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A força da biomassa: a base energética da expansão do etanol de milho em MT

A expansão do etanol de milho em Mato Grosso tem impulsionado uma nova frente de desenvolvimento no campo: o avanço das florestas plantadas de eucalipto voltadas à produção de biomassa. Em regiões como Primavera do Leste, áreas antes consideradas pouco produtivas para soja e pecuária passaram a ser ocupadas por cultivos florestais que abastecem caldeiras industriais, secadores de grãos e usinas de biocombustíveis.
O crescimento do setor ajuda a explicar a transformação. Há cerca de dez anos, o consumo interno de milho no estado girava em torno de 6 milhões de toneladas, sendo a maior parte destinada à ração animal. Agora, a projeção para 2026 é de aproximadamente 20 milhões de toneladas consumidas internamente, com cerca de 16 milhões destinadas ao etanol de milho.
Para sustentar esse avanço, a biomassa se tornou fundamental. Cada usina de etanol demanda milhares de hectares de eucalipto em produção contínua para alimentar as caldeiras utilizadas no processo industrial.
O engenheiro florestal Ranieri Souza explica que a atividade passou a ser estratégica dentro do agro mato-grossense.
“A expansão, o aumento da produção de etanol e, consequentemente, da demanda de milho, está muito atrelada à biomassa. Então cada unidade fabril vai demandar de quatro, cinco, às vezes até seis mil hectares de floresta anualmente. Considerando o ciclo de seis anos, a gente está falando de próximo de 40 mil hectares para cada unidade fabril”.
Segundo ele, o eucalipto tem ocupado áreas onde culturas anuais apresentam mais dificuldade de desenvolvimento, à exemplo das áreas arenosas. “Hoje a gente enxerga essa oportunidade aqui no estado. O estado é muito grande, a gente tem muitas áreas disponíveis e o eucalipto vem muito nesse viés de entrar nas áreas mais arenosas”, diz ao Especial Mais Milho.
Manejo e produtividade
Em uma área da Agromed, em Primavera do Leste, o cultivo mostra como o manejo florestal evoluiu nos últimos anos. A floresta homogênea, limpa e com desenvolvimento uniforme é resultado de correção de solo, escolha adequada de clones e monitoramento nutricional.
Ranieri destaca que o ganho de produtividade veio principalmente da evolução genética e do entendimento mais aprofundado das necessidades da planta.
“Com o passar dos anos e a evolução, a gente vem conhecendo o melhor manejo de solo, extração da planta, entendendo o que essa planta vai demandar para produzir e, principalmente, aqui em Mato Grosso, a questão de clones”.
O estado já possui programas de melhoramento genético voltados ao desenvolvimento de materiais adaptados às condições climáticas e de solo da região. Entre eles está o clone 144, utilizado na área acompanhada pela reportagem do Canal Rural Mato Grosso. “É um clone de excelente sanidade e desenvolvimento. É um dos clones mais plásticos dentro do que a gente vem atuando”, afirma o engenheiro florestal.
Além da genética, o monitoramento nutricional também passou a ser decisivo para aumentar a produtividade e melhorar a rentabilidade das florestas.
Ranieri explica que, após o primeiro ano, análises foliares permitem identificar deficiências nutricionais e ajustar o manejo conforme o potencial produtivo da área. “A análise de tecido foliar é como se fosse um hemograma da planta”.
De acordo com o especialista, pequenas intervenções podem gerar grande retorno econômico quando feitas no momento correto. “Esses insights de entender o potencial produtivo e colocar os nutrientes na hora certa é o que vai definir, às vezes, o lucro líquido da cultura inteira”.
Prevenção contra incêndios
Com a expansão das florestas plantadas, a prevenção contra incêndios se tornou uma das maiores preocupações do setor, especialmente em Mato Grosso, onde o período seco aumenta o risco de queimadas.
O silvicultor Luiz Fernando dos Santos ressalta que um incêndio pode comprometer anos de investimento. “A questão do incêndio florestal é que ele pode destruir todo aquele investimento que tenhamos feito numa floresta. Então é muito importante trabalhar planejamento e preparar as equipes para atuar caso surja uma ocorrência”, frisa ao programa do projeto Mais Milho.
