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17 de maio de 2026

Business

Arroz segue pressionado com safra cheia e avanço da colheita

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Foto: Paulo Lanzetta

A consolidação de uma safra volumosa no Mercosul e o avanço praticamente final da colheita no Brasil seguem pressionando o mercado de arroz. Com oferta elevada, o espaço para uma recuperação mais consistente nos preços ainda é limitado.

Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, parte dos agentes já começa a acompanhar com mais atenção fatores externos que podem mudar o equilíbrio global do mercado no segundo semestre.

No Brasil, a colheita já supera 94% da área estimada. No Rio Grande do Sul, os trabalhos se aproximam do fim, consolidando uma produção próxima de 7,9 milhões de toneladas, base casca. A safra brasileira deve ficar ao redor de 11 milhões de toneladas.

De acordo com Oliveira, a produtividade elevada em importantes regiões produtoras do estado, acima de 8,8 toneladas por hectare, somada ao bom rendimento de engenho e à alta incidência de grãos inteiros, reforça a percepção de ampla oferta no mercado interno.

Nesse cenário, os preços seguem pressionados, embora ainda encontrem alguma sustentação na postura mais cautelosa de produtores capitalizados. Na Fronteira Oeste, as referências variam entre R$ 57 e R$ 59 por saca de 50 quilos. Na Campanha e na Depressão Central, os negócios giram entre R$ 56 e R$ 58.

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Já nas regiões com maior qualidade industrial, como Zona Sul e Planícies Costeiras, as negociações permanecem entre R$ 62 e R$ 65 por saca.

O início da temporada também já registra déficit na balança comercial do arroz, com importações acima das exportações. O cenário reforça a necessidade de retomada do fluxo exportador para equilibrar o mercado doméstico.

Apesar disso, o ambiente internacional começa a apresentar fatores de sustentação. Segundo o consultor, Chicago já trabalha perto de US$ 13 por quintal curto, refletindo fundamentos globais mais firmes.

O relatório mais recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta redução de área e de produção mundial para a temporada 2025/26, além de estoques finais ligeiramente menores na comparação anual.

Além disso, riscos climáticos voltam ao radar do mercado. O retorno das discussões sobre El Niño, as ondas de calor na Índia, o excesso de chuvas em Bangladesh e os custos mais elevados de fertilizantes, combustíveis e crédito agrícola ampliam a preocupação com a capacidade produtiva global nas próximas temporadas.

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A média da saca de arroz no Rio Grande do Sul, com padrão de 58% a 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou a quinta-feira (14) cotada a R$ 60,24. O valor representa queda de 2,29% frente à semana anterior. Em relação ao mês passado, o recuo é de 4,40%. Na comparação com o início de 2025, a desvalorização chega a 21,16%.

*Com informações da Agência Safras News

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Missão à China busca ampliar mercado para o agro brasileiro

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Foto: Agência Brasil

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, lidera uma missão oficial à China entre os dias 17 e 21 de maio. A agenda inclui compromissos em Xangai e Pequim com foco na ampliação do comércio agropecuário e no fortalecimento da cooperação sanitária entre os dois países.

Entre os compromissos previstos estão reuniões com representantes da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC), do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e do Ministério do Comércio chinês. O ministro também participa da SIAL 2026, considerada uma das maiores feiras de alimentos e bebidas da Ásia.

A missão busca ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado chinês, além de abrir espaço para novos negócios e avançar em temas sanitários e fitossanitários.

A China segue como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Em 2025, o país asiático comprou mais de US$ 55,3 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, o equivalente a 32,7% de tudo o que o setor exportou no período.

De 2019 a 2025, o Brasil conquistou 25 aberturas de mercado na China para produtos como complexo soja, proteínas animais, gergelim, farinha de aves e suínos e DDG de milho.

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SIAL 2026

A agenda começa em Xangai, onde André de Paula participa da SIAL 2026. Durante a feira, o ministro visita o Estande Brasil, organizado pela ApexBrasil, além dos espaços da Abiec e da ABPA.

