Sustentabilidade
Recomendações de manejo do potássio em ambientes agrícolas – MAIS SOJA

O potássio (K) é um dos macronutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas, estando intimamente relacionado ao rendimento das culturas produtoras de grãos. Nesse contexto, a adubação potássica é uma prática frequente e necessária em ambientes agrícolas para suprir o requerimento das culturas e expectativas de produtividade em lavouras comerciais.
Entretanto, embora a importância da adubação potássica seja reconhecida, não há um consenso frente as recomendações de manejo para essa prática, sendo possível observar divergências entre recomendações para uma mesma cultura, uma vez que elas se baseiam em sistemas regionais. Recentemente, um estudo desenvolvido por Frosi e colaboradores (2026) comparou as recomendações de potássio para soja, milho e trigo, utilizadas no Brasil e Paraguai, destacando suas semelhanças e diferenças. De acordo com Frosi et al. (2026), onze sistemas de recomendação de fertilizantes potássicos foram analisados, incluindo 10 brasileiros e um paraguaio.
Figura 1. Mapa do Brasil e do Paraguai ilustrando o alcance dos sistemas de recomendação de potássio analisados por Frosi e colaboradores (2026).
Os resultados observados por Frosi et al. (2026) evidenciam uma alta inconsistência entre os sistemas, mesmo quando aplicados a condições semelhantes de solo e produtividade. Uma das principais discrepância encontradas foi a ampla variação no nível crítico de potássio no solo, que oscilou entre 30 e 135 mg dm⁻³, representando uma diferença de até 3,5 vezes entre os sistemas avaliados.
Além disso, as doses recomendadas de K₂O variaram drasticamente para um mesmo nível de produtividade esperado. Para a soja (3 Mg ha⁻¹), as recomendações variaram de 58 a 375 kg ha⁻¹, enquanto para o milho (10 Mg ha⁻¹) variaram de 97 a 375 kg ha⁻¹, e para o trigo (4 Mg ha⁻¹), de 62 a 330 kg ha⁻¹ (Frosi et al., 2026).
Outro ponto crítico observado foi a discrepância nos teores de K no solo considerados suficientes para dispensar adubação. Em alguns sistemas, a ausência de recomendação ocorre com valores próximos de 50 mg dm⁻³, enquanto outros ainda indicam aplicação mesmo com níveis superiores a 500 mg dm⁻³, evidenciando diferenças que podem ultrapassar 900% entre abordagens. Frosi et al. (2026) atribuem a essas discrepâncias, principalmente as diferenças metodológicas como uso ou não da capacidade de troca de cátions (CTC) na interpretação; as diferentes filosofias de recomendação (suficiência vs. construção e manutenção) e as variações nos métodos de extração e calibração dos nutrientes.

Segundo Frosi et al. (2026), os sistemas de recomendação de fertilizantes potássicos no Brasil apresentam níveis críticos semelhantes, com média de 77 mg dm⁻³ e variação entre 50 e 90 mg dm⁻³, refletindo a similaridade na dinâmica do potássio nos solos e a consistência na resposta das culturas. Entretanto, quando a recomendação considera a CTC (pH 7,0), observa-se relação positiva entre CTC e nível crítico: solos com CTC baixa tendem a apresentar níveis críticos menores, enquanto solos com CTC elevada exigem níveis mais altos. De acordo com os autores, diferenças entre sistemas, mesmo em condições semelhantes, estão associadas principalmente à metodologia adotada (profundidade de amostragem, critério de rendimento relativo e modelo estatístico), podendo mais de 50% da variação ser explicada por esses fatores.
Figura 2. Nível crítico de potássio (K) em cada sistema de recomendação (definido como o limite superior da classe de disponibilidade média) (A) e as classes de disponibilidade de K e a amplitude de cada classe entre os sistemas de recomendação (B).

