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9 de julho de 2026

Agro Mato Grosso

Empreiteiro matinha trabalhadores em situação análoga à escravidão em MT

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Um homem de 39 anos, que se apresentava como empreiteiro, foi preso em Alta Floresta (803 km de Cuiabá) acusado de manter dois trabalhadores gaúchos em regime de trabalho análogo à escravidão em uma fazenda, às margens da rodovia estadual MT208. As vítimas eram agredidas e não recebiam os salários combinados.

Conforme o registro da ocorrência, registrado na última sexta-feira (22), a Polícia Militar foi acionada por uma das vítimas, que informou ter sido agredido pelo empregador. No local, as vítimas, dois homens com 19 e 33 anos, contaram que vieram do Rio Grande do Sul para Mato Grosso junto com o acusado para trabalhar.

Alojados em casa que pertence ao empreiteiro, eles contaram que o empregador vinha reclamando do seu rendimento no serviço e ameaçou os trabalhadores dizendo que os deixaria sem dinheiro para voltar ao seu estado de origem.

O combinado entre eles era que as duas vítimas ficariam em Mato Grosso por três meses mediante o pagamento de um valor combinado entre os três. Contudo, o acusado só pagava metade desse salário com a promessa de que a diferença seria paga após os três meses.

Na data da denúncia, o empreiteiro acusou as vítimas de terem furtado uma caixa de som da sua residência. Um dos trabalhadores negou ter cometido o crime e foi agredido com tapas e chutes.

O acusado não estava na fazenda, mas foi encontrado em uma estrada próxima e recebeu voz de prisão e foi encaminhado para unidade policial para as providências cabíveis.

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Agro Mato Grosso

TCE promete auditoria após denúncias de falta d’água e irregularidades em obras

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O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, recebeu denúncias sobre falhas no abastecimento de água e suspeitas de irregularidades em obras e contratações feitas pela prefeitura de Alta Floresta.

Os apontamentos foram feitos por vereadores do município nesta quarta-feira (8), ocasião em que o presidente apresentou os sistemas de monitoramento do Tribunal e garantiu que todas as situações relatadas serão analisadas.

Segundo os parlamentares, mesmo com reajustes anuais de tarifa, a população sofre com desabastecimento recorrente. No episódio mais recente, a cidade ficou sem água por cinco dias, sob a justificativa de manutenção do equipamento.

“Deixar uma cidade cinco dias sem abastecimento é de uma incompetência fora do comum. A empresa tem que ter um sistema sobressalente para operar a distribuição quando houver manutenção”, afirmou Sérgio Ricardo. “Todas essas informações já viraram documentos, e nós vamos, no momento certo, fazer com que todas essas entidades prestem contas e se expliquem sobre essas denúncias”, acrescentou.

De acordo com o vereador Dida Pires, como o contrato vigora até 2032, a preocupação é que o atendimento ruim se mantenha até o fim da concessão. Diante disso, ele solicitou auditoria na empresa responsável pelo serviço. “Não é justo continuar prestando um serviço de má qualidade. Pedimos ao presidente uma equipe do TCE para fazer a auditoria e ajudar para que a empresa cumpra o contrato e atenda bem a população.”

Ele também chamou a atenção para a compra de energia fotovoltaica. “Já se pagou R$ 7,5 milhões e o sistema não foi instalado, porque o formato adquirido pelo município não tem condições, e a Energisa se nega a fazer a implantação. Achamos a situação extremamente irregular”, declarou.

Foram citados ainda questionamentos sobre os gastos com transporte escolar, a compra de livros e a construção de salas modulares. Neste contexto, o vereador Darlan Trindade destacou as dificuldades em fiscalizar a gestão municipal.

“Não temos uma assessoria tão grande, com capacidade técnica para ir mais a fundo nessas denúncias. Por isso, é muito importante que o TCE faça uma auditoria e uma análise técnica para verificar se existe sobrepreço, porque, se existe, quem é penalizada é a população”, pontuou.

