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Embrapa apresenta cultivares de arroz e feijão na Tecnofam, em Mato Grosso do Sul

A Embrapa Arroz e Feijão informou, nesta quinta-feira (29), que levará quatro tecnologias para a Tecnofam 2026, realizada na sede da Embrapa Agropecuária Oeste, em Mato Grosso do Sul, entre os dias 9 e 11 de junho. O centro de pesquisa apresentará duas cultivares de arroz de terras altas e duas variedades de feijão, além de um motocultivador de baixo custo. A proposta é mostrar alternativas para sistemas produtivos da agricultura familiar e ampliar a articulação com cooperativas e associações de produtores.
Entre os materiais confirmados estão as cultivares de arroz BRS A502 e BRS A504CL e as variedades de feijão BRS FC 409, do grupo carioca, e BRS FP327, do grupo preto. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), os quatro materiais serão apresentados em plots para observação em campo pelo público da feira.
No arroz, a Embrapa destaca o uso das cultivares em sistemas de produção sob pivô central e em rotação de culturas no Cerrado. A BRS A502 tem produtividade média de 4.029 quilos por hectare e potencial produtivo de 9.075 kg/ha, além de rendimento médio de 67% de grãos inteiros. Já a BRS A504CL tem potencial de cerca de 8.000 kg/ha e foi desenvolvida para uso no sistema Clearfield, com resistência a herbicidas do grupo das imidazolinonas.
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No feijão, a BRS FC 409 apresenta ciclo de 85 a 95 dias, produtividade média de 3.500 kg/ha e teores médios de 66 miligramas por quilo de ferro e 35 mg/kg de zinco, conforme a Embrapa. A BRS FP327, por sua vez, é descrita pela instituição como uma cultivar de ciclo precoce, porte ereto e foco em qualidade comercial dos grãos, com resistência moderada a antracnose, murcha de fusário e podridões radiculares.
Outro destaque da participação será um conjunto motocultivador de baixo custo, que usa uma motocicleta convencional como fonte de tração. De acordo com a Embrapa, o equipamento permite capina e controle mecânico de plantas daninhas, com aplicação voltada a pequenos produtores. Durante a feira, a unidade também prevê reuniões com cooperativas e associações de agricultores familiares de Mato Grosso do Sul para discutir ampliação da produção de sementes e inserção do arroz nos sistemas já adotados.
A Tecnofam é realizada desde 2014, em edições bienais, com foco na difusão de tecnologias para a agricultura familiar sul-mato-grossense. No caso das cultivares e do equipamento anunciados, a adoção prática dependerá de condições de manejo, ambiente de produção, pressão de doenças, estrutura de mecanização e acesso dos produtores às sementes e às tecnologias apresentadas.
Fonte: embrapa.br
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Área de milho na primeira safra cresce 31% no Paraná, e segunda safra caminha para recorde

A área cultivada com milho na primeira safra do Paraná cresceu 31% em 2025/26, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). A cultura ocupou 364,9 mil hectares, ante 278,3 mil hectares no ciclo anterior. Na segunda safra, o estado soma 2,9 milhões de hectares, maior área da série histórica.
De acordo com o Deral, o avanço do milho na primeira safra foi sustentado pela maior estabilidade de preços do cereal em comparação com a soja. Segundo o agrônomo Edmar Gervásio, do departamento, o cenário de comercialização menos favorável para a oleaginosa influenciou a decisão do produtor. Na primeira safra, a produção de milho superou 4 milhões de toneladas.
Para a segunda safra, a área plantada chegou a 2,9 milhões de hectares, alta de 7% sobre a temporada passada. Parte desse crescimento ocorreu sobre áreas antes destinadas ao trigo. Se não houver adversidades climáticas relevantes, o Paraná poderá colher mais de 17,5 milhões de toneladas nesta etapa. Somadas, as duas safras de milho devem superar 21 milhões de toneladas.
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O relatório também informa que as geadas recentes causaram problemas pontuais no Sul do estado, sem relevância ampla para o milho até o momento. A definição do potencial produtivo, no entanto, ainda depende do comportamento do clima nos próximos 15 dias, período considerado decisivo para parte das lavouras.
Na soja, a colheita foi estimada em 21,7 milhões de toneladas, entre as três maiores do estado. Já o trigo tinha mais de 61% da área plantada até o levantamento, com previsão de invadir 722 mil hectares e produzir 2,4 milhões de toneladas. A avaliação técnica do Deral indica que um inverno com menos frio e mais chuvas, associado à previsão de El Niño no segundo semestre, pode favorecer o desenvolvimento da cultura.
