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3tentos recebe aval da ANP e inicia produção de etanol de milho no Vale do Araguaia

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou oficialmente o início das operações da primeira usina de etanol de milho da empresa 3tentos, localizada em Porto Alegre do Norte, no Vale do Araguaia em Mato Grosso. A concessão foi publicada por meio da SPC-ANP Nº 253. Com o aval regulatório, a planta industrial começa a produzir de forma imediata, marcando a entrada da companhia gaúcha no processamento do grão em território mato-grossense.
A nova unidade possui capacidade para processar 2,8 mil toneladas de milho por dia. A estrutura projeta uma fabricação diária de 1.275 metros cúbicos (m³) de etanol hidratado e 1.215 m³ de etanol anidro. Além do biocombustível, a planta vai gerar diariamente 785 toneladas de DDGS (coproduto utilizado na nutrição animal) e 50 toneladas de óleo de milho, estando apta também a receber sorgo na composição do esmagamento.
A instalação da indústria deve gerar cerca de 350 empregos diretos e mais de 500 postos de trabalho indiretos na região.
Integração com a pecuária local
A empresa confirmou que o volume de grãos necessário para abastecer o início do esmagamento já está estocado nas estruturas da unidade. O planejamento logístico foi desenhado para conectar a demanda da usina diretamente com os agricultores do Vale do Araguaia a partir do início da colheita da safrinha.
“Com a autorização da ANP iniciamos imediatamente a produção. O milho para os primeiros meses já está depositado e estamos 100% preparados para receber a safra que começa em junho. Seguimos em contato direto com os produtores da região. Este é um momento de reconhecimento ao time da 3tentos que esteve à frente desta expansão para o Vale do Araguaia”, afirmou o chairman executivo da companhia, Luiz Osório Dumoncel.
A escolha geográfica pelo Vale do Araguaia atende a uma demanda por infraestrutura industrial em uma fronteira agrícola em franca expansão. A estratégia repete o modelo de negócios que a empresa já opera com o esmagamento de soja e produção de biodiesel em Ijuí (RS), Cruz Alta (RS) e Vera (MT), mas agora com foco exclusivo na cadeia do milho e do sorgo.
Atração de investimentos regionais
A chegada do investimento industrial altera a dinâmica econômica de uma região tradicionalmente focada na produção primária. A expectativa da diretoria é que a transformação local do grão agregue valor ao produto e crie um novo polo de desenvolvimento em Mato Grosso.
“O Vale do Araguaia reúne características que se conectam diretamente com a estratégia da 3tentos. É uma região com enorme potencial produtivo, mas que ainda não contava com uma usina de etanol de milho. A industrialização transforma a dinâmica econômica local, gera oportunidades e contribui para o desenvolvimento regional. É um movimento semelhante ao que vimos em outras regiões do Mato Grosso ao longo dos últimos anos”, apontou o vice-presidente de operações, Luiz Augusto Dumoncel.
O potencial de integração entre a lavoura e a pecuária de corte é um dos principais pilares econômicos da nova planta. Como a região abriga um dos maiores rebanhos bovinos do país, o DDGS gerado no processo industrial surge como alternativa para baratear e acelerar o confinamento de animais.
“O DDGS cria uma nova alternativa nutricional para os pecuaristas e contribui para acelerar a engorda do rebanho. O Brasil se tornou recentemente o maior produtor mundial de carne bovina, e o etanol de milho tem participação importante nessa evolução ao ampliar a disponibilidade de insumos para alimentação animal”, complementou Luiz Augusto Dumoncel.
Olho no mercado global
A usina adota tecnologia de padrão internacional, baseada em processos de fluxo contínuo implementados no mercado norte-americano e adaptados à realidade brasileira. Para as próximas fases da operação, a empresa planeja obter as certificações ambientais necessárias para emitir créditos de descarbonização por meio do programa RenovaBio, visando atender tanto o mercado interno quanto potenciais contratos de exportação.
A consolidação desse projeto de biocombustíveis reforça a agenda de transição energética da companhia, que busca alinhar a eficiência operacional com as metas globais de sustentabilidade e redução de emissões.
“A entrada em operação da indústria de etanol de milho representa um avanço importante na estratégia de crescimento da 3tentos. Estamos ampliando nossa atuação em um segmento que combina eficiência, geração de valor para o agro e contribuição para a descarbonização da matriz energética. É um projeto que reforça nosso compromisso de longo prazo com o desenvolvimento das regiões onde atuamos”, concluiu o CEO da companhia, João Marcelo Dumoncel.
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Mercado do boi gordo recua em junho com ajuste da demanda e menor ritmo dos frigoríficos

