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Querência: A cidade que nasceu no meio do Cerrado e virou símbolo da nova geração do agronegócio brasileiro

Com pouco mais de 31 mil habitantes, Querência se consolidou como um dos principais polos do agronegócio no Vale do Araguaia. O município combina produção agrícola diversificada, planejamento urbano e crescimento econômico em uma região cercada por áreas de preservação ambiental.
Localizada próxima ao Parque Nacional do Xingu, a cidade tem no agro a principal força da economia. Milho, soja, algodão e pecuária movimentam a produção local e ajudam a atrair empresas, investimentos e novos moradores.
O crescimento também aparece nos indicadores populacionais. Conforme o prefeito Gilmar Reinoldo Wentz, Querência foi o município que mais cresceu na região do Araguaia no último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo ele, a expansão abre espaço para novos negócios e para o avanço da industrialização. “Nós temos produção, clima favorável, potencial hídrico e espaço para avançar na industrialização. A chegada de novas empresas fortalece ainda mais a economia do município”.
A Abertura Nacional da Colheita de Milho Segunda Safra acontece no dia 3 de junho na Estância VN, em Querência. Em um formato inédito, o início dos trabalhos das máquinas no campo ocorrerá sob a luz do pôr do sol. Com o tema central “Milho: Inovação e Resiliência – Cultivando o Futuro em Tempos de Desafio”, o encontro vai reunir lideranças e especialistas para debater os rumos, a comercialização e as tecnologias da safrinha.
O evento integra o projeto Mais Milho realizado pelo Canal Rural Mato Grosso, afiliado do Canal Rural, em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) e Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso).
A abertura da colheita terá transmissão ao vivo pelo Canal Rural começa às 16h30 (horário de Brasília). Para assistir no YouTube clique aqui.
Produção e diversificação
A força econômica de Querência está diretamente ligada ao campo. Além da soja e do milho, produtores investem em algodão, gergelim, feijão-caupi e outras culturas, ampliando as oportunidades de renda e reduzindo riscos produtivos.
Para o presidente do Sindicato Rural, Osmar Frizzo, a combinação entre clima favorável e investimento em tecnologia ajuda a explicar o desempenho da região.
“O diferencial de Querência está na regularidade do clima e no produtor rural, que investe em tecnologia e diversificação”, diz ao Projeto Mais Milho.
A vocação produtiva, no entanto, começou décadas antes dos atuais índices de crescimento. A história do município está ligada à chegada de famílias do Sul do país atraídas por um projeto de colonização desenvolvido pela Cooperativa Mista de Canarana (Copercana).
O sonho que virou cidade
Quando os primeiros moradores chegaram ao Vale do Araguaia, a realidade era muito diferente da atual. Havia pouca infraestrutura, estradas precárias e muitas incertezas. Ainda assim, centenas de famílias apostaram no potencial da região.
O produtor rural Darci Tosatti faz parte dessa geração. Ele lembra que a possibilidade de adquirir terras em Mato Grosso motivou muitas famílias a deixarem suas cidades de origem. “Existia a oportunidade de adquirir terras em Mato Grosso e começar uma nova vida. Muitas famílias vieram acreditando nesse projeto”.
Os desafios aumentaram quando a Copercana encerrou suas atividades. Sem o suporte da cooperativa, a própria comunidade precisou se organizar para garantir o futuro da localidade.
Darci participou desse processo e recorda que os moradores criaram uma comissão de emancipação, iniciativa que contribuiu para a criação do município. Para ele, o maior legado daquela geração foi construir uma cidade pensando nas próximas gerações. “Conseguimos fazer com que essa história e esse legado servissem para os que vieram depois”.