Nesse contexto, entende-se que cada sistema apresenta uma curva distinta de recomendação, mesmo para o mesmo teor de K no solo, destacando uma ausência de convergência entre os sistemas de recomendação. Como consequência, a falta de padronização dificulta a adoção das recomendações pelos produtores, reduz a confiabilidade dos sistemas e pode levar tanto à subadubação quanto ao uso excessivo de fertilizantes. Assim, a padronização metodológica é essencial para reduzir variações e permitir o estabelecimento de valores médios mais consistentes.
Confira o estudo completo desenvolvido por Frosi e colaboradores (2026) clicando aqui!
Referências:
FROSI, G. COMPARISON OF POTASSIUM FERTILIZER RECOMMENDATIONS FOR GRAIN CROPS IN BRAZIL AND PARAGUAY. Soil Science Society of America Journal, 2026. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/saj2.70227 >, acesso em: 10/04/2026.

Sustentabilidade
Produtor segue retraído e trava negócios da soja na semana; veja como ficaram as cotações hoje

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com baixa movimentação e poucos negócios, refletindo principalmente a queda do dólar e a perda de referência nos portos. Mesmo com alta na Bolsa de Chicago, o mercado interno não sustentou o movimento de valorização.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o câmbio foi o principal fator de pressão sobre os preços. “Apesar da CBOT ter subido, os preços caíram cerca de R$ 1 no porto por conta do dólar”, afirma. No físico, o produtor seguiu retraído, aguardando melhores níveis de negociação, o que manteve a comercialização fraca ao longo da semana.
Preços da soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): permaneceu em R$ 123,00
- Santa Rosa (RS): manteve em R$ 124,00
- Cascavel (PR): desceu de R$ 119,00 para R$ 118,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 108,00
- Dourados (MS): subiu de R$ 110,00 para R$ 111,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 109,00
- Paranaguá (PR): caiu de R$ 129,00 para R$ 128,00 por saca
- Rio Grande (RS): permaneceu em R$ 129,00 por saca
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta sexta-feira na Bolsa de Mercadorias de
Chicago (CBOT), elevando os ganhos acumulados na semana. Um movimento de compras técnicas e o comportamento dos investidores procurando posicionar suas carteiras frente ao final de semana garantiram a sustentação dos contratos.
Antes das negociações entre Irã e Estados Unidos em busca de uma solução para o conflito no Oriente Médio, os participantes preferiram a cautela e evitar correr riscos. O relatório de abril do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) seguiu no radar, mas foi considerado neutro.O destaque do dia fica por conta da forte alta do farelo. "O movimento tem origem predominantemente técnica e não reflete uma mudança nos fundamentos do mercado", alerta o analista de Safras & Mercado, Gabriel Viana. "O principal driver da alta é o desmonte de posições especulativas que vinham apostando simultaneamente na valorização do óleo de soja e na queda do farelo o chamado spread long oil/short meal", completou.Segundo Viana, com o óleo recuando nesta sessão, operadores passaram a reverter essas posições, gerando pressão compradora artificial sobre o farelo independentemente de qualquer alteração nos fundamentos de oferta e demanda do derivado."Os fundamentos de médio prazo seguem apontando para um cenário mais pressionado para o farelo, com a expectativa de aumento do esmagamento nos Estados Unidos em decorrência dos novos mandatos de biodiesel, maior oferta sul-americana com o avanço da safra argentina e prêmios de exportação no Brasil ainda descolados da realidade de oferta crescente", conclui o analista.
Os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam com alta de 10,50 centavos de dólar, ou 0,90%, a US$ 11,75 3/4 por bushel. A posição julho teve cotação de US$ 11,91 1/4 por bushel, com elevação de 10,25 centavos de dólar ou 0,86%.Nos subprodutos, a posição maio do farelo fechou com alta de US$ 14,60 ou 4,59% a US$ 332,20 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em maio fecharam a 67,10 centavos de dólar, com perda de 0,60 centavo ou 0,88%.Câmbio
O dólar encerrou o dia em queda de 1,03%, reforçando a pressão sobre os preços internos da soja e limitando a competitividade das exportações brasileiras.
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Sustentabilidade
Zona de Convergência Intertropical traz chuvas acima de 100 mm e espalha instabilidade; saiba onde e quando

