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Paulo Bertolini: “O agro precisa de execução, não de ilusão”

O agro brasileiro atravessa um cenário de pressão financeira, juros elevados e insegurança para novos investimentos. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, durante o 4º Congresso Abramilho, realizado em Brasília no dia 13 de maio.
Segundo ele, o produtor rural enfrenta um ciclo prolongado de dificuldades, agravado pela queda das commodities, aumento dos custos de produção e problemas no acesso ao crédito. O cenário, conforme destaca em entrevista ao programa Direto ao Ponto desta quinta-feira (21), vem comprometendo as margens da atividade e elevando a inadimplência no campo.
“São desafios e problemas que nós temos domésticos e temos aí duas guerras, na Europa e no Oriente Médio, que têm afetado basicamente o mundo todo. E pega a gente, obviamente, no agro brasileiro pela questão dos fertilizantes, pela questão do diesel, pela dificuldade dos insumos agrícolas”, afirma.
Bertolini pontua ainda que o setor vive praticamente o terceiro ano consecutivo de crise financeira. “Você vem com juros altíssimos e aí quem teve que rolar essa dívida está pagando um juro muito alto e criando uma inadimplência grande”.

Crédito e previsibilidade
Entre os principais debates do congresso esteve a necessidade de modernizar o Plano Safra e criar mecanismos mais previsíveis para financiamento do agro. Conforme Bertolini, o modelo atual já não acompanha a realidade do campo brasileiro.
“O plano Safra, quando ele foi concebido lá na década de 70, 80, a realidade agrícola brasileira era totalmente diferente. Hoje nós não podemos ficar dependentes de orçamento que é uma raspa de tacho de rubrica do orçamento”, comenta.
Ele defende linhas de crédito de longo prazo para investimentos como armazenagem e irrigação, além da criação de um fundo garantidor para reduzir riscos financeiros e evitar travamentos no crédito rural. “O conceito é justamente você ter um fundo que garanta catástrofe, problemas de mercado momentâneos e dificuldades de comercialização. E para o próprio sistema financeiro é bom, porque não cria essa inadimplência”, explica.
O presidente da Abramilho ressalta que as discussões apresentadas no evento indicam avanço na construção de propostas para futuros governos, evitando que os debates precisem recomeçar a cada troca de gestão.
“Criar ilusão gera frustração”
Ao analisar os anúncios de crédito feitos pelo governo federal nos últimos anos, Bertolini afirma que a distância entre o que é anunciado e o que efetivamente chega ao produtor gera insegurança no setor.
“Quando o governo anuncia linhas de crédito e acaba que não realiza isso, gera frustração. Ou a sua expectativa de criar uma solução também atrasa todas as decisões de quem vai tomar ela de investimento, de tocar a vida”.
Na avaliação dele, o país criou o hábito de alimentar expectativas que não se concretizam. “Isso é um problema sério que nós temos no Brasil de criar uma ilusão em cima de coisas que não se realizam ao longo do tempo”.
Apesar das críticas, Bertolini diz enxergar disposição de diálogo por parte de integrantes do governo e lideranças políticas ligadas ao agro. Segundo ele, o momento agora exige execução. “Agora nós precisamos executar. Vamos conversar, alinhar as ideias, ver os planos e tentar convencer o pessoal da área econômica”.
Biotecnologia e acesso às tecnologias
Outro tema abordado no 4º Congresso Abramilho foi a biotecnologia. Bertolini destaca que boa parte do avanço da produtividade brasileira nas últimas décadas ocorreu graças à adoção dessas tecnologias.
“Hoje 95%, 97% dos produtos agrícolas, como soja, milho, cana e algodão, são produtos de origem biotecnológica. Boa parte do que a gente avançou em produtividade foi em decorrência da adoção dessas tecnologias”.
Ele alerta, no entanto, que o produtor brasileiro ainda enfrenta barreiras regulatórias para acessar novas tecnologias já disponíveis em outros mercados. Conforme explica em entrevista ao programa do Canal Rural Mato Grosso, liberações internacionais, especialmente da China e da União Europeia, acabam impactando diretamente a chegada dessas soluções ao Brasil. “A China tem milho, por exemplo, que interessa a nós produtores brasileiros que está há seis anos sem liberação e a gente não sabe quando vai liberar”.
Bertolini também critica o peso ideológico em parte das discussões sobre biotecnologia e reforçou que o acesso à inovação é essencial para manter produtividade e segurança alimentar.
“Não tem como sobreviver hoje com níveis de produtividade, com os preços agrícolas sem altas produtividades. Então, é preciso renovar essa tecnologia constantemente. Esse é o grande desafio do agricultor brasileiro”.
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o que muda para o agro e quem paga a conta?

