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Sem rentabilidade, produtores de MT tentam se livrar de arrendamentos

A combinação entre clima adverso, custos elevados e queda na rentabilidade voltou a pressionar produtores rurais de Mato Grosso nesta safra. Em Querência, no Vale do Araguaia, agricultores enfrentam dificuldades para equilibrar as contas após perdas na soja e problemas no milho safrinha.
A situação tem inclusive levado muitos produtores a tentarem repassar áreas arrendadas para reduzir os prejuízos e conseguir manter os compromissos financeiros. Em alguns casos, os contratos estão sendo transferidos sem cobrança adicional, apenas para aliviar o peso do custo da terra.
Nesta safra, a família Jantsch cultivou 4,9 mil hectares de milho em Querência. Segundo o produtor rural Lauri Jantsch, o atraso no plantio da soja acabou comprometendo também o desempenho do milho, que enfrentou falta de chuva em uma fase decisiva do desenvolvimento.
“No começo do plantio o milho teve bastante chuva e atrapalhou um pouco nós nas aplicações de cobertura, até perdendo a eficiência da cobertura do nitrogênio. Nós precisávamos de mais uma chuva no final de abril, mas ela não veio, então uma parte da fazenda vai ter perda”, afirma o produtor ao programa Patrulheiro Agro.

Efeito em cadeia
De acordo com o agricultor, os problemas começaram ainda na soja. Ele explica que o atraso de 10 a 15 dias no plantio acabou empurrando a janela do milho para um período mais arriscado no calendário climático da região.
Lauri Jantsch conta à reportagem que a soja também sofreu com extremos climáticos. Primeiro, a falta de chuva e as altas temperaturas afetaram o desenvolvimento da lavoura. Depois, o excesso de precipitações durante a colheita elevou os custos da produção.
“Do dia 22 de janeiro ao final de fevereiro a gente recebeu 700 milímetros de chuva. A nossa soja foi colhida com bastante umidade, então isso gera um custo caro lá no armazém para secar”, diz.
Segundo ele, a propriedade colheu uma saca a menos por hectare nesta safra. O aumento no custo dos insumos, especialmente dos fertilizantes utilizados no milho, agravou ainda mais o cenário financeiro.
“Viemos de um ano sem rentabilidade e provavelmente vamos para mais um ciclo também sem rentabilidade para o setor”, afirma.

Arrendamentos pesam no campo
De acordo com o Sindicato Rural de Querência, muitos produtores já não conseguem manter as áreas arrendadas diante da pressão financeira. O município cultivou nesta safra 450 mil hectares de soja e 300 mil hectares de milho.
O presidente do sindicato, Osmar Frizzo, pontua que a quebra na soja ficou entre quatro e cinco sacas por hectare em relação à média histórica da região. Ao mesmo tempo, os preços recebidos pelo produtor recuaram. “Foi uma das safras mais caras e teve uma venda em média R$ 10 a menos do ano passado”, destaca ao Canal Rural Mato Grosso.
Com dificuldade para acessar crédito e juros elevados, produtores têm buscado alternativas para reduzir os custos da próxima safra. Conforme Frizzo, cresce a oferta de contratos de arrendamento sendo repassados entre agricultores.
“Tem muita oferta dessas, porque realmente o produtor não está conseguindo plantar mais. Então esse produtor está só passando esse arrendamento sem cobrar nada, só para se livrar do arrendamento que está muito pesado”, afirma.
Mesmo diante do cenário de dificuldades no campo, os preços dos arrendamentos seguem elevados em Mato Grosso. Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a média estimada para a temporada 2026/27 é de 15,48 sacas por hectare, alta de 8,55% em relação às últimas três safras.

Reflexos na economia municipal
A crise no campo já começa a impactar a economia de Querência. O prefeito Gilmar Wentz pontua que o município deve registrar queda na arrecadação em 2026, reflexo direto das dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo.
“Querência é um município essencialmente agrícola. A base da receita econômica é o plantio de soja e milho. Neste ano de 2026 nós tivemos uma perda de receita e vamos ter praticamente R$ 10 milhões a menos em relação a 2025”, afirma.
Para o presidente do sindicato rural, Osmar Frizzo, o momento exige atenção do poder público e medidas para evitar um enfraquecimento ainda maior da atividade agrícola.
“O Brasil vem batendo recorde de produção e isso pode se inverter. Essa é uma preocupação que precisa existir”, alerta.
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Mercado da soja começa a semana em baixa com queda em Chicago