Os dados indicam mudança no planejamento agrícola paranaense, com maior espaço para o milho diante da relação de preços com outras culturas. Para o desempenho final da segunda safra, a variável mais relevante segue sendo o clima, especialmente o risco de geadas nas próximas semanas, segundo a avaliação técnica do Deral.
Fonte: agricultura.pr.gov.br
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Zarc Níveis de Manejo exige análise de solo para acesso à subvenção diferenciada do seguro rural

Produtores de soja que pretendem acessar percentuais diferenciados de subvenção no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) pela modalidade Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM) devem iniciar imediatamente a análise de solo. A orientação foi divulgada no contexto da segunda fase do projeto piloto para a safra 2026/2027, que abrangerá Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. O enquadramento depende de informações técnicas inseridas no sistema SiNM, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O primeiro passo é realizar a análise de solo em um dos laboratórios credenciados a operar o SiNM. Segundo as regras do projeto, a avaliação mensura saturação por bases, teor de cálcio e saturação por alumínio, parâmetros usados para classificar o nível de manejo do talhão.
Depois dessa etapa, o produtor deve procurar um operador de contrato de seguro rural, como cooperativa, banco ou corretora. Caberá a esse operador inserir no SiNM os dados do produtor e da área a ser segurada. Também será necessária a contratação de avaliação por sensoriamento remoto para medir a cobertura do solo e verificar o histórico de culturas dos últimos três anos.
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Com os dados completos, o sistema calcula o nível de manejo e a informação é usada para encaminhamento da subvenção. Para a soja na safra 2026/2027, os percentuais serão de 40% no NM4, 35% no NM3, 30% no NM2 e 20% no NM1, percentual padrão do PSR.
Nesta sexta-feira (29), Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de Risco Agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), informou que os contratos da próxima safra já começaram a ser negociados. Segundo ele, a antecipação amplia a possibilidade de acesso à subvenção e permite às seguradoras usar a classificação do talhão na precificação do risco.
O projeto piloto também será ampliado para milho segunda safra no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Nesse caso, a subvenção será de 40% no NM1, 45% no NM2 e 50% nos níveis NM3 e NM4. Para a fase de testes da safra 2026/2027, o Mapa informou previsão de R$ 1 milhão para soja e R$ 1 milhão para milho. Na safra passada, o piloto no Paraná teve R$ 8 milhões reservados, mas apenas R$ 206 mil foram contratados.
A orientação técnica é que o produtor organize a análise de solo e a documentação do talhão antes da contratação do seguro. A lista de laboratórios, operadores de contrato e empresas de sensoriamento remoto credenciados está disponível na página oficial do Zarc Níveis de Manejo. Até o momento, o uso do ZarcNM está restrito ao PSR na fase piloto.
Fonte: gov.br
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A força da biomassa: a base energética da expansão do etanol de milho em MT

A expansão do etanol de milho em Mato Grosso tem impulsionado uma nova frente de desenvolvimento no campo: o avanço das florestas plantadas de eucalipto voltadas à produção de biomassa. Em regiões como Primavera do Leste, áreas antes consideradas pouco produtivas para soja e pecuária passaram a ser ocupadas por cultivos florestais que abastecem caldeiras industriais, secadores de grãos e usinas de biocombustíveis.
O crescimento do setor ajuda a explicar a transformação. Há cerca de dez anos, o consumo interno de milho no estado girava em torno de 6 milhões de toneladas, sendo a maior parte destinada à ração animal. Agora, a projeção para 2026 é de aproximadamente 20 milhões de toneladas consumidas internamente, com cerca de 16 milhões destinadas ao etanol de milho.
Para sustentar esse avanço, a biomassa se tornou fundamental. Cada usina de etanol demanda milhares de hectares de eucalipto em produção contínua para alimentar as caldeiras utilizadas no processo industrial.
O engenheiro florestal Ranieri Souza explica que a atividade passou a ser estratégica dentro do agro mato-grossense.
“A expansão, o aumento da produção de etanol e, consequentemente, da demanda de milho, está muito atrelada à biomassa. Então cada unidade fabril vai demandar de quatro, cinco, às vezes até seis mil hectares de floresta anualmente. Considerando o ciclo de seis anos, a gente está falando de próximo de 40 mil hectares para cada unidade fabril”.
Segundo ele, o eucalipto tem ocupado áreas onde culturas anuais apresentam mais dificuldade de desenvolvimento, à exemplo das áreas arenosas. “Hoje a gente enxerga essa oportunidade aqui no estado. O estado é muito grande, a gente tem muitas áreas disponíveis e o eucalipto vem muito nesse viés de entrar nas áreas mais arenosas”, diz ao Especial Mais Milho.