A previsão do tempo indica aumento das chuvas nos próximos dias, com destaque para a região Centro-Norte do Brasil, além do Nordeste e do norte dos estados nordestinos. O cenário é provocado pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que intensifica a formação de áreas de instabilidade nessas regiões.
Segundo a meteorologia, estados como Amazonas, Pará e Maranhão devem registrar acumulados que podem ultrapassar 100 mm entre os dias 11 e 15 de abril, com volume expressivo de chuva nas lavouras de soja.
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Já no Rio Grande do Sul, em municípios de forte produção agrícola como São Borja, a previsão indica chuvas nos próximos cinco dias, com volumes acima de dois dígitos, mantendo uma distribuição mais regular das precipitações até a metade da próxima semana.
16 a 20 de abril
Quando a previsão avança para o período de 16 a 20 de abril, a chuva se concentra e se intensifica novamente no Centro-Norte do país, especialmente no Pará, onde há áreas com potencial de acumulados acima de 200 mm.
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Sustentabilidade
Mercado brasileiro de trigo opera com oferta restrita e ritmo lento de negócios – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de trigo teve outra semana com pouca evolução no volume de negócios, mas com preços firmes, sustentados principalmente pela baixa disponibilidade no mercado físico e pela postura retraída dos produtores. O ambiente segue típico de transição entre safras, com o foco ainda concentrado na colheita de verão, o que limita a liquidez.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, o cenário segue travado do lado da oferta. “As cotações seguem firmes, sustentadas pela baixa disponibilidade no mercado spot e pela postura retraída dos vendedores”, afirmou.
No Paraná, os preços permaneceram estáveis, com indicações ao redor de R$ 1.350/t CIF, podendo chegar a R$ 1.380/t para trigo de melhor qualidade, e até superar R$ 1.400/t em negócios pontuais no norte do estado. No mercado FOB de Ponta Grossa, as referências variaram entre R$ 1.300 e R$ 1.320/t. Mesmo com a liquidez limitada, os preços seguem sustentados.
Já no Rio Grande do Sul, o mercado apresentou pouca movimentação, refletindo o foco na colheita da soja, que ainda concentra os esforços dos produtores. As indicações no interior giraram inicialmente ao redor de R$ 1.200/t FOB, mas ao longo da semana começaram a surgir sinais mais claros de valorização.
“Aqueles que precisavam vender o trigo para acomodar a oleaginosa já o fizeram entre fevereiro e março nos estados do Sul”, explicou Bento. Com isso, a oferta disponível no curto prazo ficou mais restrita.
Outro fator relevante foi o aumento dos custos logísticos, que ajudou a conter a atuação dos compradores. A elevação dos custos de frete, típica deste período, foi intensificada pelo aumento do diesel, o que acaba inibindo a atuação dos compradores.
Na segunda metade da semana, o mercado começou a dar sinais de mudança, especialmente pela maior presença compradora. No Rio Grande do Sul, negócios passaram a ser registrados entre R$ 1.260/t e R$ 1.280/t FOB, com pedidas chegando a até R$ 1.350/t em algumas regiões.
“A ausência de volumes consistentes reforça a percepção de que os preços devem se sustentar no curto prazo”, destacou Bento.
No cenário externo, o Brasil segue dependente das importações, apesar de uma leve melhora na balança comercial. No acumulado do ano comercial 2025/26 (até março), o país importou 4,19 milhões de toneladas, queda de 13% na comparação anual. Ainda assim, a dependência externa permanece elevada. “O país mantém forte dependência do mercado externo para abastecimento”, afirmou.
“A tendência é de recuperação gradual dos preços, limitada pela paridade de importação”, conclui Bento, indicando potencial de altas adicionais de até 5% no Paraná e 11% no Rio Grande do Sul.
Fonte: Agência Safras
Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
Site: Agência Safras
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