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28 de setembro de 2026

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Setor produtivo de Mato Grosso vê barreira comercial em decisão da União Europeia

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Foto: Sistema Famato/Reprodução

O setor produtivo de Mato Grosso avalia com cautela e equilíbrio a recente decisão da União Europeia de suspender a importação de proteínas animais do Brasil. As principais lideranças do estado enxergam a medida como uma possível barreira comercial disfarçada de exigência sanitária, uma vez que o setor já adota controles rigorosos. O foco das entidades agora está em evitar o oportunismo da indústria nos preços e em reforçar a parceria com grandes players, como a China.

A posição das associações mato-grossenses surge após o bloco europeu excluir o Brasil, no último dia 12 de maio, da lista de países autorizados a exportar carnes, ovos e animais. A justificativa oficial é o não cumprimento de regras contra o uso de antibióticos e antimicrobianos como promotores de crescimento. A restrição passa a valer em setembro e ocorre logo após o início do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, em 1º de maio.

Para os produtores locais, a exclusão do Brasil, enquanto vizinhos como Argentina e Colômbia foram mantidos, levanta suspeitas sobre as reais motivações do bloco. O setor produtivo de Mato Grosso defende que a qualidade e a sustentabilidade da produção estadual são as garantias para superar o desafio. Além disso, destacam que a dependência do mercado europeu é baixa se comparada ao volume absorvido pelos 165 países que compram a carne brasileira.

A estratégia agora é aguardar a atuação técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para esclarecer possíveis mal-entendidos sanitários. Caso a questão técnica não avance, os produtores cobram uma postura diplomática firme para garantir o respeito aos acordos comerciais. O sentimento geral entre os criadores é de confiança na competitividade mato-grossense, acreditando que a demanda internacional, especialmente a asiática, continuará firme no segundo semestre.

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Avaliação da pecuária e mercado externo

O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, afirma que a notícia pegou o país de surpresa, mas ressalta que a União Europeia representa pouco mais de 3% das exportações. Para ele, o foco deve ser a manutenção do bom contato com outros mercados, como a China, maior comprador do setor. Conte alerta ainda que o mercado não deve aceitar pressões antecipadas da indústria para a redução dos preços pagos aos produtores.

“O mercado europeu não representa tanto assim para nós. Exportamos para 165 países. A China é de longe o nosso maior país exportador. Então acho que a gente precisa se concentrar e conduzir isso com bastante calma. Não pode haver por parte da indústria agora um oportunismo de tentar baixar preço antes mesmo dessa medida entrar em vigor”, destaca Luís Fernando Conte em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

Para o presidente da Acrimat, a capacidade técnica brasileira é suficiente para sanar as dúvidas europeias, mas a diplomacia precisa estar atenta a interesses comerciais ocultos. “Vamos avaliar se por trás disso tem de fato alguma questão sanitária ou se tem alguma coisa, uma barreira comercial e aí a gente precisa diplomaticamente também impor algumas regras. O Ministério tem a capacidade de solucionar”, afirma o dirigente.

Suinocultura, suíno, controle
Foto: Embrapa Suínos e Aves

Competitividade e barreiras comerciais

O setor de suinocultura também manifestou preocupação, mas reforça que as imposições europeias sobre o uso de antimicrobianos já fazem parte do controle rigoroso adotado em Mato Grosso. O presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, avalia que o Brasil é alvo constante de sanções justamente por sua alta competitividade em preço e qualidade, o que incomoda os mercados concorrentes.

Tannure Filho frisa que o produtor mato-grossense faz o dever de casa e que o mundo não pode prescindir do que é produzido no estado. “O mundo precisa do Brasil, o mundo precisa do Mato Grosso, o mundo precisa do nosso produto. Os Estados Unidos impuseram toda aquela questão tarifária e o Brasil seguiu vendendo normalmente. Na suinocultura não é diferente. Entra ano, sai ano, nós somos bombardeados”, explica o presidente da Acrismat ao Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com o presidente da associação, a saída será o aprimoramento dos controles para provar a excelência sanitária da suinocultura local. “Essa condição que a União Europeia está colocando de um controle mais rigoroso no uso de promotor de crescimento, de antimicrobianos nós já fazemos isso. Então nós vamos melhorar ainda mais o controle disso e assim vamos conseguir contornar a situação”, conclui Frederico Tannure Filho.

