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21 de maio de 2026

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Sem rentabilidade, produtores de MT tentam se livrar de arrendamentos

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A combinação entre clima adverso, custos elevados e queda na rentabilidade voltou a pressionar produtores rurais de Mato Grosso nesta safra. Em Querência, no Vale do Araguaia, agricultores enfrentam dificuldades para equilibrar as contas após perdas na soja e problemas no milho safrinha.

A situação tem inclusive levado muitos produtores a tentarem repassar áreas arrendadas para reduzir os prejuízos e conseguir manter os compromissos financeiros. Em alguns casos, os contratos estão sendo transferidos sem cobrança adicional, apenas para aliviar o peso do custo da terra.

Nesta safra, a família Jantsch cultivou 4,9 mil hectares de milho em Querência. Segundo o produtor rural Lauri Jantsch, o atraso no plantio da soja acabou comprometendo também o desempenho do milho, que enfrentou falta de chuva em uma fase decisiva do desenvolvimento.

“No começo do plantio o milho teve bastante chuva e atrapalhou um pouco nós nas aplicações de cobertura, até perdendo a eficiência da cobertura do nitrogênio. Nós precisávamos de mais uma chuva no final de abril, mas ela não veio, então uma parte da fazenda vai ter perda”, afirma o produtor ao programa Patrulheiro Agro.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Efeito em cadeia

De acordo com o agricultor, os problemas começaram ainda na soja. Ele explica que o atraso de 10 a 15 dias no plantio acabou empurrando a janela do milho para um período mais arriscado no calendário climático da região.

Lauri Jantsch conta à reportagem que a soja também sofreu com extremos climáticos. Primeiro, a falta de chuva e as altas temperaturas afetaram o desenvolvimento da lavoura. Depois, o excesso de precipitações durante a colheita elevou os custos da produção.

“Do dia 22 de janeiro ao final de fevereiro a gente recebeu 700 milímetros de chuva. A nossa soja foi colhida com bastante umidade, então isso gera um custo caro lá no armazém para secar”, diz.

Segundo ele, a propriedade colheu uma saca a menos por hectare nesta safra. O aumento no custo dos insumos, especialmente dos fertilizantes utilizados no milho, agravou ainda mais o cenário financeiro.

“Viemos de um ano sem rentabilidade e provavelmente vamos para mais um ciclo também sem rentabilidade para o setor”, afirma.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Arrendamentos pesam no campo

De acordo com o Sindicato Rural de Querência, muitos produtores já não conseguem manter as áreas arrendadas diante da pressão financeira. O município cultivou nesta safra 450 mil hectares de soja e 300 mil hectares de milho.

O presidente do sindicato, Osmar Frizzo, pontua que a quebra na soja ficou entre quatro e cinco sacas por hectare em relação à média histórica da região. Ao mesmo tempo, os preços recebidos pelo produtor recuaram. “Foi uma das safras mais caras e teve uma venda em média R$ 10 a menos do ano passado”, destaca ao Canal Rural Mato Grosso.

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Com dificuldade para acessar crédito e juros elevados, produtores têm buscado alternativas para reduzir os custos da próxima safra. Conforme Frizzo, cresce a oferta de contratos de arrendamento sendo repassados entre agricultores.

“Tem muita oferta dessas, porque realmente o produtor não está conseguindo plantar mais. Então esse produtor está só passando esse arrendamento sem cobrar nada, só para se livrar do arrendamento que está muito pesado”, afirma.

Mesmo diante do cenário de dificuldades no campo, os preços dos arrendamentos seguem elevados em Mato Grosso. Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a média estimada para a temporada 2026/27 é de 15,48 sacas por hectare, alta de 8,55% em relação às últimas três safras.

colheita soja patrulheiro agro foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Reflexos na economia municipal

A crise no campo já começa a impactar a economia de Querência. O prefeito Gilmar Wentz pontua que o município deve registrar queda na arrecadação em 2026, reflexo direto das dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo.

“Querência é um município essencialmente agrícola. A base da receita econômica é o plantio de soja e milho. Neste ano de 2026 nós tivemos uma perda de receita e vamos ter praticamente R$ 10 milhões a menos em relação a 2025”, afirma.

Para o presidente do sindicato rural, Osmar Frizzo, o momento exige atenção do poder público e medidas para evitar um enfraquecimento ainda maior da atividade agrícola.

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“O Brasil vem batendo recorde de produção e isso pode se inverter. Essa é uma preocupação que precisa existir”, alerta.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Embrapa lança cultivares de trigo para ampliar produção no Cerrado

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou nesta quarta-feira (20), durante a AgroBrasília 2026, duas novas cultivares de trigo voltadas ao cultivo em ambiente tropical. A BRS Savana foi desenvolvida para sistema de sequeiro, com tolerância ao calor, resistência à seca e à brusone. Já a BRS Cracker é destinada ao mercado de biscoitos, com menor força de glúten e potencial produtivo elevado em sistema irrigado.