As medidas preventivas envolvem construção de aceiros, melhoria de estradas internas, implantação de pontos de água e aquisição de equipamentos específicos para combate ao fogo.
“A água consegue sim extinguir um incêndio e é importante não somente ter o tanque, mas também a bomba. Não basta só vazão, ela precisa ter pressão para alcançar mais longe”, explica.
O treinamento das equipes também ganhou importância com as novas exigências legais. Conforme Luiz Fernando, a partir de setembro de 2027, propriedades enquadradas nos critérios da legislação precisarão contar com equipes treinadas e certificadas pelo Corpo de Bombeiros. “Vai ser necessário que toda a fazenda passe sua equipe por essa capacitação”.
Além disso, o monitoramento antecipado de focos de calor e a comunicação entre propriedades vizinhas são apontados como essenciais para reduzir danos em caso de incêndio.
Desafios no campo
Na rotina da fazenda, o gerente da Agromed, Francisco Petrônio, afirma que manter uma floresta produtiva exige acompanhamento diário e mão de obra especializada.
“Fácil não é. A batalha é o dia a dia. Tem que estar acompanhando, tem que estar em cima do pessoal cobrando”.
Segundo ele, o plantio florestal atual se tornou uma atividade altamente técnica e até mais complexa que algumas operações agrícolas tradicionais. “Hoje o plantio de eucalipto é até mais complexo que a agricultura. Nós temos que fazer preparo de solo, sulcação, plantar muda uma por uma. É tudo passo a passo”.
A escassez de mão de obra é apontada como um dos principais gargalos da atividade, especialmente em operações manuais, como plantio e manejo inicial das mudas.
Outro desafio está na logística de mudas. Com a expansão acelerada das áreas plantadas, Mato Grosso ainda não possui viveiros suficientes para atender toda a demanda do estado. “Temos que trazer muda de fora e muitas vezes ela chega murcha dentro do caminhão, porque o transporte não é climatizado”, relata Francisco Petrônio.
Na propriedade, o plantio costuma ocorrer entre novembro e março, período de maior regularidade das chuvas. Neste ano, o gerente relata que a janela foi ampliada devido ao prolongamento do período chuvoso.
A expectativa do setor é de crescimento contínuo da atividade nos próximos anos, acompanhando a expansão da agroindústria e do etanol de milho em Mato Grosso.
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Cota chinesa e sobretaxa de 55% fazem exportações de carne de MT recuarem 11,75%

A redução das compras chinesas mudou o ritmo das exportações de carne bovina de Mato Grosso em agosto. Os embarques do estado somaram 72,30 mil toneladas equivalente carcaça (TEC), volume 11,75% menor que o registrado em julho, em um cenário marcado pelo atingimento da cota chinesa e pela cobrança de uma sobretaxa de 55% sobre os volumes excedentes.
A China é o principal destino da carne bovina mato-grossense e foi justamente o mercado que apresentou a maior retração no período. Em agosto, os embarques para o país totalizaram 8,04 mil TEC, uma queda de 75,56% em relação ao mês anterior.
Com a entrada dos volumes excedentes na faixa sujeita à sobretaxa, o produto brasileiro perde competitividade no mercado chinês. O efeito aparece diretamente nos números de agosto e reduz a participação do país nas exportações mato-grossenses.
O recuo, porém, não ocorre de forma generalizada entre os compradores. Os demais destinos avançaram 31,11% ante julho, movimento que ajuda a limitar o impacto provocado pela queda das vendas para a China.
Rússia, Filipinas e EUA ampliam compras
Entre os mercados que aumentaram os embarques, a Rússia aparece com a maior expansão, de 80,62% em agosto ante julho. As Filipinas também registram crescimento expressivo, de 57,11%, enquanto os Estados Unidos ampliam as compras em 55,23%.
O avanço desses destinos, conforme análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ganha importância justamente no momento em que o principal mercado da carne bovina mato-grossense reduz os volumes adquiridos. A movimentação ajuda a redistribuir parte dos embarques e diminui o efeito da retração chinesa sobre o resultado total do estado.