Manejo e produtividade
Em uma área da Agromed, em Primavera do Leste, o cultivo mostra como o manejo florestal evoluiu nos últimos anos. A floresta homogênea, limpa e com desenvolvimento uniforme é resultado de correção de solo, escolha adequada de clones e monitoramento nutricional.
Ranieri destaca que o ganho de produtividade veio principalmente da evolução genética e do entendimento mais aprofundado das necessidades da planta.
“Com o passar dos anos e a evolução, a gente vem conhecendo o melhor manejo de solo, extração da planta, entendendo o que essa planta vai demandar para produzir e, principalmente, aqui em Mato Grosso, a questão de clones”.
O estado já possui programas de melhoramento genético voltados ao desenvolvimento de materiais adaptados às condições climáticas e de solo da região. Entre eles está o clone 144, utilizado na área acompanhada pela reportagem do Canal Rural Mato Grosso. “É um clone de excelente sanidade e desenvolvimento. É um dos clones mais plásticos dentro do que a gente vem atuando”, afirma o engenheiro florestal.
Além da genética, o monitoramento nutricional também passou a ser decisivo para aumentar a produtividade e melhorar a rentabilidade das florestas.
Ranieri explica que, após o primeiro ano, análises foliares permitem identificar deficiências nutricionais e ajustar o manejo conforme o potencial produtivo da área. “A análise de tecido foliar é como se fosse um hemograma da planta”.
De acordo com o especialista, pequenas intervenções podem gerar grande retorno econômico quando feitas no momento correto. “Esses insights de entender o potencial produtivo e colocar os nutrientes na hora certa é o que vai definir, às vezes, o lucro líquido da cultura inteira”.
Prevenção contra incêndios
Com a expansão das florestas plantadas, a prevenção contra incêndios se tornou uma das maiores preocupações do setor, especialmente em Mato Grosso, onde o período seco aumenta o risco de queimadas.
O silvicultor Luiz Fernando dos Santos ressalta que um incêndio pode comprometer anos de investimento. “A questão do incêndio florestal é que ele pode destruir todo aquele investimento que tenhamos feito numa floresta. Então é muito importante trabalhar planejamento e preparar as equipes para atuar caso surja uma ocorrência”, frisa ao programa do projeto Mais Milho.
As medidas preventivas envolvem construção de aceiros, melhoria de estradas internas, implantação de pontos de água e aquisição de equipamentos específicos para combate ao fogo.
“A água consegue sim extinguir um incêndio e é importante não somente ter o tanque, mas também a bomba. Não basta só vazão, ela precisa ter pressão para alcançar mais longe”, explica.
O treinamento das equipes também ganhou importância com as novas exigências legais. Conforme Luiz Fernando, a partir de setembro de 2027, propriedades enquadradas nos critérios da legislação precisarão contar com equipes treinadas e certificadas pelo Corpo de Bombeiros. “Vai ser necessário que toda a fazenda passe sua equipe por essa capacitação”.
Além disso, o monitoramento antecipado de focos de calor e a comunicação entre propriedades vizinhas são apontados como essenciais para reduzir danos em caso de incêndio.
Desafios no campo
Na rotina da fazenda, o gerente da Agromed, Francisco Petrônio, afirma que manter uma floresta produtiva exige acompanhamento diário e mão de obra especializada.
“Fácil não é. A batalha é o dia a dia. Tem que estar acompanhando, tem que estar em cima do pessoal cobrando”.
Segundo ele, o plantio florestal atual se tornou uma atividade altamente técnica e até mais complexa que algumas operações agrícolas tradicionais. “Hoje o plantio de eucalipto é até mais complexo que a agricultura. Nós temos que fazer preparo de solo, sulcação, plantar muda uma por uma. É tudo passo a passo”.
A escassez de mão de obra é apontada como um dos principais gargalos da atividade, especialmente em operações manuais, como plantio e manejo inicial das mudas.
Outro desafio está na logística de mudas. Com a expansão acelerada das áreas plantadas, Mato Grosso ainda não possui viveiros suficientes para atender toda a demanda do estado. “Temos que trazer muda de fora e muitas vezes ela chega murcha dentro do caminhão, porque o transporte não é climatizado”, relata Francisco Petrônio.
Na propriedade, o plantio costuma ocorrer entre novembro e março, período de maior regularidade das chuvas. Neste ano, o gerente relata que a janela foi ampliada devido ao prolongamento do período chuvoso.
A expectativa do setor é de crescimento contínuo da atividade nos próximos anos, acompanhando a expansão da agroindústria e do etanol de milho em Mato Grosso.
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