Histórias de persistência
As dificuldades enfrentadas pelos pioneiros aparecem nas histórias de quem ajudou a construir Querência.
O empresário Wilson Delmir Fucks chegou à região apostando no setor madeireiro, mas precisou recomeçar quando o negócio não prosperou. Trabalhou como empregado, buscou alternativas e, anos depois, abriu uma imobiliária.
O início foi simples, conforme ele. Sem carro para trabalhar, utilizou a bicicleta do filho para atender clientes. “A coisa era tão difícil que a gente não tinha um automóvel. Para começar a carreira de corretor eu tomei emprestado a bicicleta do meu filho”, relata à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Paulo Antônio Hippler também pensou em desistir. O empresário chegou para conhecer a região e acabou ficando. Nos primeiros anos, enfrentou a falta de estrutura básica e passou longos períodos sem clientes no hotel e restaurante que começava a construir. “Esperava vir cliente… Teve época de passar quinze dias sem ninguém dormir aqui”, lembra. Apesar das dificuldades, permaneceu e acompanhou a transformação da cidade ao longo das décadas.
O legado dos pioneiros
O agricultor Nelson Jantsch chegou em busca das terras vermelhas que procurava para produzir. As condições eram difíceis, com estradas ruins e longos deslocamentos entre a cidade e a propriedade. Enquanto ele trabalhava na fazenda, a esposa ajudava a complementar a renda da família vendendo leite e criando animais em uma chácara próxima à cidade.
Na época, recorda Nelson, o objetivo era apenas manter a família e crescer aos poucos. A dimensão que Querência alcançaria estava longe da imaginação dos moradores. “Lá atrás a gente não sabia que iria dar essa evolução”.
Décadas depois, Nelson se diz realizado por ter participado da construção do município. O sentimento é compartilhado por muitos pioneiros que ajudaram a transformar uma região isolada em uma das mais importantes fronteiras agrícolas do país.
Segundo Osmar Frizzo, o espírito de acolhimento e trabalho continua presente na cidade. “Até hoje essa Querência tem esse espírito guerreiro, esse espírito muito hospitaleiro”.
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Agro Mato Grosso
Custos de transporte pressionam preços de frete no agro, aponta Conab

Cotações do diesel e de outros insumos logísticos contribuem para sustentar os níveis de valores em patamares mais elevados no mercado de fretes
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Mapa e Embrapa lançam notas técnicas para reconstrução rural no RS

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) promovem, nos dias 9 e 10 de junho de 2026, em Porto Alegre (RS), o encontro “Balanço Recupera Rural RS: 2 anos de reconstrução da agropecuária gaúcha”. A programação reúne pesquisadores, gestores públicos e instituições do setor para avaliar ações de recuperação após as enchentes de maio de 2024 e apresentar novos subsídios técnicos para os territórios atingidos.
Um dos principais pontos da programação será o lançamento de duas notas técnicas elaboradas por especialistas da Embrapa. A primeira trata das Áreas de Preservação Permanente hídricas teóricas do Rio Grande do Sul e apresenta um mapeamento voltado ao planejamento de ações de conservação e recuperação ambiental. A segunda analisa os solos atingidos pela inundação de maio de 2024 e identifica tipos de solo impactados e áreas prioritárias para recuperação ambiental e produtiva.
Segundo as instituições organizadoras, os documentos reúnem informações científicas e orientações práticas para produtores rurais, técnicos, gestores públicos e entidades que atuam na reconstrução do território gaúcho. O foco está em apoiar o planejamento de medidas de adaptação e recuperação em áreas afetadas por eventos climáticos extremos.
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Além das notas técnicas, o evento fará um balanço das iniciativas desenvolvidas desde 2024 em frentes como recuperação de encostas na Serra Gaúcha, restauração de vegetação nativa, água e saúde única, recuperação de solos e produção de sementes e mudas. A programação também prevê a participação de representantes de instituições de pesquisa, extensão rural, universidades, órgãos públicos e organizações da sociedade civil.
A abertura contará com palestra de Caio Rocha, consultor internacional do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) para Mercosul e Chile, sobre impactos de eventos climáticos extremos no Brasil e no exterior. Para o setor agropecuário, o conteúdo técnico pode servir de base para decisões de manejo, recuperação de áreas produtivas e definição de prioridades em territórios ainda afetados pelos efeitos das enchentes.
O encontro será realizado a partir das 8h, no Auditório do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Porto Alegre. A tendência é que as notas técnicas passem a servir como referência para ações de recuperação produtiva e ambiental no estado, embora o alcance prático dessas orientações dependa da aplicação pelas instituições e pelos agentes que atuam no meio rural.
Fonte: embrapa.br
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Querência celebra início da colheita do milho com debates sobre crédito, custos e inovação