O mercado físico do boi gordo encerrou junho em forte movimento de correção, com queda nas cotações da arroba em praticamente todas as principais regiões produtoras do Brasil. Segundo a Safras & Mercado, o cenário foi influenciado pelo ajuste da indústria frigorífica diante da redução temporária das compras chinesas, principal destino da carne bovina brasileira.
De acordo com o analista Fernando Iglesias, os frigoríficos reduziram a capacidade de abate e passaram a anunciar férias coletivas em diversas unidades para adequar a produção ao menor ritmo das exportações previsto para o terceiro trimestre.
O primeiro semestre também foi marcado por intensa volatilidade no mercado do boi gordo. As constantes mudanças relacionadas à salvaguarda chinesa provocaram oscilações nos preços, levando as indústrias a reagirem rapidamente às informações do mercado. Diante desse cenário, a recomendação é que os pecuaristas utilizem ferramentas de proteção de preços para reduzir riscos.
Entre as praças pecuárias, São Paulo registrou arroba a R$ 335, queda de 5,63% em relação ao fim de maio. Em Goiânia (GO), o preço recuou para R$ 320 (-3,03%). Em Uberaba (MG), a arroba caiu para R$ 315 (-3,08%). Já em Dourados (MS), a retração foi de 8,57%, com a arroba cotada a R$ 320. Em Cuiabá (MT), o preço caiu 7,04%, para R$ 330, enquanto em Vilhena (RO) a arroba encerrou o mês em R$ 320, baixa de 4,48%.
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Atacado
Segundo Iglesias, o mercado atacadista também registrou queda nas cotações ao longo de junho, mesmo durante o período da Copa do Mundo, quando tradicionalmente há expectativa de maior consumo. O desempenho foi limitado pela menor competitividade da carne bovina frente às proteínas concorrentes, principalmente a carne de frango, que seguiu mais atrativa ao consumidor.
No fechamento do mês, o quarto dianteiro foi negociado a R$ 21,00 por quilo, recuo de 2,33% em relação aos R$ 21,50 registrados no fim de maio. Já os cortes do traseiro bovino encerraram junho cotados a R$ 25,50 por quilo, queda de 5,56% frente aos R$ 27,00 praticados no mês anterior.
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Abelha mandaguari aumenta em até 67% a produção de café arábica, aponta estudo