Para os próximos meses, entretanto, o cenário ainda exige atenção, ressalta o Instituto. A suspensão das compras pela União Europeia acrescenta outro fator de preocupação para o setor, especialmente pela importância do bloco na diversificação dos destinos e pela melhor remuneração proporcionada por esse mercado.
Na direção oposta, os Estados Unidos podem assumir uma participação maior nas exportações. A ampliação temporária da cota de carne bovina isenta da tarifa adicional abre espaço para o país absorver parte dos embarques nacionais.
O movimento dos mercados nos próximos meses, portanto, deve ser acompanhado de perto pelo setor. Com restrições na China e a suspensão das compras pela União Europeia, o avanço de destinos como Rússia, Filipinas e Estados Unidos passa a ter peso maior na composição das exportações de carne bovina de Mato Grosso.
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Cesb aposta em tecnologia e altas produtividades para elevar rentabilidade da soja

O desafio de alcançar altas produtividades de soja tem sido uma das principais frentes de atuação do Comitê Estratégico da Soja Brasil (Cesb), entidade sem fins lucrativos que há mais de 20 anos trabalha para difundir tecnologias e estimular produtores brasileiros a buscarem novos patamares de rendimento.
Segundo Daniel Glat, presidente do Cesb e produtor rural, o trabalho da entidade parte de um desafio direto aos agricultores. “Nós temos uma régua de corte. Este ano foi de 100 sacas por hectare. Então falamos assim, produtor, se você acha que vai dar mais do que 100 sacas por hectare, nos chame para a colheita”, explica.
A metodologia prevê que, caso a produtividade supere as 100 sacas por hectare, o próprio Cesb arque com os custos da colheita auditada. Se o resultado ficar abaixo desse patamar, a despesa fica a cargo do produtor ou da empresa patrocinadora da participação.
Para Glat, os resultados acumulados ao longo dos anos mostram que o desafio tem contribuído para elevar o nível tecnológico das lavouras. “Há 10 anos, por exemplo, os 10 maiores produtores do Cesb colhiam cerca de 100 sacas por hectare. Este ano, já colheram 130 e tantas”, destaca.
A evolução também aparece no recorde nacional registrado pelo programa. De acordo com o presidente do Cesb, em 2025 foi alcançada a marca de 154 sacas por hectare, resultado que reforça a possibilidade de novos avanços.
“Esse é o caminho do CESB, difundir tecnologia e desafiar os produtores”, afirma Glat. Para ele, ainda não é possível dizer que o limite de produtividade da soja tenha sido alcançado. “Muita gente me pergunta, já chegamos ao limite? Eu acho que não”, comenta.
Em busca por alta produtividade
Além de estimular os produtores, o Cesb utiliza as áreas auditadas para reunir informações detalhadas sobre os sistemas de produção. A entidade mantém um banco de dados com informações agronômicas que permitem comparar diferentes estratégias de manejo e identificar fatores associados aos melhores resultados.
“Nós coletamos todas as informações agronômicas daqueles produtores que a gente colhe. O Cesb hoje tem um banco de dados muito rico, com informações de manejo químico, biológico, fertilidade do solo, chuva e radiação de cada área que foi auditada”, explica Glat.
Segundo ele, essas informações são utilizadas para transformar os resultados obtidos pelos produtores de alta performance em conhecimento que possa chegar a outras propriedades.
“Esse é um grande banco de dados com informações que usamos para fazer a difusão de tecnologia, divulgando para outros produtores e incentivando que eles cheguem próximos daqueles campeões, desses produtores pioneiros que estão na frente”, diz.
A proposta, portanto, não se limita a premiar ou reconhecer os maiores rendimentos. A intenção é compreender o que está por trás dos resultados e transformar essas experiências em referências para o restante da cadeia produtiva.
Parceria Cesb
Na avaliação de Glat, a aproximação entre o Cesb e o programa Soja Brasil, do Canal Rural, tem potencial para ampliar a disseminação dessas informações entre os produtores.
“Eu acho que os dois têm o mesmo objetivo, que é a difusão da tecnologia na cultura da soja. O Soja Brasil já é um programa consagrado do Canal Rural e eu acho que o Cesb vai poder entrar com muito conteúdo”, afirma.
Para o presidente da entidade, a combinação entre o conhecimento acumulado pelo CESB e a abrangência do Canal Rural pode resultar em uma parceria estratégica para levar informação técnica a um número ainda maior de agricultores.
