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6 de julho de 2026

Business

Paulo Bertolini: “O agro precisa de execução, não de ilusão”

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Foto: Assessoria de Imprensa Abramilho

O agro brasileiro atravessa um cenário de pressão financeira, juros elevados e insegurança para novos investimentos. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, durante o 4º Congresso Abramilho, realizado em Brasília no dia 13 de maio.

Segundo ele, o produtor rural enfrenta um ciclo prolongado de dificuldades, agravado pela queda das commodities, aumento dos custos de produção e problemas no acesso ao crédito. O cenário, conforme destaca em entrevista ao programa Direto ao Ponto desta quinta-feira (21), vem comprometendo as margens da atividade e elevando a inadimplência no campo.

“São desafios e problemas que nós temos domésticos e temos aí duas guerras, na Europa e no Oriente Médio, que têm afetado basicamente o mundo todo. E pega a gente, obviamente, no agro brasileiro pela questão dos fertilizantes, pela questão do diesel, pela dificuldade dos insumos agrícolas”, afirma.

Bertolini pontua ainda que o setor vive praticamente o terceiro ano consecutivo de crise financeira. “Você vem com juros altíssimos e aí quem teve que rolar essa dívida está pagando um juro muito alto e criando uma inadimplência grande”.

Paulo Bertolini presidente Abramilho foto Assessoria Abramilho
Foto: Assessoria de Imprensa Abramilho

Crédito e previsibilidade

Entre os principais debates do congresso esteve a necessidade de modernizar o Plano Safra e criar mecanismos mais previsíveis para financiamento do agro. Conforme Bertolini, o modelo atual já não acompanha a realidade do campo brasileiro.

“O plano Safra, quando ele foi concebido lá na década de 70, 80, a realidade agrícola brasileira era totalmente diferente. Hoje nós não podemos ficar dependentes de orçamento que é uma raspa de tacho de rubrica do orçamento”, comenta.

Ele defende linhas de crédito de longo prazo para investimentos como armazenagem e irrigação, além da criação de um fundo garantidor para reduzir riscos financeiros e evitar travamentos no crédito rural. “O conceito é justamente você ter um fundo que garanta catástrofe, problemas de mercado momentâneos e dificuldades de comercialização. E para o próprio sistema financeiro é bom, porque não cria essa inadimplência”, explica.

O presidente da Abramilho ressalta que as discussões apresentadas no evento indicam avanço na construção de propostas para futuros governos, evitando que os debates precisem recomeçar a cada troca de gestão.

Congresso Abramilho Brasil 2026 Foto: Assessoria Abramilho
Foto: Assessoria de Imprensa Abramilho

“Criar ilusão gera frustração”

Ao analisar os anúncios de crédito feitos pelo governo federal nos últimos anos, Bertolini afirma que a distância entre o que é anunciado e o que efetivamente chega ao produtor gera insegurança no setor.

“Quando o governo anuncia linhas de crédito e acaba que não realiza isso, gera frustração. Ou a sua expectativa de criar uma solução também atrasa todas as decisões de quem vai tomar ela de investimento, de tocar a vida”.

Na avaliação dele, o país criou o hábito de alimentar expectativas que não se concretizam. “Isso é um problema sério que nós temos no Brasil de criar uma ilusão em cima de coisas que não se realizam ao longo do tempo”.

Apesar das críticas, Bertolini diz enxergar disposição de diálogo por parte de integrantes do governo e lideranças políticas ligadas ao agro. Segundo ele, o momento agora exige execução. “Agora nós precisamos executar. Vamos conversar, alinhar as ideias, ver os planos e tentar convencer o pessoal da área econômica”.

Biotecnologia e acesso às tecnologias

Outro tema abordado no 4º Congresso Abramilho foi a biotecnologia. Bertolini destaca que boa parte do avanço da produtividade brasileira nas últimas décadas ocorreu graças à adoção dessas tecnologias.

“Hoje 95%, 97% dos produtos agrícolas, como soja, milho, cana e algodão, são produtos de origem biotecnológica. Boa parte do que a gente avançou em produtividade foi em decorrência da adoção dessas tecnologias”.

