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23 de julho de 2026

Business

A força da biomassa: a base energética da expansão do etanol de milho em MT

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A expansão do etanol de milho em Mato Grosso tem impulsionado uma nova frente de desenvolvimento no campo: o avanço das florestas plantadas de eucalipto voltadas à produção de biomassa. Em regiões como Primavera do Leste, áreas antes consideradas pouco produtivas para soja e pecuária passaram a ser ocupadas por cultivos florestais que abastecem caldeiras industriais, secadores de grãos e usinas de biocombustíveis.

O crescimento do setor ajuda a explicar a transformação. Há cerca de dez anos, o consumo interno de milho no estado girava em torno de 6 milhões de toneladas, sendo a maior parte destinada à ração animal. Agora, a projeção para 2026 é de aproximadamente 20 milhões de toneladas consumidas internamente, com cerca de 16 milhões destinadas ao etanol de milho.

Para sustentar esse avanço, a biomassa se tornou fundamental. Cada usina de etanol demanda milhares de hectares de eucalipto em produção contínua para alimentar as caldeiras utilizadas no processo industrial.

O engenheiro florestal Ranieri Souza explica que a atividade passou a ser estratégica dentro do agro mato-grossense.

“A expansão, o aumento da produção de etanol e, consequentemente, da demanda de milho, está muito atrelada à biomassa. Então cada unidade fabril vai demandar de quatro, cinco, às vezes até seis mil hectares de floresta anualmente. Considerando o ciclo de seis anos, a gente está falando de próximo de 40 mil hectares para cada unidade fabril”.

Segundo ele, o eucalipto tem ocupado áreas onde culturas anuais apresentam mais dificuldade de desenvolvimento, à exemplo das áreas arenosas. “Hoje a gente enxerga essa oportunidade aqui no estado. O estado é muito grande, a gente tem muitas áreas disponíveis e o eucalipto vem muito nesse viés de entrar nas áreas mais arenosas”, diz ao Especial Mais Milho.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Manejo e produtividade

Em uma área da Agromed, em Primavera do Leste, o cultivo mostra como o manejo florestal evoluiu nos últimos anos. A floresta homogênea, limpa e com desenvolvimento uniforme é resultado de correção de solo, escolha adequada de clones e monitoramento nutricional.

Ranieri destaca que o ganho de produtividade veio principalmente da evolução genética e do entendimento mais aprofundado das necessidades da planta.

“Com o passar dos anos e a evolução, a gente vem conhecendo o melhor manejo de solo, extração da planta, entendendo o que essa planta vai demandar para produzir e, principalmente, aqui em Mato Grosso, a questão de clones”.

O estado já possui programas de melhoramento genético voltados ao desenvolvimento de materiais adaptados às condições climáticas e de solo da região. Entre eles está o clone 144, utilizado na área acompanhada pela reportagem do Canal Rural Mato Grosso. “É um clone de excelente sanidade e desenvolvimento. É um dos clones mais plásticos dentro do que a gente vem atuando”, afirma o engenheiro florestal.

Além da genética, o monitoramento nutricional também passou a ser decisivo para aumentar a produtividade e melhorar a rentabilidade das florestas.

Ranieri explica que, após o primeiro ano, análises foliares permitem identificar deficiências nutricionais e ajustar o manejo conforme o potencial produtivo da área. “A análise de tecido foliar é como se fosse um hemograma da planta”.

De acordo com o especialista, pequenas intervenções podem gerar grande retorno econômico quando feitas no momento correto. “Esses insights de entender o potencial produtivo e colocar os nutrientes na hora certa é o que vai definir, às vezes, o lucro líquido da cultura inteira”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Prevenção contra incêndios

Com a expansão das florestas plantadas, a prevenção contra incêndios se tornou uma das maiores preocupações do setor, especialmente em Mato Grosso, onde o período seco aumenta o risco de queimadas.

O silvicultor Luiz Fernando dos Santos ressalta que um incêndio pode comprometer anos de investimento. “A questão do incêndio florestal é que ele pode destruir todo aquele investimento que tenhamos feito numa floresta. Então é muito importante trabalhar planejamento e preparar as equipes para atuar caso surja uma ocorrência”, frisa ao programa do projeto Mais Milho.

As medidas preventivas envolvem construção de aceiros, melhoria de estradas internas, implantação de pontos de água e aquisição de equipamentos específicos para combate ao fogo.

