Agro Mato Grosso
Custos da safra 2026/27 sobem em Mato Grosso

Imea aponta pressão sobre soja, milho e algodão com alta de fertilizantes e defensivos
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou nesta semana novas projeções para a safra 2026/27 em Mato Grosso, apontando aumento nos custos de produção da soja, milho e algodão. Segundo a entidade, o cenário é influenciado principalmente pela alta nos preços de fertilizantes e defensivos agrícolas, em meio às tensões geopolíticas internacionais e incertezas logísticas no mercado global de insumos.
Os levantamentos também indicam perspectivas de maior competitividade do milho brasileiro nas exportações e um balanço global mais apertado para o mercado do algodão, diante da expectativa de redução na produção mundial da fibra.
Soja: custos sobem e margens preocupam
Para a soja, o custeio projetado para a safra 2026/27 em Mato Grosso alcançou R$ 4.286,89 por hectare em abril, alta de 1,88% frente a março. De acordo com dados do Imea e do Senar-MT, o avanço foi puxado principalmente pelo aumento de 2,73% nas despesas com fertilizantes e de 2,17% nos defensivos agrícolas.
Segundo o boletim, as tensões no Oriente Médio seguem elevando as incertezas sobre logística e preços dos insumos importados, o que pressiona diretamente os custos do produtor. O cenário também acende alerta para a rentabilidade da atividade. Considerando a produtividade média estimada em 62,44 sacas por hectare, o ponto de equilíbrio da safra 2026/27 foi calculado em R$ 68,65 por saca — valor 8,42% superior ao registrado no ciclo anterior.
Além da alta nos custos, o mercado da oleaginosa apresentou retração nos preços em Mato Grosso. O valor da soja no estado recuou 0,53% na comparação semanal, refletindo a demanda mais enfraquecida. Na bolsa de Chicago, porém, o movimento foi oposto. O contrato da oleaginosa registrou alta de 0,75%, encerrando o período cotado em média a US$ 12,00 por bushel. Já o indicador de paridade de exportação avançou 1,76%, sustentado pela valorização do contrato para março de 2027.

O relatório também destaca a primeira projeção do USDA para a safra mundial de soja 2026/27. Segundo o órgão norte-americano, a produção global deve atingir 441,54 milhões de toneladas, aumento de 3,26% frente ao ciclo anterior e 5,99% acima da média das últimas três safras.
O crescimento é sustentado principalmente pela expectativa de safra recorde no Brasil, estimada em 186 milhões de toneladas, avanço de 3,33% sobre 2025/26, além da elevada produção prevista para os Estados Unidos. Apesar disso, o Imea ressalta que a possível atuação do fenômeno El Niño segue como fator de atenção e pode alterar as estimativas futuras para a produção brasileira.
As exportações mundiais de soja foram projetadas em 189,22 milhões de toneladas, crescimento de 1,42% na comparação anual, com a China permanecendo como principal importadora global. Já os estoques finais globais devem somar 124,78 milhões de toneladas, queda de 0,28%, pressionados principalmente pela redução dos estoques norte-americanos.
Milho brasileiro deve ganhar espaço no mercado externo
Para o milho, o USDA estimou a produção mundial da safra 2026/27 em 1,79 bilhão de toneladas, retração de 0,69% frente ao ciclo anterior. A queda está ligada, sobretudo, à menor produção prevista nos Estados Unidos, estimada em 406,29 milhões de toneladas, reflexo da redução da área plantada diante da maior atratividade da soja.
Enquanto isso, a demanda global deve crescer 0,46%, alcançando 1,51 bilhão de toneladas, impulsionada principalmente pelo maior consumo interno da China. Nesse cenário, o Brasil tende a ganhar competitividade no mercado exportador, favorecido pela menor oferta norte-americana. O USDA também projeta aumento da demanda doméstica brasileira pelo cereal.
As exportações mundiais de milho foram estimadas em 206,91 milhões de toneladas, queda de 3,14% frente à safra anterior, enquanto os estoques finais globais devem recuar 6,54%, para 277,54 milhões de toneladas.