O fim da escala 6×1 levanta dúvidas sobre os impactos da mudança no mercado de trabalho e na economia brasileira. No agronegócio, a preocupação envolve a disponibilidade de mão de obra, os custos de produção e a capacidade de manter atividades que não podem parar, como a ordenha de vacas e o manejo dos animais.
O tema é o destaque do novo episódio do Radar Rural, com participação de Miguel Daoud, comentarista do Canal Rural.
Durante o programa, apresentado por Beatriz Gunther e Victor Faverin, Daoud defende a melhoria das condições de trabalho, mas questiona a falta de medidas para preparar a economia para a mudança. Para ele, a redução da jornada precisa ser acompanhada de ações que aumentem a produtividade e reduzam os custos de contratação.
“Essa mudança, ela deveria vir acompanhada por medidas que corrigissem as falhas estruturais do Brasil”, afirma o comentarista.
Falta de mão de obra preocupa o campo
Um dos pontos discutidos no episódio é a dificuldade de contratação enfrentada por diferentes segmentos do agronegócio. Segundo Daoud, a queixa recorrente de produtores não é apenas o custo dos funcionários, mas a falta de trabalhadores disponíveis.
Com a redução das horas trabalhadas, empresas e propriedades rurais poderão precisar reorganizar as escalas, contratar mais funcionários ou rever o volume produzido. A escolha, avalia o comentarista, pode pressionar a rentabilidade dos negócios.
O impacto tende a variar conforme a atividade. No campo, a produção de leite é um exemplo de operação que exige trabalho contínuo, independentemente de fins de semana e feriados. Daoud também destaca que setores que não investiram em tecnologia e ganhos de produtividade enfrentam dificuldades para permanecer na atividade.
A discussão inclui ainda os possíveis efeitos sobre a oferta de alimentos. Estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), aponta que o setor poderia ter redução de 5% na disponibilidade de produtos nas gôndolas em razão da menor oferta de mão de obra.
Produtividade e renda entram na discussão
Daoud também questiona se a redução da jornada, isoladamente, será suficiente para melhorar a situação dos trabalhadores. Na avaliação dele, a informalidade e a baixa renda são problemas que precisam ser enfrentados junto com a mudança na escala.
O comentarista defende investimentos em tecnologia, qualificação profissional e educação, além de reformas que reduzam os custos de contratação. Para ele, sem medidas estruturais, empresas podem perder rentabilidade e trabalhadores ficar sujeitos ao desemprego ou à informalidade.
Assista ao programa completo no canal do Canal Rural no YouTube:
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Show Rural 2027 selecionará 120 expositores para a Feira Sabores; inscreva-se

Encerra no dia 30 de outubro o período de inscrições para a Feira Sabores da edição 2027 do Show Rural Coopavel, que disponibilizará apenas 120 vagas para expositores. Podem participar produtores de alimentos ou artesanato rural de todo o estado.
As inscrições devem ser feitas por meio deste formulário. Todos os participantes devem apresentar o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF).
A Feira Sabores é resultado da parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Itaipu Binacional e Coopavel. O evento se destaca por integrar comércio, identidade cultural e agricultura familiar em um mesmo espaço dentro do Show Rural.
“A feira funciona como vitrine para os produtos paranaenses, permitindo que o público conheça o trabalho feito pelas mãos da agricultura familiar, que é tão importante para o nosso estado”, comenta a assessora estadual de Agroindústria do IDR-Paraná, Karolline da Silva.
Os interessados em participar devem estar atentos aos critérios de participação definidos no Regulamento. A divulgação dos produtores classificados será no dia 06 de novembro e o resultado final no dia 13 de novembro de 2026
Agroindústrias
Apenas na região Oeste, com destaque para Cascavel e Toledo, são mais de 170 agroindústrias assistidas pelo IDR-Paraná. Entre os principais insumos produzidos na região estão biscoitos, geleias, conservas, melado, vinho, cachaça, salame, queijo, mel, frutas desidratadas, chips, polpa de fruta, antepastos, temperos e chás, que poderão ser encontrados na feira.
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Domingo de eleição terá tempestades no Sul e Sudeste; veja a previsão para o Brasil

