (MT), recebeu uma mini colheitadeira da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no dia 27 de maio. Segundo a estatal, o equipamento já está sendo utilizado na colheita da atual safra de arroz em uma área de pouco mais de 40 hectares cultivados. A ação integra o Programa Arroz da Gente e foi executada pela Superintendência Regional de Mato Grosso (Sureg/MT).
De acordo com a Conab, a entrega do maquinário foi direcionada ao fortalecimento da estrutura de colheita na área indígena. A medida reduz a dependência de serviços manuais ou terceirizados e amplia a capacidade operacional durante a safra. O valor do equipamento e a estimativa de produtividade por hectare não foram informados no material divulgado.
Além da colheitadeira, a companhia informou a doação emergencial de 5 mil quilogramas de sementes de arroz das variedades Sertaneja e Primavera. A operação ocorreu no âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS) – Sementes, Mudas e Materiais Propagativos, com mediação da Coordenação Regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de Ribeirão Cascalheira.
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O cultivo de arroz na Terra Indígena Marãiwatsédé é resultado de atuação conjunta entre a Conab, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e lideranças indígenas locais. Na prática, a combinação entre insumo e mecanização tende a melhorar a execução da colheita e a continuidade do plantio, desde que haja assistência técnica e organização operacional da área produzida.
O Programa Arroz da Gente é uma ação articulada entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), com execução da Conab. Segundo o governo federal, a iniciativa busca incentivar a produção de arroz pela agricultura familiar, diversificar cultivos e viabilizar a compra da produção por meio do PAA.
Com os dados disponíveis, o efeito imediato da medida está concentrado no apoio à colheita da safra atual e na oferta de sementes para continuidade da produção. Ainda não foram divulgadas estimativas oficiais de volume colhido, produtividade ou expansão de área para os próximos ciclos.
Fonte: gov.br
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Conab distribui 32 toneladas de sementes de juçara na Jornada da Natureza no Paraná

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) participa, de segunda-feira (1º) a sábado (6), da 4ª Jornada da Natureza, realizada em municípios do Paraná, com a distribuição de mais de 32 toneladas de sementes de palmeira juçara. A iniciativa ocorre no âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS) de sementes, mudas e materiais propagativos. Segundo a estatal, o projeto recebeu aporte de quase R$ 270 mil.
De acordo com a Conab, o fornecimento das sementes é feito pela Associação de Produtores Orgânicos de Quedas do Iguaçu Produzindo Vidas. Ao todo, 18 agricultores fornecedores participam da ação, enquanto o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aparece como recebedor no projeto.
A programação inclui semeadura aérea e plantios coletivos em diferentes áreas do estado, entre elas a Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras, a Comunidade Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, a Comunidade Herdeiros da Terra de 1º de Maio, em Rio Bonito do Iguaçu, além de comunidades quilombolas no Vale do Ribeira e da Comunidade João Surá, em Adrianópolis.
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Segundo o superintendente regional da Conab no Paraná, Valmor Luiz Bordin, o trabalho da companhia envolve a formalização da proposta, o acompanhamento das entregas e o apoio à distribuição das sementes. A estatal informou ainda que parte do material é distribuída por helicóptero e parte por mutirões com famílias agricultoras.
No desenho do PAA/CDS, a Conab compra sementes e mudas produzidas por associações e cooperativas da agricultura familiar e depois destina esse material a famílias rurais, povos indígenas e comunidades tradicionais. Além das sementes de juçara, os agricultores também fornecem polpa da fruta pelo programa, com foco em abastecimento e segurança alimentar.
A agenda da jornada também prevê feiras de produtos agroecológicos e conferências em parceria com a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e escolas locais.
Do ponto de vista técnico, a ação combina compra pública, estímulo à agricultura familiar e restauração ambiental em áreas rurais e tradicionais. A Conab não informou, no material divulgado até esta quarta-feira (3), a área total prevista para recuperação nem a estimativa de cobertura por município, o que limita projeções mais detalhadas sobre o alcance produtivo e ambiental da iniciativa.
Fonte: gov.br
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