O projeto CPA-MT, conduzido por Senar-MT e Imea, estimou o custeio do milho da safra 2026/27 em R$ 3.772,24 por hectare em abril, alta mensal de 2,32%. O aumento foi puxado pelas despesas com fertilizantes e corretivos (+4,30%), defensivos agrícolas (+2,46%) e sementes (+0,11%).
Segundo a análise, o custo operacional efetivo (COE) fechou abril em R$ 5.501,12 por hectare, enquanto o custo total atingiu R$ 7.395,26 por hectare. Considerando a produtividade média estimada em 118,71 sacas por hectare, o produtor precisará vender a saca a pelo menos R$ 31,78 para cobrir o custeio e a R$ 46,34 para arcar com o COE.
Como o preço médio da safra em abril foi calculado em R$ 45,68 por saca, o produtor consegue cobrir os custos básicos, mas ainda precisa acompanhar o mercado em busca de melhores oportunidades de comercialização. No cenário internacional, o contrato do milho na CME Group registrou valorização média semanal de 0,73%, encerrando cotado a US$ 4,64 por bushel. Já o prêmio de exportação em Santos avançou 14,56%, sustentado pela demanda externa.
Algodão terá custos maiores e produção global menor
No algodão, o custeio projetado para a safra 2026/27 ficou em R$ 10.642,28 por hectare em abril, alta de 1,05% frente a março. Segundo o Imea, a elevação foi impulsionada principalmente pelo aumento das despesas com macronutrientes, influenciado pelas tensões no mercado internacional, especialmente envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de insumos.
O custo operacional efetivo da cultura foi estimado em R$ 15.227,56 por hectare. Com produtividade média prevista em 119,82 arrobas por hectare, o produtor precisará comercializar a pluma a pelo menos R$ 127,09 por arroba para cobrir o COE.
Apesar da pressão nos custos, os preços mais atrativos da fibra estimularam os produtores a avançarem na comercialização da safra 2026/27 e ampliarem estratégias de proteção de margem. Na bolsa de Nova York, o contrato julho/26 valorizou 1,42% na semana, encerrando cotado em média a 85,09 centavos de dólar por libra-peso.

O USDA também projeta redução na produção global de algodão em 2026/27. A estimativa aponta produção mundial de 25,27 milhões de toneladas de pluma, queda de 5,38% frente à safra anterior. O recuo é atribuído principalmente à menor produção esperada na China, Estados Unidos e Brasil.
Nos EUA, mesmo com expectativa de aumento da área cultivada, o clima seco nas regiões produtoras pode comprometer a produtividade das lavouras. Enquanto isso, o consumo global de pluma deve atingir 26,49 milhões de toneladas, volume 1,29% superior ao da safra passada e acima da produção estimada para o ciclo.
Com isso, os estoques finais mundiais tendem a recuar para 15,64 milhões de toneladas, o menor volume desde a safra 2021/22. Segundo o Imea, o cenário de oferta mais apertada tem sustentado os preços internacionais da fibra, que permanecem acima de 80 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York.
Agro Mato Grosso
VÍDEO: avião agrícola cai em creche com mais de 150 crianças em MT

