Sustentabilidade
Utilização de drones agrícolas em manejos fitossanitários: uma estratégia promissora sob o olhar desconfiado do campo – MAIS SOJA

A Revolução Verde de 1940 transformou o campo por meio de inovações tecnológicas, como a adição de tratores agrícolas para realizar semeadura, manejos fitossanitários e colheita, que permitiram que os produtores pudessem aumentar a produção de suas atividades agropecuárias a patamares jamais alcançados antes. Análogo às inovações com os tratores agrícolas, os veículos aéreos não tripulados (VANTs) agrícolas vieram para somar e incrementar os ganhos do produtor rural.
Os drones, como comumente são chamados, tem como principal premissa as operações aéreas controladas remotamente (ANAC, 2023) e oportunizaram que a agricultura brasileira explorasse novas formas de realizar o trabalho no campo. Com o advento da tecnologia e sua evolução exponencial, a agricultura necessitou adaptar sua cadeia produtiva buscando produzir mais com custos otimizados (ARTIOLI; BELONI, 2016) e é nesse sentido que as novas ferramentas entram em ação fomentando as produções com novos métodos de cultivo.
O método que melhor se enquadra nesse sentido é a Agricultura de Precisão (AP), proporcionando menor impacto negativo ambiental e atendendo as necessidades da lavoura de maneira mais eficiente (OLIVEIRA et al., 2020), produzindo na mesma área uma maior produtividade, com técnicas que aumentam a eficiência dos insumos utilizados, sempre tendo as tecnologias mais avançadas como fiel aliado.
Com isso, os drones se tornaram ferramentas de notório destaque em vários aspectos dentro do meio rural, podendo ser empregado a eles a tarefa de mapeamento planialtimétrico, em que é feito um levantamento de dados planos/coordenadas do talhão a fim de dimensionar a área e o perímetro da lavoura, além de captar dados de diferentes alturas, conforme a declividade da área (CASTRO et al., 2023). Outra funcionalidade dos VANTs que também está ganhando muito espaço no meio rural é a pulverização de agrotóxicos (Figura 1).
Figura 1: Pulverização de fungicida na cultura da soja com drone, modelo T16.
A pulverização com a utilização de drones está cada vez mais ganhando apreço pelos produtores rurais, não por menos que a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) registrou um salto no número de drones registrados entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025, que foi de 674 para 7.312, um aumento de quase 10 vezes. Tal crescente apresenta-se ainda mais evidente quando se observa, na figura 2, o aumento dos registros de drones na ANAC no estado do Paraná.
Figura 2: Evolução do cadastro de drones no estado do Paraná entre 2017 e 2022.

Compreende-se, portanto, que a crescente da aquisição dos drones está muito voltada para suas eficiências laborais dentro da lavoura, corroborando com a ideologia da AP em que busca utilizar ferramentas com tecnologia empregada a fim de produzir com menores gastos e alavancando lucros com técnicas que promovam a precisão e otimização de recursos como tempo, mão de obra, insumos, depreciação, entre outros (INAMASU et al., 2014). Tal fato se comprova quando observamos pesquisas que mostram a eficiência da pulverização com VANTs (Figura 3).
Figura 3: Depósito de gotas de fungicidas na cultura da soja por diferentes volumes de aplicação realizados por drone (volumes de 4, 7 e 10 l/ha) e autopropelido (70 e 120 l/ha) pulverizadores.

No trabalho acima ficou claro perceber a capacidade do drone pulverizador em equivaler sua eficácia com o pulverizador autopropelido, visto que no referido estudo foram produzidos dados indicando que o volume de calda de pulverização do drone de 10 l/ha se equivalem à pulverização com 120 l/ha usando autopropelido na ótica da densidade de gotas, considerando o acúmulo de gotas no terço inferior da cultura da soja, mesmo ela já estando no estágio fenológico R5 (FEHR; CAVINESS, 1977), onde seu dossel está completo e fechado (RODRIGUES, 2022). O efeito downwash, que na aplicação com drone é causado pela movimentação de ar por meio das hélices, é o principal responsável por promover o contato da calda de pulverização ao terço inferior das plantas, por promover o movimento de abertura do dossel (OLIVEIRA et al., 2021).
