Business
Com acordo entre EUA e China, soja brasileira corre risco de perder espaço?

O mercado internacional da soja foi surpreendido no início da semana com o anúncio de um novo acordo entre China e Estados Unidos envolvendo a aquisição de produtos agrícolas americanos pelos chineses. A notícia provocou forte reação na Bolsa de Chicago, onde os contratos futuros da oleaginosa dispararam na segunda-feira, encerrando o dia na máxima de US$ 12,13 por bushel. O movimento também aqueceu as negociações nas principais praças de comercialização do Brasil.
Segundo a Casa Branca, a China se comprometeu a comprar pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas dos Estados Unidos entre 2026 e 2028. O compromisso foi firmado durante reuniões realizadas entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping na semana passada, em Pequim.
- Fique por dentro das principais notícias sobre a soja: acesse a comunidade Soja Brasil no WhatsApp!
O governo americano ressaltou que os valores anunciados não incluem os acordos anteriores relacionados à soja, firmados em outubro de 2025. O anúncio ocorre após a forte retração das exportações agrícolas americanas para a China, consequência direta da escalada tarifária entre os dois países no ano passado.
Para o analista e consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o mercado segue atento aos desdobramentos da relação comercial entre China e Estados Unidos, especialmente após o novo entendimento entre as duas potências.
Segundo ele, até o momento, a presença chinesa na soja norte-americana ainda é considerada tímida, limitada basicamente ao cumprimento do acordo envolvendo cerca de 12 milhões de toneladas. “Ainda existe a expectativa de que a China adquira aproximadamente 25 milhões de toneladas da safra nova americana, movimento considerado normal dentro da sazonalidade do mercado, já que tradicionalmente os chineses intensificam as compras nos Estados Unidos a partir de outubro, período em que a oferta por lá ganha maior liquidez e competitividade”, explica o consultor.
Brasil segue como protagonista
Enquanto isso, o Brasil continua ocupando posição estratégica no comércio global da oleaginosa. De acordo com Silveira, o país mantém uma janela extremamente robusta de exportações, registrando volumes recordes de embarques no período.
“A China continua demonstrando firmeza na demanda por grandes volumes de soja brasileira, enquanto o país ainda sustenta um diferencial competitivo importante de preços, principalmente no curto prazo”, afirma o analista.
Ele destaca ainda que esse cenário está diretamente ligado aos prêmios praticados no mercado, reflexo do forte escoamento da safra e de um quadro confortável de oferta interna.
Apesar da reação positiva inicial em Chicago, o mercado passou a moderar os ganhos ao longo da semana diante dos fundamentos de oferta. Até a manhã de sexta-feira (22), o contrato julho, o mais negociado, acumulava valorização de 1,9%, sendo cotado próximo de US$ 11,99 por bushel.
A pressão sobre os preços veio principalmente das boas condições das lavouras nos Estados Unidos e da elevada oferta global, reforçada pela entrada de uma safra sul-americana acima das expectativas.
O post Com acordo entre EUA e China, soja brasileira corre risco de perder espaço? apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Inteligência artificial no agro: alunos do interior de SP vencem prêmio mundial de robótica agrícola

A agricultura de precisão brasileira acaba de conquistar reconhecimento internacional. Alunos da Fatec Pompeia “Shunji Nishimura”, no interior de São Paulo, venceram o Farm Robotics Challenge 2026, na categoria Excellence in Artificial Intelligence (AI), uma das mais importantes competições globais voltadas à robótica e inteligência artificial aplicadas ao agro.
A disputa reuniu equipes universitárias de 13 países e cinco continentes. Entre os concorrentes estavam instituições de destaque mundial, como Carnegie Mellon University, Cornell University e universidades do sistema University of California.
- Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural!
Promovido pela UCANR Innovate, braço de inovação da Universidade da Califórnia para Agricultura e Recursos Naturais, o desafio é considerado uma das principais vitrines globais para tecnologias agrícolas ligadas à robótica, sensores e inteligência artificial.