Um estudo conduzido pela Embrapa Meio Ambiente (SP) e instituições parceiras mostra que o manejo de abelhas nativas sem ferrão pode elevar em até 67% a produção de frutos do café arábica. Publicada na revista científica Frontiers in Bee Science, a pesquisa destaca o potencial da polinização manejada como estratégia para aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura.
O trabalho avaliou o efeito da polinização suplementar realizada por Scaptotrigona depilis, conhecida como abelha mandaguari. O aumento de até 67% na produção de frutos em ramos localizados próximos às colônias reforça a eficiência da mandaguari como polinizadora do café, inclusive em cultivares autocompatíveis, isto é, variedades capazes de se autopolinizar.
Para medir esse efeito, os pesquisadores instalaram colônias em fazendas convencionais, na densidade aproximada de dez colônias por hectare, antes do início da florada. A produção foi comparada entre ramos próximos às colônias e ramos mais distantes, o que permitiu associar o ganho de rendimento à atividade das abelhas.
Saúde das colônias
Além do efeito sobre a produtividade, os pesquisadores investigaram se o uso de inseticidas neonicotinoides poderia afetar a saúde das colônias. O foco foi o tiametoxam, utilizado em safras anteriores em áreas convencionais. Durante o acompanhamento, os pesquisadores monitoraram indicadores como produção de cria, mortalidade de crias e atividade de coleta de alimentos e materiais usados na construção das estruturas internas de seus ninhos.
As avaliações ocorreram em diferentes momentos: uma semana antes da florada; uma semana logo depois da florada; e cerca de 45, 75 e 105 dias após retirada do talhão de café.
A equipe também mediu resíduos do inseticida e de seu metabólito, a clotianidina, em materiais coletados em campo, como folhas de café, néctar e pólen. A detecção confirmou que o uso de neonicotinoides deixou resíduos nos recursos florais acessíveis aos polinizadores.
Apesar disso, não foram observados impactos estatisticamente significativos sobre os parâmetros avaliados nas colônias. Indicadores como produção e mortalidade de crias não apresentaram diferenças relevantes entre colônias instaladas em áreas convencionais e aquelas mantidas em propriedades orgânicas após o período de exposição.
A atividade de coleta mostrou variações iniciais entre os sistemas, mas essas diferenças diminuíram ao longo do monitoramento.

Polinização e manejo fitossanitário
Os autores destacam duas implicações centrais para a cafeicultura. A primeira é que abelhas sem ferrão podem atuar como polinizadoras eficazes do café arábica, com potencial para elevar a produtividade mesmo em cultivares autocompatíveis, variedades capazes de se fecundar pelo próprio pólen, sem depender obrigatoriamente de outra cultivar compatível.
A segunda é que, nas condições avaliadas, o uso de defensivos dentro das recomendações técnicas não gerou danos mensuráveis às colônias, indicando que é possível conciliar a proteção das lavouras com a preservação dos polinizadores.
Conforme a primeira autora do estudo, a bióloga Jenifer Ramos, que atuou como bolsista de estímulo à inovação na Embrapa Meio Ambiente, os resultados reforçam a importância de integrar biodiversidade e produção agrícola.
“O estudo demonstra que o uso de abelhas nativas manejadas pode gerar ganhos expressivos de produtividade, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação dos polinizadores e para o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis. Trata-se de uma solução baseada na natureza com grande potencial de aplicação na cafeicultura brasileira”, afirma.
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Muito além do futebol: como o agro entra em campo para viabilizar a Copa do Mundo

Antes de a bola rolar e o árbitro apitar o início da partida, o agronegócio já garantiu sua escalação como titular na Copa do Mundo. Frequentemente associado apenas às grandes exportações de commodities, o setor opera de forma estratégica e silenciosa no esporte.
Essa presença começa no elemento mais sagrado do espetáculo: o gramado dos estádios. A entrega de tapetes verdes impecáveis e resistentes exige biotecnologia e manejo avançado de solo, frutos diretos da pesquisa científica agrícola.
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Fora das quatro linhas, a cadeia do agro dita o ritmo das arquibancadas, fornecendo toda a estrutura de alimentação do evento. O setor entrega desde os ingredientes para os lanches rápidos consumidos pelo público até a matéria-prima essencial da cerveja que acompanha a comemoração da torcida.
Da infraestrutura ao consumo, fica claro que o futebol e a força do campo jogam no mesmo time. Essa conexão surpreendente foi tema de um vídeo publicado pelo Canal Rural no Instagram, que detalha como a produção rural viabiliza a experiência de atletas e torcedores.
Confira:
A Copa do Mundo de 2026 teve início em 11 de junho, nos Estados Unidos. O país é um dos antitriões desta edição junto de México e Canadá. A final ocorre em 19 de julho, no estádio de Nova Jersey/Nova York.
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