Tabela 1: Controle de plantas daninhas após aplicação de herbicida utilizando diferentes volumes de calda com drone (4, 7 e 10 L/ha) e autopropelido (70 e 120 L/ha) pulverizadores.
* significativo pelo teste F (P < 0,05). Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem pelo teste de Tukey (P < 0,05).
ns = não significativo.
Fonte: adaptado de Rodrigues (2022).
A tabela 1 evidencia mais um trabalho comparativo acerca da eficiência de aplicação entre autopropelido e drones de pulverização, evidenciando que os VANTs pulverizadores têm qualidade de aplicação similar aos tratores de pulverização, tornando-se uma ótima alternativa para manejos de agrotóxicos dentro da lavoura. O referido estudo explica que a taxa de aplicação, ou volume de calda, de 10 l/ha realizados com drone apresentou 93% de eficiência sobre o controle de plantas daninhas no período de 28 dias após a aplicação.
Quando voltamos a atenção ao autopropelido, com uma taxa de 120 e 70 l/ha, tem-se como controle das plantas infestantes de 97% e 99% respectivamente. Desse modo, a utilização dos drones agrícolas proporciona manejos localizados com eficiência similar à aplicação com autopropelido, todavia, sem ser na área total e sim onde exige aplicação concentrada, com maior incidência de pragas, doenças ou plantas daninhas em comparação com o restante da lavoura. Diminuindo assim, desperdícios de produtos e dificultando a resistência de pragas, doenças e plantas daninhas (ARTIOLI; BELONI, 2016; RAETANO et al., 2022).
Entretanto, a aceitação dessa tecnologia de aplicação sofre resistência junto aos produtores e demais integrantes da comunidade agrícola devido ao fato da interpretação equivocada de que os drones de pulverização irão substituir aviões de pulverização e tratores autopropelidos.
Porém, fatores como o alto custo de aplicação na lavoura e a eficiência na aplicação em área total, assim como condições climáticas ímpares para a realização da aplicação com VANTs limitam e determinam a não utilização desta tecnologia para área total. Nesse sentido, é fundamental realizar mais estudos acerca da eficiência da aplicação via drone, entendendo os fatores que influenciam na aplicação de agrotóxicos, como volume de calda e densidade de gotas para averiguar a real qualidade do VANT pulverizador.
Sendo assim, é possível concluir que a aplicação realizada com drones de pulverização podem ser extremamente importantes e eficazes, respeitando sempre os limites da tecnologia e entendendo seu propósito. Entender que as aeronaves remotamente pilotadas de pulverização são mais uma ferramenta para a comunidade agrícola é de extrema importância para a evolução da tecnologia e melhoramento nas aplicações, assim como incremento no lucro do produtor.
Sobre o autor: João Francisco Fornari Viana – Acadêmico do 5º semestre do curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria, Bolsista do grupo PET Agronomia E-mail: joao04.francisco@gmail.com
Coautores: Fábio Joel Kochem Mallmann, Natália Sornberger Adam, Thiago Platero Cenedese, Tamara Trevisan

Referências bibliográficas citadas no texto
AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL (ANAC). Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT). ANACpedia. Brasília: ANAC, 2023. Disponível em: https://www2.anac.gov.br/anacpedia/por-por/tr584.htm
ARTIOLI, F.; BELONI, T. Diagnóstico do perfil do usuário de drones no agronegócio brasileiro. Revista iPecege, v. 2, n.3, p. 40-56, 2016.
ARTIOLI, J. A.; BELONI, T. Aplicações de veículos aéreos não tripulados (VANTs) na agricultura de precisão. Revista Brasileira de Agricultura de Precisão, v. 1, n. 1, p. 1–9, 2016.