O domingo de eleições será marcado por chuva e instabilidade em boa parte do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as precipitações devem se concentrar principalmente nas regiões Sul e Sudeste, além de atingir áreas do Centro-Oeste. No Norte e Nordeste, o predomínio será de tempo seco e temperaturas elevadas, embora haja possibilidade de pancadas isoladas.
O Inmet alerta para o risco de tempestades em diferentes estados. No Sul, as instabilidades devem se concentrar no oeste e norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Há aviso vermelho de grande perigo para tempestades em áreas da região.
A previsão também indica chuva em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além do sul de Mato Grosso e do Distrito Federal. Em parte dessas localidades, as precipitações podem vir acompanhadas de trovoadas.
De acordo com o instituto, o cenário é provocado por áreas de baixa pressão entre o norte da Argentina, o Paraguai e o sul da Bolívia, além da formação de um novo ciclone extratropical na costa da Região Sul. O sistema deve organizar uma frente fria ao longo do fim de semana, ampliando as condições para chuva no centro-sul do país.
Sudeste tem previsão de chuva e temperaturas mais baixas
Em São Paulo, a previsão é de tempo fechado, com temperatura mínima de 16°C e máxima de 21°C. O Inmet emitiu aviso de perigo potencial para tempestades para todo o estado, além do Rio de Janeiro e do Espírito Santo e grande parte de Minas Gerais.
No Rio de Janeiro, são esperadas chuvas com trovoadas ao longo do dia. Também há previsão de pancadas isoladas no Triângulo Mineiro, na região central de Minas Gerais e em áreas do oeste e sul do Espírito Santo.
Nas capitais, as máximas devem chegar a 30°C em Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES).
Sul concentra áreas de maior risco
A Região Sul deve registrar chuva, com destaque para o Paraná, onde são esperadas trovoadas ao longo do dia. Também há previsão de pancadas isoladas na Serra de Santa Catarina e no norte e nordeste do Rio Grande do Sul.
O Inmet emitiu aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no norte e leste do Paraná, no leste de Santa Catarina e no nordeste do Rio Grande do Sul. Para algumas áreas da região, há também alerta vermelho de grande perigo.
Em Curitiba (PR), a temperatura varia entre 11°C e 20°C. Em Florianópolis (SC), os termômetros devem marcar entre 15°C e 19°C. Já em Porto Alegre (RS), a máxima não deve passar de 18°C.
Centro-Oeste terá instabilidade e calor
No Centro-Oeste, a previsão é de tempo instável e aumento da nebulosidade. Há aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no sul de Mato Grosso, no centro-sul de Goiás e em Mato Grosso do Sul, abrangendo as capitais Cuiabá, Goiânia e Campo Grande.
Nas demais áreas da região, incluindo o Distrito Federal, também podem ocorrer chuvas isoladas.
Apesar da instabilidade, o calor permanece em parte do Centro-Oeste. A máxima prevista é de 39°C em Cuiabá (MT), 35°C em Goiânia (GO) e 33°C em Brasília (DF). Em Campo Grande (MS), os termômetros não devem passar de 27°C.
Norte e Nordeste terão calor de até 40°C
No Norte, a previsão indica chuva com trovoadas no oeste e noroeste do Amazonas. Também podem ocorrer precipitações isoladas no Acre, em Rondônia, em outras áreas do Amazonas, no centro-sul do Pará e no Tocantins. Em Roraima, há possibilidade de chuva isolada.
As temperaturas seguem elevadas, com máximas de 36°C em Belém (PA) e Porto Velho (RO), e de 37°C em Boa Vista (RR) e Palmas (TO).
No Nordeste, o tempo seco e o calor predominam. Há previsão de chuva no sudoeste do Maranhão, no oeste do Piauí e no oeste e sul da Bahia. Em Teixeira de Freitas (BA), o Inmet emitiu aviso amarelo de perigo potencial para tempestades.
Teresina (PI) deve registrar a maior temperatura entre as capitais brasileiras no domingo, com máxima de 40°C. Em Salvador (BA) e João Pessoa (PB), a mínima prevista é de 23°C.
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