Connect with us
29 de maio de 2026

Business

A força da biomassa: a base energética da expansão do etanol de milho em MT

Published

on


Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A expansão do etanol de milho em Mato Grosso tem impulsionado uma nova frente de desenvolvimento no campo: o avanço das florestas plantadas de eucalipto voltadas à produção de biomassa. Em regiões como Primavera do Leste, áreas antes consideradas pouco produtivas para soja e pecuária passaram a ser ocupadas por cultivos florestais que abastecem caldeiras industriais, secadores de grãos e usinas de biocombustíveis.

O crescimento do setor ajuda a explicar a transformação. Há cerca de dez anos, o consumo interno de milho no estado girava em torno de 6 milhões de toneladas, sendo a maior parte destinada à ração animal. Agora, a projeção para 2026 é de aproximadamente 20 milhões de toneladas consumidas internamente, com cerca de 16 milhões destinadas ao etanol de milho.

Para sustentar esse avanço, a biomassa se tornou fundamental. Cada usina de etanol demanda milhares de hectares de eucalipto em produção contínua para alimentar as caldeiras utilizadas no processo industrial.

O engenheiro florestal Ranieri Souza explica que a atividade passou a ser estratégica dentro do agro mato-grossense.

Advertisement

“A expansão, o aumento da produção de etanol e, consequentemente, da demanda de milho, está muito atrelada à biomassa. Então cada unidade fabril vai demandar de quatro, cinco, às vezes até seis mil hectares de floresta anualmente. Considerando o ciclo de seis anos, a gente está falando de próximo de 40 mil hectares para cada unidade fabril”.

Segundo ele, o eucalipto tem ocupado áreas onde culturas anuais apresentam mais dificuldade de desenvolvimento, à exemplo das áreas arenosas. “Hoje a gente enxerga essa oportunidade aqui no estado. O estado é muito grande, a gente tem muitas áreas disponíveis e o eucalipto vem muito nesse viés de entrar nas áreas mais arenosas”, diz ao Especial Mais Milho.

eucalipto biomassa foto israel baumann canal rural mato grosso2
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Manejo e produtividade

Em uma área da Agromed, em Primavera do Leste, o cultivo mostra como o manejo florestal evoluiu nos últimos anos. A floresta homogênea, limpa e com desenvolvimento uniforme é resultado de correção de solo, escolha adequada de clones e monitoramento nutricional.

Ranieri destaca que o ganho de produtividade veio principalmente da evolução genética e do entendimento mais aprofundado das necessidades da planta.

“Com o passar dos anos e a evolução, a gente vem conhecendo o melhor manejo de solo, extração da planta, entendendo o que essa planta vai demandar para produzir e, principalmente, aqui em Mato Grosso, a questão de clones”.

O estado já possui programas de melhoramento genético voltados ao desenvolvimento de materiais adaptados às condições climáticas e de solo da região. Entre eles está o clone 144, utilizado na área acompanhada pela reportagem do Canal Rural Mato Grosso. “É um clone de excelente sanidade e desenvolvimento. É um dos clones mais plásticos dentro do que a gente vem atuando”, afirma o engenheiro florestal.

Advertisement

Além da genética, o monitoramento nutricional também passou a ser decisivo para aumentar a produtividade e melhorar a rentabilidade das florestas.

Ranieri explica que, após o primeiro ano, análises foliares permitem identificar deficiências nutricionais e ajustar o manejo conforme o potencial produtivo da área. “A análise de tecido foliar é como se fosse um hemograma da planta”.

De acordo com o especialista, pequenas intervenções podem gerar grande retorno econômico quando feitas no momento correto. “Esses insights de entender o potencial produtivo e colocar os nutrientes na hora certa é o que vai definir, às vezes, o lucro líquido da cultura inteira”.

eucalipto biomassa foto israel baumann canal rural mato grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Prevenção contra incêndios

Com a expansão das florestas plantadas, a prevenção contra incêndios se tornou uma das maiores preocupações do setor, especialmente em Mato Grosso, onde o período seco aumenta o risco de queimadas.

O silvicultor Luiz Fernando dos Santos ressalta que um incêndio pode comprometer anos de investimento. “A questão do incêndio florestal é que ele pode destruir todo aquele investimento que tenhamos feito numa floresta. Então é muito importante trabalhar planejamento e preparar as equipes para atuar caso surja uma ocorrência”, frisa ao programa do projeto Mais Milho.

As medidas preventivas envolvem construção de aceiros, melhoria de estradas internas, implantação de pontos de água e aquisição de equipamentos específicos para combate ao fogo.

Advertisement

“A água consegue sim extinguir um incêndio e é importante não somente ter o tanque, mas também a bomba. Não basta só vazão, ela precisa ter pressão para alcançar mais longe”, explica.

O treinamento das equipes também ganhou importância com as novas exigências legais. Conforme Luiz Fernando, a partir de setembro de 2027, propriedades enquadradas nos critérios da legislação precisarão contar com equipes treinadas e certificadas pelo Corpo de Bombeiros. “Vai ser necessário que toda a fazenda passe sua equipe por essa capacitação”.