Ele alerta, no entanto, que o produtor brasileiro ainda enfrenta barreiras regulatórias para acessar novas tecnologias já disponíveis em outros mercados. Conforme explica em entrevista ao programa do Canal Rural Mato Grosso, liberações internacionais, especialmente da China e da União Europeia, acabam impactando diretamente a chegada dessas soluções ao Brasil. “A China tem milho, por exemplo, que interessa a nós produtores brasileiros que está há seis anos sem liberação e a gente não sabe quando vai liberar”.

Bertolini também critica o peso ideológico em parte das discussões sobre biotecnologia e reforçou que o acesso à inovação é essencial para manter produtividade e segurança alimentar.

“Não tem como sobreviver hoje com níveis de produtividade, com os preços agrícolas sem altas produtividades. Então, é preciso renovar essa tecnologia constantemente. Esse é o grande desafio do agricultor brasileiro”.

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Mercado do boi gordo recua em junho com ajuste da demanda e menor ritmo dos frigoríficos

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Foto: Lorran Lima/Idaf

O mercado físico do boi gordo encerrou junho em forte movimento de correção, com queda nas cotações da arroba em praticamente todas as principais regiões produtoras do Brasil. Segundo a Safras & Mercado, o cenário foi influenciado pelo ajuste da indústria frigorífica diante da redução temporária das compras chinesas, principal destino da carne bovina brasileira.

De acordo com o analista Fernando Iglesias, os frigoríficos reduziram a capacidade de abate e passaram a anunciar férias coletivas em diversas unidades para adequar a produção ao menor ritmo das exportações previsto para o terceiro trimestre.

O primeiro semestre também foi marcado por intensa volatilidade no mercado do boi gordo. As constantes mudanças relacionadas à salvaguarda chinesa provocaram oscilações nos preços, levando as indústrias a reagirem rapidamente às informações do mercado. Diante desse cenário, a recomendação é que os pecuaristas utilizem ferramentas de proteção de preços para reduzir riscos.

Entre as praças pecuárias, São Paulo registrou arroba a R$ 335, queda de 5,63% em relação ao fim de maio. Em Goiânia (GO), o preço recuou para R$ 320 (-3,03%). Em Uberaba (MG), a arroba caiu para R$ 315 (-3,08%). Já em Dourados (MS), a retração foi de 8,57%, com a arroba cotada a R$ 320. Em Cuiabá (MT), o preço caiu 7,04%, para R$ 330, enquanto em Vilhena (RO) a arroba encerrou o mês em R$ 320, baixa de 4,48%.

Atacado

Segundo Iglesias, o mercado atacadista também registrou queda nas cotações ao longo de junho, mesmo durante o período da Copa do Mundo, quando tradicionalmente há expectativa de maior consumo. O desempenho foi limitado pela menor competitividade da carne bovina frente às proteínas concorrentes, principalmente a carne de frango, que seguiu mais atrativa ao consumidor.

No fechamento do mês, o quarto dianteiro foi negociado a R$ 21,00 por quilo, recuo de 2,33% em relação aos R$ 21,50 registrados no fim de maio. Já os cortes do traseiro bovino encerraram junho cotados a R$ 25,50 por quilo, queda de 5,56% frente aos R$ 27,00 praticados no mês anterior.

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Abelha mandaguari aumenta em até 67% a produção de café arábica, aponta estudo

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Foto: Embrapa

Um estudo conduzido pela Embrapa Meio Ambiente (SP) e instituições parceiras mostra que o manejo de abelhas nativas sem ferrão pode elevar em até 67% a produção de frutos do café arábica. Publicada na revista científica Frontiers in Bee Science, a pesquisa destaca o potencial da polinização manejada como estratégia para aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura.

O trabalho avaliou o efeito da polinização suplementar realizada por Scaptotrigona depilis, conhecida como abelha mandaguari. O aumento de até 67% na produção de frutos em ramos localizados próximos às colônias reforça a eficiência da mandaguari como polinizadora do café, inclusive em cultivares autocompatíveis, isto é, variedades capazes de se autopolinizar.