“O CESB tem muito conteúdo, o Canal Rural tem muita abrangência, e ambos são direcionados à cultura da soja. Então eu acho que vai ser uma parceria muito promissora”, comenta.
Produtividade e rentabilidade caminham juntas
Outro ponto destacado por Glat é a relação entre produtividade e rentabilidade. Após 18 anos de trabalho, segundo ele, o CESB chegou a uma conclusão que considera clara. Lavouras mais produtivas tendem também a apresentar maior retorno econômico.
“O que nós sabemos é que o que o CESB aprendeu nesses 18 anos é que as altas produtividades estão ligadas às altas rentabilidades. Isso é inconteste”, afirma.
O presidente cita ainda um estudo realizado pelo ex-pesquisador da Embrapa Décio Gazzoni, em conjunto com engenheiros agrônomos ligados ao Cesb, que reforçaria essa relação entre produtividade e resultado financeiro.
“Quanto mais alta a produtividade, maior a rentabilidade”, resume Glat.
Manejo segue como estratégia
Para a próxima safra, o produtor rural reconhece que o cenário pode exigir atenção aos custos e aos diferentes componentes do manejo. Ainda assim, defende que o produtor mantenha o foco na qualidade da lavoura e faça ajustes de maneira criteriosa.
“Eu vou fazer o melhor que eu posso e vou torcer, acreditando que, mesmo em condições desfavoráveis, lavouras mais bem tratadas se saem melhores do que lavouras mais maltratadas”, afirma.
Na visão de Glat, o momento exige equilíbrio entre eficiência e controle de despesas, sem abandonar práticas que contribuem para o potencial produtivo da cultura.
“A mensagem é, vamos continuar fazendo o que nós sempre fizemos, talvez com alguma parcimônia em uma ou outra forma de manejo em que a gente possa economizar. Mas, de um modo geral, é acreditar e fazer como nós sempre fizemos”, conclui.
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Safra 26/27: novos híbridos de milho buscam mais produtividade e rentabilidade no Cerrado

A escolha do híbrido de milho para a safra 2026/27 passa cada vez mais pela capacidade de adequar a genética às condições da lavoura. Com custos elevados e maior pressão de pragas e doenças, o produtor precisa considerar não apenas o potencial produtivo, mas também o ambiente, o manejo e o nível de investimento disponível.
Para o agricultor Ivan de Araújo Inácio, a renovação das opções de genética é importante para acompanhar os desafios enfrentados no campo. A produtividade, segundo ele, depende também da evolução das sementes e da capacidade de combinar o conhecimento de quem está na lavoura com o trabalho desenvolvido pela pesquisa.
“Nós fazemos o nosso lado, mas tem que vir o pessoal da pesquisa da semente com variedades novas, híbridos novos para a gente conseguir fechar um trabalho, produzir mais e tentar rentabilizar a cultura”
A definição do material utilizado também está relacionada ao objetivo de produção. Características do solo, época de plantio, condições climáticas e capacidade de investimento podem influenciar a resposta de uma mesma genética em diferentes propriedades.
Nesse cenário, o desempenho das diferentes genéticas passa a ser avaliado de acordo com as condições encontradas no campo. Em Goiás e no Noroeste de Minas Gerais, materiais com características distintas são testados em diferentes ambientes de produção, considerando fatores como época de plantio, nível de investimento e potencial de cada área.
O representante de vendas da Agroceres, Tiago Ferreira, explica que os dois híbridos têm propostas diferentes. O AG 8909 é voltado a áreas de maior potencial produtivo, enquanto o AG 8450 apresenta uma faixa de adaptação mais ampla, inclusive com possibilidade de utilização para silagem. “O AG 8909 é um híbrido de altíssimo teto produtivo”, pontua.
Na avaliação de Ferreira, o AG 8450 também pode alcançar resultados elevados quando encontra um ambiente preparado para receber a genética. “O agricultor vai ter a estabilidade de produção”, afirma.
Quatro anos de pesquisa antes da chegada ao mercado
Os resultados apresentados agora são consequência de um processo de avaliação que começou antes da comercialização. Os dois híbridos passaram por testes em diferentes regiões de Goiás, épocas de plantio e níveis de investimento, permitindo comparar o comportamento das plantas em ambientes distintos.