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Nova série de lives do Canal Rural te coloca por dentro do preço das principais commodities do país

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O Canal Rural começou uma nova série de lives com foco nos preços da soja, do milho, do boi gordo e de outras commodities que movimentam o agronegócio brasileiro.

O Commodities em Foco acontece todas as segundas e sextas-feiras, sempre às 18h10, para você começar e fechar a semana por dentro dos principais movimentos do mercado agrícola.

A primeira transmissão foi com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias. Ele destacou os motivos de a arroba estar em alta, se o mercado futuro continuará operando contratos com até R$ 20 de diferença em relação ao disponível e o que esperar das cotações para o restante do ano. Assista abaixo:

Para o episódio de hoje, o editor Victor Faverin conversa com o especialista Rafael Silveira, também da consultoria Safras & Mercado, sobre o mercado de soja.

Ele vai explicar se a Bolsa de Chicago já reflete possíveis perdas da safra 2026/27 do grão em vista da presença cada vez mais intensa do fenômeno El Niño. Para não perder essa live, acione a notificação no player abaixo:

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📊 Commodities em Foco
📅 Toda segunda e sexta-feira
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‘Existe saída’, diz advogado sobre leilões de imóveis rurais terem crescido mais de 30%

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O endividamento de produtores que atravessaram safras afetadas por eventos climáticos, custos maiores e redução das margens fez com que, em 2025, 14,1 mil imóveis rurais fossem levados a leilão no Brasil, montante que envolveu o total de R$ 78,6 bilhões em operações, conforme dados da plataforma Leilão Imóvel.

Os números representam aumentos de 30,6% na quantidade de propriedades e de 88,9% no valor em relação ao ano anterior.

Para o advogado da HBS Advogados, Frederico Buss, uma dívida vencida não significa que o produtor tenha como únicas alternativas aceitar as condições apresentadas pelo credor ou submeter o patrimônio aos procedimentos de cobrança.

“A definição dos caminhos possíveis depende de uma análise individualizada da operação, das garantias constituídas e das circunstâncias que levaram à dificuldade de pagamento”, salienta.

De acordo com ele, entre os pontos que precisam ser examinados estão a natureza e a finalidade do financiamento, a origem dos recursos, os encargos cobrados e a incidência das normas do crédito rural.

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Segundo Buss, também é necessário documentar perdas provocadas por estiagem, excesso de chuvas, enchentes ou outros eventos adversos e verificar a regularidade dos procedimentos de cobrança extrajudicial e judicial.

O tratamento jurídico varia conforme o tipo de obrigação assumida pelo produtor. Operações de crédito rural, Cédulas de Produto Rural (CPRs), Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), contratos com fornecedores e dívidas com cooperativas possuem características próprias, e os mecanismos previstos para o crédito rural não se aplicam automaticamente a todas essas situações.

O advogado lembra que o Manual de Crédito Rural (MCR) prevê hipóteses de prorrogação diante de frustração de safra por fatores adversos, dificuldades de comercialização e problemas de fluxo de caixa decorrentes do acúmulo de perdas em safras anteriores.

De acordo com ele, a medida exige a comprovação da dificuldade temporária para pagamento, a demonstração da necessidade do alongamento e a capacidade do mutuário de cumprir a obrigação nas novas condições.

Prorrogação da dívida

A possibilidade de prorrogação também aparece na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Súmula 298 estabelece que o alongamento de dívida originada de crédito rural constitui direito do devedor quando preenchidos os requisitos legais, mas isso não significa que qualquer inadimplência gere automaticamente o direito à extensão do prazo.

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Com o aumento das propriedades levadas a leilão, Buss aponta que a análise do passivo antes do avanço da cobrança pode ampliar as alternativas disponíveis.