CASTRO, F. R.; MALDANER, I. C.; PES, L. Z.; FARIAS, M. S.; MÜLLICH, A.; PAVÃO, L. F. S.; RUBERT, K.; GUARIENTI, V. F. Planejamento de linhas de operações agrícolas. Mapeamento Planialtimétrico. Santa Maria: Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria, 2023. Modalidade: descrição de caso técnico.
DANIEL, D. F.; DALBIANCO, A. B. Tecnologia de pulverização com drones: panorama, oportunidades, perspectivas futuras e desafios na agricultura moderna. Revista Plantio Direto Digital, 2023. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/375096302
FEHR, W.R.; CAVINESS, C.E. Stages of soybean development. Ames: Iowa State University of Science and Technology, 1977. Special Report, v. 80. GODOY, C. V. Atualizações no controle de doenças foliares na cultura da soja. Londrina: Embrapa Soja, 2015. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1010782/1/Atualizacoesnocontrolededoencasfoliaresnaculturadasoja1.pdf.
INAMASU, R. Y.; BERNARDI, A. C. C. Agricultura de precisão. In: BERNARDI, A. C. C.et al. (org.). Agricultura de precisão: resultados de um novo olhar. Brasília, DF: Embrapa,2014. p. 21-33
(PDF) AGRICULTURA DE PRECISÃO: o uso da agricultura digital no campo.
OLIVEIRA, A. J. de; SILVA, G. F. da; SILVA, G. R. da; SANTOS, A. A. C. dos; CALDEIRA, D. S. A.; VILARINHO, M. K. C.; BARELLI, M. A. A.; OLIVEIRA, T. C. de. Potencialidades da utilização de drones na agricultura de precisão. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 6, n. 9, p. 64140–64149, set. 2020. DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n9-010. Disponível em: https://brazilianjournals.com/ojs/index.php/BRJD/article/view/15976.
OLIVEIRA, V. R. de; BASSETTO FILHO, J. J.; ESTABELE, D. L.; OLIVEIRA, T. L. de; GOMES, L. R. O.; PINHO, C. A.; MATULAITIS, A. K. Y.; ADEGAS, F. S.; SOARES, R. M.; ROGGIA, S. Depósito de inseticida em diferentes estratos da planta de soja obtido na pulverização com drone. In: JORNADA ACADÊMICA DA EMBRAPA SOJA, 16., 2021, Londrina. Resumos expandidos. Londrina: Embrapa Soja, 2021. p. 157–163. (Embrapa Soja. Documentos, 440). Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1139097/1/PGS-157-163-n.pdf.
RAETANO, C. G.; SILVA, J. E. da; OLIVEIRA, R. B. de; ANTUNIASSI, U. R. Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas com drones: desafios e perspectivas. Revista Brasileira de Tecnologia Aplicada nas Ciências Agrárias, v. 15, n. 1, p. 1–10, 2022.
RODRIGUES, D.M. Controle de plantas daninhas e da ferrugem asiática na cultura da soja com VANT pulverizador. 2022. Tese (Doutorado em Agronomia) – Universidade Estadual Paulista (Unesp), Botucatu, 2022. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/250144. Acesso em: 8 fev. 2025.
Sustentabilidade
Ceema: Alta em Chicago e geopolítica impulsionam cotações da soja no Brasil – MAIS SOJA

Nestes quase 30 dias em que estivemos ausentes deste comentário, o mercado da soja registrou importante elevação das cotações em Chicago. O bushel da oleaginosa passou de US$ 12,56 no dia 27/08 para US$ 13,28 no dia 21/09, tendo recuado um pouco após esta data, para fechar a quinta-feira (24) em US$ 13,16, contra US$ 13,19 uma semana antes. Destacando que a média de agosto chegou a US$ 11,98/bushel, com aumento de 0,17% sobre a média de julho, porém, neste momento estando longe dos preços praticados.