O mercado brasileiro de soja iniciou a semana com poucos lotes ofertados no físico e recuos nas cotações em algumas praças. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, as fortes perdas registradas na Bolsa de Chicago exerceram a principal pressão sobre os preços domésticos.
O dólar permaneceu praticamente neutro, enquanto os prêmios apresentaram pequena alta nos bids. “Os prêmios subiram pouco, então o impacto de Chicago foi maior sobre as cotações no físico”, avalia Silveira.
A comercialização permaneceu lenta, sem reporte de grandes volumes negociados. Segundo o analista, foram registrados apenas negócios pontuais e algumas indicações nominais ao longo do dia.
- Passo Fundo (RS): permaneceu em R$ 146,50.
- Santa Rosa (RS): permaneceu em R$ 147,50.
- Cascavel (PR): recuou de R$ 144,00 para R$ 143,00.
- Rondonópolis (MT): recuou de R$ 138,00 para R$ 137,00.
- Dourados (MS): recuou de R$ 135,50 para R$ 135,00.
- Rio Verde (GO): recuou de R$ 138,00 para R$ 137,00.
- Paranaguá (PR): recuou de R$ 155,00 para R$ 154,00.
- Rio Grande (RS): permaneceu em R$ 154,50.
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta segunda-feira. O mercado realizou os lucros recentes, acompanhando o petróleo e refletindo o resultado da crop tour do Pro Farmer, divulgado após o final da sessão da sexta.
Segundo o Pro Farmer, a safra norte-americana de soja deverá totalizar 4,572 bilhões de bushels em 2026, com produtividade média de 53,3 bushels por acre.
A estimativa de produção indicada ficou acima do projetado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em seu mais recente relatório, de 4,519 bilhões de bushels. O USDA trabalha com rendimento de 52,7 bushels por acre.
As inspeções de exportação norte-americana de soja chegaram a 420.895 toneladas na semana encerrada no dia 20 de agosto, conforme relatório semanal divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na semana anterior, as inspeções de exportação de soja haviam atingido 294.329 toneladas.
Contratos da soja
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 15,25 centavos de dólar, ou 1,23%, a US$ 12,24 1/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 12,38 1/4 por bushel, com retração de 15,50 centavos de dólar ou 1,23%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 2,80 ou 0,85% a US$ 328,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 67,31 centavos de dólar, com perda de 2,27 centavos ou 3,26%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,21%, sendo negociado a R$ 5,1531 para venda e a R$ 5,1511 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1400 e a máxima de R$ 5,1620.
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Dúvidas sobre a safra real de milho dos EUA e potencial da Argentina definirão os preços

