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Produção de alimentos em risco? Confira no Radar Rural desta semana

O agronegócio brasileiro enfrenta uma combinação de desafios que vão da transição energética às condições climáticas e ao cenário geopolítico, com efeitos diretos na produção de alimentos. Os temas foram discutidos no novo episódio do Radar Rural, que já está disponível.
Confira aqui:
O Radar Rural é publicado no Youtube do Canal Rural às sextas-feiras, a partir das 15h. Na grade de TV, é exibido aos sábados, às 09h15, com reprise às segundas-feiras, às 11h30
Biocombustíveis: potencial e entraves
O Brasil tem espaço para ampliar a produção de biocombustíveis, com destaque para o biodiesel à base de soja. Apesar do avanço da produção de grãos, apenas uma parcela ainda limitada é destinada ao setor energético.
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A avaliação de representantes da indústria indica que o país tem capacidade para elevar a mistura de biodiesel ao diesel, mas enfrenta entraves ligados à execução de políticas públicas. A falta de infraestrutura e de ações práticas para implementar a lei dos combustíveis do futuro é apontada como um dos principais gargalos.
Além da agenda ambiental, o avanço dos biocombustíveis também é visto como estratégico para reduzir a dependência externa de diesel.
Calor extremo ameaça produção
Um novo relatório internacional acende alerta para os efeitos das altas temperaturas no campo. O estudo aponta que o estresse térmico já provoca perdas relevantes na produção agrícola e impactos na pecuária.
Entre os principais efeitos estão queda de produtividade em culturas como soja e milho, problemas no desenvolvimento de lavouras e redução no desempenho dos rebanhos. O calor prolongado também eleva custos, especialmente com energia e manejo.
O documento ainda destaca medidas de adaptação, como integração de sistemas produtivos, manejo de solo, uso de irrigação e desenvolvimento de cultivares mais resistentes.
Guerra pressiona fertilizantes
No mercado internacional, a escalada de tensões no Oriente Médio adiciona incertezas ao custo dos fertilizantes. Relatórios de consultorias indicam pressão sobre preços, com destaque para os nitrogenados.
O cenário afeta diretamente o planejamento do produtor, especialmente diante da perda de janelas mais favoráveis de compra. Com isso, os custos de produção tendem a subir, com reflexos na inflação dos alimentos.
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IBGE estima safra de 2026 em 352,9 milhões de toneladas

A safra agrícola de 2026 deve totalizar 352,9 milhões de toneladas, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (15), no Rio. O volume representa acréscimo de 6,8 milhões de toneladas sobre 2025, alta de 2%. A área a ser colhida foi estimada em 83,1 milhões de hectares, crescimento de 1,8% na comparação anual.
Na comparação com a estimativa mensal, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas recuou 81.416 toneladas em relação a julho de 2026. A área a ser colhida também apresentou ajuste, com declínio de 17.303 hectares frente ao mês anterior.
Soja, milho e arroz concentram a maior parte do resultado. Os três produtos responderam por 92,9% da estimativa de produção e por 87,4% da área a ser colhida. Para a soja, a projeção é de 174,8 milhões de toneladas. O milho foi estimado em 141,8 milhões de toneladas, sendo 29,7 milhões de toneladas na primeira safra e 112,1 milhões de toneladas na segunda safra.
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O IBGE estimou ainda a produção de arroz em casca em 11,2 milhões de toneladas, trigo em 6,3 milhões de toneladas, algodão herbáceo em caroço em 9,2 milhões de toneladas e sorgo em 5,8 milhões de toneladas.
Na comparação com 2025, houve acréscimo de 5,3% para a soja e de 8,1% para o sorgo. Já algodão herbáceo em caroço, arroz em casca, feijão e trigo apresentaram recuo de 6,7%, 11,2%, 6,6% e 18,9%, respectivamente. Para o milho, o avanço foi de 0,1%, com alta de 15,5% na primeira safra e queda de 3,4% na segunda.
Regionalmente, o Centro-Oeste concentra 178 milhões de toneladas, o equivalente a 50,4% da produção nacional. Em seguida aparecem Sul, com 91,8 milhões de toneladas; Sudeste, com 31,1 milhões; Nordeste, com 29,8 milhões; e Norte, com 22,3 milhões de toneladas.
Entre os estados, Mato Grosso lidera a produção nacional de grãos, com participação de 32,1%, seguido por Paraná (13,4%), Rio Grande do Sul (10,5%), Goiás (9,6%), Mato Grosso do Sul (8,5%) e Minas Gerais (5,5%). Juntos, esses estados representam 79,6% do total estimado pelo IBGE para a safra de 2026.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Colheita do milho de segunda safra chega a 98,1% no Brasil, diz Conab