Por sua vez, o vereador Luciano Silva ressaltou a importância da abertura do TCE-MT para as demandas dos municípios. “A valorização do dinheiro público está sendo demonstrada de forma clara através desse tipo de trabalho. Eu nunca tinha visto uma atuação dessa magnitude. Essa abertura vai fazer com que quem gere o dinheiro público tenha mais cuidado e mais eficiência, para que o recurso que sai do pagamento de imposto seja aplicado de forma adequada”, acrescentou.

Ferramentas de fiscalização

Na reunião, o presidente apresentou dados levantados por meio do Platão, inteligência artificial do TCE-MT voltada à análise de dados e leitura automatizada de diários oficiais e editais, e dos sistemas Geobras e Radar, detalhando informações de setores como saúde e infraestrutura.

“Os vereadores ficaram admirados porque aqui tem mais informação que na própria Câmara. Cada vez mais estamos popularizando esse acesso, trazendo os gestores aqui e mostrando como está a situação da cidade deles”, disse ele.

Foi apontado por exemplo que a receita prevista atualizada de Alta Floresta para 2026 é de quase R$ 500 milhões. As despesas empenhadas do município somavam R$ 183 milhões e as liquidadas, R$ 140 milhões. Na área da saúde, a despesa paga por habitante aparece em R$ 568.

Sérgio Ricardo reforçou o papel do Legislativo na fiscalização e o compromisso do TCE com a população. “As informações são prestadas pelos vereadores, que são os fiscais do município. O vereador é o fiscal da cidade. Espero que outros vereadores de outras cidades venham trazer ao Tribunal as informações de como está a gestão e de como está sendo investido o dinheiro público. O Tribunal está sempre de portas abertas para a sociedade e para os agentes públicos”, concluiu.

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Como Campo Verde se tornou o maior polo têxtil de Mato Grosso

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‘O sojicultor está descapitalizado. A prioridade não é investir, mas conseguir produzir’, afirma Ilson Redivo

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Vice-presidente regional da Aprosoja MT avalia que o Plano Safra não atende às necessidades do setor, critica redução dos recursos e alerta para a dificuldade financeira

O presidente do Sindicato Rural de Sinop e vice-presidente regional da Aprosoja MT da região Norte, Ilson Redivo, avaliou ao Soja News que o Plano Safra 2026/27 ficou abaixo das necessidades do setor produtivo. Segundo ele, embora o governo tenha anunciado um aumento nominal dos recursos, o valor disponibilizado não acompanhou a inflação, reduzindo o poder de compra do crédito rural.

Na avaliação da entidade, os R$ 525 bilhões anunciados são insuficientes para atender à demanda dos produtores. Além disso, Redivo criticou a redução dos recursos destinados ao custeio e à comercialização da produção, justamente a modalidade de crédito considerada mais importante para o atual momento do setor.

“O Plano Safra teve um aumento de recursos, mas esse aumento não cobriu a inflação. Os bilhões anunciados não são suficientes para atender à demanda do produtor”, afirmou. “O principal gargalo hoje é a redução dos recursos para custeio e comercialização. É justamente onde o produtor mais precisa de apoio neste momento”, complementou.

'O Plano Safra 26/27 não corresponde à demanda do produtor rural', diz Redivo

Segundo Redivo, o setor atravessa um período de forte descapitalização após três anos consecutivos de preços baixos das commodities, somados ao aumento dos custos de produção. A alta dos fertilizantes, dos insumos e do óleo diesel, aliada aos reflexos do cenário internacional, reduziu significativamente a margem de lucro dos produtores.

“O produtor está descapitalizado. Após três anos de preços baixos das commodities e aumento dos custos de produção, a prioridade não é investir, mas conseguir produzir”, comentou. “Muitos produtores estão com financiamentos atrasados e sem recursos para cobrir seus compromissos. A alta dos fertilizantes, dos insumos e do óleo diesel reduziu a margem de lucro da atividade.”

O diretor afirmou que, diante desse cenário, muitos agricultores enfrentam dificuldades para manter a atividade e honrar seus financiamentos. Para ele, ampliar os recursos para investimentos, enquanto se reduz o crédito para custeio, não atende à realidade vivida no campo.

“O produtor é eficiente da porteira para dentro, mas fica vulnerável às ações governamentais e ao cenário internacional, que impactam diretamente os custos de produção e a rentabilidade da atividade”, concluiu.

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