O milho spot em Chicago encerrou a semana passada com uma alta expressiva de 5,23%. No Brasil, o contrato da B3 com mesma referência também subiu, fechando a R$ 71,30 por saca, incremento de 1,57% no período.
Já nn mercado físico, na região do Norte de Mato Grosso, as cotações encerraram os últimos dias com referência de R$ 44,91 por saca.
E agora, o que esperar do mercado?
O relatório de inteligência de mercado da Grão Direto, o Grainsights, traz perspectivas sobre o mercado do milho para o produtor ficar de olho. Confira:
- Safra real: o mercado passará os próximos dias tentando descobrir se a safra norte americana será gigante, como projeta o USDA, ou decepcionante, como aponta a Pro Farmer. “A diferença de quase 700 milhões de bushels (aproximadamente 17,8 milhões de toneladas) entre as estimativas amplia a incerteza e deve manter as cotações ‘nervosas’, enquanto os investidores buscam, nos primeiros resultados de campo e nos dados de produtividade, evidências concretas para definir qual cenário está mais próximo da realidade”, destaca.
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- Risco climático e velocidade de maturação: mesmo com a polinização já encerrada, o clima continua sendo decisivo para o potencial final da safra norte-americana. O Grainsights aponta que chuvas excessivas e tempestades no leste do Meio-Oeste podem derrubar plantas, comprometer o enchimento dos grãos e aumentar os riscos de doenças e problemas de qualidade antes da colheita. “Ao mesmo tempo, o mercado estará atento à velocidade de maturação: calor persistente pode acelerar a secagem e encurtar o período de enchimento, resultando em grãos mais leves e menor produtividade. A combinação desses fatores pode reforçar as preocupações com perdas e manter os preços sustentados.”
- Apetite dos importadores: as vendas semanais de exportação dos Estados Unidos serão um importante teste para a sustentação das altas em Chicago. O mercado precisa confirmar se grandes compradores, como o México, continuarão fechando volumes relevantes mesmo diante dos preços mais elevados. “Caso os importadores reduzam o ritmo das compras em resposta à valorização, a demanda pode perder força e limitar o avanço das cotações”, destaca o documento.
- Milho argentino: a disputa com o milho argentino deve ganhar força no mercado internacional. Com uma oferta confortável e estoques disponíveis, a Argentina tende a manter uma postura agressiva nas exportações, oferecendo grandes volumes a preços competitivos. Esse cenário aumenta a pressão sobre o milho brasileiro, especialmente nos portos, que podem precisar reduzir os prêmios para preservar a competitividade e evitar a perda de compradores internacionais.
- Geopolítica do Mar Negro: a guerra no Mar Negro continua sendo um dos principais riscos para o comércio global de grãos. Conforme o Grainsights, uma eventual intensificação dos ataques russos contra portos e estruturas de exportação da Ucrânia poderia comprometer o embarque de milho e trigo, reduzir a oferta disponível no mercado internacional e elevar os custos de frete e seguro. Nesse cenário, compradores tenderiam a buscar alternativas em origens como Brasil e Estados Unidos, aumentando a disputa pelos estoques disponíveis e podendo provocar repiques rápidos de alta nas bolsas.
- Macroeconomia e oportunidades: a perda de força no mercado de trabalho dos Estados Unidos aumenta as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, movimento que pode enfraquecer o dólar e favorecer as commodities negociadas na moeda norte-americana. Diante desse cenário, a estratégia para o produtor deve continuar sendo cautelosa: com o mercado dividido entre uma safra cheia e os riscos de clima irregular, momentos de forte alta em Chicago podem ser aproveitados para travar pequenas parcelas da produção futura, garantindo margem e fluxo de caixa sem comprometer a participação em eventuais novas altas”, finaliza o relatório.
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BNDES recebe inscrições para projetos de bioinsumos até 31 de agosto

As inscrições para o segundo ciclo do BNDES Bioinsumos seguem abertas até 31 de agosto. A chamada de projetos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibiliza R$ 40 milhões em recursos não reembolsáveis para apoiar a produção de bioinsumos por cooperativas e associações de agricultores familiares. A iniciativa é voltada à ampliação do acesso a tecnologias sustentáveis no campo.
O programa tem como objetivo fomentar a produção de insumos de origem biológica para uso próprio pela agricultura familiar na produção de alimentos saudáveis. Lançada em 2025, a iniciativa também foi estruturada para ampliar a autonomia dos agricultores no acesso a esses produtos, contribuir para a redução de custos de produção e incentivar práticas mais sustentáveis.
Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, os bioinsumos podem incluir microrganismos, predadores naturais de pragas e extratos vegetais que contribuam para o crescimento e a saúde dos sistemas agrícolas. De acordo com a executiva, o uso desses insumos está associado a práticas agrícolas mais sustentáveis e à segurança alimentar.
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Os projetos devem ser apresentados por organizações sem fins lucrativos, individualmente ou em parceria, por meio do Portal do Cliente. Os beneficiários finais são cooperativas e associações da agricultura familiar que atuam de forma coletiva na produção, agregação de valor e comercialização de alimentos. O valor mínimo total de cada projeto é de R$ 5 milhões.
Os recursos poderão ser destinados à implantação ou estruturação de unidades de produção industriais ou semi-industriais de bioinsumos para uso próprio, com uso de processos de biotecnologia. Entre as categorias apoiáveis estão inoculantes e bioestimulantes produzidos a partir de microrganismos, microrganismos para controle de pragas, insetos para controle biológico e diferentes tipos de biofertilizantes.
Nesta segunda-feira (24), Tereza Campello visitou a Embrapa Agrobiologia, em Seropédica (RJ). A unidade abriga a maior coleção da empresa pública voltada ao desenvolvimento de bioinsumos. A visita ocorreu em meio às discussões para formalizar o apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) à iniciativa.
O orçamento total do BNDES Bioinsumos é de até R$ 60 milhões. Além dos R$ 40 milhões disponíveis na chamada atual, outros R$ 20 milhões foram destinados ao primeiro ciclo, encerrado em novembro de 2025. Na etapa anterior, quatro projetos foram selecionados e estão em avaliação pelo BNDES antes da aprovação e contratação.
Fonte: agenciadenoticias.bndes.gov.br
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