“A água consegue sim extinguir um incêndio e é importante não somente ter o tanque, mas também a bomba. Não basta só vazão, ela precisa ter pressão para alcançar mais longe”, explica.

O treinamento das equipes também ganhou importância com as novas exigências legais. Conforme Luiz Fernando, a partir de setembro de 2027, propriedades enquadradas nos critérios da legislação precisarão contar com equipes treinadas e certificadas pelo Corpo de Bombeiros. “Vai ser necessário que toda a fazenda passe sua equipe por essa capacitação”.

Além disso, o monitoramento antecipado de focos de calor e a comunicação entre propriedades vizinhas são apontados como essenciais para reduzir danos em caso de incêndio.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Desafios no campo

Na rotina da fazenda, o gerente da Agromed, Francisco Petrônio, afirma que manter uma floresta produtiva exige acompanhamento diário e mão de obra especializada.

“Fácil não é. A batalha é o dia a dia. Tem que estar acompanhando, tem que estar em cima do pessoal cobrando”.

Segundo ele, o plantio florestal atual se tornou uma atividade altamente técnica e até mais complexa que algumas operações agrícolas tradicionais. “Hoje o plantio de eucalipto é até mais complexo que a agricultura. Nós temos que fazer preparo de solo, sulcação, plantar muda uma por uma. É tudo passo a passo”.

A escassez de mão de obra é apontada como um dos principais gargalos da atividade, especialmente em operações manuais, como plantio e manejo inicial das mudas.

Outro desafio está na logística de mudas. Com a expansão acelerada das áreas plantadas, Mato Grosso ainda não possui viveiros suficientes para atender toda a demanda do estado. “Temos que trazer muda de fora e muitas vezes ela chega murcha dentro do caminhão, porque o transporte não é climatizado”, relata Francisco Petrônio.

Na propriedade, o plantio costuma ocorrer entre novembro e março, período de maior regularidade das chuvas. Neste ano, o gerente relata que a janela foi ampliada devido ao prolongamento do período chuvoso.

A expectativa do setor é de crescimento contínuo da atividade nos próximos anos, acompanhando a expansão da agroindústria e do etanol de milho em Mato Grosso.

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John Deere começará a produzir componentes eletrônicos de máquinas no Brasil

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Trator autônomo 9RX, da John Deere. Fotos: Divulgação

A John Deere anunciou a ampliação de sua unidade industrial de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com a implantação de uma área dedicada à montagem de componentes eletrônicos para máquinas agrícolas e de construção.

A nova operação tem previsão de início em julho de 2027 e prevê investimento de R$ 75 milhões.

De acordo com a companhia,o projeto é voltado exclusivamente ao mercado brasileiro e formará uma nova linha para a montagem final de módulos de controle, receptores de sinal Sistema de Posicionamento Global (GPS) de alta precisão, monitores e equipamentos de orientação utilizados nas máquinas.

Segundo a empresa, a expansão integra sua estratégia de manufatura para otimizar a cadeia de suprimentos, ampliar a eficiência logística e aproveitar a capacidade técnica da unidade de Canoas.

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Demanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar um dia de preços firmes, embora os produtores continuem limitando as ofertas. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a combinação de uma nova alta na Bolsa de Chicago, prêmios fortalecidos e valorização do dólar manteve a sustentação das cotações.

Silveira destaca que, apesar do cenário favorável aos preços, não houve registro de negociações em grandes volumes. Segundo ele, o produtor continua segurando a soja, restringindo a oferta disponível no mercado.

O analista observa ainda que o mercado interno segue pressionando as cotações, com compradores elevando suas ofertas para competir com os portos. Ainda assim, a disponibilidade de soja permanece limitada diante da postura dos vendedores.

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No mercado físico, os preços foram os seguintes:

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 130,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 128,50
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 132,00 para R$ 131,00

Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a saca em R$ 147,00, enquanto Rio Grande (RS) registrou alta de R$ 147,00 para R$ 148,00.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O avanço foi sustentado pela forte valorização do petróleo, pela boa demanda pela soja norte-americana e pelas preocupações com o clima seco em regiões produtoras dos Estados Unidos. O movimento, porém, foi limitado por realização de lucros e vendas técnicas.

As renovadas tensões no Oriente Médio impulsionaram o petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril em Londres após alta superior a 8%. O movimento deu sustentação adicional ao complexo da soja, especialmente devido à relação entre o óleo de soja e a produção de biodiesel.

Os exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 126 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega na temporada 2026/27.

