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Ciência, renda e preservação: como o babaçu fortalece comunidades tradicionais

O coco babaçu, símbolo cultural do Maranhão e importante recurso natural do Norte e Nordeste brasileiro, tem se transformado em fonte de renda, autonomia e preservação ambiental para milhares de famílias.
Projetos desenvolvidos pela Embrapa vêm mostrando como a ciência e a inovação podem fortalecer comunidades tradicionais e valorizar o trabalho das quebradeiras de coco babaçu.
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A pesquisadora da Embrapa Maranhão Guilhermina Cayres, que lidera iniciativas voltadas à bioeconomia e ao aproveitamento integral do babaçu, explica que a proposta é transformar um recurso historicamente associado à pobreza em oportunidade de desenvolvimento sustentável.
O Maranhão concentra a maior produção de amêndoas de babaçu do Brasil, além de possuir cerca de 40% do território coberto pela Mata dos Cocais. Apesar da relevância econômica e ambiental da palmeira, durante décadas o babaçu esteve ligado à imagem de sofrimento e baixa renda.
“Com o Babaçu nós podemos desenvolver pesquisa, inovação, produtos diferenciados, produtos com valor agregado principalmente pela história associada a essa palmeira, associada a esses produtos e associada também ao grupo social muito específico que é o grupo das quebradeiras de coco”, afirma a pesquisadora.
As quebradeiras representam aproximadamente 300 mil famílias distribuídas entre Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí. Historicamente, essas mulheres comercializavam apenas a amêndoa do babaçu para atravessadores, recebendo valores baixos pelo produto.
Agregação de valor aumenta renda
A partir dos projetos da Embrapa, a lógica de comercialização começou a mudar. Em vez de vender somente a matéria-prima, as comunidades passaram a produzir alimentos derivados do babaçu, agregando valor ao produto final.
De acordo com a pesquisadora, o quilo da amêndoa vendido in natura chega a custar cerca de R$ 5. Já quando utilizado na produção de alimentos, como hambúrguer vegetal de babaçu, o valor pode alcançar R$ 150 por quilo.
Entre os produtos já desenvolvidos estão:
- biscoito vegano;
- gelado vegano;
- farinha de amêndoa;
- hambúrguer vegetal de babaçu.
Outros produtos, como queijo vegano e bebida vegetal, ainda estão em fase de finalização e certificação.
Os projetos também aproveitam resíduos alimentares em novas formulações. Um exemplo é a utilização da casca de banana na produção de alimentos derivados do babaçu, reduzindo desperdícios e ampliando o potencial sustentável da cadeia produtiva.
Preservação ambiental e crédito de carbono
Além da geração de renda, as iniciativas incentivam a preservação da floresta. Como o aumento do lucro ocorre por meio da agregação de valor aos produtos, as famílias não precisam ampliar áreas de cultivo ou derrubar vegetação para aumentar os ganhos.
A Embrapa também desenvolve estudos para mensurar o estoque de carbono da Mata dos Cocais. A proposta é que as comunidades possam futuramente receber pelo serviço ambiental prestado pela preservação das áreas de babaçu.
Segundo Guilhermina Cayres, a floresta em pé representa não apenas conservação ambiental, mas também mais dignidade e permanência das famílias em seus territórios.
Ciência e transformação social
O impacto das iniciativas vai além da economia. A pesquisadora destaca mudanças significativas na autoestima e na autonomia das mulheres envolvidas nos projetos.
Muitas quebradeiras que antes se sentiam invisíveis passaram a viajar para outros estados, apresentar produtos em eventos e atuar como palestrantes e multiplicadoras de conhecimento.
Para a pesquisadora, o principal resultado é mostrar que a ciência pode transformar vidas quando construída em diálogo com os saberes tradicionais.
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Operações de barter precisarão se adaptar ao uso de novo código fiscal; entenda

A Reforma Tributária não vai alterar apenas a forma como o produtor rural recolhe impostos, mas também a dinâmica de compra, venda, investimentos e gestão tributária dentro da propriedade.
Nessa esfera, também serão impactadas as operações de barter. O sócio da área tributária do Santos Neto Advogados, Henrique Erbolato, chama atenção para a entrada em vigor, no dia 3 de agosto, do uso da finalidade “6 – Nota de débito”, inclusa no texto da Reforma, nas notas fiscais emitidas pelas empresas que recebem o pagamento antes de entregar a mercadoria.
Hoje, o barter funciona como uma forma de financiamento em que o produtor garante insumos sem desembolso imediato de valores e o fornecedor assegura recebimento em grãos, reduzindo exposição da mercadoria ao risco de preço.
Até agora essas operações tinham natureza financeira e de garantia comercial, sem a imediata ocorrência do fato gerador do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) ou do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que ficava para o momento da efetiva circulação/saída da mercadoria.