Nesta edição, o Brasil terá participação recorde, com 82 empresas expositoras distribuídas em cinco pavilhões nacionais. No ano passado, foram 54 empresas participantes. A expectativa é movimentar cerca de US$ 3,3 bilhões em negócios imediatos e futuros.

A programação também prevê participação no encerramento do Seminário Brasil-China de Agronegócio e encontros com representantes de cooperativas.

Agenda em Pequim

Na capital chinesa, a delegação brasileira participa de reuniões voltadas à ampliação do comércio agropecuário e ao fortalecimento das relações institucionais entre os países.

Também estão previstos encontros ligados ao “Diálogo Brasil–China sobre Finanças Verdes e Cooperação em Agricultura Sustentável” e participação em seminário organizado pela ABPA.

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Agro Mato Grosso

Mapa intercepta praga com potencial para causar prejuízos bilionários ao agro

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) interceptou uma carga de cerca de uma tonelada de aspargos importados do Peru após identificar a presença da Prodiplosis longifila, praga considerada de alto risco fitossanitário e ainda ausente do território brasileiro. A detecção acendeu alerta no setor agropecuário pelo potencial de impacto sobre culturas estratégicas do agronegócio nacional, como tomate, citros, feijão, algodão, cebola e pimentão.

A carga continha 200 caixas do produto e foi barrada durante fiscalização do sistema de vigilância agropecuária internacional, o Vigiagro, vinculado à Ministério da Agricultura e Pecuária. Após a identificação inicial do inseto, amostras foram encaminhadas para análise laboratorial, com uso de microscopia, PCR e sequenciamento genético. O laudo conclusivo confirmou nesta quarta-feira (13) a presença da praga.

Conhecida popularmente como mosca-dos-botões-florais ou mosquinha-do-tomate, a Prodiplosis longifila é considerada de difícil controle e apresenta rápida capacidade de dispersão em regiões quentes e úmidas. Segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, as larvas atacam brotos, botões florais e frutos jovens, provocando deformações, abortamento das flores e redução da produtividade nas lavouras.

O risco preocupa especialmente porque o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de tomate, feijão e citros, cadeias que movimentam bilhões de reais por ano e possuem forte peso tanto no mercado interno quanto nas exportações agrícolas. Em países como Peru e Colômbia, onde o inseto já está disseminado, produtores enfrentam aumento expressivo dos custos de controle e perdas severas de produtividade.

Levantamento da Embrapa Territorial aponta que regiões de fronteira no Norte do país seriam as mais vulneráveis à entrada inicial da praga, enquanto polos produtores de hortaliças e citros poderiam sofrer impactos econômicos relevantes em caso de disseminação.

A interceptação reforça o papel estratégico da vigilância fitossanitária brasileira em um momento de aumento do fluxo internacional de alimentos e maior preocupação global com segurança sanitária. O trabalho do Vigiagro inclui fiscalização de cargas vegetais e animais em aeroportos, portos e fronteiras terrestres para evitar a entrada de doenças e pragas capazes de comprometer a produção agropecuária brasileira e gerar barreiras comerciais internacionais.

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Agro Mato Grosso

Produtores de MT avaliam no Texas genética para cruzamentos no Brasil

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A busca por alternativas genéticas capazes de ampliar produtividade, melhorar qualidade de carcaça e aumentar a eficiência da pecuária levou produtores rurais, presidentes de sindicatos rurais e lideranças do agro mato-grossense ao Strait Ranches, em Streetman, no Texas, na terça-feira (13). A visita integrou a programação da Missão Técnica EUA 2026, organizada pelo Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) e teve como foco o trabalho de seleção da raça Santa Gertrudis, uma das referências da pecuária de corte norte-americana.

A raça, desenvolvida a partir do cruzamento entre Brahman e Shorthorn, ganhou projeção por reunir rusticidade, fertilidade, ganho de peso e adaptação a ambientes de clima quente. Essas características despertam interesse em sistemas produtivos tropicais, como os encontrados em Mato Grosso, maior produtor de bovinos do Brasil e um dos principais polos exportadores de carne do país.