Este forte aumento em Chicago, além das especulações climáticas sobre a safra dos EUA, vem da pressão do preço do petróleo no mercado mundial, com o mesmo tendo atingido a pouco mais de US$ 100,00/barril neste período de setembro, devido a continuidade da guerra no Oriente Médio e da piora no conflito entre Rússia e Ucrânia.
Aliás, na Europa existe um grande temor de que este último saia da região dos dois países em conflito e se espalhe pelo continente, resultando em uma guerra mais ampla e destruidora. Alguns analistas chegam a falar que o mundo estaria às portas da 3ª Guerra Mundial. Junta-se a isso a forte especulação dos Fundos em Chicago.
Dito isso, importante se faz alertar que o último relatório do USDA, sobre oferta e demanda, divulgado neste mês de setembro, não revelou perdas na futura safra de soja dos EUA cuja colheita iniciou neste mês de setembro. Ao contrário, o mesmo até aumentou a produção esperada, agora indicando uma colheita de 123,4 milhões de toneladas, com estoques finais estadunidenses em 8,4 milhões, com pequena baixa em relação a agosto. Já a produção mundial foi mantida em 442 milhões de toneladas e os estoques finais mundiais mantidos em 124 milhões. Por sua vez, mesmo com o aumento no preço mundial do petróleo, o óleo de soja, após atingir a 71,28 centavos de dólar por libra-peso no dia 10/09, recuou para 66,82 centavos no dia 24/09, sendo esta a quarta mais baixa cotação desde o dia 30 de junho em Chicago.
Por sua vez, o farelo se manteve firme, atingindo a US$ 375,20/tonelada curta no dia 24/09, a mais alta cotação desde o dia 11 de julho de 2024. Enfim, lembrar que os Fundos estão muito comprados em Chicago devendo, assim que a ocasião se apresentar, iniciar um movimento mais amplo de correção, vendendo contratos, fato que pode pressionar para baixo as cotações dependendo da intensidade do movimento.
Por outro lado, os embarques de soja, pelos EUA, na semana encerrada em 17/09, chegaram a 759.200 toneladas, superando levemente as expectativas do mercado. Na comparação anual, o desempenho também foi superior, já que na mesma semana de 2025 haviam sido embarcadas 565.600 toneladas, o que representa crescimento de aproximadamente 34%. A China respondeu por 59% destes embarques.
Enquanto isso, a colheita da soja nos EUA atingia a 12% da área no dia 20/09, contra 8% na média histórica. De forma mais conjuntural, nesta semana os preços brasileiros da soja se mantiveram firmes, em alta. No Rio Grande do Sul, onde muitas praças estão sem cotação, a média semanal atingiu a R$ 141,72/saco. No final de agosto esta média estava em R$ 131,38. Ou seja, no período o saco de soja ganhou pouco mais de 10 reais junto ao produtor gaúcho. Nas demais praças nacionais o produto oscilou entre R$ 139,00 e R$ 145,00/saco. Um mês atrás os valores ficavam entre R$ 130,00 e R$ 140,00/saco. Ou seja, um aumento entre 5 e 9 reais por saco no período, dependendo da região do país. Auxiliou para isso a boa demanda pelo produto nacional, a relativa escassez do mesmo agora na entressafra, fato que elevou o prêmio nos portos (US$ 1,85/bushel para setembro, em Paranaguá), e a manutenção de um câmbio ao redor de R$ 5,15 por dólar.
No front externo, o mercado olha os resultados da nova reunião entre os presidentes da China e dos EUA. Xi Jinping chegou nesta quinta-feira (24) à capital norteamericana. Dentre os assuntos em discussão, existe a possibilidade de aumento nas compras de soja estadunidense pela China, fato que fortalece Chicago. Já no front interno, destaque para o início do plantio da nova safra de soja no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. No conjunto do país, 0,5% da área esperada havia sido semeada até o dia 18/09. Vale lembrar que no Mato Grosso, no momento, há umidade insuficiente no solo para um plantio adequado.