Armadilha inteligente usa IA para identificar pragas
Batizada de V.A.R.D. (Agricultural Vigilance to Digital Response ou vigilância agrícola para resposta digital), a solução brasileira desenvolveu uma armadilha inteligente capaz de identificar e contabilizar insetos automaticamente em lavouras de algodão. O foco está em pragas como tripes e mosca-branca, que causam prejuízos significativos à cotonicultura.
O sistema utiliza câmeras de alta resolução, análise de imagens por inteligência artificial e iscas adesivas para monitorar os insetos em tempo real. A estrutura é alimentada por energia solar e integrada a um aplicativo móvel, permitindo que o produtor receba dados instantaneamente no campo.
Além da contagem automatizada, a plataforma gera indicadores técnicos usados no manejo integrado de pragas, como o nível de controle (NC) e o nível de dano econômico (NDE). Esses parâmetros ajudam o produtor a decidir quando aplicar defensivos agrícolas, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência operacional.
Redução de custos e maior sustentabilidade
Segundo os organizadores da competição, os projetos foram avaliados com base em critérios como inovação, segurança, viabilidade comercial, precisão técnica e impacto social.
A expectativa é que a tecnologia desenvolvida pelos estudantes contribua para diminuir o uso de químicos nas lavouras, melhorar a janela de aplicação e reduzir custos de produção, além de ampliar a sustentabilidade da atividade agrícola.
A solução integra um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), liderado pelo pesquisador Mario Sato, do Instituto Biológico de São Paulo.
Interior paulista ganha projeção global
A equipe vencedora é formada por estudantes dos cursos de Tecnologia em Sistemas Inteligentes, Mecanização em Agricultura de Precisão e Big Data no Agronegócio. A combinação entre diferentes áreas foi apontada como um dos diferenciais do projeto.
Para a diretora da Fatec Pompeia, Marisa Renaud Faulin, a conquista representa o reconhecimento internacional da capacidade brasileira de desenvolver inovação aplicada ao campo.
Segundo ela, o prêmio comprova que os estudantes da instituição conseguem competir em alto nível com algumas das universidades mais influentes do mundo nas áreas de robótica e inteligência artificial agrícola.
O post Inteligência artificial no agro: alunos do interior de SP vencem prêmio mundial de robótica agrícola apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Embrapa lança unidade de pesquisa e inovação no sudoeste da Bahia

A pedra fundamental da nova Unidade Mista de Pesquisa e Inovação do Sudoeste Baiano foi lançada neste sábado (23), em Jequié (BA), com participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. A estrutura será implantada em parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Governo da Bahia e outras instituições. A proposta é ampliar a pesquisa aplicada e a inovação para a agropecuária regional.
Segundo as informações divulgadas na cerimônia, a unidade terá foco em projetos científicos e tecnológicos voltados à agricultura familiar e empresarial, além de ações de transferência de tecnologia. O objetivo é atender cadeias produtivas com presença relevante no sudoeste baiano, como mandioca, pecuária de corte, leite e agroindústria.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, afirmou que a atuação deverá ocorrer em parceria com universidades, institutos federais e instituições locais. Ela citou potencial de trabalho em fruticultura, com manga, banana e maracujá, além de mandioca, feijão, pesca, piscicultura, avicultura e caprinocultura.
Receba no seu e-mail as notícias mais importantes do dia, análises de mercado e os principais fatos que movimentam o agronegócio: assine a newsletter do Canal Rural
Durante o evento, André de Paula destacou o papel da pesquisa agropecuária na expansão da produção brasileira e mencionou investimentos federais na Embrapa. De acordo com o ministro, a empresa recebeu cerca de R$ 1 bilhão por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O conteúdo divulgado, no entanto, não informou o valor específico destinado à unidade de Jequié, nem o cronograma de obras e início das operações.
O ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, disse que a nova estrutura também poderá apoiar o avanço da piscicultura e da produção de alevinos na região. A presença de diferentes cadeias produtivas no sudoeste baiano amplia o escopo técnico da unidade e pode favorecer a difusão de soluções adaptadas às condições locais de produção.