Acidente ocorreu em Campo Verde, no início da tarde desta sexta-feira (23). Nenhum aluno ou funcionário ficou ferido, e o piloto foi levado ao hospital.
Um avião agrícola caiu e atingiu parte do prédio da Creche Coralina, em Campo Verde, a 139 km de Cuiabá, nesta sexta-feira (23). Localizada no Jardim América, a creche atende cerca de 180 crianças de 1 a 5 anos e conta com 40 profissionais entre professores e equipes de apoio.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação, informou que nenhum aluno se feriu. Ainda segundo a Secretaria, o avião, usado para pulverização das lavouras, não transportava nenhum defensivo no momento da queda.
Um vídeo das câmeras de segurança mostram o momento em que o avião atinge o prédio. Após a queda, é possível ouvir o estrondo do impacto, além da fumaça (veja vídeo acima).
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Conforme informou a Secretaria de Educação, ao cair o avião atingiu parte do prédio que não é utilizada pelos alunos. — Foto: Reprodução
No local, os militares encontraram o piloto, de 28 anos, consciente e sentado, fora da área de impacto. Durante a avaliação inicial, a equipe identificou um ferimento na lateral esquerda da cabeça, inchaço na região e dor, além de uma deformidade no tórax. Após receber os primeiros socorros e ser imobilizado pelas equipes de resgate, o piloto foi encaminhado ao Hospital Municipal Coração de Jesus para atendimento médico especializado.
Ainda segundo os bombeiros, houve derramamento de combustível no local. A área foi isolada, e as equipes realizaram medidas preventivas para reduzir os riscos de incêndio, considerando a possibilidade de novos incidentes.
O prédio da creche foi evacuado e o local do acidente isolado até a chegada da polícia. As circunstâncias do acidente serão investigadas pelas autoridades responsáveis.
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Avião agrícola cai e atinge prédio de creche com mais de 150 crianças. — Foto: Angélica Neri
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Agro Mato Grosso
VÍDEO: avião é incendiado após perseguição e tentativa de interceptação pela FAB em MT

Queda ocorreu há cerca de 80 km da área urbana da cidade, na Fazenda Monte Azul.
Um avião de pequeno foi incendiado na zona rural de Juara, a 650 km de Cuiabá, após uma tentativa de interceptação pela Força Aérea Brasileira (FAB), nesta sexta-feira (23). A queda da aeronave ocorreu a cerca de 80 km da área urbana da cidade, na região Fazenda Monte Azul.
Um vídeo gravado por testemunhas mostra o momento em que uma aeronave da FAB desce na região e o avião de pequeno porte, já no chão, é incendiado (assista abaixo).
Segundo o Grupo Especial de Segurança de Fronteira (Gefron), as equipes estavam acompanhando uma ocorrência de forma integrada com a FAB, a Polícia Federal e Polícia Militar, por suspeita de tráfico de drogas aéreo.
Durante a ação, houve a tentativa de interceptação da aeronave suspeita pela FAB. No entanto, segundo o Gefron, o avião desceu em uma pista clandestina e os ocupantes atearam fogo.
Nenhum suspeito foi localizado pelas equipes. Também não foram localizadas vítimas no local. O caso é investigado.
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Avião de pequeno porte caiu e pegou fogo na zona rural de Juara (MT) — Foto: Reprodução
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Agro Mato Grosso
STF autoriza concessão de rodovias estaduais de MT após disputa judicial

Lote prevê manutenção em 237 quilômetros de rodovias da Rota do Arinos, que abrange cinco municípios.
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o andamento da concessão de rodovias estaduais de Mato Grosso que integram o Lote 1 do Programa de Concessões Rodoviárias do estado. A decisão dada pelo ministro André Mendonça na quarta-feira (21) atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
O lote prevê manutenção em 237 quilômetros de rodovias da Rota do Arinos, que abrange cinco municípios. O investimento privado estimado é de R$ 2,6 bilhões ao longo de 30 anos.
Segundo o governo do estado, a disputa judicial começou após o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) suspender a contratação da concessão. Na sequência, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) entendeu que o governo estadual havia adotado as medidas necessárias e derrubou a decisão do órgão de controle.
O TCE-MT recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu uma liminar para suspender novamente a formalização do contrato. Diante disso, a PGE recorreu ao STF, sob o argumento de que houve invasão de competência.
O lote inclui trechos de quatro rodovias estaduais: MT-160, MT-220, MT-242 e MT-338. As obras abrangem os municípios de Juara, Novo Horizonte do Norte, Porto dos Gaúchos, Itanhangá e Tapurah.
Assinatura para concessões
Em setembro do ano passado o governo assinou três lotes para a concessões de 964,5 quilômetros de rodovias estaduais, incluindo o trecho acima, e o Lote 2 – Rota da Produção, que corresponde a 418,5 km das MTs 160/235/249/480 e o Lote 5- Rodovia da Integração, que corresponde a 308,3 km das MTs 020/326.
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