Segundo o advogado, essa medida não cria um novo documento fiscal, mas sim uma parametrização obrigatória nas notas já existentes. “Quando essa operação é analisada sob a ótica das novas regras, identificam-se desafios operacionais e econômicos. De imediato, enxergo dois pontos: o caráter de função rastreadora que a mudança traz e a quebra da Neutralidade do Adiantamento”, diz.
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De acordo com ele, o objetivo principal dessa alteração é preparar o ecossistema do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e a plataforma de arrecadação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) para o modelo de tributação que entrará em vigor a partir de 2027.
“Além disso, a partir do próximo ano, o recebimento antecipado de valores deixará de ser neutro. O IBS e CBS passarão a incidir já na data do recebimento financeiro, deslocando a carga tributária para o início do ciclo comercial”, detalha Erbolato.
Para o advogado, existem outros impactos diretos na tributação do produtor:
- Fluxo de Caixa: essa inversão altera profundamente o capital de giro das empresas, afetando tanto o vendedor, que recolhe imposto antes da entrega, quanto o comprador, que pode ter dificuldades no aproveitamento de créditos.
- Operações de barter em risco: com a nova regra, operações fechadas em 2026 e liquidadas em 2027 estarão sujeitas a regimes distintos, exigindo cláusulas contratuais de reajuste e rateio de ônus tributário.
- Complexidade na antecipação de recebíveis: empresas de insumos que antecipam recebíveis para obter liquidez enfrentarão maior custo financeiro, já que o imposto incidirá antes da entrega física da produção, aumentando o deságio desses títulos.
- Risco de travamento de créditos: erros na emissão da nota com finalidade “6” ou inconsistências contratuais podem impedir o aproveitamento de créditos, gerando passivos expressivos e travando o fluxo de operações no setor.
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Queda na importação de fertilizantes é oportunidade à indústria nacional, diz StoneX

As importações das principais matérias-primas de fertilizantes recuaram 8,6% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme levantamento da consultoria StoneX.
Em 2025, o Brasil adquiriu de fora 45,5 milhões de toneladas do insumo, o maior volume da série, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A retração nos primeiros seis meses do ano foi puxada por produtos essenciais à nutrição das lavouras. As compras externas de ureia caíram 32% no período, enquanto o MAP (Fosfato Monoâmonico) decaiu 24% e o nitrato de amônio e o enxofre registraram quedas de 42% cada.
Na contramão, o cloreto de potássio e o TSP avançou, com a migração da demanda diante da oferta restrita de MAP e DAP (Fosfato Diamônico) no mercado internacional.
Para a StoneX, esse movimento reflete a cautela dos compradores diante das incertezas no cenário internacional e de relações de troca entre as mais desfavoráveis dos últimos anos, o que tem levado produtores e importadores a postergar negociações.
Contudo, a consultoria lembra que janela logística se estreita, já que, historicamente, a maior parte das compras de fosfatados ocorre entre abril e agosto, para garantir a disponibilidade no plantio da safra de verão, enquanto o pico de aquisição dos nitrogenados se estende de junho a dezembro, com foco na segunda safra.
Fragilidade estrutural
O cenário atual dos fertilizantes expõe a fragilidade estrutural do agronegócio brasileiro, visto que o país compra de fora mais de 85% do insumo que consome, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), sendo, atualmente, o maior importador do mundo.
Ao mesmo tempo, de acordo com a Conab, os fertilizantes representaram, em média, 23% dos custos totais nas culturas de soja, milho e algodão. Já em Mato Grosso, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) calcula que a oleaginosa deve responder por 46,7% do custeio na safra 2026/27.
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Diante desse quadro, a StoneX pontua que o setor pode estar passando por uma das maiores oportunidades da história no fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes.
A produção brasileira passa a ganhar relevância estratégica em duas frentes: o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê que cerca de 50% da demanda interna de fertilizantes seja atendida pela indústria doméstica até 2050, com movimentos já em curso, como a retomada de fábricas de nitrogenados.
No curto prazo, o segmento de fertilizantes líquidos, foliares e produtos para fertirrigação já oferece resposta imediata: o setor faturou R$ 26,9 bilhões em 2024, alta de 18,9% sobre o ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), com destaque para o crescimento de 23,2% dos foliares e de 36,1% dos produtos via fertirrigação e hidroponia.
No cenário nacional, o estado de Minas Gerais concentra cerca de 70% das reservas nacionais de potássio, abrigando a maior mina em operação no Brasil, em São Gotardo, no Triângulo Mineiro. A capacidade produtiva atual, de 3 milhões de toneladas por ano, tem planos de expansão que podem chegar a 23 milhões e, posteriormente, a 50 milhões de toneladas anuais, quase o equivalente ao consumo total do país, hoje em torno de 60 milhões de toneladas.
O especialista em fertilizantes Fellipe Parreira, da GiroAgro, uma das únicas empresas de fertilizantes de capital 100% nacional, acredita que é necessária uma abordagem integrada, com mais jazidas nacionais e validação científica para mitigar riscos geopolíticos sem comprometer yields recordes.