Do ponto de vista técnico, a nova unidade tende a ampliar a base regional de pesquisa, inovação e assistência ao produtor, mas os efeitos práticos dependerão da definição de orçamento, cronograma, linhas de pesquisa e modelo de transferência de tecnologia. Esses detalhes não foram informados no anúncio oficial.
Fonte: gov.br
O post Embrapa lança unidade de pesquisa e inovação no sudoeste da Bahia apareceu primeiro em Canal Rural.
Agro Mato Grosso
Valtra: Ganha protagonismo e marcam nova geração de máquinas agrícolas no biocombustíveis

Uma tendência que havia sido antecipada na coletiva de lançamento da Agrishow 2026 ganhou materialidade nos estandes da feira e deu pistas sobre uma mudança em curso no desenvolvimento de máquinas agrícolas no Brasil: a aposta nos biocombustíveis como alternativa viável e cada vez mais central para o funcionamento de motores no campo. São tecnologias que buscam conciliar eficiência operacional, redução de custos e menor impacto ambiental.
Segundo a organização da Agrishow, o desenvolvimento desses equipamentos ficou mais acelerado por causa das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que provocam oscilações nos preços dos combustíveis fósseis – o Brasil importa cerca de 30% de seu consumo de diesel, tradicionalmente usado nas máquinas agrícolas. Para João Carlos Marchesan, presidente da feira, o País tem condições de reduzir essa dependência apostando em sua sólida cadeia produtiva de etanol e biodiesel.
Etanol
Um dos destaques foi a apresentação do primeiro motor para tratores movido a etanol da AGCO Power, grupo do qual fazem parte empresas como a Massey Ferguson, a Valtra e a Fendt. O projeto, desenvolvido integralmente no Brasil, está sendo preparado para chegar ao mercado em 2028.
A tecnologia foi concebida ao longo de três anos e passou por mais de 10 mil horas de testes, incluindo aplicações em culturas como cana-de-açúcar e grãos. De acordo com Fernando Silva, coordenador comercial da AGCO, o motor atende a uma faixa de potência entre 200 e 300 cavalos e mantém desempenho equivalente ao do diesel, sem perda de torque ou capacidade de tração.
Além da performance, o apelo ambiental está na ordem do dia. Segundo a fabricante, o uso do etanol, que poderá ser proveniente de qualquer tipo de matéria-prima – como cana, trigo, milho, entre outros – pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa.
Outro fator relevante é o impacto econômico. Com as oscilações nos preços do diesel, o etanol surge como opção competitiva, especialmente para produtores com capacidade para fabricá-lo no próprio sítio ou fazenda, o que reduz custos e aumenta a previsibilidade operacional.
A John Deere também desenvolve uma tecnologia a etanol. Trata-se de um conceito de motor que foi revelado, inicialmente, em 2023, durante a Agritechnica, na Alemanha, e depois passou a ser adaptado às condições brasileiras no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Indaiatuba (SP), voltado à agricultura tropical.
Apresentado pela primeira vez no Brasil durante a Agrishow de 2024, o projeto vem avançando. Na edição de 2025 da feira, já aparecia integrado a um trator da linha 8R. Agora em 2026, a companhia deu mais um passo ao exibir o trator equipado com o protótipo do motor acoplado a uma plantadeira, simulando operações reais no campo e reforçando a aplicação prática da solução em diferentes atividades agrícolas.
Dois protótipos operam em áreas de testes no Brasil há cerca de três anos, principalmente nos segmentos de cana-de-açúcar e grãos, setores em que o etanol possui ampla disponibilidade e infraestrutura consolidada. Segundo a empresa, a proposta busca unir sustentabilidade e desempenho, mantendo rendimento semelhante ao diesel por meio de ajustes específicos de software no motor.