Além disso, o monitoramento antecipado de focos de calor e a comunicação entre propriedades vizinhas são apontados como essenciais para reduzir danos em caso de incêndio.

eucalipto biomassa foto israel baumann canal rural mato grosso3
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Desafios no campo

Na rotina da fazenda, o gerente da Agromed, Francisco Petrônio, afirma que manter uma floresta produtiva exige acompanhamento diário e mão de obra especializada.

“Fácil não é. A batalha é o dia a dia. Tem que estar acompanhando, tem que estar em cima do pessoal cobrando”.

Segundo ele, o plantio florestal atual se tornou uma atividade altamente técnica e até mais complexa que algumas operações agrícolas tradicionais. “Hoje o plantio de eucalipto é até mais complexo que a agricultura. Nós temos que fazer preparo de solo, sulcação, plantar muda uma por uma. É tudo passo a passo”.

Advertisement

A escassez de mão de obra é apontada como um dos principais gargalos da atividade, especialmente em operações manuais, como plantio e manejo inicial das mudas.

Outro desafio está na logística de mudas. Com a expansão acelerada das áreas plantadas, Mato Grosso ainda não possui viveiros suficientes para atender toda a demanda do estado. “Temos que trazer muda de fora e muitas vezes ela chega murcha dentro do caminhão, porque o transporte não é climatizado”, relata Francisco Petrônio.

Na propriedade, o plantio costuma ocorrer entre novembro e março, período de maior regularidade das chuvas. Neste ano, o gerente relata que a janela foi ampliada devido ao prolongamento do período chuvoso.

A expectativa do setor é de crescimento contínuo da atividade nos próximos anos, acompanhando a expansão da agroindústria e do etanol de milho em Mato Grosso.

MAIS MILHO - SITE MARCAS

+Confira mais notícias do projeto Mais Milho no site do Canal Rural

+Confira mais notícias do projeto Mais Milho no YouTube


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post A força da biomassa: a base energética da expansão do etanol de milho em MT apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Business

Zarc Níveis de Manejo exige análise de solo para acesso à subvenção diferenciada do seguro rural

Published

on


Produtores de soja que pretendem acessar percentuais diferenciados de subvenção no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) pela modalidade Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM) devem iniciar imediatamente a análise de solo. A orientação foi divulgada no contexto da segunda fase do projeto piloto para a safra 2026/2027, que abrangerá Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. O enquadramento depende de informações técnicas inseridas no sistema SiNM, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O primeiro passo é realizar a análise de solo em um dos laboratórios credenciados a operar o SiNM. Segundo as regras do projeto, a avaliação mensura saturação por bases, teor de cálcio e saturação por alumínio, parâmetros usados para classificar o nível de manejo do talhão.

Depois dessa etapa, o produtor deve procurar um operador de contrato de seguro rural, como cooperativa, banco ou corretora. Caberá a esse operador inserir no SiNM os dados do produtor e da área a ser segurada. Também será necessária a contratação de avaliação por sensoriamento remoto para medir a cobertura do solo e verificar o histórico de culturas dos últimos três anos.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Advertisement

Com os dados completos, o sistema calcula o nível de manejo e a informação é usada para encaminhamento da subvenção. Para a soja na safra 2026/2027, os percentuais serão de 40% no NM4, 35% no NM3, 30% no NM2 e 20% no NM1, percentual padrão do PSR.

Nesta sexta-feira (29), Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de Risco Agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), informou que os contratos da próxima safra já começaram a ser negociados. Segundo ele, a antecipação amplia a possibilidade de acesso à subvenção e permite às seguradoras usar a classificação do talhão na precificação do risco.

O projeto piloto também será ampliado para milho segunda safra no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Nesse caso, a subvenção será de 40% no NM1, 45% no NM2 e 50% nos níveis NM3 e NM4. Para a fase de testes da safra 2026/2027, o Mapa informou previsão de R$ 1 milhão para soja e R$ 1 milhão para milho. Na safra passada, o piloto no Paraná teve R$ 8 milhões reservados, mas apenas R$ 206 mil foram contratados.

A orientação técnica é que o produtor organize a análise de solo e a documentação do talhão antes da contratação do seguro. A lista de laboratórios, operadores de contrato e empresas de sensoriamento remoto credenciados está disponível na página oficial do Zarc Níveis de Manejo. Até o momento, o uso do ZarcNM está restrito ao PSR na fase piloto.

Fonte: gov.br

Advertisement

O post Zarc Níveis de Manejo exige análise de solo para acesso à subvenção diferenciada do seguro rural apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Vendas de soja dos EUA para 2025/26 somam 299,9 mil toneladas, diz USDA

Published

on


Exportadores dos Estados Unidos venderam 299,9 mil toneladas de soja da safra 2025/26 na semana encerrada em 21 de maio, informou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) nesta sexta-feira (29). O volume recuou 15% ante a semana anterior, mas ficou 41% acima da média das quatro semanas anteriores. Considerando as duas safras, as vendas somaram 437,6 mil toneladas.