A colheita do milho de segunda safra no Brasil alcançou 98,1% da área semeada em 2025/26 até sexta-feira (11), informou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em boletim semanal de progresso de safra divulgado nesta terça-feira (15). O avanço foi de 1,5 ponto porcentual sobre a semana anterior. Na comparação anual, os trabalhos seguem levemente atrasados, mas permanecem acima da média dos últimos cinco anos.
No mesmo período da safra 2024/26, 99,1% da área já havia sido colhida. A média dos últimos cinco anos é de 97,9%. Entre os estados que ainda concentram os trabalhos de campo, Mato Grosso do Sul tinha 98% da área colhida, Minas Gerais 97% e Paraná 93%.
No algodão 2025/26, a colheita chegou a 95,6% da área semeada no País, com avanço de 6,2 pontos porcentuais em uma semana. Em relação ao mesmo período da safra passada, o ritmo está 1 ponto porcentual abaixo. Frente à média de cinco anos, de 97,6%, o atraso é de dois pontos porcentuais. Goiás havia colhido 99,8% da área, Mato Grosso 99,2%, Minas Gerais 90% e Bahia 83%.
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Para o trigo da safra 2026, a colheita atingiu 18% da área, avanço de 6,5 pontos porcentuais na semana. No mesmo momento da safra 2025, o índice era de 13,8%. A média dos últimos cinco anos é de 16,5%. Entre os principais produtores, o Paraná havia colhido 20%, enquanto o Rio Grande do Sul ainda não havia iniciado os trabalhos.
A Conab também informou avanço no plantio do milho verão 2026/27, que chegou a 17,6% da área, alta semanal de 6,6 pontos porcentuais. No mesmo período da safra passada, o índice era de 14,7%, acima também da média de cinco anos, de 14,4%. O Rio Grande do Sul liderava com 54% da área semeada, seguido por Paraná, com 34%, e Santa Catarina, com 21,7%.
Na nova safra de arroz, a semeadura alcançou 3,9% da área prevista, avanço de 2,5 pontos porcentuais na semana. No feijão de primeira safra 2026/27, o plantio chegou a 6% da área, alta de 1,2 ponto porcentual frente à semana anterior.
Os dados da Conab mostram fase final da colheita do milho de segunda safra e do algodão no País, avanço inicial da colheita do trigo e evolução do plantio de milho verão, arroz e feijão na temporada 2026/27.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Agro Mato Grosso
MT aposta em tecnologia para proteger mercado bilionário da madeira legal

A madeira produzida em Mato Grosso pode estar prestes a entrar em uma nova era de controle, rastreabilidade e reconhecimento internacional. Um projeto considerado pioneiro no Brasil foi apresentado pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (CIPEM) ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) com o objetivo de aprimorar a identificação de espécies florestais e ampliar a segurança jurídica para toda a cadeia produtiva.
A proposta ganha relevância especialmente para municípios do Norte de Mato Grosso, região que concentra parte importante da atividade florestal sustentável do estado e abriga polos madeireiros estratégicos em cidades como Sinop, Alta Floresta, Colíder, Marcelândia, Itaúba, Nova Bandeirantes e Paranaíta.
O projeto tem como foco três das espécies mais valorizadas do mercado internacional: Ipê, Cumaru e Cedro-Rosa. Todas estão incluídas no Anexo II da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), exigindo controles cada vez mais rigorosos para exportação.
A iniciativa surge em um momento decisivo para o setor florestal mato-grossense, que busca atender às exigências da Instrução Normativa nº 28/2024 do Ibama e, ao mesmo tempo, ampliar a competitividade da madeira legal produzida no estado.