Já as exportações líquidas norte-americanas referentes à safra 2025/26 somaram 56,4 mil toneladas na semana encerrada em 16 de julho. Para a temporada 2026/27, o volume alcançou 1,537 milhão de toneladas. O mercado esperava embarques entre 1,1 milhão e 2,2 milhões de toneladas, considerando as duas temporadas.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja para agosto fecharam com alta de 4,50 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 12,37 1/2 por bushel. O vencimento novembro encerrou cotado a US$ 12,43 3/4 por bushel, avanço de 4,75 centavos, ou 0,38%.

Entre os subprodutos, o farelo para agosto caiu US$ 1,70, ou 0,51%, para US$ 329,90 por tonelada. O óleo de soja para agosto subiu 0,11 centavo, ou 0,14%, encerrando a 75,59 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial fechou a sessão com valorização de 0,62%, cotado a R$ 5,0838 para venda e R$ 5,0818 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0698 e a máxima de R$ 5,0923.

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Bactéria que causa doença grave em peixes é identificada pela primeira vez no Brasil

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Foto: Daniel Ferreira/Caunesp

Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presença de bactérias causadoras de uma grave doença em peixes de criação destinados ao consumo humano: a columnariose. Até agora, as diferentes espécies do gênero Flavobacterium só haviam sido detectadas em criadouros da Ásia e dos Estados Unidos.

A doença impacta principalmente criações de tilápia (Oreochromis niloticus) também conhecida, comercialmente, como Saint Peter, que é uma espécie de origem africana; mas também criações de espécies nativas do Brasil, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia.

Os resultados são um alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de vacinas. “A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, conta Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.

Doença de pele

Até pouco tempo, as quatro espécies de Flavobacterium detectadas eram conhecidas como apenas uma, Flavobacterium columnare, daí o nome da doença. A columnariose causa lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, além de necrose nas brânquias dos peixes.

“As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, explica Fabiana Pilarski, professora do Caunesp.

Pilarski é pesquisadora associada do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura, sediado no Instituto de Pesca.

Identificação

Entre as 11 cepas isoladas no estudo, seis eram da espécie Flavobacterium oreochromis, até então conhecida no Brasil por infectar apenas a tilápia, peixe mais produzido no país e no mundo. Agora, o patógeno foi detectado em amostras de peixes nativos criados para consumo: tambaqui (Colossoma macropomum), lambari (Astyanax lacustris) e pacu (Piaractus mesopotamicus).

Outro resultado foi a detecção inédita de Flavobacterium davisii em um pintado-da-amazônia (Pseudoplatystoma punctifer). “Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira.

Adaptação ao clima

As análises mostraram ainda que os patógenos até então encontrados apenas na Ásia e nos Estados Unidos estão adaptados ao clima do Brasil. Nos testes, F. davisii e F. inkyongense, outra bactéria identificada nas análises, alcançaram condições ideais para o crescimento a 28 °C, temperatura média das águas continentais brasileiras.

Outras duas espécies detectadas nas análises, F. oreochromis e F. indicum, demonstraram preferência por temperaturas mais altas, sendo que a segunda apresentou o pico de desenvolvimento a 35 °C, ou seja, pode ser favorecida pelo aquecimento das águas. Outro dado alarmante é que a 28 °C as bactérias apresentaram uma alta produção de biofilme.

“O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, diz Pilarski.

“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira.

Enquanto quase todas as espécies analisadas sofreram uma queda expressiva na formação de biofilmes a 35 °C, na F. davisii esse mecanismo de defesa permaneceu bastante ativo. Os pesquisadores observaram, porém, que sob essa temperatura a bactéria teve sua mobilidade prejudicada.

“Isso sugere uma adaptação, o que chamamos de um trade-off metabólico, em que ela perderia por um lado, se movimentando menos, mas ganharia por outro, produzindo biofilme e sobrevivendo”, explica Ferreira.

Vacinas e sal

A boa notícia é que estudos realizados por outros grupos de pesquisa mostram que bactérias do gênero Flavobacterium não suportam bem a salinidade. Com isso, adicionar sal à água poderia diminuir as chances de colonização do patógeno. No entanto, ainda são necessários novos estudos para determinar os níveis ideais de salinidade para proteger cada espécie de peixe.

Os pesquisadores agora realizam estudos genômicos com as bactérias encontradas a fim de encontrar possíveis alvos para vacinas. A ideia é desenvolver os chamados imunizantes autógenos, vacinas personalizadas para as cepas presentes em cada local de produção.

“Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.

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