Segundo o USDA, além das 299,9 mil toneladas da temporada 2025/26, foram registradas vendas de 137,7 mil toneladas para a safra 2026/27. Esse volume adicional teve como principais destinos México, Taiwan, Japão, Tailândia e Indonésia.

O total combinado de 437,6 mil toneladas superou a faixa projetada por analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que estimavam negócios entre 150 mil e 400 mil toneladas na semana.

Quer ficar por dentro da previsão do tempo e dos alertas meteorológicos? Acesse a página do tempo do Canal Rural e planeje-se!

Advertisement

Entre os principais compradores da soja norte-americana da safra 2025/26 estiveram México, com 86,8 mil toneladas, destinos não revelados, com 64 mil toneladas, Egito, com 54,1 mil toneladas, Colômbia, com 29,5 mil toneladas, e Indonésia, com 21,3 mil toneladas. Parte desse avanço foi compensada por reduções de 4 mil toneladas para a Argélia e de 200 toneladas para o Camboja.

Nos embarques efetivos, o USDA informou exportações de 571,2 mil toneladas no período. O volume representou alta de 8% em relação à semana anterior e recuo de 2% na comparação com a média das últimas quatro semanas. Os principais destinos dos embarques foram China, com 137,3 mil toneladas, Egito, com 110,1 mil toneladas, México, com 85,7 mil toneladas, Colômbia, com 51,3 mil toneladas, e Bangladesh, com 48,4 mil toneladas.

Os números semanais do USDA são acompanhados pelo mercado porque ajudam a medir o ritmo da demanda internacional pela soja dos Estados Unidos. Esse monitoramento serve de referência para a formação de preços e para a avaliação da concorrência entre os principais exportadores globais da oleaginosa, incluindo Brasil e Argentina.

Os dados desta semana indicam demanda externa ativa pela soja norte-americana, mas a leitura de tendência depende da continuidade das vendas nas próximas divulgações semanais e da evolução dos embarques, sem base suficiente, por ora, para uma projeção mais ampla além do curto prazo.

Fonte: Estadão Conteúdo

Advertisement

O post Vendas de soja dos EUA para 2025/26 somam 299,9 mil toneladas, diz USDA apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Estudo aponta 69 municípios do Paraná aptos para a olivicultura

Published

on


Um estudo da Embrapa Florestas e do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), publicado no Boletim Técnico nº 110, identificou 69 municípios da porção meridional do estado com condições climáticas favoráveis para o cultivo comercial de oliveiras. O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (29) e reúne mais de 30 anos de dados meteorológicos para reduzir incertezas na implantação de pomares.

As áreas classificadas como de menor risco estão concentradas nos Campos Gerais, Centro-Sul, Sudoeste e Sul do Paraná, em municípios como Guarapuava, Palmas, Pato Branco, São Mateus do Sul e União da Vitória. Segundo o estudo, a aptidão climática foi definida a partir da análise de horas de frio, umidade, chuva e risco de geada.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Florestas Marcos Silveira Wrege, primeiro autor do zoneamento, a oliveira não pode ser implantada em qualquer ambiente. Ele afirmou que as regiões serranas do estado apresentam combinação mais favorável de altitude, temperaturas e umidade relativa do ar. O boletim informa que as classes mais adequadas são aquelas com acúmulo de 400 a 1.000 horas de frio, condição importante para florescimento e brotação.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Advertisement

O material também aponta limites climáticos para a cultura. A oliveira necessita de temperaturas inferiores a 12,5 °C entre abril e julho para a indução floral. Já umidade acima de 80% ou chuvas superiores a 50 milímetros durante o florescimento podem comprometer a polinização. O estudo ainda alerta para o risco de geadas tardias em setembro, que podem atingir a floração.

Segundo a engenheira-agrônoma e extensionista do IDR-Paraná Laís Gomes Adamuchio de Oliveira, o sucesso da atividade depende da associação entre cultivar e ambiente. O boletim indica as variedades Arbequina, Arbosana, Koroneiki e Grappolo como promissoras para o estado, por apresentarem menor exigência de frio e maior resistência a doenças, como a antracnose.

Na avaliação técnica dos autores, o zoneamento funciona como ferramenta de planejamento para agricultura familiar e empreendimentos de maior escala. A recomendação é iniciar com áreas menores e ampliar os plantios conforme o desempenho produtivo e a adaptação do manejo local.

O boletim técnico indica que a consolidação da olivicultura no Paraná dependerá de manejo adaptado ao clima subtropical, melhoramento genético e escolha criteriosa das áreas de plantio. Sem esse conjunto de fatores, o estudo não recomenda generalizar a expansão da cultura fora das zonas de menor risco identificadas.

Fonte: embrapa.br

Advertisement

O post Estudo aponta 69 municípios do Paraná aptos para a olivicultura apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT