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Guerra eleva custos e pode esfriar o mercado, diz pesquisador do Cepea

O avanço do conflito no Oriente Médio segue no radar do agronegócio. A expectativa por uma negociação entre Estados Unidos e Irã ainda é incerta, enquanto o impacto já aparece nos custos de produção no Brasil.
No Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, o tráfego de navios segue limitado e sob controle iraniano. O cenário pressiona as cotações do petróleo e, na sequência, encarece insumos estratégicos, como fertilizantes e diesel.
Fertilizantes sob pressão
Com o Brasil dependente da importação de cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, o repasse da alta internacional já começa a aparecer no mercado interno.
Um levantamento do Cepea mostra que, desde o início do conflito:
- A ureia subiu 21% em Mato Grosso e 20,7% no Paraná;
- O MAP (fosfato monoamônico) avançou 7,3% em Mato Grosso e 13,7% no Paraná;
- O cloreto de potássio (KCl) teve alta de 2,9% em Mato Grosso, enquanto no Paraná, houve leve recuo de 0,9%.
Apesar disso, os preços ainda não refletem totalmente o movimento do mercado global.
Impacto varia entre culturas
Segundo o pesquisador do Cepea, Mauro Osaki, o efeito dos fertilizantes não é uniforme entre as culturas. No caso da soja, o impacto tende a ser menor. “A cultura não é grande demandante de nitrogenados, devido à fixação biológica de nitrogênio”, explica.
Por outro lado, culturas como milho, arroz, feijão e cana-de-açúcar dependem mais desses insumos e devem sentir com mais intensidade a alta de custos.
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Diesel encarece produção
Além dos fertilizantes, o diesel também entra na conta e pressiona o custo operacional no campo.
Diferentemente de 2022, quando a guerra entre Rússia e Ucrânia elevou os preços das commodities, o cenário atual traz uma preocupação adicional: os produtos agrícolas não acompanham a alta dos insumos.
“O produto agrícola não está reagindo, e o poder de compra do produtor fica prejudicado”, afirma Osaki.
Com isso, o pesquisador explica que a tendência é de um mercado mais cauteloso, com produtores adiando compras e buscando racionalizar o uso de insumos para manter a produtividade.
Menos investimento e risco de inflação
Diante das margens mais apertadas, a avaliação é que o produtor pode reduzir investimentos e até o ritmo de produção na próxima safra. Segundo Osaki, esse movimento pode ter reflexos mais amplos na economia.
“Pode haver redução de oferta e, lá na frente, pressão sobre preços, o que impacta a inflação e dificulta a queda dos juros”, alerta.
Dependência externa preocupa
A vulnerabilidade brasileira fica ainda mais evidente diante da concentração global na oferta de fertilizantes.
No caso do potássio, por exemplo, o mercado é dominado por poucos países, como Canadá, Rússia e Bielorrússia. Embora o Brasil tenha reservas, a exploração enfrenta entraves, principalmente por estar em áreas sensíveis da região amazônica.
Já no fosfato, há produção nacional, mas com qualidade inferior à de regiões como o Norte da África, o que reduz a competitividade.
“O custo de produção no Brasil precisa ser mais baixo que o dos concorrentes, e isso não tem acontecido”, aponta Osaki.
Bioinsumos ainda não substituem químicos
Apesar do avanço dos bioinsumos, eles ainda não são capazes de substituir integralmente os fertilizantes químicos.
Segundo Osaki, o uso atual é complementar. “É uma transição tecnológica. Ainda não conseguimos, com a tecnologia disponível, substituir totalmente os químicos”, explica.
A tendência, no entanto, é de crescimento gradual desse mercado, especialmente no Brasil, que já tem uso em larga escala.
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Centro-Sul moe 40,06 milhões de toneladas de cana na 2ª quinzena de abril

As usinas do Centro-Sul processaram 40,062 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na segunda quinzena de abril da safra 2026/27, informou a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) nesta quarta-feira (27). O volume supera em 123,12% as 17,956 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior. No intervalo, também avançaram a produção de açúcar, a fabricação de etanol e a qualidade da matéria-prima medida em Açúcares Totais Recuperáveis (ATR).
Segundo o levantamento quinzenal da Unica, 38 unidades produtoras reiniciaram as operações na segunda metade de abril, elevando para 238 o total de unidades em atividade no Centro-Sul. Desse número, 219 usinas processavam cana, dez empresas produziam etanol de milho e nove eram usinas flex. No mesmo período da safra 2025/26, estavam operando 226 unidades.
A qualidade da matéria-prima também mostrou melhora. O ATR atingiu 116,89 quilos por tonelada de cana, alta de 6,34% na comparação anual. Esse indicador é acompanhado pelo setor porque influencia o rendimento industrial e a definição do mix entre açúcar e etanol.
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Na segunda quinzena de abril, a produção de açúcar somou 1,800 milhão de toneladas, avanço de 109,48% sobre igual período da safra passada. Já a fabricação de etanol alcançou 2,039 bilhões de litros, crescimento de 105,85%. Desse total, 1,410 bilhão de litros corresponderam ao etanol hidratado, com alta de 100,61%, e 628,64 milhões de litros ao etanol anidro, com avanço de 118,66%.
A destinação da cana manteve maior participação do biocombustível. Na quinzena, 59,66% da matéria-prima processada foi direcionada à produção de etanol, ante 54,31% no mesmo intervalo do ciclo anterior. Do volume total de etanol fabricado, 392,48 milhões de litros vieram do milho, participação de 19,25% e alta de 9,37% em relação a um ano antes.
Os dados indicam uma entrada mais acelerada das usinas na safra 2026/27, com expansão simultânea da moagem e da oferta de derivados. Ainda não foram apresentados, no conteúdo disponível, dados consolidados de comercialização ou preços para medir o efeito imediato sobre o mercado.
O acompanhamento das próximas quinzenas será determinante para avaliar se o ritmo de moagem, o mix voltado ao etanol e o avanço do etanol de milho serão mantidos ao longo da safra 2026/27, conforme os relatórios da Unica.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Embrapa Soja abre inscrições para curso de produção em Londrina