Segundo a Embrapa, os novos materiais foram desenvolvidos ao longo de mais de 40 anos de pesquisas em parceria entre a Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), e a Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS). A expectativa da instituição é ampliar a área cultivada com trigo no Cerrado dos atuais 400 mil hectares para 1 milhão de hectares nos próximos dez anos.

De acordo com o pesquisador Julio Albrecht, da Embrapa Cerrados, a BRS Cracker surgiu a partir de demanda da indústria moageira por farinhas com baixa força de glúten, específicas para biscoitos. A cultivar é uma seleção da BRS 264 e pode alcançar produtividade entre 8 e 9 toneladas por hectare em sistema irrigado, além de apresentar boa resistência à brusone, doença que limita a expansão do trigo no Brasil Central.

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A BRS Savana, por sua vez, foi direcionada às condições de menor regularidade de chuvas no Cerrado. Segundo Albrecht, o material reúne tolerância ao calor, resistência à seca e potencial produtivo entre 4 e 5 toneladas por hectare em sequeiro. A proposta é aumentar a segurança produtiva em áreas com restrição hídrica.

Dados apresentados pela Embrapa mostram que o Cerrado respondeu por 16% da produção brasileira de trigo em 2023, com mais de 1,3 milhão de toneladas. Entre 2021 e 2023, a área regional passou de 200 mil para 400 mil hectares. Para a instituição, a expansão do cereal na segunda safra, em rotação com soja, milho, algodão e sorgo, pode ampliar opções agronômicas e atender parte da demanda hoje suprida por importações.

A continuidade do melhoramento genético para sistemas irrigados e de sequeiro deve definir o ritmo de expansão da cultura no Cerrado. Pelos dados apresentados pela Embrapa, o avanço dependerá da adaptação dos materiais às condições climáticas, da validação no campo e da demanda da indústria por trigos com diferentes padrões de qualidade.

Fonte: embrapa.br

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Paulo Bertolini: “O agro precisa de execução, não de ilusão”

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Foto: Assessoria de Imprensa Abramilho

O agro brasileiro atravessa um cenário de pressão financeira, juros elevados e insegurança para novos investimentos. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, durante o 4º Congresso Abramilho, realizado em Brasília no dia 13 de maio.

Segundo ele, o produtor rural enfrenta um ciclo prolongado de dificuldades, agravado pela queda das commodities, aumento dos custos de produção e problemas no acesso ao crédito. O cenário, conforme destaca em entrevista ao programa Direto ao Ponto desta quinta-feira (21), vem comprometendo as margens da atividade e elevando a inadimplência no campo.

“São desafios e problemas que nós temos domésticos e temos aí duas guerras, na Europa e no Oriente Médio, que têm afetado basicamente o mundo todo. E pega a gente, obviamente, no agro brasileiro pela questão dos fertilizantes, pela questão do diesel, pela dificuldade dos insumos agrícolas”, afirma.

Bertolini pontua ainda que o setor vive praticamente o terceiro ano consecutivo de crise financeira. “Você vem com juros altíssimos e aí quem teve que rolar essa dívida está pagando um juro muito alto e criando uma inadimplência grande”.

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Paulo Bertolini presidente Abramilho foto Assessoria Abramilho
Foto: Assessoria de Imprensa Abramilho

Crédito e previsibilidade

Entre os principais debates do congresso esteve a necessidade de modernizar o Plano Safra e criar mecanismos mais previsíveis para financiamento do agro. Conforme Bertolini, o modelo atual já não acompanha a realidade do campo brasileiro.

“O plano Safra, quando ele foi concebido lá na década de 70, 80, a realidade agrícola brasileira era totalmente diferente. Hoje nós não podemos ficar dependentes de orçamento que é uma raspa de tacho de rubrica do orçamento”, comenta.

Ele defende linhas de crédito de longo prazo para investimentos como armazenagem e irrigação, além da criação de um fundo garantidor para reduzir riscos financeiros e evitar travamentos no crédito rural. “O conceito é justamente você ter um fundo que garanta catástrofe, problemas de mercado momentâneos e dificuldades de comercialização. E para o próprio sistema financeiro é bom, porque não cria essa inadimplência”, explica.

O presidente da Abramilho ressalta que as discussões apresentadas no evento indicam avanço na construção de propostas para futuros governos, evitando que os debates precisem recomeçar a cada troca de gestão.

