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Redução das chuvas em abril eleva risco de perda para culturas de 2ª safra, diz Inmet

A perspectiva de redução das chuvas ao longo deste mês eleva o risco de perda para culturas de segunda safra no Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, prevê o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Em nota, o instituto afirma que, com o início do outono, a preocupação nas áreas centrais do Brasil passa a ser o período final da estação chuvosa com a transição para a seca. “Essa mudança no regime de precipitação afeta diretamente as culturas agrícolas de segunda safra, como algodão, feijão e milho”, observou o Inmet.
De acordo com o instituto, o plantio das culturas de segunda safra foi atrasado e fora da janela ideal em Estados como Goiás e Minas Gerais em virtude de chuvas no momento da semeadura. Com o ciclo atrasado, as lavouras encontram-se entre as fases vegetativa e reprodutiva, período em que há maior demanda por água nas plantas, o que eleva a sensibilidade das culturas ao estresse hídrico, segundo o Inmet.
“Até o momento, o desenvolvimento das culturas tem sido favorecido por chuvas frequentes e temperaturas próximas do normal. No entanto, a preocupação aumenta devido à previsão de redução das chuvas a partir da segunda quinzena de abril”, prevê o instituto.
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Goiás e Minas Gerais devem ter chuvas abaixo do histórico
Em áreas de Goiás e Minas Gerais, o acumulado de chuvas em abril deve ficar abaixo do histórico observado para o mês com maior restrição hídrica, projeta o Inmet. Já as temperaturas devem permanecer elevadas, entre 26ºC e 34ºC. “Este cenário de baixos acumulados de chuva, associado a temperaturas do ar elevadas e à baixa umidade relativa, impõe restrições ao desenvolvimento das culturas de milho, feijão e algodão na região”, alerta o instituto em nota.
No milho de segunda safra, o estresse hídrico pode prejudicar o desenvolvimento da cultura com impactos na formação de espigas e no número de grãos, de acordo com o Inmet. Para o feijão, os efeitos podem resultar em queda de produtividade. Já no algodão, a diminuição antecipada das chuvas tende a reduzir o número de maçãs por planta e o potencial produtivo das lavouras, aponta o instituto.
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Colheita de café avança no Brasil, mas segue abaixo do ritmo histórico

Os trabalhos de colheita de café no Brasil ganharam ritmo nas últimas semanas, mas ainda seguem atrasados em comparação com anos anteriores. De acordo com levantamento da Safras & Mercado, até o dia 2 de junho, 23% da safra brasileira de café 2026/27 havia sido colhida.
O percentual representa avanço de 7 pontos percentuais em relação à semana anterior. Apesar da evolução, o desempenho permanece abaixo dos 28% registrados no mesmo período de 2025 e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 27%.
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A colheita do café canéfora (conilon e robusta) alcançou 34% da produção estimada, também abaixo do observado no ano passado e da média histórica para o período, ambos em 40%. Em Rondônia, principal estado produtor de robusta, os trabalhos avançam de forma acelerada e já atingem 67% da safra, superando 70% em algumas localidades.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach, embora o ritmo seja intenso, há preocupações relacionadas à qualidade dos grãos. Entre os problemas relatados estão maior incidência de defeitos, presença de broca e necessidade de mais tempo para secagem do café.
No Espírito Santo, a colheita do conilon também avança, mas continua atrasada. Cerca de 30% da safra foi colhida até o início de junho. O analista observa que o rendimento das lavouras apresentou alguma melhora, embora permaneça abaixo das expectativas iniciais, mantendo a atenção do mercado voltada para o desenvolvimento da temporada.
Já no café arábica, a colheita alcançou 17% da produção, contra 21% registrados no mesmo período do ano passado. O percentual também fica abaixo da média dos últimos cinco anos, de 20%. Apesar do atraso, a avaliação inicial da nova safra é positiva. A disponibilidade de café novo nas praças de comercialização ainda é limitada, mas vem aumentando gradualmente à medida que os trabalhos de campo avançam.
Com informações são da Safras & Mercado.
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O Brasil precisa voltar a discutir estoques públicos de alimentos