O gerente da Agroceres em Goiás, Danilo Pereira, explica que os materiais estão inseridos nos programas de pesquisa da empresa há pelo menos quatro anos. “Eles estão sendo avaliados em diferentes regiões e em diferentes épocas, em diferentes níveis de investimentos”, frisa ao projeto Mais Milho.
A partir das informações acumuladas durante os testes, os híbridos chegaram a uma condição comercial na safra de verão 2025/26. A etapa permitiu observar o comportamento das genéticas diretamente nas propriedades, além dos experimentos conduzidos pela pesquisa.
Para Pereira, os resultados obtidos junto aos agricultores ajudam a ampliar o conhecimento sobre o comportamento dos materiais em condições comerciais. A avaliação é importante principalmente porque o desempenho observado em ensaios precisa ser confrontado com as condições reais de produção.
Esse tipo de pesquisa também permite identificar em quais situações uma determinada genética apresenta melhor resposta. Na prática, o posicionamento do híbrido precisa considerar as características de cada ambiente e o sistema de produção adotado na propriedade.
Sanidade ganha peso na escolha da genética
O potencial produtivo, porém, pode ser comprometido quando a lavoura enfrenta problemas fitossanitários. Por isso, características relacionadas à sanidade também estão entre os critérios considerados no desenvolvimento e na avaliação dos novos híbridos.
Os testes realizados pela empresa consideraram características relacionadas à qualidade de colmo, doenças e pragas. Os resultados ajudam a entender o comportamento dos materiais diante de diferentes condições encontradas nas áreas produtoras.
De acordo com o gerente técnico de Desenvolvimento de Mercado da Bayer, Max Leite, os materiais apresentaram resultados positivos nos ambientes avaliados pela empresa. No caso do AG 8909, ele cita índice de vitória superior a 80% nos ambientes de alto potencial.
Para o AG 8450, o índice informado também supera 80% nos ambientes em que o material foi avaliado. Os números, porém, precisam ser considerados dentro das condições em que os testes foram realizados e não substituem a análise específica de cada propriedade.
O manejo continua sendo necessário mesmo com o avanço da genética. Leite chama atenção para o aumento da pressão de patógenos e pragas e avalia que um cenário de temperaturas mais elevadas pode ampliar esse desafio.
Por isso, a escolha do híbrido passa a fazer parte de uma estratégia mais ampla, que envolve planejamento de plantio e manejo ao longo do ciclo. A genética é um dos componentes do sistema produtivo e precisa estar adequada às condições encontradas no campo.
Custo de produção coloca eficiência no centro da decisão
A pressão sobre os custos é outro fator que interfere diretamente na escolha do produtor. Em um cenário de margens mais apertadas, alcançar uma produtividade elevada não necessariamente significa maior rentabilidade se o investimento necessário para chegar a esse resultado não for compatível com a realidade da propriedade.
Para Luiz Márcio Bernardes, diretor-geral do Centro de Milho Agroceres Bayer, o cenário econômico exige atenção do setor. “O cenário de custos desafia o mercado agrícola”, pontua ao Canal Rural Mato Grosso.
A questão passa, portanto, por encontrar alternativas que permitam ao produtor trabalhar dentro das condições financeiras de cada propriedade. O nível de tecnologia empregado precisa estar relacionado ao potencial da área e à capacidade de investimento.
O desenvolvimento de novas genéticas é uma das frentes utilizadas pela indústria para responder a esse cenário. Bernardes ressalta que os investimentos em pesquisa buscam gerar novas opções para os sistemas de produção.
Mas a decisão final continua sendo do produtor, que precisa avaliar as características da própria lavoura antes de definir o material que será utilizado. Potencial produtivo, estabilidade, sanidade, época de plantio e custo fazem parte dessa equação.
É essa combinação que determina se uma tecnologia consegue, de fato, contribuir para o resultado econômico da atividade. A chegada de novas opções de genética para a safra 2026/27 amplia as possibilidades de escolha, mas mantém como desafio encontrar o material que melhor se encaixa nas condições de cada lavoura.
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