Congresso Abramilho Brasil 2026 Foto: Assessoria Abramilho
Foto: Assessoria de Imprensa Abramilho

“Criar ilusão gera frustração”

Ao analisar os anúncios de crédito feitos pelo governo federal nos últimos anos, Bertolini afirma que a distância entre o que é anunciado e o que efetivamente chega ao produtor gera insegurança no setor.

“Quando o governo anuncia linhas de crédito e acaba que não realiza isso, gera frustração. Ou a sua expectativa de criar uma solução também atrasa todas as decisões de quem vai tomar ela de investimento, de tocar a vida”.

Na avaliação dele, o país criou o hábito de alimentar expectativas que não se concretizam. “Isso é um problema sério que nós temos no Brasil de criar uma ilusão em cima de coisas que não se realizam ao longo do tempo”.

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Apesar das críticas, Bertolini diz enxergar disposição de diálogo por parte de integrantes do governo e lideranças políticas ligadas ao agro. Segundo ele, o momento agora exige execução. “Agora nós precisamos executar. Vamos conversar, alinhar as ideias, ver os planos e tentar convencer o pessoal da área econômica”.

Biotecnologia e acesso às tecnologias

Outro tema abordado no 4º Congresso Abramilho foi a biotecnologia. Bertolini destaca que boa parte do avanço da produtividade brasileira nas últimas décadas ocorreu graças à adoção dessas tecnologias.

“Hoje 95%, 97% dos produtos agrícolas, como soja, milho, cana e algodão, são produtos de origem biotecnológica. Boa parte do que a gente avançou em produtividade foi em decorrência da adoção dessas tecnologias”.

Ele alerta, no entanto, que o produtor brasileiro ainda enfrenta barreiras regulatórias para acessar novas tecnologias já disponíveis em outros mercados. Conforme explica em entrevista ao programa do Canal Rural Mato Grosso, liberações internacionais, especialmente da China e da União Europeia, acabam impactando diretamente a chegada dessas soluções ao Brasil. “A China tem milho, por exemplo, que interessa a nós produtores brasileiros que está há seis anos sem liberação e a gente não sabe quando vai liberar”.

Bertolini também critica o peso ideológico em parte das discussões sobre biotecnologia e reforçou que o acesso à inovação é essencial para manter produtividade e segurança alimentar.

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“Não tem como sobreviver hoje com níveis de produtividade, com os preços agrícolas sem altas produtividades. Então, é preciso renovar essa tecnologia constantemente. Esse é o grande desafio do agricultor brasileiro”.

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Embrapa lança cultivares de trigo para ampliar produção no Cerrado

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou nesta quarta-feira (20), durante a AgroBrasília 2026, duas novas cultivares de trigo desenvolvidas para ambiente tropical. A BRS Savana foi direcionada ao cultivo em sequeiro, com tolerância ao calor, resistência à seca e à brusone. Já a BRS Cracker foi desenvolvida para atender à indústria de biscoitos, segmento que demanda farinha com baixa força de glúten.

Segundo a Embrapa, os novos materiais integram a estratégia de expansão da triticultura no Cerrado, onde a área cultivada pode passar dos atuais 400 mil hectares para 1 milhão de hectares nos próximos dez anos. As cultivares são resultado de mais de 40 anos de pesquisa em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Embrapa Trigo.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Cerrados, Julio Albrecht, a BRS Cracker foi obtida a partir de seleção dentro da cultivar BRS 264, uma das mais plantadas na região. O diferencial é a menor força de glúten, característica exigida pelos moinhos para fabricação de biscoitos. Em sistema irrigado, o potencial produtivo informado pela instituição varia de 8 a 9 toneladas por hectare, além de apresentar boa resistência à brusone.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

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No caso da BRS Savana, o foco foi o cultivo em sequeiro diante da redução das chuvas e da maior irregularidade das precipitações no Brasil Central. Segundo Albrecht, a cultivar foi desenvolvida para suportar calor e deficiência hídrica, com potencial entre 4 e 5 toneladas por hectare e resistência à brusone, principal doença que limita a expansão do trigo na região.

Dados apresentados pela Embrapa indicam que o Cerrado respondeu por 16% da produção brasileira de trigo em 2023, com mais de 1,3 milhão de toneladas. Entre 2021 e 2023, a área regional avançou de 200 mil para 400 mil hectares. Para o chefe-geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemanski, parte do trigo hoje importado de países como Estados Unidos e Canadá pode vir a ser suprida por produtores do Cerrado, caso a expansão da cultura se consolide.

A evolução da área plantada dependerá da adoção das novas cultivares, da validação em campo e das condições climáticas e de mercado. Pelas características apresentadas, os lançamentos ampliam as alternativas para sistemas irrigados e de sequeiro e abrem espaço para maior diversificação industrial do trigo produzido no Cerrado.

Fonte: embrapa.br

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