Durante muito tempo, falar em estoque público de alimentos parecia assunto ultrapassado. O Brasil produzia bem, exportava cada vez mais e a sensação era de que sempre haveria comida suficiente. Mas o cenário mudou.
Hoje, muitos produtores rurais estão reduzindo o uso de fertilizantes simplesmente porque o crédito não chega mais com facilidade. Em várias regiões, o agricultor já faz conta para decidir onde cortar custo e sobreviver à próxima safra. E quando o campo reduz investimento em adubação, tecnologia e manejo, normalmente a consequência aparece depois: produtividade menor e maior risco de quebra.
Isso acontece justamente em um momento delicado para a agricultura mundial.
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Com El Niño ou sem El Niño, os eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção. Secas prolongadas, excesso de chuva, geadas fora de época e ondas de calor estão afetando safras em várias partes do mundo. A previsibilidade climática, tão importante para quem produz alimentos, ficou muito menor.
Ao mesmo tempo, guerras continuam pressionando energia, fertilizantes, logística e custos globais. Basta lembrar o que aconteceu nos últimos anos para perceber como rapidamente o abastecimento pode entrar em tensão quando há conflito internacional ou crise econômica.
Existe ainda outro ponto que pouca gente gosta de discutir, mas que precisa ser encarado com seriedade. Diversos cientistas e organismos internacionais alertam que uma nova pandemia global pode surgir a qualquer momento. A pandemia da COVID-19 deixou claro como cadeias de abastecimento podem ser interrompidas em poucos dias.
Diante desse cenário, o Brasil precisa voltar a discutir segurança alimentar de forma prática e estratégica.
E isso inclui a retomada de estoques públicos de alimentos.
Não se trata de interferir no mercado ou substituir a iniciativa privada. Trata-se de criar mecanismos mínimos de proteção para momentos de crise, evitando desabastecimento, explosões de preços e insegurança alimentar.
Grandes países fazem isso há décadas.
A China mantém enormes estoques estratégicos. A Índia trabalha fortemente com armazenamento público para garantir abastecimento interno. Os Estados Unidos possuem políticas permanentes de proteção agrícola e alimentar. Nenhuma potência trata comida apenas como mercadoria comum.
O Brasil, apesar de ser uma das maiores potências agrícolas do planeta, abandonou boa parte dessa discussão.
E existe um detalhe importante: produzir muito não significa automaticamente garantir abastecimento estável. Sem planejamento estratégico, até países altamente produtivos ficam vulneráveis a choques climáticos, crises econômicas ou problemas logísticos.
Por isso, talvez tenha chegado a hora de recolocar o tema no centro do debate nacional.
Discutir estoques reguladores modernos, transparentes e técnicos para alimentos essenciais como arroz, feijão, milho e trigo não é retrocesso. É prudência.
Porque o mundo está ficando mais instável.
E segurança alimentar não é apenas uma pauta do agro. É uma questão de soberania nacional.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Estudo analisa seguro rural em 7 países e traz dicas de modelos ao Brasil

Um novo estudo do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), do FGV Agro, analisa os sistemas de seguro rurais em sete países: Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru.
Os resultados mostram que embora todos reconheçam a importância da ferramenta para mitigar as perdas climáticas e estabilizar as rendas agrícolas, existem diferenças substanciais nos modelos operacionais de cada nação analisada.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o programa federal combina operação privada, forte subsídio ao prêmio, custeio administrativo e suporte público ao resseguro. O resultado é uma cobertura próxima de 90% da área das principais culturas.
Já na Espanha, o sistema se apoia em parceria público-privada. Para o OCSR, essa governança compartilhada demonstra que a previsibilidade institucional e a coordenação entre Estado, seguradoras e produtores são tão importantes quanto o volume do subsídio financeiro.
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A Índia, por sua vez, foca na inclusão com intensa intervenção estatal, assumindo a maior parte do prêmio. O programa atinge fortemente pequenos agricultores, embora enfrente alta complexidade operacional. Em contrapartida, o Observatório aponta que modelos com menor apoio mostram fortes fragilidades sistêmicas.
No México, a retirada dos subsídios reduziu a área segurada de mais de 50% para cerca de 16%, colapsando o sistema.
A Argentina conta com um mercado privado focado em granizo, o que resulta em baixa penetração de seguros multirrisco e severa dependência de ações emergenciais pelo governo pós-desastre.
Veja o resumo de todos os países analisados na tabela abaixo:

De acordo com os autores do estudo e pesquisadores do OCSR do FGV Agro, Renato Buranello e Anna Cortelin, o seguro rural tende a se fortalecer quando integrado como política pública estruturada.
“O seguro rural é um instrumento estratégico viável e valioso, desde que apoiado e bem desenhado. Os países que hoje colhem os benefícios da ampla cobertura securitária no campo, investiram nisso ao longo de décadas, aprendendo com os seus erros e aprimorando seus modelos”, declaram.
Segundo eles, para o Brasil fica a recomendação de que é preciso desenvolver um marco institucional claro; garantir apoio orçamentário compatível, envolver seguradoras privadas e agricultores na solução; começar cobrindo os riscos catastróficos-chave e públicos prioritários (pequenos agricultores) e expandir gradualmente.
“O seguro rural não evita desastres, mas mitiga seus impactos, permitindo que a agricultura seja mais resiliente e sustentável diante dos atuais desafios climáticos e do mercado”, concluem.
Lição ao Brasil
O estudo considera que a principal lição global é que o Brasil não deve opor Estado e mercado, mas coordenar suas funções.
“O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é o instrumento adequado para induzir a transferência de risco às seguradoras e resseguradoras, enquanto o Proagro cumpre uma função pública vital vinculada ao crédito, especialmente para pequenos produtores. O desafio é alinhar esses instrumentos para evitar sobreposições e alta pressão fiscal”, dizem os autores.
O estudo considera que, para funcionar, o PSR precisa urgentemente de previsibilidade orçamentária, já que sem um calendário financeiro estável de liberação de recursos, a instabilidade encarece a operação e impede a consolidação do mercado.
“O Proagro, por sua vez, deve ser uma camada pública bem focalizada, sustentada por bases técnicas como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).”
Além disso, o estudo considera ser indispensável a estruturação de uma camada catastrófica, a exemplo do uso do Fundo de Estabilidade do Seguro Rural. “Sem isso, o sistema continuará oscilando entre falta de subvenção em anos normais e um forte impacto aos cofres públicos durante grandes desastres climáticos.”
O estudo completo pode ser acessado aqui.
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