Biometano
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/z/O/eF7mK2TXyxbwA6J1Nq2A/dsc-0554.jpg)
Trator ‘falante’ é uma das novidades da Agrishow 2026 em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1
A Valtra apresentou um trator equipado com motor movido a biometano, combustível renovável obtido a partir do biogás, que, por sua vez, é gerado na decomposição de matéria orgânica. Esse processo ocorre quando resíduos como esterco, restos de culturas agrícolas, lixo ou subprodutos da indústria se decompõem por digestão anaeróbica, ou seja, sem a presença de oxigênio.
É o primeiro trator a biometano da empresa voltado ao mercado agrícola. A proposta, segundo o diretor de Vendas, Cláudio Esteves, é gerar um ciclo de reaproveitamento. As usinas sucroenergéticas de cana-de-açúcar poderão utilizar a própria biomassa de cana-de-açúcar e de milho para fornecer energia aos veículos que operam em suas lavouras. A previsão é de que, na Agrishow de 2027, a máquina já esteja disponível para comercialização.

A Valtra apresenta a Série M5: a evolução de um dos tratores mais confiáveis do Brasil, agora com mais tecnologia, eficiência operacional e conforto para o campo.
Diesel verde
A adoção de combustíveis renováveis compatíveis com motores convencionais, como o HVO100, conhecido como diesel verde, também esteve em evidência na Agrishow. A Fendt apresentou um motor preparado para operar com esse tipo de combustível, sem necessidade de modificações estruturais relevantes.
Rodrigo Bezerra, engenheiro de conformidade de emissões da AGCO, explica que essa compatibilidade permite que produtores reduzam emissões de carbono de forma imediata, utilizando combustíveis alternativos em equipamentos já disponíveis no mercado. Ao mesmo tempo, contribui para ampliar o leque de opções energéticas no campo, especialmente em regiões onde o acesso ao etanol ou biometano pode ser mais limitado.
Ainda segundo Guerra, o motor, cujo desenvolvimento começou em 2012, poderá ser adaptado para operar com qualquer tipo de combustível, como etanol, biometano e hidrogênio verde. Por causa dessa e outras funcionalidades, como 25% menos componentes, o que ajuda a reduzir a vibração e o deixa mais estreito, permitindo maior raio de giro, foi eleito o trator de 2026 pela revista britânica Powertrain International, especializada em engenharia de sistemas de propulsão.
Contexto
O avanço dos biocombustíveis nas máquinas agrícolas não ocorre por acaso. É impulsionado por uma combinação de fatores econômicos e ambientais. Se, de um lado, o aumento do custo do diesel pressiona as margens do produtor rural e estimula a busca por alternativas mais baratas e previsíveis, de outro cresce a demanda por práticas mais sustentáveis, tanto por exigências de mercado quanto por compromissos climáticos assumidos pelo setor.
Nesse contexto, tecnologias que conciliam produtividade e redução de emissões tendem a ganhar espaço. Matheus Pintor, da Bosch, afirma que a possibilidade de gerar créditos de carbono, por exemplo, passa a ser um incentivo adicional para a adoção de soluções baseadas em biocombustíveis.
Por isso, o Brasil, com sua tradição na produção de biocombustíveis, aparece, na visão dos organizadores da feira, em posição estratégica para liderar esse movimento.
Agro Mato Grosso7 horas agoValtra: Ganha protagonismo e marcam nova geração de máquinas agrícolas no biocombustíveis
Agro Mato Grosso23 horas agoVÍDEO: arara-canindé com suspeita de atropelamento é resgatada em MT
Sustentabilidade22 horas agoDe advogada a produtora rural: Flávia Garcia Cid transforma fazenda em referência nacional em óleos essenciais – MAIS SOJA
Business23 horas agoCiência, renda e preservação: como o babaçu fortalece comunidades tradicionais
Agro Mato Grosso7 horas agoAgro poderá usar linha de crédito do FAT para inovação
Business10 horas agoColheita do café avança lentamente e atinge 9% da safra no Brasil, aponta consultoria
Business10 horas agoGreenFarm quer transformar Cuiabá em vitrine do agro brasileiro
Business22 horas agoCaravana Agro Exportador destaca mercado externo para fruticultura em Petrolina


