Enfim, embora os preços tenham perdido um pouco de fôlego nestes últimos dias, o produto posto nos portos segue com preços firmes. Para a soja disponível os mesmos seguem acima dos R$ 160,00/saco, enquanto a soja da safra 2026/27 continua trabalhando acima dos R$ 150,00 nos portos (R$ 155,00 para entrega em fevereiro e pagamento em abril, e R$ 151,00 para entrega em março, também com pagamento em abril).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Sustentabilidade
Como ficaram as cotações da soja no fim desta semana? Saiba os preços por região

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com poucas alterações nesta sexta-feira (25), em um ambiente de baixa movimentação e poucas ofertas. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que algumas praças do mercado interno registraram recuo nos preços, com certo alívio nos basis locais.
Nos portos, o cenário permaneceu parado, sem reporte de movimentos firmes. Segundo Silveira, o quadro geral foi de poucas ofertas e de um mercado bastante travado, situação que também predominou ao longo da semana.
Na Bolsa de Chicago, a sessão foi marcada por bastante volatilidade, com o mercado encerrando com leves ganhos no spot. O dólar atingiu bons níveis ao longo do dia e ajudou a segurar os movimentos de queda registrados em tela.
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): manteve em R$ 156,00
- Santa Rosa (RS): manteve em R$ 157,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 151,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
- Dourados (MS): subiu de R$ 147,50 para R$ 148,00
- Rio Verde (GO): desceu de R$ 148,00 para R$ 147,00
Nos portos, em Paranaguá (PR), a saca seguiu em R$ 162,00. Em Rio Grande (RS), as referências não saíram de R$ 164,00.
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em leve alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta sexta-feira (25). Após operar em baixa durante parte da sessão, o mercado reverteu o movimento, enquanto os participantes seguem à espera de detalhes dos acordos comerciais entre Estados Unidos e China após a cúpula realizada na quinta-feira (24).
Embora o governo dos Estados Unidos tenha informado que acordos comerciais foram firmados para determinados produtos, os detalhes serão divulgados apenas na segunda-feira. A aguardada cúpula entre os dois países, até o momento, não resultou em novos compromissos chineses para compras de produtos agrícolas norte-americanos.
A queda do petróleo pressionou as cotações durante a sessão. Os preços recuaram diante de notícias sobre possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã para uma reabertura gradual do Estreito de Ormuz, após o barril superar US$ 108 na sessão anterior.
Em sentido contrário, as chuvas persistentes no Meio-Oeste dos Estados Unidos atrasam o início da colheita em algumas regiões e restringem a oferta disponível para processamento.
Contratos futuros da soja
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 2,25 centavos de dólar ou 0,17%, a US$ 13,19 3/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,32 3/4 por bushel, com avanço de 1,00 centavo de dólar ou 0,07%.
Na semana, a posição novembro/26 registrou ganho acumulado de 1,25%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 1,80 ou 0,48%, a US$ 370,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 67,84 centavos de dólar, com ganho de 0,29 centavo ou 0,42%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,17%, sendo negociado a R$ 5,1847 para venda e a R$ 5,1827 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1732 e a máxima de R$ 5,2137. Na semana, o dólar acumulou alta de 0,72% ante o real.
Sustentabilidade
Ceema: Quebra de safra, problemas de qualidade e importações aquecem o mercado do Trigo – MAIS SOJA

Após disparar no final de agosto e início de setembro, quando o bushel atingiu a US$ 7,64 no dia 1º do corrente mês, a cotação do trigo, em Chicago, cedeu bastante, fechando a quinta-feira (24) em US$ 7,05, contra US$ 7,27 uma semana antes. A média de agosto ficou em US$ 6,76/bushel, ganhando 4,3% sobre a média de julho.