Fundado em 1951 pela família Strait, o Strait Ranches mantém um programa tradicional de melhoramento genético da Santa Gertrudis. Durante a visita, a comitiva acompanhou apresentações técnicas sobre critérios modernos de seleção, avaliação genética, desempenho de carcaça, eficiência reprodutiva, coleta de DNA, análise fenotípica e possibilidades de uso da raça em cruzamentos comerciais.

Para o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, a agenda permitiu atualizar a percepção sobre uma raça que já teve passagem pelo Brasil, mas que, no passado, não entregou em algumas regiões os resultados esperados.

“A Santa Gertrudis chegou ao Brasil na década de 70, mas muitos cruzamentos feitos naquele período não apresentaram os resultados esperados, principalmente em relação à adaptação e à precocidade. Hoje, pelo que vimos aqui, a raça evoluiu muito. É um produto que pode chegar como alternativa para cruzamentos com o Nelore, trazendo precocidade, melhor carcaça e carne de mais qualidade”, afirmou.

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Segundo Vilmondes, o avanço genético observado no Texas reforça a necessidade de os pecuaristas brasileiros ampliarem o repertório de opções para os sistemas de produção.

“Não podemos ficar focados em uma única genética. O produtor precisa ter alternativas. Estamos trazendo lideranças e produtores para observar o que existe de melhor, entender o que pode ser incorporado à nossa realidade e levar esse conhecimento para dentro das propriedades rurais”, disse.

A avaliação da comitiva é que a Santa Gertrudis pode ser considerada em estratégias de cruzamento voltadas à complementaridade com raças zebuínas, especialmente o Nelore, base predominante da pecuária brasileira. A busca é por animais mais precoces, com melhor desempenho produtivo, maior padronização de carcaça e capacidade de atender mercados cada vez mais exigentes em qualidade de carne.

O proprietário do Strait Ranches, Yancey Strait, destacou a importância da aproximação com produtores brasileiros e afirmou que o programa de seleção busca equilibrar características maternas, funcionalidade estrutural e atributos de carcaça.

“Somos muito gratos pela visita dos produtores brasileiros. Acreditamos que a Santa Gertrudis oferece um produto equilibrado, capaz de melhorar características maternas e também atributos de carcaça. Queremos ampliar essa conexão com os produtores do Brasil”, afirmou.

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Entre os participantes, a visita também serviu para revisar impressões construídas a partir de experiências anteriores. O presidente do Sindicato Rural de Colíder, Jonatas, relatou que já havia testado cruzamentos envolvendo Santa Gertrudis no Brasil, mas enfrentou problemas ligados à formação de casco. Segundo ele, o contato direto com técnicos e selecionadores no Texas mostrou que parte dessas limitações foi superada pelo avanço do melhoramento genético.

“A gente passa por uma dificuldade no Brasil e acaba criando um preconceito em relação à raça. Aqui, vindo à fonte e conversando com quem desenvolve a genética, vimos que muitas falhas do passado já foram corrigidas. Hoje existe uma genética muito superior ao que a gente imaginava”, afirmou.

Jonatas Galadinovic avalia que a raça pode voltar a ser analisada como alternativa em programas de cruzamento industrial e tricross, especialmente sobre fêmeas F1.

“A visita abriu novamente a possibilidade de usar a Santa Gertrudis como opção. A gente volta para o Brasil com mais informação e mais segurança para avaliar essa viabilidade”, disse.

A passagem pelo Strait Ranches integra a agenda técnica da Missão EUA 2026, que reúne mais de 80 participantes em uma imersão por centros de pesquisa, universidades, propriedades rurais, operações pecuárias e empresas de genética nos estados do Texas e Nebraska. O objetivo é identificar tecnologias, modelos de gestão e soluções que possam contribuir para a evolução da pecuária mato-grossense.

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Além da genética bovina, a missão contempla temas como pecuária de corte, biotecnologia da reprodução, gestão produtiva, agricultura irrigável, uso eficiente da água, sustentabilidade e inovação no campo. A expectativa é que os conhecimentos adquiridos sejam compartilhados posteriormente com sindicatos rurais, produtores e lideranças regionais em Mato Grosso, ampliando o alcance técnico e institucional da iniciativa.

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Agro MT