Xilotecas devem reforçar identificação das espécies
Entre as principais medidas previstas está a implantação de dois postos avançados equipados com xilotecas, estruturas que funcionam como verdadeiras bibliotecas de madeira.
Nesses espaços serão armazenadas amostras de referência que permitirão análises anatômicas detalhadas, ajudando a diferenciar espécies semelhantes e reduzindo riscos de erros na identificação dos produtos florestais.
Além disso, o projeto prevê a capacitação de profissionais responsáveis pela identificação técnica das espécies utilizadas na cadeia produtiva.
A coordenação científica ficará sob responsabilidade da professora Marcela Gomes, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), por meio dos campi de Alta Floresta e Sinop.
A participação das instituições de ensino superior é considerada estratégica para garantir embasamento científico ao processo e aproximar pesquisa acadêmica das demandas do setor produtivo.
Norte de Mato Grosso no centro das discussões
O fortalecimento dos mecanismos de rastreabilidade pode gerar impactos diretos para empresas instaladas no Nortão, região que tem papel fundamental na economia florestal mato-grossense.
Com mercados internacionais cada vez mais exigentes, a comprovação da origem legal da madeira tornou-se um diferencial competitivo. Países importadores têm ampliado as exigências ambientais e cobrado documentação detalhada sobre toda a cadeia de produção.
Nesse cenário, sistemas mais eficientes de identificação podem facilitar exportações, reduzir questionamentos comerciais e aumentar a confiança dos compradores estrangeiros.
Para o presidente do CIPEM, Gleisson Omar Tagliari, o objetivo é garantir mais segurança para quem atua dentro da legalidade.
Segundo ele, o diálogo entre setor produtivo e órgãos fiscalizadores é essencial para evitar falhas que possam comprometer a reputação da produção florestal mato-grossense.
Ibama vê avanço técnico como caminho para sustentabilidade
Durante a apresentação do projeto, representantes do Ibama destacaram a importância do avanço tecnológico na identificação das espécies.
O coordenador-geral de Gestão e Monitoramento do Uso da Flora do órgão, Allan Valezi, avaliou que a iniciativa está alinhada às exigências internacionais e pode contribuir para a preservação das espécies ao longo dos próximos ciclos de manejo.
A expectativa é que métodos mais precisos permitam maior controle sobre a exploração florestal sustentável, fortalecendo tanto a conservação ambiental quanto a geração de renda.
O Ibama informou que a proposta será analisada internamente antes da definição dos próximos passos para uma possível parceria institucional.
Madeira legal movimenta empregos e renda
A atividade florestal é uma das mais importantes para diversos municípios do Norte de Mato Grosso. Além da geração de empregos diretos e indiretos, o setor movimenta transporte, serviços, tecnologia e exportações.
Nos últimos anos, a busca por madeira de origem comprovada ganhou força nos mercados internacionais, especialmente na Europa, América do Norte e Ásia.
Com a adoção de ferramentas mais modernas de rastreabilidade, Mato Grosso busca consolidar sua posição como referência nacional em manejo florestal sustentável.
Caso o projeto avance, o estado poderá se tornar modelo para outras regiões produtoras do país, unindo tecnologia, ciência e controle ambiental em favor de uma cadeia produtiva cada vez mais transparente e competitiva.
Para o setor florestal mato-grossense, a iniciativa representa mais do que uma adequação às normas. É uma oportunidade de fortalecer a imagem da madeira legal produzida na Amazônia e abrir novas portas para o mercado internacional.
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