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Soja promoverá, entre domingo (22) e quinta-feira (26), o Curso de Produção de Soja, em Londrina (PR). A capacitação dará destaque ao módulo de Manejo do Solo e da Cultura e ao Manejo de Plantas Daninhas. Segundo a instituição, a proposta é compartilhar estratégias de produção com foco no manejo do sistema produtivo e na condução técnica da lavoura.
O curso será realizado na unidade da Embrapa Soja, em Londrina, e terá aulas teóricas e práticas ministradas por pesquisadores da própria empresa e de instituições parceiras. A programação informada pela Embrapa inclui temas ligados à instalação da lavoura, integração lavoura-pecuária, manejo e conservação do solo e da água, fertilidade do solo, nutrição de plantas, manejo pós-colheita, manejo integrado de plantas daninhas e dessecação pré-colheita.
De acordo com a descrição do evento, o módulo busca apresentar práticas de manejo que influenciam o desempenho da soja ao longo do ciclo produtivo. O conteúdo técnico abrange desde a preparação do sistema de cultivo até procedimentos de conservação e condução da área, com ênfase em fatores que interferem na produtividade e na eficiência operacional.
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A Embrapa informou ainda que o Curso de Produção de Soja será dividido em dois módulos independentes. O segundo está previsto para 2026 e será voltado ao manejo fitossanitário. O material divulgado não detalha, até o momento, carga horária total, número de vagas nem público máximo por turma.
Para produtores, consultores, técnicos e demais profissionais da cadeia da soja, a capacitação reúne temas centrais do manejo agronômico, especialmente em um cenário em que decisões sobre solo, fertilidade, plantas daninhas e pós-colheita têm efeito direto sobre custo operacional e desempenho da lavoura.
As inscrições e a programação completa estão disponíveis no endereço informado pela Embrapa: http://www.embrapa.br//soja/curso-de-producao. Até o momento, a instituição não informou novos detalhes sobre critérios de participação além dos dados básicos de data, local e conteúdo técnico do treinamento.
Fonte: embrapa.br
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Mato Grosso inicia vazio sanitário da soja em 8 de junho para conter ferrugem asiática

Mato Grosso inicia o período de vazio sanitário da soja no dia 8 de junho. A medida, que segue até 6 de setembro, proíbe a existência de plantas vivas da oleaginosa em qualquer área do estado para reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática. O calendário fitossanitário para a safra 2026/27 foi oficializado por uma nova Instrução Normativa Conjunta da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT).
Com a publicação do documento, o cronograma anterior foi mantido. Após o término do vazio sanitário, a semeadura da soja estará autorizada no estado entre os dias 7 de setembro de 2026 e 7 de janeiro de 2027.
A principal obrigação dos agricultores ao longo dos próximos três meses é a eliminação das plantas “guaxas” ou voluntárias, que nascem de forma espontânea nos campos após a colheita. A ausência de vegetação viva quebra o ciclo de reprodução do fungo Phakopsora pachyrhizi, considerado um dos patógenos mais severos da cultura e capaz de causar prejuízos severos à produtividade.
Riscos e penalidades
As regras estaduais também exigem o monitoramento contínuo das propriedades e o controle imediato caso a doença seja detectada. Além das lavouras, o transporte de grãos e sementes precisa de atenção redobrada, com acondicionamento adequado para evitar o derramamento de carga em rodovias e vias públicas, o que costuma gerar germinação nas margens das pistas.
A fiscalização das áreas rurais e urbanas ficará a cargo do Indea-MT. Caso fiscais identifiquem plantas voluntárias ou irregularidades no transporte durante o período de restrição, os responsáveis estarão sujeitos a penalidades.
“O descumprimento das medidas previstas na normativa pode gerar notificações, destruição das áreas irregulares, multas e demais penalidades previstas na legislação estadual de defesa sanitária vegetal”, explica o analista técnico de Agricultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato), Alex Rosa.
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