Apesar dos conflitos bélicos, especialmente entre Rússia e Ucrânia, o mercado do trigo cedeu, e vem oscilando em patamares menores nesta segunda quinzena de setembro. Enquanto isso, o plantio do trigo de inverno, nos EUA, chegava a 17% da área esperada no dia 20/09, contra 21% na média histórica. Já o trigo de primavera estava com 96% de sua área colhida relativa a última safra.
Quanto às exportações, na semana encerrada em 17/09 as mesmas atingiram a 335.300 toneladas nos EUA, ficando dentro das expectativas do mercado. Importante lembrar que o relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado em 11/09, manteve uma safra reduzida de trigo nos EUA, com 41,7 milhões de toneladas e estoques finais, para 2026/27, em 19,5 milhões. No ano anterior a colheita e os estoques atingiram, respectivamente, 54 e 25 milhões de toneladas. Ou seja, a atual produção estadunidense é 22,8% menor do que a do ano anterior, enquanto os estoques finais são 22% menores. Já a produção mundial somaria 822,4 milhões de toneladas, ficando 22 milhões de toneladas menor do que a registrada no ano anterior. E no Brasil os preços subiram, com o cereal atingindo a média de R$ 71,94/saco no Rio Grande do Sul, enquanto no Paraná o produto atingiu valores entre R$ 79,00 e R$ 82,00/saco.
As condições das lavouras paranaenses pioraram diante das geadas tardias e do excesso de chuvas dos últimos dias. Com 46% da área colhida, apenas 64% das lavouras restantes se apresentavam em boas condições. O produto colhido apresenta baixa qualidade industrial, na maioria dos casos, enquanto a produtividade média está em recuo. Em termos gerais, aumenta a presença de trigo tipos 2 e 3, enquanto o produto de qualidade superior, tipo 1, está com menor disponibilidade.
No Rio Grande do Sul a colheita ainda está distante, com apenas 1% da área realizada, e as constantes e significativas chuvas, acompanhadas de granizo e ventos fortes, vêm causando estragos nas lavouras. Nesta safra, o Estado gaúcho plantou 814.000 hectares com trigo, uma queda de 30% em relação ao ano anterior, e projeta uma produção quase 40% menor, estimada em cerca de 2 milhões de toneladas.
Assim, a disponibilidade de trigo será ainda menor no Brasil, após o forte recuo na área semeada. Isso eleva o preço interno do cereal e obriga o país a importar mais no ano comercial 2026/27. “A desuniformidade no desenvolvimento das lavouras é uma das marcas da atual safra gaúcha”. Afora tudo isso, as lavouras do sul do país está sendo atacadas por diferentes doenças, especialmente oídio e giberela.
Por enquanto, a Conab ainda projeta uma safra nacional de 5,7 milhões de toneladas (recuo de 27,1% sobre o ano anterior), porém, a qualidade do produto será baixa em grande parte das áreas colhidas. Com isso, as importações nacionais de trigo devem ficar entre 7 e 8 milhões de toneladas. Boa parte deverá vir da Argentina, porém, a dificuldade de produção em outras regiões do mundo tende a aumentar a concorrência pelo trigo do vizinho país.
Em tal contexto, para o produtor, “em um cenário de menor disponibilidade de trigo tipo 1, lotes que mantenham PH, força de glúten e demais parâmetros exigidos pela indústria podem encontrar valorização relativa, enquanto grãos de classificação inferior ficam mais expostos a descontos. Já para os moinhos, a questão será inversa: saber quanto da safra doméstica poderá efetivamente entrar na produção de farinha e quanto precisará ser substituído por produto argentino ou de outras origens” (cf. Cepea).
Enfim, se por um lado a safra menor sustenta as cotações, por outro lado será a qualidade do produto que definirá quem conseguirá aproveitar esse movimento. Em 2026, produzir trigo não será suficiente: os ganhos ficarão com quem conseguir entregar o grão exigido pela indústria.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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