“A atuação nessa fase permite verificar eventual direito à prorrogação ou renegociação, revisar encargos e garantias, reunir documentos sobre perdas de safra e estruturar uma negociação com os credores antes da consolidação da garantia fiduciária, do ajuizamento da execução ou da designação do leilão”, observa o advogado.

Cobrança já em curso

Quando a cobrança judicial já começou, a avaliação passa a considerar também o título executivo, a exigibilidade da obrigação, os encargos aplicados, as garantias e a regularidade dos atos de execução e expropriação.

Para o especialista, o tratamento do endividamento precisa considerar de forma conjunta os aspectos jurídicos, financeiros, agronômicos e patrimoniais de cada produtor.

Segundo o advogado, a análise não deve ter como objetivo apenas adiar o pagamento das obrigações. “O trabalho deve buscar uma reestruturação do passivo compatível com a capacidade de pagamento e com a continuidade da atividade produtiva, observando os direitos do devedor e do credor”, conclui.

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nova regra muda corte de laranjeiras conforme nível da doença

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São Paulo adota novas regras para o corte de laranjas contaminadas pelo greening; trata-se de um controle de pragas que incide na plantação conforme a presença da doença em cada município. Nos lugares mais afetados, a eliminação somente é obrigatória às plantas que estejam infectadas e com até três anos de idade. Em locais cuja enfermidade ainda é baixa, todas as árvores devem ser cortadas.

As áreas mais impactadas são Limeira (82,1%), Porto Ferreira (72,43%) e Avaré (69,5%). Diante do levantamento mais recente do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a regulamentação tem ganhado cada vez mais relevância.

Neste ano (2026), o greening atingiu 48% das plantações de laranja do cinturão formado por São Paulo e pelo Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. Em 2025, havia uma presença de 47,63% nas lavouras. 

O crescimento (0,45) foi o menor da última década, o que significa que a disseminação do inseto se tornou morosa, permitindo ao agricultor a renovação dos pomares.

A doença ainda está presente na maior parte das árvores, tornando-se mais severa nas plantas que estão no campo. Contudo, a severidade e a letalidade de tal ocorrência subiu de 22,7% para 27%, de um ano a outro (2025-2026). Nas áreas produtivas, passou de 25,9% para 31%. Isso mostra que, apesar do avanço, parte da safra contaminada apresenta comprometimento maior da copa e da capacidade produtiva.

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Manejo

Para o CEO da GiroAgro, Leonardo Sodré, o uso de fertilizantes líquidos de alta concentração é uma das chaves para garantir a competitividade da citricultura brasileira.

“O manejo adequado por meio da utilização de fertilizantes líquidos é o ponto de partida para obter produtividade, qualidade e rentabilidade. Quando aplicados de forma eficiente, os fertilizantes melhoram o desempenho das plantas e ajudam a controlar problemas fitossanitários, garantindo frutos de excelência e fortalecendo a imagem do Brasil como líder mundial na produção de cítricos”, afirma o executivo.

Nas frutíferas com mais de dez anos, a incidência é ainda maior: de 58,43% para 63,27%. Já entre as unidades que têm entre três e cinco anos, caiu de 39,18% para 29,5%. Ou seja, o resultado é mais efetivo em pomares jovens do que nos antigos, devido à eliminação de plantas doentes e ao controle do inseto transmissor. 

A regra considera de baixa incidência os municípios cuja plantação apresente até 10% de contaminação. Sendo assim, respeitando a norma paulista, todas as árvores do recinto devem ser arrancadas, impedindo novas brotações.

Em locais cuja incidência é superior a 10%, a eliminação compulsória alcança apenas as plantas sintomáticas que chegam a três anos. Anteriormente, a obrigação se estendia a plantas de até oito anos. Isso aumentava o potencial de perdas econômicas em regiões cujos pomares já apresentavam a doença. 

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O monitoramento do inseto ainda deve ser realizado a cada 15 dias. Portanto, o agricultor ainda terá de registrar as inspeções, bem como os produtos utilizados, a dosagem e as aplicações.

E a documentação deverá estar disponível para órgão fiscal durante cinco anos. As unidades retidas da lavoura serão custeadas pelo próprio produtor, sem haver indenização pela perda.

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