Para medir esse efeito, os pesquisadores instalaram colônias em fazendas convencionais, na densidade aproximada de dez colônias por hectare, antes do início da florada. A produção foi comparada entre ramos próximos às colônias e ramos mais distantes, o que permitiu associar o ganho de rendimento à atividade das abelhas.

Saúde das colônias

Além do efeito sobre a produtividade, os pesquisadores investigaram se o uso de inseticidas neonicotinoides poderia afetar a saúde das colônias. O foco foi o tiametoxam, utilizado em safras anteriores em áreas convencionais. Durante o acompanhamento, os pesquisadores monitoraram indicadores como produção de cria, mortalidade de crias e atividade de coleta de alimentos e materiais usados na construção das estruturas internas de seus ninhos.

As avaliações ocorreram em diferentes momentos: uma semana antes da florada; uma semana logo depois da florada; e cerca de 45, 75 e 105 dias após retirada do talhão de café.

A equipe também mediu resíduos do inseticida e de seu metabólito, a clotianidina, em materiais coletados em campo, como folhas de café, néctar e pólen. A detecção confirmou que o uso de neonicotinoides deixou resíduos nos recursos florais acessíveis aos polinizadores.

Apesar disso, não foram observados impactos estatisticamente significativos sobre os parâmetros avaliados nas colônias. Indicadores como produção e mortalidade de crias não apresentaram diferenças relevantes entre colônias instaladas em áreas convencionais e aquelas mantidas em propriedades orgânicas após o período de exposição.

A atividade de coleta mostrou variações iniciais entre os sistemas, mas essas diferenças diminuíram ao longo do monitoramento.

produção de café
Foto: Embrapa

Polinização e manejo fitossanitário

Os autores destacam duas implicações centrais para a cafeicultura. A primeira é que abelhas sem ferrão podem atuar como polinizadoras eficazes do café arábica, com potencial para elevar a produtividade mesmo em cultivares autocompatíveis, variedades capazes de se fecundar pelo próprio pólen, sem depender obrigatoriamente de outra cultivar compatível.

A segunda é que, nas condições avaliadas, o uso de defensivos dentro das recomendações técnicas não gerou danos mensuráveis às colônias, indicando que é possível conciliar a proteção das lavouras com a preservação dos polinizadores.

Conforme a primeira autora do estudo, a bióloga Jenifer Ramos, que atuou como bolsista de estímulo à inovação na Embrapa Meio Ambiente, os resultados reforçam a importância de integrar biodiversidade e produção agrícola.

“O estudo demonstra que o uso de abelhas nativas manejadas pode gerar ganhos expressivos de produtividade, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação dos polinizadores e para o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis. Trata-se de uma solução baseada na natureza com grande potencial de aplicação na cafeicultura brasileira”, afirma.

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Muito além do futebol: como o agro entra em campo para viabilizar a Copa do Mundo

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Da tecnologia do gramado à cerveja da torcida, o agronegócio atua como o motor invisível por trás do maior torneio do planeta

Antes de a bola rolar e o árbitro apitar o início da partida, o agronegócio já garantiu sua escalação como titular na Copa do Mundo. Frequentemente associado apenas às grandes exportações de commodities, o setor opera de forma estratégica e silenciosa no esporte.

Essa presença começa no elemento mais sagrado do espetáculo: o gramado dos estádios. A entrega de tapetes verdes impecáveis e resistentes exige biotecnologia e manejo avançado de solo, frutos diretos da pesquisa científica agrícola.

Fora das quatro linhas, a cadeia do agro dita o ritmo das arquibancadas, fornecendo toda a estrutura de alimentação do evento. O setor entrega desde os ingredientes para os lanches rápidos consumidos pelo público até a matéria-prima essencial da cerveja que acompanha a comemoração da torcida.

Da infraestrutura ao consumo, fica claro que o futebol e a força do campo jogam no mesmo time. Essa conexão surpreendente foi tema de um vídeo publicado pelo Canal Rural no Instagram, que detalha como a produção rural viabiliza a experiência de atletas e torcedores.

Confira:

A Copa do Mundo de 2026 teve início em 11 de junho, nos Estados Unidos. O país é um dos antitriões desta edição junto de México e Canadá. A final ocorre em 19 de julho, no estádio de Nova Jersey/Nova York.

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