A colheita do milho segunda safra ganha destaque nesta quarta-feira (3), em Querência, durante a Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra. O evento reúne produtores, especialistas e representantes do setor para debater temas como crédito rural, custos de produção, competitividade e inovação, além de marcar simbolicamente o início da retirada do cereal das lavouras.
Realizado na Estância VN, o encontro integra o projeto Mais Milho, desenvolvido pelo Canal Rural Mato Grosso em parceria com a Abramilho e a Aprosoja Mato Grosso. A programação conta com dois painéis técnicos voltados aos desafios enfrentados pelos produtores e às oportunidades que surgem com o crescimento da cadeia do milho no país.
Para o presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, o momento é de celebração para uma cultura que ganhou protagonismo nos últimos anos, impulsionada principalmente pela expansão da indústria de etanol de milho.
“A expectativa sempre é muito boa. Sempre uma abertura de colheita é uma celebração. Então nós vamos celebrar esse início da colheita do milho, que hoje vem tomando espaço cada vez maior devido a indústria de etanol. O milho era deixado em segunda visão e hoje ele compete com a soja”.
Frizzo destaca que a mobilização da cadeia produtiva e a presença de produtores da região reforçam a importância do evento para o município e para o Vale do Araguaia.
“O público hoje também vai comparecer hoje aqui em Querência e vai ser um grande evento para nós celebrarmos essa colheita do milho. Nós preparamos com muito carinho esse evento aqui”.
Safra com boas perspectivas
Além dos debates, a abertura ocorre em um cenário de expectativa positiva para a produção. Conforme os primeiros resultados obtidos nas áreas já colhidas, o desempenho das lavouras anima os produtores da região.
Segundo Frizzo, as condições climáticas contribuíram para o desenvolvimento das plantas ao longo do ciclo. “São Pedro colaborou com as chuvas. Os primeiros milhos colhidos estamos com uma expectativa muito boa”.
Na propriedade que sedia o evento, a previsão é alcançar produtividade entre 170 e 180 sacas por hectare nesta temporada.
Gargalos em discussão
Embora o clima favoreça a safra, os desafios econômicos e estruturais continuam no radar dos produtores. Os painéis técnicos programados para esta quarta-feira abordam justamente questões ligadas ao crédito, custos de produção e competitividade no campo.
De acordo com Frizzo, a logística ainda figura entre os principais entraves para o desenvolvimento do agronegócio mato-grossense. A distância dos portos e a falta de infraestrutura de transporte elevam os custos e reduzem a competitividade do setor.
“Com certeza o maior gargalo hoje de Mato Grosso é a logística. Nós estamos aqui praticamente no centro do país, os portos estão longe, não temos ferrovia. A FICO está chegando agora em Água Boa, que será mais próxima”, disse em entrevista ao Canal Rural.
Outro tema que preocupa os produtores é o custo do crédito rural. Conforme o presidente do sindicato, os juros elevados vêm pressionando a atividade e dificultando novos investimentos.
“Esse é o momento, além de celebrar a colheita, de nós discutirmos esses problemas. Tanto a logística, quanto a questão dos juros que estão muito altos, quase inviabilizando a nossa atividade. É uma grande preocupação do produtor esses juros. Então, é justamente o momento de nós sentarmos e discutirmos, entendermos a melhor forma de se produzir”.
Mato Grosso lidera produção nacional
O debate ocorre em um momento importante para a cadeia do milho no Brasil. Atualmente, o país ocupa a posição de terceiro maior produtor mundial do cereal, enquanto Mato Grosso responde por cerca de metade da produção nacional.
As projeções mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam uma produção de 108,5 milhões de toneladas na segunda safra brasileira. Já as estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam uma colheita de 53,3 milhões de toneladas no estado, consolidando a segunda maior produção da série histórica.
Pela primeira vez desde a criação do projeto Mais Milho, a abertura também contará com a entrada das colheitadeiras em campo ao pôr do sol, a partir das 16h30 (horário de Brasília), com transmissão ao vivo, retratando o ritmo das operações nas lavouras mato-grossenses.
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