Para ele, o momento exige maior planejamento dentro de um contexto de uma indústria nacional de nutrição vegetal que cresce dois dígitos ao ano e oferece ao agricultor alternativas produzidas no país, com menor exposição cambial e logística mais previsível.
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Agro Mato Grosso
Como Campo Verde se tornou o maior polo têxtil de Mato Grosso

Da força do agro à indústria, Campo Verde transformou o algodão em desenvolvimento, empregos e inovação e hoje vive um dos maiores ciclos de crescimento de Mato Grosso.
Como uma cidade com apenas 38 anos de emancipação conseguiu se tornar referência na indústria têxtil de Mato Grosso? A resposta está na decisão de ir além da produção agrícola. Em Campo Verde, o algodão deixou de ser apenas uma commodity para dar origem a uma cadeia produtiva completa, que vai da fibra ao fio, impulsiona a industrialização, gera empregos e movimenta a economia local.
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Campo Verde transformou o algodão em desenvolvimento, empregos e inovação e hoje vive um dos maiores ciclos de crescimento de Mato Grosso — Foto: Assessoria/Prefeitura de Campo Verde
Desde 2022 o município tomou a decisão de protagonizar e expor ao mercado nacional e internacional sua capacidade produtiva e potencial de industrialização como Polo têxtil do MT. Hoje, o município concentra uma das cadeias têxteis mais estruturadas do estado. Campo Verde possui 16 usinas de beneficiamento de algodão e duas grandes fiações em operação, responsáveis pela produção de aproximadamente 3,5 mil toneladas de fios de algodão por mês. Os números serão apresentados no 4° Tour da Fibra ao Fio, realizado no município entre os dias 05 e 07/08 com a participação da indústria têxtil e do Governo de Mato Grosso, evidenciando o avanço da industrialização local.
O crescimento ganha ainda mais relevância quando observado no contexto estadual. Mato Grosso responde por cerca de 70% da produção nacional de algodão, mas apenas aproximadamente 5% da pluma produzida no estado é industrializada em território mato-grossense. Nesse cenário, Campo Verde se destaca por investir na verticalização da cadeia produtiva, agregando valor à matéria-prima e fortalecendo a indústria regional.
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A produção do município se destaca pela qualidade da fibra, resistência e comprimento — Foto: Assessoria/Prefeitura de Campo Verde
Os indicadores econômicos refletem essa transformação. Em poucos anos, o Produto Interno Bruto (PIB) do município saltou de pouco mais de R$ 2 bilhões para mais de R$ 5 bilhões.
Esse avanço é sustentado por investimentos em infraestrutura logística, que facilitam o escoamento da produção e atraem novos empreendimentos. Ao mesmo tempo, políticas públicas voltadas para educação regular e formação profissional, segurança, habitação e sustentabilidade ajudam a criar um ambiente favorável para empresas e moradores.
Na educação, Campo Verde recebeu o Selo Ouro de Alfabetização, reconhecimento que destaca os resultados obtidos na aprendizagem dos estudantes. Na área da segurança, a cidade investiu em monitoramento urbano e se tornou uma das mais vigiadas de Mato Grosso, iniciativa que contribui para ampliar a sensação de segurança da população.
Já na habitação, o município ampliou o acesso a programas habitacionais, consolidando o lançamento de unidades de apartamentos ampliando a oferta tanto para quem mora na cidade quanto para quem está chegando.
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Vista aérea da cidade de Campo Verde, localizada na região Sul de Mato Grosso — Foto: Assessoria/Prefeitura de Campo Verde
O compromisso com o desenvolvimento sustentável também integra esse processo. Campo Verde possui o único aterro sanitário municipal do estado considerado referência, demonstrando que crescimento econômico e responsabilidade ambiental podem caminhar juntos.
Campo Verde Fashion Week
O nome Campo Verde faz referência às extensas plantações que marcam a paisagem durante o período de safra e simboliza uma vocação que continua impulsionando o município. Agora, essa força também se traduz em indústria, inovação e oportunidades.
O movimento ganha destaque nos dias 7 e 8 de agosto, quando o município realiza a 2ª edição do Campo Verde Fashion Week.
O evento reforça o programa “Da Fibra ao Fio”, conectando produtores rurais, indústria, fiações, confecções e o setor da moda em torno de uma mesma cadeia produtiva. A proposta é evidenciar como o município vem ampliando a industrialização do algodão e consolidando um modelo de desenvolvimento baseado na agregação de valor à produção agrícola.
Sob a gestão do prefeito Alexandre de Oliveira, a administração reforça o compromisso de manter o ritmo de desenvolvimento, apoiando iniciativas que ampliem a industrialização, fortaleçam a economia e elevem a qualidade de vida da população.
A estratégia é resumida pelo posicionamento adotado pelo município: Campo Verde, Cidade em Transformação.
Instagram: @prefcampoverde
Site: www.campoverde.mt.gov.br
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